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	<title>poetas brasileiros &#8211; como fazer um poema</title>
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	<description>poesia brasileira e portuguesa</description>
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	<title>poetas brasileiros &#8211; como fazer um poema</title>
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	<item>
		<title>7 poemas infantis de Cecília Meireles para ler com as crianças!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Feb 2024 14:30:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[poetas brasileiros]]></category>
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					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas infantis de Cec&#237;lia Meireles para ler com as crian&#231;as! &#201; algo conhecido que Cec&#237;lia Meireles, al&#233;m de vasta e reconhecida obra po&#233;tica, foi uma grande entusiasta da educa&#231;&#227;o infantil. A este interesse Cec&#237;lia empenhou-se com not&#225;vel dedica&#231;&#227;o, e os frutos de seu trabalho educativo foram muitos, desde a funda&#231;&#227;o&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-infantis-de-cecilia-meireles-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">7 poemas infantis de Cecília Meireles para ler com as crianças!</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas infantis de Cecília Meireles para ler com as crianças!</em></span></p>
<p>É algo conhecido que Cecília Meireles, além de vasta e reconhecida obra poética, foi uma grande entusiasta da educação infantil.</p>
<p>A este interesse Cecília empenhou-se com notável dedicação, e os frutos de seu trabalho educativo foram muitos, desde a fundação da primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, até a publicação de numerosos poemas infantis.</p>
<p>Sendo assim, preparamos uma seleção com 7 poemas infantis de Cecília Meireles, alguns deles de grande sucesso, para que você possa apreciá-los e recitá-los a crianças.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas infantis de Cecília Meireles</h2>
<h3>Ou isto ou aquilo</h3>
<blockquote><p>Ou se tem chuva e não se tem sol,<br />
ou se tem sol e não se tem chuva!</p>
<p>Ou se calça a luva e não se põe o anel,<br />
ou se põe o anel e não se calça a luva!</p>
<p>Quem sobe nos ares não fica no chão,<br />
quem fica no chão não sobe nos ares.</p>
<p>É uma grande pena que não se possa<br />
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!</p>
<p>Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,<br />
ou compro o doce e gasto o dinheiro.</p>
<p>Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…<br />
e vivo escolhendo o dia inteiro!</p>
<p>Não sei se brinco, não sei se estudo,<br />
se saio correndo ou fico tranquilo.</p>
<p>Mas não consegui entender ainda<br />
qual é melhor: se é isto ou aquilo.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-ou-isto-ou-aquilo-de-cecilia-meireles/">Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles</a>.</em></li>
</ul>
<h3>A bailarina</h3>
<blockquote><p>Esta menina<br />
tão pequenina<br />
quer ser bailarina.<br />
Não conhece nem dó nem ré<br />
mas sabe ficar na ponta do pé.</p>
<p>Não conhece nem mi nem fá<br />
Mas inclina o corpo para cá e para lá</p>
<p>Não conhece nem lá nem si,<br />
mas fecha os olhos e sorri.</p>
<p>Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar<br />
e não fica tonta nem sai do lugar.</p>
<p>Põe no cabelo uma estrela e um véu<br />
e diz que caiu do céu.</p>
<p>Esta menina<br />
tão pequenina<br />
quer ser bailarina.</p>
<p>Mas depois esquece todas as danças,<br />
e também quer dormir como as outras crianças.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-a-bailarina-de-cecilia-meireles-poesia/">A bailarina, de Cecília Meireles</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Bolhas</h3>
<blockquote><p>Olha a bolha d’água<br />
