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	<title>ideias de temas para poemas &#8211; como fazer um poema</title>
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	<description>poesia brasileira e portuguesa</description>
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	<title>ideias de temas para poemas &#8211; como fazer um poema</title>
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	<item>
		<title>6 belos poemas sobre girassol para ler e se inspirar!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Dec 2023 09:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ideias de temas para poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas sobre girassol em portugu&#234;s! O girassol &#233; uma das plantas mais ic&#244;nicas e de simbolismo mais potente que h&#225; em nosso planeta. Seja pelo seu inconfund&#237;vel formato e vistosa cor, seja por seu particular&#237;ssimo posicionamento, o girassol j&#225; serviu de inspira&#231;&#227;o para muitos poemas ao longo do tempo. Sendo&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-sobre-girassol-poesia-portugues/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">6 belos poemas sobre girassol para ler e se inspirar!</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas sobre girassol em português!</em></span></p>
<p>O <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Girassol" target="_blank" rel="noopener">girassol</a> é uma das plantas mais icônicas e de simbolismo mais potente que há em nosso planeta.</p>
<p>Seja pelo seu inconfundível formato e vistosa cor, seja por seu particularíssimo posicionamento, o girassol já serviu de inspiração para muitos poemas ao longo do tempo.</p>
<p>Sendo assim, preparamos uma seleção com 6 poemas sobre girassol para que você possa apreciar o papel criativo desta bela planta nos versos de alguns poetas portugueses.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas sobre girassol</h2>
<h3>Passa uma nuvem pelo sol, de Fernando Pessoa</h3>
<blockquote><p>Passa uma nuvem pelo sol.<br />
Passa uma pena por quem vê.<br />
A alma é como um girassol:<br />
Vira-se ao que não está ao pé.</p>
<p>Passou a nuvem; o sol volta.<br />
A alegria girassolou<br />
Pendão latente de revolta,<br />
Que hora maligna te enrolou?</p></blockquote>
<h3>O meu olhar é nítido como um girassol, de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)</h3>
<blockquote><p>O meu olhar é nítido como um girassol.<br />
Tenho o costume de andar pelas estradas<br />
Olhando para a direita e para a esquerda,<br />
E de vez em quando olhando para trás…<br />
E o que vejo a cada momento<br />
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,<br />
E eu sei dar por isso muito bem…<br />
Sei ter o pasmo essencial<br />
Que tem uma criança se, ao nascer,<br />
Reparasse que nascera deveras…<br />
Sinto-me nascido a cada momento<br />
Para a eterna novidade do mundo…</p>
<p>Creio no mundo como num malmequer,<br />
Porque o vejo. Mas não penso nele<br />
Porque pensar é não compreender…<br />
O Mundo não se fez para pensarmos nele<br />
(Pensar é estar doente dos olhos)<br />
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…</p>
<p>Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…<br />
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.<br />
Mas porque a amo, e amo-a por isso,<br />
Porque quem ama nunca sabe o que ama<br />
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…</p>
<p>Amar é a eterna inocência,<br />
E a única inocência não pensar…</p></blockquote>
<h3>Pensão familiar, de Manuel Bandeira</h3>
<blockquote><p>Jardim da pensãozinha burguesa.<br />
Gatos espapaçados ao sol.<br />
A tiririca sitia os canteiros chatos.<br />
O sol acaba de crestar as boninas que murcharam.<br />
Os girassóis<br />
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤamarelo!<br />
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤresistem.<br />
E as dálias, rechonchudas, plebeias, dominicais.</p>
<p>Um gatinho faz pipi.<br />
Com gestos de garçom de restaurant-Palace<br />
Encobre cuidadosamente a mijadinha.<br />
Sai vibrando com elegância a patinha direita:<br />
– É a única criatura fina na pensãozinha burguesa.</p></blockquote>
<h3>Tateio, de Hilda Hist</h3>
<blockquote><p>Tateio. A fronte. O braço. O ombro.<br />
O fundo sortilégio da omoplata.<br />
Matéria-menina a tua fronte e eu<br />
Madurez, ausência nos teus claros<br />
Guardados.</p>
<p>Ai, ai de mim. Enquanto caminhas<br />
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.<br />
Esta fronte que é minha, prodigiosa<br />
De núpcias e caminho<br />
É tão diversa da tua fronte descuidada.</p>
<p>Tateio. E a um só tempo vivo<br />
E vou morrendo. Entre terra e água<br />
Meu existir anfíbio. Passeia<br />
Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:<br />
Noturno girassol. Rama secreta.</p></blockquote>
<h3>Alma a sangrar, de Florbela Espanca</h3>
<blockquote><p>Quem fez ao sapo o leito carmesim<br />
De rosas desfolhadas à noitinha?<br />
E quem vestiu de monja a andorinha,<br />
E perfumou as sombras do jardim?</p>
<p>Quem cinzelou estrelas no jasmim?<br />
Quem deu esses cabelos de rainha<br />
Ao girassol? Quem fez o mar? E a minha<br />
Alma a sangrar? Quem me criou a mim?</p>
<p>Quem fez os homens e deu vida aos lobos?<br />
Santa Teresa em místicos arroubos?<br />
Os monstros? E os profetas? E o luar?</p>
<p>Quem nos deu asas para andar de rastros?<br />
Quem nos deu olhos para ver os astros<br />
&#8211; Sem nos dar braços para os alcançar?!&#8230;</p></blockquote>
<h3>Mestre, são plácidas, de Ricardo Reis (Fernando Pessoa)</h3>
<blockquote><p>Mestre, são plácidas<br />
Todas as horas<br />
Que nós perdemos,<br />
Se no perdê-las,<br />
Qual numa jarra,<br />
Nós pomos flores.</p>
<p>Não há tristezas<br />
Nem alegrias<br />
Na nossa vida.<br />
Assim saibamos,<br />
Sábios incautos,<br />
Não a viver,</p>
<p>Mas decorrê-la,<br />
Tranquilos, plácidos,<br />
Tendo as crianças<br />
Por nossas mestras,<br />
E os olhos cheios,<br />
De Natureza…</p>
<p>À beira-rio<br />
À beira-estrada,<br />
Conforme calha,<br />
Sempre no mesmo<br />
Leve descanso<br />
De estar vivendo.</p>
<p>O tempo passa,<br />
Não nos diz nada.<br />
Envelhecemos.<br />
Saibamos, quase<br />
Maliciosos,<br />
Sentir-nos ir.</p>
<p>Não vale a pena<br />
Fazer um gesto.<br />
Não se resiste<br />
Ao deus atroz<br />
Que os próprios filhos<br />
Devora sempre.</p>
<p>Colhamos flores.<br />
Molhemos leves<br />
As nossas mãos<br />
Nos rios calmos,<br />
Para aprendermos<br />
Calma também.</p>
<p>Girassóis sempre<br />
Fitando o sol,<br />
Da vida iremos<br />
Tranquilos, tendo<br />
Nem o remorso<br />
De ter vivido.</p></blockquote>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que tenha gostado de nossa seleção de poemas sobre girassol.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-protesto-poesia-revolta-portugues/">poemas de protesto</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>4 comoventes poemas de protesto feitos por grandes poetas</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-de-protesto-poesia-revolta-portugues/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-de-protesto-poesia-revolta-portugues</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Dec 2023 22:12:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ideias de temas para poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas de protesto em portugu&#234;s! Um dos sentimentos mais poderosos que somos capazes de experimentar nesta vida &#233; o de revolta. O mais das vezes, vemos a indigna&#231;&#227;o brotar em nosso &#237;ntimo ap&#243;s depararmo-nos com alguma injusti&#231;a patente, algo que, a nosso ver, n&#227;o poderia ocorrer e n&#227;o &#233; admiss&#237;vel.&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-protesto-poesia-revolta-portugues/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">4 comoventes poemas de protesto feitos por grandes poetas</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas de protesto em português!</em></span></p>
<p>Um dos sentimentos mais poderosos que somos capazes de experimentar nesta vida é o de revolta.</p>
<p>O mais das vezes, vemos a indignação brotar em nosso íntimo após depararmo-nos com alguma injustiça patente, algo que, a nosso ver, não poderia ocorrer e não é admissível.</p>
<p>Então, cada um de nós manifesta este sentimento de uma maneira particular.</p>
<p>Os poetas, naturalmente, já se valeram muitas vezes dele como inspiração para poemas, e há em nossa língua excelentes versos em tom de protesto, feitos em variadas épocas e circunstâncias.</p>
<p>Pensando nisso, preparamos uma seleção com 4 poemas de protesto para que você possa apreciar a expressão deste sentimento por grandes poetas portugueses.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de protesto</h2>
<h3>O pássaro cativo, de Olavo Bilac</h3>
<blockquote><p>Armas, num galho de árvore, o alçapão;<br />
E, em breve, uma avezinha descuidada,<br />
Batendo as asas cai na escravidão.</p>
<p>Dás-lhe então, por esplêndida morada,<br />
A gaiola dourada;<br />
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo:<br />
Por que é que, tendo tudo, há de ficar<br />
O passarinho mudo,<br />
Arrepiado e triste, sem cantar?</p>
<p>É que, criança, os pássaros não falam.<br />
Só gorjeando a sua dor exalam,<br />
Sem que os homens os possam entender;<br />
Se os pássaros falassem,<br />
Talvez os teus ouvidos escutassem<br />
Este cativo pássaro dizer:</p>
<p>“Não quero o teu alpiste!<br />
Gosto mais do alimento que procuro<br />
Na mata livre em que a voar me viste;<br />
Tenho água fresca num recanto escuro<br />
Da selva em que nasci;<br />
Da mata entre os verdores,<br />
Tenho frutos e flores,<br />
Sem precisar de ti!<br />
Não quero a tua esplêndida gaiola!<br />
Pois nenhuma riqueza me consola</p>
<p>De haver perdido aquilo que perdi…<br />
Prefiro o ninho humilde, construído<br />
De folhas secas, plácido, e escondido<br />
Entre os galhos das árvores amigas…</p>
<p>Solta-me ao vento e ao sol!<br />
Com que direito à escravidão me obrigas?<br />
Quero saudar as pompas do arrebol!<br />
Quero, ao cair da tarde,<br />
Entoar minhas tristíssimas cantigas!<br />
Por que me prendes? Solta-me, covarde!<br />
Deus me deu por gaiola a imensidade:<br />
Não me roubes a minha liberdade…<br />
Quero voar! voar!…”</p>
<p>Estas coisas o pássaro diria,<br />
Se pudesse falar.<br />
E a tua alma, criança, tremeria,<br />
Vendo tanta aflição:<br />
E a tua mão, tremendo, lhe abriria<br />
A porta da prisão…</p></blockquote>
<h3>O condenado, de Augusto dos Anjos</h3>
<blockquote><p><em>“Folga a Justiça e geme a natureza.”</em><br />
<em>— Bocage</em></p>
<p>Alma feita somente de granito,<br />
Condenada a sofrer cruel tortura<br />
Pela rua sombria d’amargura<br />
— Ei-lo que passa — réprobo maldito.</p>
<p>Olhar ao chão cravado e sempre fito,<br />
Parece contemplar a sepultura<br />