no galho!<br />
Olha o orvalho!</p>
<p>Olha a bolha de vinho<br />
na rolha!<br />
Olha a bolha!</p>
<p>Olha a bolha na mão<br />
Que trabalha!</p>
<p>Olha a bolha de sabão<br />
na ponta da palha:<br />
brilha, espelha<br />
e se espalha.<br />
Olha a bolha!</p>
<p>Olha a bolha<br />
que molha<br />
a mão do menino:</p>
<p>A bolha da chuva da calha!</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-bolhas-cecilia-meireles-poesia-analise/">Bolhas, de Cecília Meireles</a>.</em></li>
</ul>
<h3>O Menino Azul</h3>
<blockquote><p>O menino quer um burrinho<br />
para passear.<br />
Um burrinho manso,<br />
que não corra nem pule,<br />
mas que saiba conversar.</p>
<p>O menino quer um burrinho<br />
que saiba dizer<br />
o nome dos rios,<br />
das montanhas, das flores,<br />
de tudo o que aparecer.</p>
<p>O menino quer um burrinho<br />
que saiba inventar histórias bonitas<br />
com pessoas e bichos<br />
e com barquinhos no mar.</p>
<p>E os dois sairão pelo mundo<br />
que é como um jardim<br />
apenas mais largo<br />
e talvez mais comprido<br />
e que não tenha fim.</p>
<p>(Quem souber de um burrinho desses,<br />
pode escrever<br />
para a Ruas das Casas,<br />
Número das Portas,<br />
ao Menino Azul que não sabe ler.)</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-o-menino-azul-cecilia-meireles-poesia/">O Menino Azul, de Cecília Meireles</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Leilão de jardim</h3>
<blockquote><p>Quem me compra um jardim com flores?<br />
Borboletas de muitas cores,<br />
lavadeiras e passarinhos,<br />
ovos verdes e azuis nos ninhos?</p>
<p>Quem me compra este caracol?<br />
Quem me compra um raio de sol?<br />
Um lagarto entre o muro e a hera,<br />
uma estátua da Primavera?</p>
<p>Quem me compra este formigueiro?<br />
E este sapo, que é jardineiro?<br />
E a cigarra e a sua canção?<br />
E o grilinho dentro do chão?</p>
<p>(Este é o meu leilão.)</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-leilao-de-jardim-de-cecilia-meireles/">Leilão de jardim, de Cecília Meireles</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Jogo de bola</h3>
<blockquote><p>A bela bola<br />
rola:<br />
a bela bola do Raul.</p>
<p>Bola amarela,<br />
a da Arabela.</p>
<p>A do Raul,<br />
azul.</p>
<p>Rola a amarela<br />
e pula a azul.</p>
<p>A bola é mole,<br />
é mole e rola.</p>
<p>A bola é bela,<br />
é bela e pula.</p>
<p>É bela, rola e pula,<br />
é mole, amarela, azul.</p>
<p>A de Raul é de Arabela,<br />
e a de Arabela é de Raul.</p></blockquote>
<h3>Criança</h3>
<blockquote><p>Cabecinha boa de menino triste,<br />
de menino triste que sofre sozinho,<br />
que sozinho sofre, — e resiste,</p>
<p>Cabecinha boa de menino ausente,<br />
que de sofrer tanto se fez pensativo,<br />
e não sabe mais o que sente…</p>
<p>Cabecinha boa de menino mudo<br />
que não teve nada, que não pediu nada,<br />
pelo medo de perder tudo.</p>
<p>Cabecinha boa de menino santo<br />
que do alto se inclina sobre a água do mundo<br />
para mirar seu desencanto.</p>
<p>Para ver passar numa onda lenta e fria<br />
a estrela perdida da felicidade<br />
que soube que não possuiria.</p></blockquote>
<h4>Quais os benefícios dos poemas infantis para as crianças?</h4>
<p>A leitura de poemas infantis pode ser muito benéfica para as crianças.</p>
<p>Poderíamos elencar inúmeros motivos para justificá-lo, mas resumiremos os principais.</p>
<p>Que fique, porém, registrado que incentivamos fortemente o uso da poesia como ferramenta de ensino: as crianças só têm a ganhar.</p>
<p>Os principais benefícios dos poemas infantis para as crianças são:</p>
<h5>Poemas infantis são divertidos</h5>
<p>Não se pode falar em ensinar crianças sem falar em didática.</p>
<p>E a didática, para crianças, tem de ser leve, dinâmica, estimulante.</p>