Das suas ilusões que a desventura<br />
Desfez em pó no hórrido delito.</p>
<p>E, à cruz da expiação subindo mudo,<br />
A vida a lhe fugir já sente prestes<br />
Quando ao golpe do algoz, calou-se tudo.</p>
<p>O mundo é um sepulcro de tristeza.<br />
Ali, por entre matas de ciprestes,<br />
Folga a justiça e geme a natureza.</p></blockquote>
<h3>O homem forte, de Gonçalves Dias</h3>
<blockquote><p>O modesto varão constante e justo<br />
Pensa e medita nas lições dos sábios<br />
E nos caminhos da justiça eterna<br />
Gradua firme os passos.</p>
<p>O brilho da sua lama não mareia<br />
A luz do sol, nem do carvão se tisna;<br />
Morre pelo dever, austero e crente,<br />
Confessando a virtude.</p>
<p>Pode a calúnia denegrir seus feitos,<br />
Negar-lhe a inveja o mérito subido;<br />
Pode em seu dano conspirar-se o mundo<br />
E renegá-lo a pátria!</p>
<p>Tão modesto no paço de Lóculo<br />
Como encerrado no tonel do Grego,<br />
Nem o transtorna a aragem da ventura,<br />
Nem a desgraça o abate.</p>
<p>A tiranos preceitos não se humilha,<br />
Ante o ferro do algoz não curva a fronte,<br />
Não faz calar da consciência o grito,<br />
Não nega os seus princípios.</p>
<p>Antes, seguro e firme e confiado<br />
No tempo, vingador das injustiças,<br />
Co’os pés no cadafalso e a vista erguida<br />
Se mostra imperturbável.</p>
<p>Sofre mártir e expira! A pátria em torno<br />
Do seu sepulcro o chora, onde a virtude,<br />
Afeita ao luto e à dor, de novo carpe<br />
Do justo a flébil morte!</p></blockquote>
<h3>O navio negreiro, de Castro Alves</h3>
<blockquote><p>V</p>
<p>Senhor Deus dos desgraçados!<br />
Dizei-me vós, Senhor Deus!<br />
Se é loucura… se é verdade<br />
Tanto horror perante os céus…<br />
Ó mar! por que não apagas<br />
Co’a esponja de tuas vagas<br />
De teu manto este borrão?…<br />
Astros! noite! tempestades!<br />
Rolai das imensidades!<br />
Varrei os mares, tufão!…</p>
<p>Quem são estes desgraçados,<br />
Que não encontram em vós,<br />
Mais que o rir calmo da turba<br />
Que excita a fúria do algoz?<br />
Quem são?… Se a estrela se cala,<br />
Se a vaga à pressa resvala<br />
Como um cúmplice fugaz,<br />
Perante a noite confusa…<br />
Dize-o tu, severa musa,<br />
Musa libérrima, audaz!</p>
<p>São os filhos do deserto<br />
Onde a terra esposa a luz.<br />
Onde voa em campo aberto<br />
A tribo dos homens nus…<br />
São os guerreiros ousados,<br />
Que com os tigres mosqueados<br />
Combatem na solidão…<br />
Homens simples, fortes, bravos…<br />
Hoje míseros escravos,<br />
Sem ar, sem luz, sem razão…</p>
<p>São mulheres desgraçadas<br />
Como Agar o foi também,<br />
Que sedentas, alquebradas,<br />
De longe… bem longe vêm…<br />
Trazendo com tíbios passos,<br />
Filhos e algemas nos braços,<br />
N’alma — lágrimas e fel.<br />
Como Agar sofrendo tanto<br />
Que nem o leite de pranto<br />
Têm que dar para Ismael…</p>
<p>Lá nas areias infindas,<br />
Das palmeiras no país,<br />
Nasceram — crianças lindas,<br />
Viveram — moças gentis…<br />
Passa um dia a <em>caravana</em><br />
Quando a virgem na cabana<br />
Cisma da noite nos véus …<br />
…Adeus! ó choça do monte!…<br />
…Adeus! palmeiras da fonte!…<br />
…Adeus! amores… adeus!…</p>
<p>Depois o areal extenso…<br />
Depois o oceano de pó…<br />
Depois no horizonte imenso<br />
Desertos… desertos só…<br />
E a fome, o cansaço, a sede…<br />
Ai! quanto infeliz que cede,<br />
E cai pra não mais s’erguer!…<br />
Vaga um lugar na <em>cadeia</em>,<br />
Mas o chacal sobre a areia<br />
Acha um corpo que roer…</p>
<p>Ontem a Serra Leoa,<br />
A guerra, a caça ao leão,<br />
O sono dormido à toa<br />
Sob as tendas d’amplidão…<br />
Hoje… o <em>porão</em> negro, fundo,<br />
Infecto, apertado, imundo,<br />
Tendo a <em>peste</em> por jaguar…<br />
E o sono sempre cortado<br />
Pelo arranco de um finado,<br />
E o baque de um corpo ao mar…</p>
<p>Ontem plena liberdade,<br />
A vontade por poder…<br />
Hoje… cúm’lo de maldade,<br />
Nem são livres pra… morrer…<br />
Prende-os a mesma corrente<br />
— Férrea, lúgubre serpente —<br />
Nas roscas da escravidão.<br />
E assim roubados à morte,<br />
Dança a lúgubre coorte<br />
Ao som do açoite… Irrisão!…</p>
<p>Senhor Deus dos desgraçados!<br />
Dizei-me vós, Senhor Deus!<br />
Se eu deliro… ou se é verdade<br />
Tanto horror perante os céus…<br />
Ó mar, por que não apagas<br />
Co’a esponja de tuas vagas<br />
De teu manto este borrão?…<br />
Astros! noite! tempestades!<br />
Rolai das imensidades!<br />
Varrei os mares, tufão!…</p>
<p>VI</p>
<p>E existe um povo que a bandeira empresta<br />
Pra cobrir tanta infâmia e covardia!…<br />
E deixa-a transformar-se nessa festa<br />
Em manto impuro de bacante fria!…<br />
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,<br />
Que impudente na gávea tripudia?!…<br />
Silêncio!… Musa! chora, chora tanto<br />
Que o pavilhão se lave no teu pranto…</p>
<p>Auriverde pendão de minha terra,<br />
Que a brisa do Brasil beija e balança,<br />
Estandarte que a luz do sol encerra,<br />
E as promessas divinas da esperança…<br />
Tu, que da liberdade após a guerra,<br />
Foste hasteado dos heróis na lança,<br />
Antes te houvessem roto na batalha,<br />
Que servires a um povo de mortalha!…</p>
<p>Fatalidade atroz que a mente esmaga!<br />
Extingue nesta hora o <em>brigue imundo</em><br />
O trilho que Colombo abriu na vaga,<br />
Como um íris no pélago profundo!…<br />
…Mas é infâmia demais… Da etérea plaga<br />
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo…<br />
Andrada! arranca esse pendão dos ares!<br />
Colombo! fecha a porta de teus mares!</p></blockquote>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que tenha gostado de nossa seleção de poemas de protesto.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-antigos-e-atuais-poesia-portugues/">poemas antigos</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>6 poemas antigos que permanecem atualíssimos em nossos dias</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-antigos-e-atuais-poesia-portugues/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-antigos-e-atuais-poesia-portugues</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Dec 2023 21:55:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ideias de temas para poemas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2514</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas antigos em portugu&#234;s! Toda &#233;poca, bem sabemos, tem suas caracter&#237;sticas e peculiaridades, e &#233; justamente por isso que, voltando-nos ao passado, conseguimos observar tend&#234;ncias e tem&#225;ticas comuns a muitos autores coevos. &#201; identificando-as que conseguimos compreender, em suma, as chamadas &#8220;escolas liter&#225;rias&#8221;. Ocorre, contudo, haver, na experi&#234;ncia humana, tem&#225;ticas&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-antigos-e-atuais-poesia-portugues/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">6 poemas antigos que permanecem atualíssimos em nossos dias</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas antigos em português!</em></span></p>
<p>Toda época, bem sabemos, tem suas características e peculiaridades, e é justamente por isso que, voltando-nos ao passado, conseguimos observar tendências e temáticas comuns a muitos autores coevos.</p>
<p>É identificando-as que conseguimos compreender, em suma, as chamadas &#8220;escolas literárias&#8221;.</p>
<p>Ocorre, contudo, haver, na experiência humana, temáticas atemporais, e é por isso que conseguimos ler e compreender Homero, Dante, Camões e muitos outros autores temporalmente distantes de nós: porque somos, como eles, humanos, e é desta humanidade compartilhada que surge a possibilidade de compreensão.</p>
<p>Sendo assim, é de se concluir que muitos poemas antigos podem, sem dificuldade, ser lidos e apreciados por nós, séculos após sua composição.</p>
<p>Pensando nisto, preparamos uma seleção com 6 poemas antigos que venceram a barreira do tempo e permanecem atualíssimos em nossos dias.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas antigos atualíssimos</h2>
<h3>Busque Amor novas artes, novo engenho, de Camões</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe title="Poema Busque Amor novas artes, novo engenho, de Camões | como fazer um poema" src="https://www.youtube.com/embed/PxukoN-bLMo?feature=oembed" width="1200" height="675" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen" data-mce-fragment="1"></iframe></div>
<blockquote><p>Busque Amor novas artes, novo engenho,<br />
Para matar-me, e novas esquivanças;<br />
Que não pode tirar-me as esperanças,<br />
Que mal me tirará o que eu não tenho.</p>
<p>Olhai de que esperanças me mantenho!<br />
Vede que perigosas seguranças!<br />
Que não temo contrastes nem mudanças,<br />
Andando em bravo mar, perdido o lenho.</p>
<p>Mas, conquanto não pode haver desgosto<br />
Onde esperança falta, lá me esconde<br />
Amor um mal, que mata e não se vê.</p>
<p>Que dias há que n’alma me tem posto<br />
Um não sei quê, que nasce não sei onde,<br />
Vem não sei como, e dói não sei por quê.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/busque-amor-novas-artes-novo-engenho-camoes/">Busque Amor novas artes, novo engenho, de Camões</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Efeitos contrários do amor, de Gregório de Matos</h3>
<blockquote><p>Ó que cansado trago o sofrimento,<br />
Ó que injusta pensão da humana vida,<br />
Que dando-me o tormento sem medida,<br />
Me encurta o desafogo de um contento!</p>
<p>Nasceu para oficina do tormento<br />
Minha alma, a seus desgostos tão unida,<br />
Que por manter-se em posse de afligida<br />
Me concede os pesares de alimento.</p>
<p>Em mim não são as lágrimas bastantes<br />
Contra incêndios, que ardentes me maltratam,<br />
Nem estes contra aqueles são possantes:</p>
<p>Contrários contra mim em paz se tratam,<br />
E estão em ódio meu tão conspirantes,<br />
Que só por me matarem não se matam.</p></blockquote>
<h3>Deus, Infinito ser, de Francisco Bingre</h3>
<blockquote><p>Deus, Infinito ser, nunca criado,<br />
Sem princípio, nem fim, na Majestade<br />
Que no trono da Eterna Divindade<br />
Tens o Mundo num dedo dependurado:</p>
<p>Tu estavas em Ti, não foste nado,<br />
O teu Ser era a tua Imensidade,<br />
Tu tiveste por berço a Eternidade,<br />
Tu, sem tempo, em Ti mesmo eras gerado!</p>
<p>Tu és um fogo que arde sem matéria,<br />
Tu és perpétua luz, que não desmaia<br />
Fulgindo, sem cessar, na sala etérea!</p>
<p>Tu és um mar de amor, que não tem praia,<br />
Trovão assustador da esfera aérea,<br />
Rei dum Reino Imortal, que não tem raia!…</p></blockquote>
<h3>Para cantar de Amor tenros cuidados, de Cláudio Manuel da Costa</h3>
<blockquote><p>Para cantar de Amor tenros cuidados,<br />
Tomo entre vós, ó montes, o instrumento,<br />
Ouvi pois o meu fúnebre lamento;<br />
Se é que de compaixão sois animados:</p>