<div id="comof-1201657604" class="comof-after-18th comof-highlight-wrapper" data-title="Placement name: after-18th; Ads: Curso 350x250">Muito do que a criança aprenderá, ou terá dificuldades para aprender, é diretamente dependente da maneira com a qual foi ensinada.</div>
<p>Sendo assim, destacamos que os poemas infantis são poderosíssimas ferramentas de ensino, justamente porque estimularão o cérebro da criança, que se divertirá com as relações todas novas estabelecidas entre as palavras e com o som agradável dos versos.</p>
<h5>Poemas infantis desenvolvem a memória</h5>
<p>A repetição de rimas e cantigas é como que um exercício para a memória das crianças; não somente memória semântica, como memória afetiva.</p>
<p>A criança, portanto, ao ler poemas infantis, fará registros semânticos e afetivos em sua mente, podendo recordá-los quando deparar-se com palavras componentes do poema no futuro, lembrando-se tanto do sentido atribuído a elas no poema, quanto das sensações que experimentaram ao lê-los pela primeira vez.</p>
<h5>Poemas infantis desenvolvem o uso da linguagem</h5>
<p>Desenvolver o bom uso da linguagem é algo fundamental para uma criança, que impactará sua vida futura independentemente do caminho que escolha.</p>
<p>Sabemos que o processo cognitivo humano é complexo, lento, e muitas vezes inconsciente.</p>
<p>A criança chega a um mundo onde não conhece nada e, exposta diariamente a diferentes sons, imagens e estímulos, vai lentamente atribuindo sentido a eles e entendendo o ambiente em que vive.</p>
<p>Os poemas infantis contribuem sobremaneira para que a criança tome consciência dos fonemas, das palavras, da sintaxe, além de estimular a interpretação de texto e o raciocínio crítico, habilidades importantíssimas que terão de desenvolver.</p>
<h5>Poemas infantis estimulam a criatividade</h5>
<p>Os variados elementos que constituem a poesia são fortíssimos estímulos para a criatividade das crianças.</p>
<p>Os jogos de palavras, as rimas, as aliterações, o ritmo, a cadência dos poemas, tudo isso as encanta por evidenciar relações interessantes que as palavras podem travar entre si.</p>
<p>Mas mais do que isso: sendo os poemas, em geral, narrativas, eles farão com que a criança imagine e a imaginação, como sabemos, é o grande pilar da criatividade.</p>
<h4>Sobre Cecília Meireles</h4>
<p>Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de novembro de 1901 e morreu, na mesma cidade, em 9 de novembro de 1964.</p>
<p>Nascida órfã de pai, perdeu a mãe aos três anos e, por isso, foi criada por sua avó portuguesa, Dona Jacinta, natural da ilha dos Açores.</p>
<p>Desde pequena, Cecília recebeu educação religiosa e demonstrou grande interesse pela literatura. Tornou-se professora muito cedo, quando já compunha poemas.</p>
<p>O interesse de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cec%C3%ADlia_Meireles" target="_blank" rel="noopener">Cecília Meireles</a> pela educação fê-la fundar a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, em 1934.</p>
<p>Aos 21 anos, casou-se com o pintor português Fernando Correia Dias, que veio a suicidar-se em 1936.</p>
<p>Cinco anos após este evento dramático, Cecília casa-se novamente, desta vez com o engenheiro agrônomo Heitor Vinícius de Silveira Grilo.</p>
<p>Em 1939, Cecília publica <em>Viagem</em>, livro que rapidamente encantou leitores e acadêmicos, dando-lhe grande reconhecimento e o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras.</p>
<p>No dia 9 de novembro de 1964, com 63 anos, Cecília faleceu, vítima de câncer, no Rio de Janeiro.</p>
<h4>Obras de Cecília Meireles</h4>
<ul>
<li><em>Espectros (1919)</em></li>
<li><em>Criança, meu amor (1923)</em></li>
<li><em>Nunca mais (1923)</em></li>
<li><em>Poema dos poemas (1923)</em></li>
<li><em>Baladas para el-rei (1925)</em></li>
<li><em>O espírito vitorioso (1929)</em></li>
<li><em>Saudação à menina de Portugal (1930)</em></li>
<li><em>Batuque, samba e macumba (1933)</em></li>
<li><em>A festa das letras (1937)</em></li>
<li><em>Viagem (1939)</em></li>
<li><em>Olhinhos de gato (1940)</em></li>
<li><em>Vaga música (1942)</em></li>
<li><em>Mar absoluto (1945)</em></li>
<li><em>Rute e Alberto (1945)</em></li>
<li><em>Rui: pequena história de uma grande vida (1948)</em></li>
<li><em>Retrato natural (1949)</em></li>
<li><em>Problemas de literatura infantil (1950)</em></li>
<li><em>Amor em Leonoreta (1952)</em></li>
<li><em>Doze noturnos da Holanda e O aeronauta (1952)</em></li>
<li><em>Romanceiro da Inconfidência (1953)</em></li>
<li><em>Poemas escritos na Índia (1953)</em></li>
<li><em>Pequeno oratório de Santa Clara (1955)</em></li>
<li><em>Pistoia, cemitério militar brasileiro (1955)</em></li>
<li><em>Panorama folclórico de Açores (1955)</em></li>
<li><em>Canções (1956)</em></li>
<li><em>Giroflê, giroflá (1956).</em></li>
<li><em>Romance de Santa Cecília (1957).</em></li>
<li><em>A rosa (1957).</em></li>
<li><em>Metal rosicler (1960)</em></li>
<li><em>Poemas de Israel (1963)</em></li>
<li><em>Solombra (1963)</em></li>
<li><em>Ou isto ou aquilo (1964)</em></li>
<li><em>Escolha o seu sonho (1964)</em></li>
<li><em>Crônica trovada da cidade de Sam Sebastiam (1965)</em></li>
<li><em>O menino atrasado (1966)</em></li>
<li><em>Poemas italianos (1968)</em></li>
<li><em>Flor de poemas (1972)</em></li>
<li><em>Elegias (1974)</em></li>
<li><em>Flores e canções (1979)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas infantis de Cecília Meireles.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de conferir a nossa seleção de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-infantis-de-vinicius-de-moraes-poesia/">poemas infantis de Vinícius de Moraes</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>7 belíssimos poemas de Cruz e Sousa, ícone do Simbolismo brasileiro</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-de-cruz-e-sousa-simbolismo-brasileiro/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-de-cruz-e-sousa-simbolismo-brasileiro</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Oct 2023 13:30:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[poetas brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas de Cruz e Sousa, poeta representante do Simbolismo brasileiro! Cruz e Sousa &#233; um poeta brasileiro de grande import&#226;ncia hist&#243;rica, especialmente por ser-lhe atribu&#237;da a introdu&#231;&#227;o do Simbolismo no Brasil. Sua obra destaca-se especialmente pela musicalidade e pelo teor imag&#233;tico e sugestivo, em conformidade com os simbolistas franceses que&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-cruz-e-sousa-simbolismo-brasileiro/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">7 belíssimos poemas de Cruz e Sousa, ícone do Simbolismo brasileiro</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas de Cruz e Sousa, poeta representante do Simbolismo brasileiro!</em></span></p>
<p>Cruz e Sousa é um poeta brasileiro de grande importância histórica, especialmente por ser-lhe atribuída a introdução do Simbolismo no Brasil.</p>
<p>Sua obra destaca-se especialmente pela musicalidade e pelo teor imagético e sugestivo, em conformidade com os simbolistas franceses que lhe serviram de inspiração.</p>
<p>Cruz e Sousa, em sua época, foi apelidado &#8220;Dante negro&#8221;, em referência ao poeta florentino Dante Alighieri, em demonstração do grande reconhecimento que conquistou devido ao mérito literário de sua obra.</p>
<p>Dito isso, preparamos uma seleção com 7 poemas de Cruz e Sousa para que você possa conhecer um pouco mais da obra deste grande poeta brasileiro.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Cruz e Sousa</h2>
<h3>Acrobata da dor</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe title="Poema Acrobata da dor, de Cruz e Sousa | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/tS-eNcY-nik?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Gargalha, ri, num riso de tormenta,<br />
Como um palhaço, que desengonçado,<br />
Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado<br />
De uma ironia e de uma dor violenta.</p>
<p>Da gargalhada atroz, sanguinolenta,<br />
Agita os guizos, e convulsionado<br />
Salta, gavroche, salta clown, varado<br />
Pelo estertor dessa agonia lenta&#8230;</p>
<p>Pedem-te bis e um bis não se despreza!<br />
Vamos! retesa os músculos, retesa<br />
Nessas macabras piruetas d&#8217;aço&#8230;</p>
<p>E embora caias sobre o chão, fremente,<br />
Afogado em teu sangue estuoso e quente<br />
Ri! Coração, tristíssimo palhaço.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-acrobata-da-dor-cruz-e-sousa-poesia/">Acrobata da dor, de Cruz e Sousa</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Vida obscura</h3>
<blockquote><p>Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,<br />
Ó ser humilde entre os humildes seres.<br />
Embriagado, tonto dos prazeres,<br />
O mundo para ti foi negro e duro.</p>
<p>Atravessaste num silêncio escuro<br />
A vida presa a trágicos deveres<br />
E chegaste ao saber de altos saberes<br />
Tornando-te mais simples e mais puro.</p>
<p>Ninguém te viu o sentimento inquieto,<br />
Magoado, oculto e aterrador, secreto.<br />
Que o coração te apunhalou no mundo.</p>
<p>Mas eu que sempre te segui os passos<br />
Sei que cruz infernal prendeu-te os braços<br />
E o teu suspiro como foi profundo!</p></blockquote>
<h3>Cavador do Infinito</h3>
<blockquote><p>Com a lâmpada do Sonho desce aflito<br />
E sobe aos mundos mais imponderáveis,<br />
Vai abafando as queixas implacáveis,<br />
Da alma o profundo e soluçado grito.</p>
<p>Ânsias, Desejos, tudo a fogo, escrito<br />
Sente, em redor, nos astros inefáveis.<br />
Cava nas fundas eras insondáveis<br />
O cavador do trágico Infinito.</p>
<p>E quanto mais pelo Infinito cava<br />
Mais o Infinito se transforma em lava<br />
E o cavador se perde nas distâncias&#8230;</p>
<p>Alto levanta a lâmpada do Sonho<br />
E com seu vulto pálido e tristonho<br />
Cava os abismos das eternas ânsias!</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-cavador-do-infinito-cruz-e-sousa-poesia/">Cavador do Infinito, de Cruz e Sousa</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Beleza morta</h3>
<blockquote><p>De leve, louro e enlanguescido helianto<br />
Tens a flórea dolência contristada&#8230;<br />
Há no teu riso amargo um certo encanto<br />
De antiga formosura destronada.</p>
<p>No corpo, de um letárgico quebranto,<br />
Corpo de essência fina, delicada,<br />
Sente-se ainda o harmonioso canto<br />
Da carne virginal, clara e rosada.</p>
<p>Sente-se o canto errante, as harmonias<br />
Quase apagadas, vagas, fugidias<br />
E uns restos de clarão de Estrela acesa&#8230;</p>
<p>Como que ainda os derradeiros haustos<br />
De opulências, de pompas e de faustos,<br />
As relíquias saudosas da beleza</p></blockquote>
<h3>Rebelado</h3>
<blockquote><p>Ri tua face um riso acerbo e doente,<br />
Que fere, ao mesmo tempo que contrista&#8230;<br />
Riso de ateu e riso de budista<br />
Gelado no Nirvana impenitente.</p>
<p>Flor de sangue, talvez, e flor dolente<br />
De uma paixão espiritual de artista,<br />
Flor de Pecado sentimentalista<br />
Sangrando em riso desdenhosamente.</p>
<p>Da alma sombria de tranquilo asceta<br />
Bebeste, entanto, a morbidez secreta<br />
Que a febre das insânias adormece.</p>
<p>Mas no teu lábio convulsivo e mudo<br />
Mesmo até riem, com desdéns de tudo,<br />
As sílabas simbólicas da Prece!</p></blockquote>
<h3>Post mortem</h3>
<blockquote><p>Quando do amor das Formas inefáveis<br />
No teu sangue apagar-se a imensa chama,<br />
Quando os brilhos estranhos e variáveis<br />
Esmorecerem nos troféus da Fama.</p>
<p>Quando as níveas Estrelas invioláveis,<br />
Doce velário que um luar derrama,<br />
Nas clareiras azuis ilimitáveis<br />
Clamarem tudo o que o teu Verso clama.</p>
<p>Já terás para os báratros descido,<br />