<p>Já vós vistes que aos ecos magoados<br />
Do Trácio Orfeu parava o mesmo vento;<br />
Da lira de Anfião ao doce acento<br />
Se viram os rochedos abalados.</p>
<p>Bem sei, que de outros Gênios o destino,<br />
Para cingir de Apolo a verde rama,<br />
Lhes influiu na lira estro divino;</p>
<p>O canto, pois, que a minha voz derrama,<br />
Porque ao menos o entoa um Peregrino,<br />
Se faz digno entre vós também de fama.</p></blockquote>
<h3>A negra fúria Ciúme, de Bocage</h3>
<blockquote><p>Morre a luz, abafa os ares<br />
Horrendo, espesso negrume,<br />
Apenas surge do Averno<br />
A negra fúria Ciúme.</p>
<p>Sobre um sólio cor da noite<br />
Jaz dos Infernos o Nume,<br />
E a seus pés tragando brasas<br />
A negra fúria Ciúme.</p>
<p>Crespas víboras penteia,<br />
Dos olhos dardeja lume,<br />
Respira veneno e peste<br />
A negra fúria Ciúme.</p>
<p>Arrancando à Morte a fouce<br />
De buído, ervado gume,<br />
Vem retalhar corações<br />
A negra fúria Ciúme.</p>
<p>Ao cruel sócio de Amor<br />
Escapar ninguém presume,<br />
Porque a tudo as garras lança<br />
A negra fúria Ciúme.</p>
<p>Todos os males do Inferno<br />
Em si guarda, em si resume<br />
O mais horrível dos monstros,<br />
A negra fúria Ciúme.</p>
<p>Amor inda é mais suave,<br />
Que das rosas o perfume,<br />
Mas envenena-lhe as graças<br />
A negra fúria Ciúme.</p>
<p>Nas asas de Amor voamos<br />
Do prazer ao áureo cume,<br />
Porém de lá nos arroja<br />
A negra fúria Ciúme.</p>
<p>Do férreo cálix da Morte<br />
Prova o funesto azedume<br />
Aquele a quem ferve n’alma<br />
A negra fúria Ciúme.</p>
<p>Do escuro seio dos fados<br />
Saltam males em cardume:<br />
O pior é o que eu sofro,<br />
A negra fúria Ciúme.</p>
<p>Dos imutáveis destinos<br />
Se lê no idoso volume<br />
Quantos estragos tem feito<br />
A negra fúria Ciúme.</p>
<p>Amor inda brilha menos<br />
Do que sutil vagalume,<br />
Por entre as sombras que espalha<br />
A negra fúria Ciúme.</p></blockquote>
<h3>Vendo-a sorrir, de Guerra Junqueiro</h3>
<blockquote><p><em>(A minha filha)</em></p>
<p>Filha, quando sorris, iluminas a casa<br />
Dum celeste esplendor.<br />
A alegria é na infância o que na ave é asa<br />
E perfume na flor.</p>
<p>Ó doirada alegria, ó virgindade santa<br />
Do sorriso infantil!<br />
Quando o teu lábio ri, filha, a minha alma canta<br />
Todo o poema de Abril.</p>
<p>Ao ver esse sorriso, ó filha, se concentro<br />
Em ti o meu olhar,<br />
Engolfa-se-me o céu azul pela alma dentro<br />
Com pombas a voar.</p>
<p>Sou o Sol que agoniza, e tu, meu anjo loiro,<br />
És o Sol que se eleva.<br />
Inunda-me de luz, sorri, polvilha de oiro<br />
O meu manto de treva!</p></blockquote>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que tenha gostado de nossa seleção de poemas antigos.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-sobre-professores-aluno-poesia/">poemas sobre professores</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>4 criativos poemas sobre professores em português!</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-sobre-professores-aluno-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-sobre-professores-aluno-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Dec 2023 21:48:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ideias de temas para poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas sobre professores em portugu&#234;s! Ser professor &#233; muito mais do que simplesmente ensinar: &#233; manifestar o agradecimento &#224;queles que um dia o ensinaram e garantir que o conhecimento ser&#225; transmitido ao futuro. Sem professores, n&#227;o h&#225; ensino; e todos n&#243;s, estudantes de qualquer &#225;rea do conhecimento, precisamos deles para&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-sobre-professores-aluno-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">4 criativos poemas sobre professores em português!</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas sobre professores em português!</em></span></p>
<p>Ser professor é muito mais do que simplesmente ensinar: é manifestar o agradecimento àqueles que um dia o ensinaram e garantir que o conhecimento será transmitido ao futuro.</p>
<p>Sem professores, não há ensino; e todos nós, estudantes de qualquer área do conhecimento, precisamos deles para aprender e evoluir; mesmo os autodidatas entre nós recorrem a livros, e estes são escritos por professores, assumidos ou não.</p>
<p>De tudo isso percebemos o papel fundamental dos professores em nossa vida, que é imensamente reforçado quando temos a sorte de ter um deles em nossa frente, algo possibilitado pelas escolas.</p>
<p>E ainda que dele não gostemos, ainda que fiquemos incomodados com a relação de autoridade a que somos submetidos em sala de aula, as marcas do ensino se nos entranham para ficar.</p>
<p>Sendo assim, preparamos uma seleção com 4 poemas sobre professores para que você possa apreciar o sentimento gerado por professores em grandes poetas da língua portuguesa.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas sobre professores</h2>
<h3>Exaltação de Aninha (O professor), de Cora Coralina</h3>
<blockquote><p>Professor, “sois o sal da terra e a luz do mundo”.<br />
Sem vós tudo seria baço e a terra escura.<br />
Professor, faze de tua cadeira,<br />
a cátedra de um mestre.<br />
Se souberes elevar teu magistério,<br />
ele te elevará à magnificência.<br />
Tu és um jovem, sê, com o tempo e competência,<br />
um excelente mestre.</p>
<p>Meu jovem Professor, quem mais ensina e quem mais aprende?…<br />
O professor ou o aluno?<br />
De quem maior responsabilidade na classe,<br />
do professor ou do aluno?<br />
Professor, sê um mestre. Há uma diferença sutil<br />
entre este e aquele.<br />
Este leciona e vai prestes a outros afazeres.<br />
Aquele mestreia e ajuda seus discípulos.<br />
O professor tem uma tabela a que se apega.<br />
O mestre excede a qualquer tabela e é sempre um mestre.</p>
<p>Feliz é o professor que aprende ensinando.<br />
A criatura humana pode ter qualidades e faculdades.<br />
Podemos aperfeiçoar as duas.<br />
A mais importante faculdade de quem ensina<br />
é a sua ascendência sobre a classe.<br />
Ascendência é uma irradiação magnética, dominadora<br />
que se impõe sem palavras ou gestos,<br />
sem criar atritos, ordem e aproveitamento.<br />
É uma força sensível que emana da personalidade<br />
e a faz querida e respeitada, aceita.<br />
Pode ser consciente, pode ser desenvolvida na escola,<br />
no lar, no trabalho e na sociedade.<br />
Um poder condutor sobre o auditório, filhos dependentes, alunos.<br />
É tranquila e atuante. É um alto comando obscuro<br />
e sempre presente. É a marca dos líderes.</p>
<p>A estrada da vida é uma reta marcada de encruzilhadas.<br />
Caminhos certos e errados, encontros e desencontros<br />
do começo ao fim.<br />
Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.<br />
O melhor professor nem sempre é o de mais saber,<br />
é sim aquele que, modesto, tem a faculdade de transferir<br />
e manter o respeito e a disciplina da classe.</p></blockquote>
<h3>A escola portuguesa, de Guerra Junqueiro</h3>
<blockquote><p>Eis as crianças vermelhas<br />
Na sua hedionda prisão:<br />
Doirado enxame de abelhas!<br />
O mestre-escola é o zangão.</p>
<p>Em duros bancos de pinho<br />
Senta-se a turba sonora<br />
Dos corpos feitos de arminho,<br />
Das almas feitas d’aurora.</p>
<p>Soletram versos e prosas<br />
Horríveis; contudo, ao lê-las<br />
Daquelas bocas de rosas<br />
Saem murmúrios de estrela.</p>
<p>Contemplam de quando em quando,<br />
E com inveja, Senhor!<br />
As andorinhas passando<br />
Do azul no livre esplendor.</p>
<p>Oh, que existência doirada<br />
Lá cima, no azul, na glória,<br />
Sem cartilhas, sem tabuada,<br />
Sem mestre e sem palmatória!</p>
<p>E como os dias são longos<br />
Nestas prisões sepulcrais!<br />
Abrem a boca os ditongos,<br />
E as cifras tristes dão ais!</p>
<p>Desgraçadas toutinegras,<br />
Que insuportáveis martírios!<br />
João Félix co’as unhas negras,<br />
Mostrando as vogais aos lírios!</p>
<p>Como querem que despontem<br />
Os frutos na escola aldeã,<br />
Se o nome do mestre é — Ontem<br />
E o do discíp’lo — Amanhã!</p>
<p>Como é que há-de na campina<br />
Surgir o trigal maduro,<br />
Se é o Passado quem ensina<br />
O b a ba ao Futuro!</p>
<p>Entregar a um tarimbeiro<br />
Um coração infantil!<br />
Fazer o calvo Janeiro<br />
Preceptor do loiro Abril!</p>
<p>Barbaridade irrisória,<br />
Estúpido despotismo!<br />
Meter uma palmatória<br />
Nas mãos dum anacronismo!</p>
<p>A palmatória, o açoite,<br />
A estupidez decretada!<br />
A lei incumbindo a Noite<br />
Da educação da Alvorada!</p>
<p>Gravai na vossa lembrança<br />
E meditai com horror,<br />
Que o homem sai da criança<br />
Como o fruto sai da flor.</p>
<p>Da pequenina semente,<br />
Que a escola régia destrói,<br />
Pode fazer-se igualmente<br />
Ou o assassino ou o herói.</p>
<p>Desta escola a uma prisão<br />
Vai um caminho agoireiro:<br />
A escola produz o grão<br />
De que a enxovia é o celeiro.</p>
<p>Deixai ver o Sol doirado<br />
À infância, eis o que eu vos peço.<br />
Esta escola é um atentado,<br />
Um roubo feito ao progresso.</p>
<p>Vamos, arrancai a infância<br />
Da lama deste paul;<br />
Rasgai no muro Ignorância<br />
Trezentas portas de azul!</p>
<p>O professor asinino,<br />
Segundo entre nós ele é,<br />
Dum anjo extrai um cretino,<br />
Dum cretino um chimpanzé.</p>
<p>Empunhando as rijas férulas<br />
Vós esmagais e partis<br />
As crianças — essas pérolas<br />
Na escola — esse almofariz.</p>
<p>Isto escolas!… que indecência<br />
Escolas, esta farsada!<br />
São açougues de inocência,<br />
São talhos d’anjos, mais nada.</p></blockquote>
<h3>O professor, de Carlos Drummond de Andrade</h3>
<blockquote><p>O professor disserta sobre ponto difícil do programa.<br />
Um aluno dorme,<br />
Cansado das canseiras desta vida.<br />
O professor vai sacudi-lo?<br />
Vai repreendê-lo?<br />
Não.<br />
O professor baixa a voz,<br />
Com medo de acordá-lo.</p></blockquote>
<h3>Bilhete postal, de Augusto dos Anjos</h3>
<blockquote><p>Ilustre professor da Carta Aberta: — Almejo<br />
Que uma alimentação a fiambre e a vinho e a queijo<br />
Lhe fortaleça o corpo, e assim lhe fortaleça<br />
As mãos, os pés, a perna et coetera e a cabeça.<br />
Continue a comer como um monstro no almoço,<br />
Inche como um balão, cresça como um colosso<br />
E vá crescendo e vá crescendo e vá crescendo,<br />
E fique do tamanho extraordinário e horrendo<br />
Do célebre Titão e do Hércules lendário;<br />
O seu ventre se torne um ventre extraordinário,<br />
Cheio do cheiro ruim de fétidos resíduos;<br />
As barrigas então de cinquenta indivíduos<br />
Não poderão caber na sua ampla barriga.<br />
Não mais lhe pesará a desgraça inimiga,<br />
O seu nome também não será mais Antônio.<br />
Todos hão de chamá-lo o colosso, o demônio,<br />
A maravilha das brilhantes maravilhas.<br />
As hienas carniçais, as leoas e as novilhas,<br />
Diante do seu vigor recuarão e diante<br />
Do estrídulo metal de sua voz atroante<br />
De certo, correrão mansas e espavoridas.<br />
Se as minhas orações, forem, pois, atendidas,<br />
O senhor há de ser o Teseu do universo.<br />
Seja um gigante, pois; não faça, porém, verso<br />
De qualidade alguma e nem também me faça<br />
Artigos tresandando a bolor e a cachaça,<br />
Ricos de incorreções e de erros de gramática,<br />
Tenha vergonha, esconda essa tendência asnática,<br />
Que somente possui o seu cérebro obtuso —<br />
Esconda-a, e nunca mais se exponha a fazer uso<br />
Da pena, e nunca mais desenterre alfarrábios.<br />
Os tolos, em geral, são tidos como sábios<br />
Quando querem calar-se e reprimir-se sabem,<br />
O senhor é papalvo e os papalvos não cabem<br />
No centro literário e no centro político.<br />
Respeite-me, portanto!<br />
O Poeta Raquítico.</p>
<p><em>P.S.</em><br />
<em>Para o dia 17.</em><br />
<em>Análise dos erros de gramática, </em><em>cometidos pelo professor de B, A — BÁ, </em><em>autor dumas cartas que têm feito </em><em>sucesso num grupo de sábios.</em></p></blockquote>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que tenha gostado de nossa seleção de poemas sobre professores.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-sobre-arvores-poesia-melhores/">poemas sobre árvores</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>7 ótimos poemas sobre árvores para ler e se encantar!</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-sobre-arvores-poesia-melhores/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-sobre-arvores-poesia-melhores</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Dec 2023 17:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ideias de temas para poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas sobre &#225;rvores em portugu&#234;s! A natureza &#233; fonte inesgot&#225;vel de inspira&#231;&#227;o para poetas de todos os s&#233;culos. Variando da beleza &#224; for&#231;a, da placidez &#224; intempestividade, a natureza e os fen&#244;menos naturais sempre impressionaram o homem e lhe inspiraram sentimentos os mais diversos. Tal &#233; o caso das &#225;rvores&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-sobre-arvores-poesia-melhores/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">7 ótimos poemas sobre árvores para ler e se encantar!</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas sobre árvores em português!</em></span></p>
<p>A natureza é fonte inesgotável de inspiração para poetas de todos os séculos.</p>
<p>Variando da beleza à força, da placidez à intempestividade, a natureza e os <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Fen%C3%B4meno_natural" target="_blank" rel="noopener">fenômenos naturais</a> sempre impressionaram o homem e lhe inspiraram sentimentos os mais diversos.</p>
<p>Tal é o caso das árvores que, se o mais das vezes limitam-se a compor o cenário descrito pelos versos, não raro aparecem como motivadoras e intensificadoras da inspiração poética.</p>
<p>Sendo assim, preparamos uma seleção com 7 poemas sobre árvores para que você possa apreciar alguns exemplos em versos de grandes poetas portugueses.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas sobre árvores</h2>
<h3>Debaixo do tamarindo, de Augusto dos Anjos</h3>
<blockquote><p>No tempo de meu Pai, sob estes galhos,<br />
Como uma vela fúnebre de cera,<br />
Chorei bilhões de vezes com a canseira<br />
De inexorabilíssimos trabalhos!</p>
<p>Hoje, esta árvore, de amplos agasalhos,<br />
Guarda, como uma caixa derradeira,<br />
O passado da Flora Brasileira<br />
E a paleontologia dos Carvalhos!</p>
<p>Quando pararem todos os relógios<br />
De minha vida, e a voz dos necrológios<br />
Gritar nos noticiários que eu morri,</p>
<p>Voltando à pátria da homogeneidade,<br />
Abraçada com a própria Eternidade<br />
A minha sombra há de ficar aqui!</p></blockquote>
<h3>Fogem as neves frias, de Camões</h3>
<blockquote><p>Fogem as neves frias<br />
Dos altos montes quando reverdecem<br />
As árvores sombrias;<br />
As verdes ervas crescem,<br />
E o prado ameno de mil cores tecem.</p>
<p>Zéfiro brando espira;<br />
Suas setas Amor afia agora;<br />
Progne triste suspira,<br />
E Filomela chora:<br />
O céu da fresca terra se namora.</p>
<p>Já a linda Citereia<br />
Vem, do coro das Ninfas rodeada;<br />
A branca Pasiteia<br />
Despida e delicada,<br />
Com as duas irmãs acompanhada.</p>
<p>Enquanto as oficinas<br />
Dos Ciclopes Vulcano está queimando,<br />
Vão colhendo boninas<br />
As Ninfas, e cantando,<br />
A terra co&#8217;o ligeiro pé tocando.</p>
<p>Desce do áspero monte<br />
Diana, já cansada da espessura,<br />
Buscando a clara fonte,<br />
Onde por sorte dura<br />
Perdeu Acteon a natural figura.</p>
<p>Assi se vai passando<br />
A verde Primavera e o seco Estio;<br />
O Outono vem entrando;<br />
E logo o Inverno frio,<br />
Que também passará por certo fio.</p>
<p>Ir-se-á embranquecendo<br />
Com a frígida neve o seco monte;<br />
E Júpiter chovendo<br />
Turbará a clara fonte:<br />
Temerá o marinheiro a Orionte.</p>
<p>Porque, enfim, tudo passa;<br />
Não sabe o Tempo ter firmeza em nada;<br />
E a nossa vida escassa<br />
Foge tão apressada,<br />
Que quando se começa é acabada.</p>
<p>Que se fez dos Troianos<br />
Heitor temido, Eneias piedoso?<br />
Consumiram-te os anos,<br />
Ó Cresso tão famoso,<br />
Sem te valer teu ouro precioso.</p>
<p>Todo o contentamento<br />
Crias qu&#8217;estava em ter tesouro ufano!<br />
Oh falso pensamento!<br />
Que à custa de teu dano<br />
Do sábio Solon creste o desengano.</p>
<p>O bem que aqui se alcança,<br />
Não dura por passante, nem por forte:<br />
Que a bem-aventurança<br />
Durável, de outra sorte<br />
Se há de alcançar na vida para a morte.</p>
<p>Porque, enfim, nada basta<br />
Contra o terrível fim da noite eterna;<br />
Nem pode a deusa oasta<br />
Tornar à luz superna<br />
Hipólito da escura sombra averna.</p>
<p>Nem Teseu esforçado,<br />
Ou com manha, ou com força valerosa,<br />
Livrar pode o ousado<br />
Pirítoo da espantosa<br />
Prisão leteia escura e tenebrosa.</p></blockquote>
<h3>Árvore, de Manoel de Barros</h3>
<blockquote><p>Um passarinho pediu a meu irmão para ser a sua árvore.<br />
Meu irmão aceitou de ser a árvore daquele passarinho.<br />
No estágio de ser essa árvore, meu irmão aprendeu de sol, de céu e de lua<br />
mais do que na escola.<br />
No estágio de ser árvore meu irmão aprendeu para santo mais do que os<br />
padres lhes ensinavam no internato.<br />
Aprendeu com a natureza o perfume de Deus.<br />
Seu olho no estágio de ser árvore aprendeu melhor o azul.<br />
E descobriu que uma casca vazia de cigarra esquecida no tronco das árvores<br />
só presta para poesia.<br />
No estágio de ser árvore meu irmão descobriu que as árvores são vaidosas.<br />
Que justamente aquela árvore na qual meu irmão se transformara, envaidecia-<br />
se quando era nomeada para o entardecer dos pássaros.<br />
E tinha ciúmes da brancura que os lírios deixavam nos brejos. Meu irmão<br />
agradeceu a Deus aquela permanência em árvore porque fez amizade com<br />
muitas borboletas.</p></blockquote>
<h3>Certeza, de Miguel Torga</h3>
<blockquote><p>Sereno, o parque espera<br />
Mostra os braços cortados,<br />
E sonha a Primavera<br />
Com seus olhos gelados.</p>
<p>É um mundo que há-de vir<br />
Naquela fé dormente;<br />
Um sonho que há-de abrir<br />
Em ninhos e sementes.</p>
<p>Basta que um novo Sol<br />
Desça do velho céu,<br />
E diga ao rouxinol<br />
Que a vida não morreu.</p></blockquote>
<h3>Antes de nós, de Ricardo Reis (Fernando Pessoa)</h3>
<blockquote><p>Antes de nós nos mesmos arvoredos<br />
Passou o vento, quando havia vento,<br />
E as folhas não falavam<br />
De outro modo do que hoje.</p>
<p>Passamos e agitamo-nos debalde.<br />
Não fazemos mais ruído no que existe<br />
Do que as folhas das árvores<br />
Ou os passos do vento.</p>
<p>Tentemos pois com abandono assíduo<br />
Entregar nosso esforço à Natureza<br />
E não querer mais vida<br />
Que a das árvores verdes.</p>
<p>Inutilmente parecemos grandes.<br />
Salvo nós nada pelo mundo fora<br />
Nos saúda a grandeza<br />
Nem sem querer nos serve.</p>
<p>Se aqui, à beira-mar, o meu indício<br />
Na areia o mar com ondas três o apaga,<br />
Que fará na alta praia<br />
Em que o mar é o Tempo?</p></blockquote>
<h3>Velhas árvores, de Olavo Bilac</h3>
<blockquote><p>Olha estas velhas árvores, mais belas<br />
Do que as árvores novas, mais amigas:<br />
Tanto mais belas quanto mais antigas,<br />
Vencedoras da idade e das procelas&#8230;</p>
<p>O homem, a fera, e o insecto, à sombra delas<br />
Vivem, livres de fomes e fadigas;<br />
E em seus galhos abrigam-se as cantigas<br />
E os amores das aves tagarelas.</p>
<p>Não choremos, amigo, a mocidade!<br />
Envelheçamos rindo! envelheçamos<br />
Como as árvores fortes envelhecem:</p>
<p>Na glória da alegria e da bondade,<br />
Agasalhando os pássaros nos ramos,<br />
Dando sombra e consolo aos que padecem!</p></blockquote>
<h3>Lago encantado, de Augusto dos Anjos</h3>
<blockquote><p>Vamos, meu desgraçado tamarindo,<br />
Por esta grande noite abandonada&#8230;<br />
As árvores da terra estão dormindo<br />
E a mãe da lua já cantou na estrada!</p>
<p>Quantos laboratórios subterrâneos<br />
E heterogêneos mecanismos vários<br />
E ruínas grandes e montões de estrago<br />
E decomposições de muitos crânios<br />
Não foram, porventura, necessários<br />
Para formar as águas deste lago!</p>
<p>Às suas atrações ninguém resiste:<br />
Este é o lago de todos os Destinos.<br />
O luar o beija. O círculo dos matos<br />
Abrange-o, e ele é mais triste e ele é mais triste<br />
Do que a porta fatal dos Mogrebinos<br />
Que levou Cristo à casa de Pilatos!</p>
<p>Rola no mundo um canto de saudade!<br />
Tamarindo de minha mocidade,<br />
Vamos nele saber nossos destinos?!&#8230;</p></blockquote>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que tenha gostado de nossa seleção de poemas sobre árvores.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-manoel-de-barros-curtos-poesia/">poemas de Manoel de Barros</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>4 ótimos poemas de gratidão para ler e se inspirar!</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-de-gratidao-portugues-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-de-gratidao-portugues-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Jul 2023 18:12:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ideias de temas para poemas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2206</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas de gratid&#227;o em portugu&#234;s! A palavra gratid&#227;o &#233; definida pelo dicion&#225;rio Michaelis como &#8220;sentimento experimentado por uma pessoa em rela&#231;&#227;o a algu&#233;m que lhe concedeu algum favor, um aux&#237;lio ou benef&#237;cio qualquer; agradecimento, reconhecimento&#8221;. Esta defini&#231;&#227;o parece-nos mais adequada que a de simples &#8220;reconhecimento&#8221;, encontrada noutros dicion&#225;rios, por um&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-gratidao-portugues-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">4 ótimos poemas de gratidão para ler e se inspirar!</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas de gratidão em português!</em></span></p>
<p>A palavra gratidão é <a href="https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/gratidao" target="_blank" rel="noopener">definida</a> pelo dicionário Michaelis como &#8220;sentimento experimentado por uma pessoa em relação a alguém que lhe concedeu algum favor, um auxílio ou benefício qualquer; agradecimento, reconhecimento&#8221;.</p>
<p>Esta definição parece-nos mais adequada que a de simples &#8220;reconhecimento&#8221;, encontrada noutros dicionários, por um simples motivo: a gratidão parece-nos mais um sentimento que um juízo.</p>
<p>Quando a sentimos, vemos o quanto ela pode influenciar em nossa conduta e em nosso bem-estar, fazendo com que experimentemos uma satisfação dificilmente igualada por outros sentimentos.</p>
<p>Bem sabemos que gratidão é um termo que está em voga e vem sendo abordado sob diversas perspectivas.</p>
<p>Sendo assim, preparamos uma seleção com 4 poemas sobre gratidão para que você possa apreciar alguns exemplos deste sentimento expressos em versos de grandes poetas portugueses.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de gratidão</h2>
<h3>Olhos parados, de Manoel de Barros</h3>
<blockquote><p>Olhar, reparar tudo em volta, sem a menor intenção de poesia.<br />
Girar os braços, respirar o ar fresco, lembrar dos parentes.<br />
Lembrar da casa da gente, das irmãs, dos irmãos e dos pais da gente.<br />
Lembrar que estão longe e ter saudades deles…<br />
Lembrar da cidade onde se nasceu, com inocência, e rir sozinho.<br />
Rir de coisas passadas. Ter saudade da pureza.<br />
Lembrar de músicas, de bailes, de namoradas que a gente já teve.<br />
Lembrar de lugares que a gente já andou e de coisas que a gente já viu.<br />
Lembrar de viagens que a gente já fez e de amigos que ficaram longe.<br />
Lembrar dos amigos que estão próximos e das conversas com eles.<br />
Saber que a gente tem amigos de fato!<br />
Tirar uma folha de árvore, ir mastigando, sentir os ventos pelo rosto…<br />
Sentir o sol. Gostar de ver as coisas todas.<br />
Gostar de estar ali caminhando. Gostar de estar assim esquecido.<br />
Gostar desse momento. Gostar dessa emoção tão cheia de riquezas íntimas.</p></blockquote>
<h3>Ideia de Deus, de Gonçalves Dias</h3>
<blockquote><p>III</p>
<p>Ele mandou que o sol fosse princípio,<br />
E razão de existência,<br />
Que fosse a luz dos homens — olho eterno<br />
Da sua providência.</p>
<p>Mandou que a chuva refrescasse os membros,<br />
Refizesse o vigor<br />
Da terra hiante, do animal cansado<br />
Em praino abrasador.</p>
<p>Mandou que a brisa sussurrasse amiga,<br />
Roubando aroma à flor;<br />
Que os rochedos tivessem longa vida,<br />
E os homens grato amor!</p>
<p>Oh! como é grande e bom o Deus que manda<br />
Um sonho ao desgraçado,<br />
Que vive agro viver entre misérias,<br />
De ferros rodeado;</p>
<p>O Deus que manda ao infeliz que espere<br />
Na sua providência;<br />
Que o justo durma, descansado e forte<br />
Na sua consciência!</p>
<p>Que o assassino de contínuo vele,<br />
Que trema de morrer;<br />
Enquanto lá nos céus, o que foi morto,<br />
Desfruta outro viver!</p>
<p>Oh! como é grande o Senhor Deus, que rege<br />
A máquina estrelada,<br />
Que ao triste dá prazer; descanso e vida<br />
À mente atribulada!</p></blockquote>
<h3>Quero ignorado, e calmo, de Ricardo Reis (Fernando Pessoa)</h3>
<blockquote><p>Quero ignorado, e calmo<br />
Por ignorado, e próprio<br />
Por calmo, encher meus dias<br />
De não querer mais deles.</p>
<p>Aos que a riqueza toca<br />
O ouro irrita a pele.<br />
Aos que a fama bafeja<br />
Embacia-se a vida.</p>
<p>Aos que a felicidade<br />
É sol, virá a noite.<br />
Mas ao que nada espera<br />
Tudo que vem é grato.</p></blockquote>
<h3>Campo de flores, de Carlos Drummond de Andrade</h3>
<blockquote><p>Deus me deu um amor no tempo de madureza,<br />
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.<br />
Deus — ou foi talvez o Diabo — deu-me este amor maduro,<br />
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.</p>
<p>Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos<br />
e outros acrescento aos que amor já criou.<br />
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso<br />
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.</p>
<p>Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia<br />
e cansado de mim julgava que era o mundo<br />
um vácuo atormentado, um sistema de erros.<br />
Amanhecem de novo as antigas manhãs<br />
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.</p>
<p>Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra<br />
imensa e contraída como letra no muro<br />
e só hoje presente.<br />
Deus me deu um amor porque o mereci.<br />
De tantos que já tive ou tiveram em mim,<br />
o sumo se espremeu para fazer um vinho<br />
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.</p>
<p>E o tempo que levou uma rosa indecisa<br />
a tirar sua cor dessas chamas extintas<br />
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.<br />
Onde não há jardim, as flores nascem de um<br />
secreto investimento em formas improváveis.</p>
<p>Hoje tenho um amor e me faço espaçoso<br />
para arrecadar as alfaias de muitos<br />
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,<br />
e ao vê-los amorosos e transidos em torno<br />
o sagrado terror converto em jubilação.</p>
<p>Seu grão de angústia amor já me oferece<br />
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia<br />
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura<br />
e o mistério que além faz os seres preciosos<br />
à visão extasiada.</p>
<p>Mas, porque me tocou um amor crepuscular,<br />
há que amar diferente. De uma grave paciência<br />
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia<br />
tenha dilacerado a melhor doação.<br />
Há que amar e calar.<br />
Para fora do tempo arrasto meus despojos<br />
e estou vivo na luz que baixa e me confunde.</p></blockquote>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que tenha gostado de nossa seleção de poemas de gratidão.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-manoel-de-barros-curtos-poesia/">poemas de Manoel de Barros</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>8 sonetos de amor famosos em português para ler e se comover!</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/sonetos-de-amor-portugues-poesia-famosos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=sonetos-de-amor-portugues-poesia-famosos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Jul 2023 12:30:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ideias de temas para poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de sonetos de amor famosos em portugu&#234;s para ler e se comover! O soneto tem sido, de longe, a forma fixa mais cultivada na l&#237;ngua portuguesa desde a sua introdu&#231;&#227;o. Hoje, esta forma est&#225; t&#227;o consagrada em nossa l&#237;ngua que &#233; muito dif&#237;cil encontrar um poeta que nunca se arriscou a&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/sonetos-de-amor-portugues-poesia-famosos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">8 sonetos de amor famosos em português para ler e se comover!</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de sonetos de amor famosos em português para ler e se comover!</em></span></p>
<p>O <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-soneto-tipos-caracteristicas-exemplos/">soneto</a> tem sido, de longe, a forma fixa mais cultivada na língua portuguesa desde a sua introdução.</p>
<p>Hoje, esta forma está tão consagrada em nossa língua que é muito difícil encontrar um poeta que nunca se arriscou a compor versos seguindo o seu padrão.</p>
<p>O soneto pode ser enquadrado em diferentes <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%AAnero_liter%C3%A1rio" target="_blank" rel="noopener">gêneros poéticos</a>, mas o <a href="https://comofazerumpoema.com/poesia-lirica-o-que-e-caracteristicas-tipos/">lírico</a> parece ter sido, se não o preferido de poetas portugueses, certamente o mais explorado.</p>
<p>Assim que encontramos grande abundância de sonetos que abordam a temática amorosa, tão comum na poesia lírica.</p>
<p>Dito isso, preparamos uma seleção com 8 sonetos de amor famosos feitos por poetas portugueses para que você possa apreciar.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Sonetos de amor</h2>
<h3>Amor fiel, de Gregório de Matos</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe title="Poema Amor fiel, de Gregório de Matos | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/Mi0asZ7u_rQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Ó tu do meu amor fiel traslado<br />
Mariposa, entre as chamas consumida,<br />
Pois se à força do ardor perdes a vida,<br />
A violência do fogo me há prostrado.</p>
<p>Tu de amante o teu fim hás encontrado,<br />
Essa flama girando apetecida,<br />
Eu girando uma penha endurecida,<br />
No fogo, que exalou, morro abrasado.</p>
<p>Ambos, de firmes, anelando chamas,<br />
Tu a vida deixas, eu a morte imploro,<br />
Nas constâncias iguais, iguais nas famas.</p>
<p>Mas, ai!, que a diferença entre nós choro;<br />
Pois acabando tu ao fogo, que amas,<br />
Eu morro, sem chegar à luz, que adoro.</p></blockquote>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-amor-fiel-gregorio-de-matos-poesia/">Amor fiel, de Gregório de Matos</a>.</span></em></li>
</ul>
<h3>Amar!, de Florbela Espanca</h3>
<blockquote><p>Eu quero amar, amar perdidamente!<br />
Amar só por amar: Aqui… além…<br />
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente<br />
Amar! Amar! E não amar ninguém!</p>
<p>Recordar? Esquecer? Indiferente!…<br />
Prender ou desprender? É mal? É bem?<br />
Quem disser que se pode amar alguém<br />
Durante a vida inteira é porque mente!</p>
<p>Há uma Primavera em cada vida:<br />
É preciso cantá-la assim florida,<br />
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!</p>
<p>E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada<br />
Que seja a minha noite uma alvorada,<br />
Que me saiba perder… pra me encontrar…</p></blockquote>
<h3>Soneto de fidelidade, de Vinícius de Moraes</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe title="Poema Soneto de fidelidade, de Vinícius de Moraes | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/sOkuGjq8ep0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>De tudo, ao meu amor serei atento<br />
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto<br />
Que mesmo em face do maior encanto<br />
Dele se encante mais meu pensamento.</p>
<p>Quero vivê-lo em cada vão momento<br />
E em louvor hei de espalhar meu canto<br />
E rir meu riso e derramar meu pranto<br />
Ao seu pesar ou seu contentamento.</p>
<p>E assim, quando mais tarde me procure<br />
Quem sabe a morte, angústia de quem vive<br />
Quem sabe a solidão, fim de quem ama</p>
<p>Eu possa me dizer do amor (que tive):<br />
Que não seja imortal, posto que é chama<br />
Mas que seja infinito enquanto dure.</p></blockquote>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-soneto-de-fidelidade-vinicius-de-moraes/">Soneto de fidelidade, de Vinícius de Moraes</a>.</span></em></li>
</ul>
<h3>Amor um é fogo que arde sem se ver, de Camões</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Amor é um fogo que arde sem se ver, de Camões | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/EbcXpQZT9d0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Amor é um fogo que arde sem se ver;<br />
É ferida que dói, e não se sente;<br />
É um contentamento descontente;<br />
É dor que desatina sem doer.</p>
<p>É um não querer mais que bem querer;<br />
É solitário andar por entre a gente;<br />
É um não contentar-se de contente;<br />
É cuidar que se ganha em se perder.</p>
<p>É um estar-se preso por vontade;<br />
É servir a quem vence, o vencedor;<br />
É um ter com quem nos mata, lealdade.</p>
<p>Mas como causar pode o seu favor<br />
Nos mortais corações conformidade,<br />
Sendo a si tão contrário o mesmo Amor?</p></blockquote>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/amor-e-um-fogo-que-arde-sem-se-ver-camoes/">Amor é um fogo que arde sem se ver, de Camões</a>.</span></em></li>
</ul>
<h3>Soneto, de Álvares de Azevedo</h3>
<blockquote><p>Pálida, à luz da lâmpada sombria,<br />
Sobre o leito de flores reclinada,<br />
Como a lua por noite embalsamada,<br />
Entre as nuvens do amor ela dormia!</p>
<p>Era a virgem do mar, na escuma fria<br />
Pela maré das águas embalada!<br />
Era um anjo entre nuvens d’alvorada<br />
Que em sonhos se banhava e se esquecia!</p>
<p>Era mais bela! o seio palpitando&#8230;<br />
Negros olhos as pálpebras abrindo&#8230;<br />
Formas nuas no leito resvalando&#8230;</p>
<p>Não te rias de mim, meu anjo lindo!<br />
Por ti as noites eu velei chorando,<br />
Por ti nos sonhos morrerei sorrindo!</p></blockquote>
<h3>Soneto do amor total, de Vinícius de Moraes</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Soneto do amor total, de Vinícius de Moraes | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/gpJfcSiThR4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Amo-te tanto, meu amor&#8230; não cante<br />
O humano coração com mais verdade&#8230;<br />
Amo-te como amigo e como amante<br />
Numa sempre diversa realidade.</p>
<p>Amo-te afim, de um calmo amor prestante,<br />
E te amo além, presente na saudade.<br />
Amo-te, enfim, com grande liberdade<br />
Dentro da eternidade e a cada instante.</p>
<p>Amo-te como um bicho, simplesmente,<br />
De um amor sem mistério e sem virtude<br />
Com um desejo maciço e permanente.</p>
<p>E de te amar assim muito e amiúde,<br />
É que um dia em teu corpo de repente<br />
Hei de morrer de amar mais do que pude.</p></blockquote>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-soneto-do-amor-total-vinicius-de-moraes/">Soneto do amor total, de Vinícius de Moraes</a></span></em></li>
</ul>
<h3>Via Láctea, de Olavo Bilac</h3>
<blockquote><p>XXX</p>
<p>Ao coração que sofre, separado<br />
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,<br />
Não basta o afeto simples e sagrado<br />
Com que das desventuras me protejo.</p>
<p>Não me basta saber que sou amado,<br />
Nem só desejo o teu amor: desejo<br />
Ter nos braços teu corpo delicado,<br />
Ter na boca a doçura de teu beijo.</p>
<p>E as justas ambições que me consomem<br />
Não me envergonham: pois maior baixeza<br />
Não há que a terra pelo céu trocar;</p>
<p>E mais eleva o coração de um homem<br />
Ser de homem sempre e, na maior pureza,<br />
Ficar na terra e humanamente amar.</p></blockquote>
<h3>Busque Amor novas artes, novo engenho, de Camões</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Busque Amor novas artes, novo engenho, de Camões | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/PxukoN-bLMo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Busque Amor novas artes, novo engenho,<br />
Para matar-me, e novas esquivanças;<br />
Que não pode tirar-me as esperanças,<br />
Que mal me tirará o que eu não tenho.</p>
<p>Olhai de que esperanças me mantenho!<br />
Vede que perigosas seguranças!<br />
Que não temo contrastes nem mudanças,<br />
Andando em bravo mar, perdido o lenho.</p>
<p>Mas, conquanto não pode haver desgosto<br />
Onde esperança falta, lá me esconde<br />
Amor um mal, que mata e não se vê.</p>
<p>Que dias há que n&#8217;alma me tem posto<br />
Um não sei quê, que nasce não sei onde,<br />
Vem não sei como, e dói não sei por quê.</p></blockquote>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/busque-amor-novas-artes-novo-engenho-camoes/">Busque Amor novas artes, novo engenho, de Camões</a>.</span></em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que tenha gostado de nossa seleção de sonetos de amor em português.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa seleção de <a href="https://comofazerumpoema.com/melhores-poemas-de-cora-coralina-poesia/">poemas de Cora Coralina</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>9 belíssimos poemas sobre Portugal assinados por grandes poetas!</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-sobre-portugal-poetas-poesia-versos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-sobre-portugal-poetas-poesia-versos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Mar 2023 14:42:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ideias de temas para poemas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=1581</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas sobre Portugal em portugu&#234;s! Por muitos motivos, Portugal &#233; hist&#243;rica e culturalmente um dos pa&#237;ses mais importantes de toda a Europa. Muitos poetas, por isso, t&#234;m sido inspirados pelos distintivos da cultura portuguesa e os celebrado em forma de poemas. Desde o povo &#224;s paisagens portuguesas, passando pela hist&#243;ria&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-sobre-portugal-poetas-poesia-versos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">9 belíssimos poemas sobre Portugal assinados por grandes poetas!</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas sobre Portugal em português!</em></span></p>
<p>Por muitos motivos, Portugal é histórica e culturalmente um dos países mais importantes de toda a Europa.</p>
<p>Muitos poetas, por isso, têm sido inspirados pelos distintivos da cultura portuguesa e os celebrado em forma de poemas.</p>
<p>Desde o povo às <a href="https://dicadeportugal.com/portugal/paisagens-impressionantes-de-portugal/" target="_blank" rel="noopener">paisagens portuguesas</a>, passando pela história e mesmo pela literatura já antiga e consagrada, estes elementos continuam, até hoje, a servir de motivação para novas obras.</p>
<p>Sendo assim, preparamos uma seleção com 9 poemas sobre Portugal para que você possa apreciar alguns versos de grandes poetas dedicados a Portugal e à cultura portuguesa.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas sobre Portugal</h2>
<h3>Os Reinos e os Impérios poderosos, de Camões</h3>
<blockquote><p>Os Reinos e os Impérios poderosos,<br />
Que em grandeza no mundo mais cresceram;<br />
Ou por valor de esforço floresceram,<br />
Ou por Barões nas letras espantosos.</p>
<p>Teve Grécia Themistocles famosos;<br />
Os Cipiões a Roma engrandeceram;<br />
Doze Pares a França gloria deram;<br />
Cides a Espanha, e Laras belicosos.</p>
<p>Ao nosso Portugal, que agora vemos<br />
Tão diferente de seu ser primeiro,<br />
Os vossos deram honra e liberdade.</p>
<p>E em vós, grão sucessor e novo herdeiro<br />
Do Braganção estado, há mil extremos<br />
Iguais ao sangue e mores que a idade.</p></blockquote>
<h3>Mar português, de Fernando Pessoa</h3>
<blockquote><p>Ó mar salgado, quanto do teu sal<br />
São lágrimas de Portugal!<br />
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,<br />
Quantos filhos em vão rezaram!<br />
Quantas noivas ficaram por casar<br />
Para que fosses nosso, ó mar!</p>
<p>Valeu a pena? Tudo vale a pena<br />
Se a alma não é pequena.<br />
Quem quer passar além do Bojador<br />
Tem que passar além da dor.<br />
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,<br />
Mas nele é que espelhou o céu.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/mar-portugues-fernando-pessoa-tudo-vale-a-pena/">Mar português, de Fernando Pessoa</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Já foste rico e forte e soberano, de Saúl Dias</h3>
<blockquote><p>Já foste rico e forte e soberano,<br />
Já deste leis a mundos e nações,<br />
Heroico Portugal, que o grão Camões<br />
Cantou, como o não pôde um ser humano!</p>
<p>Zombando do furor do mar insano,<br />
Os teus nautas, em fracos galeões,<br />
Descobriram longínquas regiões,<br />
Perdidas na amplidão do vasto oceano.</p>
<p>Hoje vejo-te triste e abatido,<br />
E quem sabe se choras, ou então,<br />
Relembras com saudade o tempo ido?</p>
<p>Mas a queda fatal não temas, não.<br />
Porque o teu povo, outrora tão temido,<br />
Ainda tem ardor no coração.</p></blockquote>
<h3>Portugal, de Miguel Torga</h3>
<blockquote><p>Avivo no teu rosto o rosto que me deste,<br />
E torno mais real o rosto que te dou.<br />
Mostro aos olhos que não te desfigura<br />
Quem te desfigurou.<br />
Criatura da tua criatura,<br />
Serás sempre o que sou.</p>
<p>E eu sou a liberdade dum perfil<br />
Desenhado no mar.<br />
Ondulo e permaneço.<br />
Cavo, remo, imagino,<br />
E descubro na bruma o meu destino<br />
Que de antemão conheço:</p>
<p>Teimoso aventureiro da ilusão,<br />
Surdo às razões do tempo e da fortuna,<br />
Achar sem nunca achar o que procuro,<br />
Exilado<br />
Na gávea do futuro,<br />
Mais alta ainda do que no passado.</p></blockquote>
<h3>Patriota? Não: só português, de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)</h3>
<blockquote><p>Patriota? Não: só português.<br />
Nasci português como nasci louro e de olhos azuis.<br />
Se nasci para falar, tenho que falar-me.</p></blockquote>
<h3>Natal dum poeta, de António Nobre</h3>
<blockquote><p>Em certo reino, à esquina do planeta,<br />
Onde nasceram meus Avós, meus Pais,<br />
Há quatro lustres, viu a luz um poeta<br />
Que melhor fora não a ver jamais.</p>
<p>Mal despontava para a vida inquieta,<br />
Logo ao nascer, mataram-lhe os ideais,<br />
A falsa fé, numa traição abjecta,<br />
Como os bandidos nas estradas reais!</p>
<p>E, embora eu seja descendente, um ramo<br />
Dessa árvore de Heróis que, entre perigos<br />
E guerras, se esforçaram pelo ideal:</p>
<p>Nada me importas, País! seja meu amo<br />
O Carlos ou o Zé da Th&#8217;reza&#8230; Amigos,<br />
Que desgraça nascer em Portugal!</p></blockquote>
<h3>Mães de Portugal, de Alberto de Oliveira</h3>
<blockquote><p>Ó Mães de Portugal comovedoras,<br />
Com Meninos Jesus de encontro ao peito,<br />
Iguais na devoção e amor perfeito<br />
Aos painéis onde estão Nossas Senhoras!</p>
<p>Ó Virgem Mãe, qual se tu própria foras,<br />
Surgem de cada lado, quase a eito,<br />
As Mães e os Filhos em abraço estreito,<br />
Dolorosas, felizes, povoadoras&#8230;</p>
<p>São presépios as casas onde moram:<br />
E o riso casto, as lágrimas que choram,<br />
O anseio que lhes enche o coração,</p>
<p>Gesto, candura, olhar — tudo é divino,<br />
Tudo ensinado pelo Deus Menino,<br />
Tudo é da Mãe Celeste inspiração!</p></blockquote>
<h3>O teu olhar, de Florbela Espanca</h3>
<blockquote><p>Passam no teu olhar nobres cortejos,<br />
Frotas, pendões ao vento sobranceiros,<br />
Lindos versos de antigos romanceiros,<br />
Céus do Oriente, em brasa, como beijos,</p>
<p>Mares onde não cabem teus desejos;<br />
Passam no teu olhar mundos inteiros,<br />
Todo um povo de heróis e marinheiros,<br />
Lanças nuas em rútilos lampejos;</p>
<p>Passam lendas e sonhos e milagres!<br />
Passa a Índia, a visão do Infante em Sagres,<br />
Em centelhas de crença e de certeza!</p>
<p>E ao sentir-se tão grande, ao ver-te assim,<br />
Amor, julgo trazer dentro de mim<br />
Um pedaço da terra portuguesa!</p></blockquote>
<h3>Fado português, de José Régio</h3>
<blockquote><p>O Fado nasceu um dia,<br />
quando o vento mal bulia<br />
e o céu o mar prolongava,<br />
na amurada dum veleiro,<br />
no peito dum marinheiro<br />
que, estando triste, cantava,<br />
que, estando triste, cantava.</p>
<p>Ai, que lindeza tamanha,<br />
meu chão , meu monte, meu vale,<br />
de folhas, flores, frutas de oiro,<br />
vê se vês terras de Espanha,<br />
areias de Portugal,<br />
olhar ceguinho de choro.</p>
<p>Na boca dum marinheiro<br />
do frágil barco veleiro,<br />
morrendo a canção magoada,<br />
diz o pungir dos desejos<br />
do lábio a queimar de beijos<br />
que beija o ar, e mais nada,<br />
que beija o ar, e mais nada.</p>
<p>Mãe, adeus. Adeus, Maria.<br />
Guarda bem no teu sentido<br />
que aqui te faço uma jura:<br />
que ou te levo à sacristia,<br />
ou foi Deus que foi servido<br />
dar-me no mar sepultura.</p>
<p>Ora eis que embora outro dia,<br />
quando o vento nem bulia<br />
e o céu o mar prolongava,<br />
à proa de outro veleiro<br />
velava outro marinheiro<br />
que, estando triste, cantava,<br />
que, estando triste, cantava.</p></blockquote>
<h3>Lisboa com suas casas, de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)</h3>
<blockquote><p>Lisboa com suas casas<br />
De várias cores,<br />
Lisboa com suas casas<br />
De várias cores,<br />
Lisboa com suas casas<br />
De várias cores&#8230;<br />
À força de diferente, isto é monótono.<br />
Como à força de sentir, fico só a pensar.</p>
<p>Se, de noite, deitado mas desperto,<br />
Na lucidez inútil de não poder dormir,<br />
Quero imaginar qualquer coisa<br />
E surge sempre outra (porque há sono,<br />
E, porque há sono, um bocado de sonho),<br />
Quero alongar a vista com que imagino<br />
Por grandes palmares fantásticos.<br />
Mas não vejo mais,<br />
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,<br />
Que Lisboa com suas casas<br />
De várias cores.</p>
<p>Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.<br />
À força de monótono, é diferente.<br />
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.</p>
<p>Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,<br />
Lisboa com suas casas<br />
De várias cores.</p></blockquote>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que tenha gostado de nossa seleção de poemas sobre Portugal.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-sobre-viver-saber-poesia-versos/">poemas sobre viver</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>11 poemas sobre viver para refletir com poesia!</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-sobre-viver-saber-poesia-versos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-sobre-viver-saber-poesia-versos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Mar 2023 14:15:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ideias de temas para poemas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=1624</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas sobre viver em portugu&#234;s! Saber viver &#233; uma das quest&#245;es que mais atraem o interesse de intelectuais de todos os tipos. Por saber viver entende-se o aproveitar inteligentemente o escasso tempo de que dispomos, fazer as melhores escolhas, isto &#233;, as escolhas que nos trar&#227;o maior satisfa&#231;&#227;o pessoal e&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-sobre-viver-saber-poesia-versos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">11 poemas sobre viver para refletir com poesia!</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas sobre viver em português!</em></span></p>
<p>Saber viver é uma das questões que mais atraem o interesse de intelectuais de todos os tipos.</p>
<p>Por saber viver entende-se o aproveitar inteligentemente o escasso tempo de que dispomos, fazer as melhores escolhas, isto é, as escolhas que nos trarão maior satisfação pessoal e encherão nossa vida de sentido.</p>
<p>O que parecem todos temer (embora às vezes se esqueçam disso) é o risco de chegar ao fim da vida e, olhando para trás, ter a alma tomada de arrependimento.</p>
<p>Por isso, a questão sobre como viver está frequentemente abordada em versos de grandes poetas, que não poderiam deixar de refletir sobre ela.</p>
<p>Sendo assim, preparamos uma seleção com 11 poemas sobre viver para que você possa refletir com algumas abordagens para esta temática.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas sobre viver</h2>
<h3>Nirvana, de Antero de Quental</h3>
<blockquote><p>Viver assim: sem ciúmes, sem saudades,<br />
Sem amor, sem anseios, sem carinhos,<br />
Livre de angústias e felicidades,<br />
Deixando pelo chão rosas e espinhos;</p>
<p>Poder viver em todas as idades;<br />
Poder andar por todos os caminhos;<br />
Indiferente ao bem e às falsidades,<br />
Confundindo chacais e passarinhos;</p>
<p>Passear pela terra, e achar tristonho<br />
Tudo que em torno se vê, nela espalhado;<br />
A vida olhar como através de um sonho;</p>
<p>Chegar onde eu cheguei, subir à altura<br />
Onde agora me encontro &#8211; é ter chegado<br />
Aos extremos da Paz e da Ventura!</p></blockquote>
<h3>Nunca busquei viver a minha vida, de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)</h3>
<blockquote><p>Nunca busquei viver a minha vida<br />
A minha vida viveu-se sem que eu quisesse ou não quisesse.<br />
Só quis ver como se não tivesse alma<br />
Só quis ver como se fosse eterno.</p></blockquote>
<h3>Viver, de Carlos Drummond de Andrade</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Viver, de Carlos Drummond de Andrade | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/JST2bHuvc2g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Mas era apenas isso,<br />
era isso, mais nada?<br />
Era só a batida<br />
numa porta fechada?</p>
<p>E ninguém respondendo,<br />
nenhum gesto de abrir:<br />
era, sem fechadura,<br />
uma chave perdida?</p>
<p>Isso, ou menos que isso<br />
uma noção de porta,<br />
o projecto de abri-la<br />
sem haver outro lado?</p>
<p>O projecto de escuta<br />
à procura de som?<br />
O responder que oferta<br />
o dom de uma recusa?</p>
<p>Como viver o mundo<br />
em termos de esperança?<br />
E que palavra é essa<br />
que a vida não alcança?</p></blockquote>
<h3>Desenho, de Cecília Meireles</h3>
<blockquote><p>Traça a reta e a curva,<br />
a quebrada e a sinuosa<br />
Tudo é preciso.<br />
De tudo viverás.</p>
<p>Cuida com exatidão da perpendicular<br />
e das paralelas perfeitas.<br />
Com apurado rigor.<br />
Sem esquadro, sem nível, sem fio de prumo,<br />
traçarás perspectivas, projetarás estruturas.<br />
Número, ritmo, distância, dimensão.<br />
Tens os teus olhos, o teu pulso, a tua memória.</p>
<p>Construirás os labirintos impermanentes<br />
que sucessivamente habitarás.</p>
<p>Todos os dias estarás refazendo o teu desenho.<br />
Não te fatigues logo. Tens trabalho para toda a vida.<br />
E nem para o teu sepulcro terás a medida certa.</p>
<p>Somos sempre um pouco menos do que pensávamos.<br />
Raramente, um pouco mais.</p></blockquote>
<h3>Lição quotidiana, de Alberto de Oliveira</h3>
<blockquote><p>Cada manhã ressuscito<br />
Do sono, esse irmão da Morte,<br />
Que é minha estrela do norte,<br />
Meu professor de infinito.</p>
<p>Hora por hora medito<br />
Sua lição clara e forte;<br />
Mas nem assim minha sorte<br />
Encaro menos aflito.</p>
<p>E, se acordo com o dia,<br />
Cheio de fé e alegria,<br />
Julgando-me imorredoiro,</p>
<p>À noite estou moribundo&#8230;<br />
E em meu vazio tesoiro<br />
Vejo o meu fim, e o do mundo!</p></blockquote>
<h3>Já é tempo, já, que minha confiança, de Camões</h3>
<blockquote><p>Já é tempo, já, que minha confiança<br />
Se desça duma falsa opinião;<br />
Mas Amor não se rege por razão,<br />
Não posso perder, logo, a esperança.</p>
<p>A vida sim, que uma áspera mudança<br />
Não deixa viver tanto um coração.<br />
E eu só na morte tenho a salvação?<br />
Sim, mas quem a deseja não a alcança.</p>
<p>Forçado é logo que eu espere e viva.<br />
Ah dura lei de Amor, que não consente<br />
Quietação num&#8217;alma que é cativa!</p>
<p>Se hei-de viver, enfim, forçadamente,<br />
Para que quero a glória fugitiva<br />
Duma esperança vã que me atormente?</p></blockquote>
<h3>Clarão, de Miguel Torga</h3>
<blockquote><p>O que isto é, viver!<br />
Abrir os olhos, ver,<br />
E ser o nevoeiro que se vê!<br />
Nevoeiro ao nascer,<br />
Nevoeiro ao morrer,<br />
E um destino na mão que se não lê&#8230;</p></blockquote>
<h3>Eu não quero esquecer os dias que viveram, de Saúl Dias</h3>
<blockquote><p>Eu não quero esquecer os dias que viveram.<br />
Por eles escrevi estes versos mofinos;<br />
escrevi-os à tarde ouvindo rir meninos,<br />
meninos loiro-sóis que bem cedo morreram.</p>
<p>Eu não quero esquecer os dias que enumeram<br />
desejos e prazeres, rezas e desatinos;<br />
e, em loucuras ou entoando hinos,<br />
lá na Curva da Estrada, azuis, desapareceram.</p>
<p>Eu não quero esquecer dos dias mais felizes<br />
a bênção branca-e-astral, lá das Alturas vinda,<br />
nem tampouco o travor das horas infelizes.</p>
<p>Eu não quero esquecer&#8230; Quero viver ainda<br />
o tempo que secou, mas que deixou raízes,<br />
e em verde volverá, e florirá ainda&#8230;</p></blockquote>
<h3>Seiscentos e sessenta e seis, de Mário Quintana</h3>
<blockquote><p>A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.<br />
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo&#8230;<br />
Quando se vê, já é 6ª feira&#8230;<br />
Quando se vê, passaram 60 anos!<br />
Agora, é tarde demais para ser reprovado&#8230;<br />
E se me dessem — um dia — uma outra oportunidade,<br />
eu nem olhava o relógio<br />
seguia sempre em frente&#8230;<br />
e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.</p></blockquote>
<h3>Vive sem horas. Quanto mede pesa, de Ricardo Reis (Fernando Pessoa)</h3>
<blockquote><p>Vive sem horas. Quanto mede pesa,<br />
E quanto pensas mede.<br />
Num fluido incerto nexo, como o rio<br />
Cujas ondas são ele,<br />
Assim teus dias vê, e se te vires<br />
Passar, como a outrem, cala.</p></blockquote>
<h3>Brisa, de Manuel Bandeira</h3>
<blockquote><p>Vamos viver no Nordeste, Anarina.<br />
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.<br />
Deixarás aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.<br />
Aqui faz muito calor.<br />
No Nordeste faz calor também.<br />
Mas lá tem brisa:<br />
Vamos viver de brisa, Anarina.</p></blockquote>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que tenha gostado de nossa seleção de poemas sobre viver.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-sobre-trabalho-rimas-poesia-versos/">poemas sobre trabalho</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>5 ótimos poemas sobre trabalho em português!</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-sobre-trabalho-rimas-poesia-versos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-sobre-trabalho-rimas-poesia-versos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Mar 2023 14:01:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ideias de temas para poemas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=1615</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas sobre trabalho em portugu&#234;s! Talvez nunca na hist&#243;ria da humanidade o trabalho esteve t&#227;o presente e ocupou parcela t&#227;o significativa da vida do homem comum. Hoje, pode-se dizer que esta necessidade humana ocupa o centro de um n&#250;mero enorme de exist&#234;ncias. Por um lado, &#233; poss&#237;vel encontrar no trabalho&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-sobre-trabalho-rimas-poesia-versos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">5 ótimos poemas sobre trabalho em português!</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas sobre trabalho em português!</em></span></p>
<p>Talvez nunca na história da humanidade o trabalho esteve tão presente e ocupou parcela <a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/sociedade-moderna-trabalha-mais-horas-que-camponeses-medievais-indica-pesquisadora.phtml" target="_blank" rel="noopener">tão significativa</a> da vida do homem comum.</p>
<p>Hoje, pode-se dizer que esta necessidade humana ocupa o centro de um número enorme de existências.</p>
<p>Por um lado, é possível encontrar no trabalho uma grande realização pessoal e também uma grande satisfação; por outro, não há dúvida de que o trabalho pode ser uma fonte interminável de estresse e frustração.</p>
<p>Parece tal diferença residir, especialmente, na escolha: quando se escolhe aquilo para que se tem vocação e interesse, ainda que financeiramente não seja a opção mais interessante, é possível alcançar a tal realização; já quando somente pensamos em dinheiro&#8230;</p>
<p>Seja como for, o trabalho já foi motivo de inspiração para muitos poetas, que delinearam em versos algumas de suas características e impactos na vida humana.</p>
<p>Sendo assim, preparamos uma seleção com 5 poemas sobre o trabalho para que você possa apreciar algumas abordagens para esta temática.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas sobre trabalho</h2>
<h3>Poema dum funcionário cansado, de António Ramos Rosa</h3>
<blockquote><p>A noite trocou-me os sonhos e as mãos<br />
dispersou-me os amigos<br />
tenho o coração confundido e a rua é estreita</p>
<p>estreita em cada passo<br />
as casas engolem-nos<br />
sumimo-nos,<br />
estou num quarto só num quarto só<br />
com os sonhos trocados<br />
com toda a vida às avessas a arder num quarto só</p>
<p>Sou um funcionário apagado<br />
um funcionário triste<br />
a minha alma não acompanha a minha mão<br />
Débito e Crédito Débito e Crédito<br />
a minha alma não dança com os números tento escondê-la envergonhado<br />
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente<br />
e debitou-me na minha conta de empregado<br />
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar<br />
Porque não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?<br />
Porque me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?</p>
<p>Soletro velhas palavras generosas<br />
Flor rapariga amigo menino<br />
irmão beijo namorada<br />
mãe estrela música</p>
<p>São as palavras cruzadas do meu sonho<br />
palavras soterradas na prisão da minha vida<br />
isto todas as noites do mundo uma noite só comprida<br />
num quarto só</p></blockquote>
<h3>Elegia 1938, de Carlos Drummond de Andrade</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Elegia 1938, de Carlos Drummond de Andrade | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/5Tw_RZ-6DSw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,<br />
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.<br />
Praticas laboriosamente os gestos universais,<br />
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.</p>
<p>Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,<br />
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.<br />
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze<br />
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.</p>
<p>Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra<br />
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.<br />
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina<br />
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.</p>
<p>Caminhas entre mortos e com eles conversas<br />
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.<br />
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.<br />
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.</p>
<p>Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota<br />
e adiar para outro século a felicidade coletiva.<br />
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição<br />
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.</p></blockquote>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-elegia-1938-carlos-drummond-de-andrade/">Elegia 1938, de Carlos Drummond de Andrade</a>.</span></em></li>
</ul>
<h3>Diálogo, de Antero de Quental</h3>
<blockquote><p>A cruz dizia à terra onde assentava,<br />
Ao vale obscuro, ao monte áspero e mudo:<br />
— Que és tu, abismo e jaula, aonde tudo<br />
Vive na dor e em luta cega e brava?</p>
<p>Sempre em trabalho, condenada escrava.<br />
Que fazes tu de grande e bom, contudo?<br />
Resignada, és só lodo informe e rudo;<br />
Revoltosa, és só fogo e hórrida lava…</p>
<p>Mas a mim não há alta e livre serra<br />
Que me possa igualar!.. amor, firmeza,<br />
Sou eu só: sou a paz, tu és a guerra!</p>
<p>Sou o espírito, a luz!.. tu és tristeza,<br />
Oh lodo escuro e vil! — Porém a terra<br />
Respondeu: Cruz, eu sou a Natureza!</p></blockquote>
<h3>A um poeta, de Olavo Bilac</h3>
<blockquote><p>Longe do estéril turbilhão da rua,<br />
Beneditino, escreve! No aconchego<br />
Do claustro, na paciência e no sossego,<br />
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!</p>
<p>Mas que na forma se disfarce o emprego<br />
Do esforço; e a trama viva se construa<br />
De tal modo, que a imagem fique nua,<br />
Rica mas sóbria, como um templo grego.</p>
<p>Não se mostre na fábrica o suplício<br />
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,<br />
Sem lembrar os andaimes do edifício:</p>
<p>Porque a Beleza, gêmea da Verdade,<br />
Arte pura, inimiga do artifício,<br />
É a força e a graça na simplicidade.</p></blockquote>
<h3>Calçada de carriche, de António Gedeão</h3>
<blockquote><p>Luísa sobe,<br />
sobe a calçada,<br />
sobe e não pode<br />
que vai cansada.<br />
Sobe, Luísa,<br />
Luísa, sobe,<br />
sobe que sobe<br />
sobe a calçada.</p>
<p>Saiu de casa<br />
de madrugada;<br />
regressa a casa<br />
é já noite fechada.<br />
Na mão grosseira,<br />
de pele queimada,<br />
leva a lancheira<br />
desengonçada.<br />
Anda, Luísa,<br />
Luísa, sobe,<br />
sobe que sobe,<br />
sobe a calçada.</p>
<p>Luísa é nova,<br />
desenxovalhada,<br />
tem perna gorda,<br />
bem torneada.<br />
Ferve-lhe o sangue<br />
de afogueada;<br />
saltam-lhe os peitos<br />
na caminhada.<br />
Anda, Luísa.<br />
Luísa, sobe,<br />
sobe que sobe,<br />
sobe a calçada.</p>
<p>Passam magalas,<br />
rapaziada,<br />
palpam-lhe as coxas,<br />
não dá por nada.<br />
Anda, Luísa,<br />
Luísa, sobe,<br />
sobe que sobe,<br />
sobe a calçada.</p>
<p>Chegou a casa<br />
não disse nada.<br />
Pegou na filha,<br />
deu-lhe a mamada;<br />
bebeu da sopa<br />
numa golada;<br />
lavou a loiça,<br />
varreu a escada;<br />
deu jeito à casa<br />
desarranjada;<br />
coseu a roupa<br />
já remendada;<br />
despiu-se à pressa,<br />
desinteressada;<br />
caiu na cama<br />
de uma assentada;<br />
chegou o homem,<br />
viu-a deitada;<br />
serviu-se dela,<br />
não deu por nada.<br />
Anda, Luísa.<br />
Luísa, sobe,<br />
sobe que sobe,<br />
sobe a calçada.</p>
<p>Na manhã débil,<br />
sem alvorada,<br />
salta da cama,<br />
desembestada;<br />
puxa da filha,<br />
dá-lhe a mamada;<br />
veste-se à pressa,<br />
desengonçada;<br />
anda, ciranda,<br />
desaustinada;<br />
range o soalho<br />
a cada passada;<br />
salta para a rua,<br />
corre açodada,<br />
galga o passeio,<br />
desce a calçada,<br />
desce a calçada,<br />
chega à oficina<br />
à hora marcada,<br />
puxa que puxa,<br />
larga que larga,<br />
puxa que puxa,<br />
larga que larga,<br />
puxa que puxa,<br />
larga que larga,<br />
puxa que puxa,<br />
larga que larga;<br />
toca a sineta<br />
na hora aprazada,<br />
corre à cantina,<br />
volta à toada,<br />
puxa que puxa,<br />
larga que larga,<br />
puxa que puxa,<br />
larga que larga,<br />
puxa que puxa,<br />
larga que larga.<br />
Regressa a casa<br />
é já noite fechada.<br />
Luísa arqueja<br />
pela calçada.<br />
Anda, Luísa,<br />
Luísa, sobe,<br />
sobe que sobe,<br />
sobe a calçada,<br />
sobe que sobe,<br />
sobe a calçada,<br />
sobe que sobe,<br />
sobe a calçada.<br />
Anda, Luísa,<br />
Luísa, sobe,<br />
sobe que sobe,<br />
sobe a calçada.</p></blockquote>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que tenha gostado de nossa seleção de poemas sobre trabalho.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-sobre-rios-poesia-portugueses-versos/">poemas sobre rios</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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	</channel>
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