Nos cilícios da Morte revestido,<br />
Pés e faces e mãos e olhos gelados&#8230;</p>
<p>Mas os teus Sonhos e Visões e Poemas<br />
Pelo alto ficarão de eras supremas<br />
Nos relevos do Sol eternizados!</p></blockquote>
<h3>Antífona</h3>
<blockquote><p>Ó Formas alvas, brancas, Formas claras<br />
De luares, de neves, de neblinas!&#8230;<br />
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas&#8230;<br />
Incensos dos turíbulos das aras&#8230;</p>
<p>Formas do Amor, constelarmente puras,<br />
De Virgens e de Santas vaporosas&#8230;<br />
Brilhos errantes, mádidas frescuras<br />
E dolências de lírios e de rosas&#8230;</p>
<p>Indefiníveis músicas supremas,<br />
Harmonias da Cor e do Perfume&#8230;<br />
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,<br />
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume&#8230;</p>
<p>Visões, salmos e cânticos serenos,<br />
Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes&#8230;<br />
Dormências de volúpicos venenos<br />
Sutis e suaves, mórbidos, radiantes&#8230;</p>
<p>Infinitos espíritos dispersos,<br />
Inefáveis, edênicos, aéreos,<br />
Fecundai o Mistério destes versos<br />
Com a chama ideal de todos os mistérios.</p>
<p>Do Sonho as mais azuis diafaneidades<br />
Que fuljam, que na Estrofe se levantem<br />
E as emoções, todas as castidades<br />
Da alma do Verso, pelos versos cantem.</p>
<p>Que o pólen de ouro dos mais finos astros<br />
Fecunde e inflame a rima clara e ardente&#8230;<br />
Que brilhe a correção dos alabastros<br />
Sonoramente, luminosamente.</p>
<p>Forças originais, essência, graça<br />
De carnes de mulher, delicadezas&#8230;<br />
Todo esse eflúvio que por ondas passa<br />
Do Éter nas róseas e áureas correntezas&#8230;</p>
<p>Cristais diluídos de clarões alacres,<br />
Desejos, vibrações, ânsias, alentos,<br />
Fulvas vitórias, triunfamentos acres,<br />
Os mais estranhos estremecimentos&#8230;</p>
<p>Flores negras do tédio e flores vagas<br />
De amores vãos, tantálicos, doentios&#8230;<br />
Fundas vermelhidões de velhas chagas<br />
Em sangue, abertas, escorrendo em rios&#8230;</p>
<p>Tudo! vivo e nervoso e quente e forte,<br />
Nos turbilhões quiméricos do Sonho,<br />
Passe, cantando, ante o perfil medonho<br />
E o tropel cabalístico da Morte&#8230;</p></blockquote>
<h4>Sobre Cruz e Sousa</h4>
<p>Cruz e Sousa nasceu em 24 de novembro de 1861, em Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis), em Santa Catarina.</p>
<p>Nasceu livre, por ser filho de escravos alforriados, e foi criado como filho adotivo do Marechal de Campo Guilherme Xavier de Sousa e Clarinda Fagundes de Sousa.</p>
<p>Teve a educação patrocinada pela mesma família de aristocratas que alforriou seus pais, fazendo os primeiros estudos em Santa Catarina e, em seguida, movendo-se a São Paulo, onde cursou direito e formou-se em 1881.</p>
<p>Iniciou sua carreira literária como jornalista e colaborou em diversas publicações.</p>
<p>Publicou seu primeiro livro de poesias, <em>Tropos e Fantasias</em>, em 1885.</p>
<p>Em 1893, lançou <em>Missal</em> e <em>Broquéis</em>, obras que se tornaram marcos do Simbolismo brasileiro.</p>
<p>Foi apelidado &#8220;Dante negro&#8221;, em referência ao poeta italiano Dante Alighieri, e tornou-se um dos poetas mais importantes do Brasil.</p>
<p>Apesar do reconhecimento literário, enfrentou dificuldades financeiras e problemas de saúde.</p>
<p>Faleceu em 19 de março de 1898, em Antônio Carlos (MG), vítima de tuberculose.</p>
<p>É patrono da cadeira 15 da <a href="https://www.academiacatarinense.org.br/patronos" target="_blank" rel="noopener">Academia Catarinense de Letras</a>.</p>
<h4>Obras de Cruz e Sousa</h4>
<ul>
<li><em>Tropos e Fantasias (1885)</em></li>
<li><em>Missal (1893)</em></li>
<li><em>Broquéis (1893)</em></li>
<li><em>Evocações (1898)</em></li>
<li><em>Faróis (1900)</em></li>
<li><em>Últimos sonetos (1905)</em></li>
<li><em>Outras evocações (1961)</em></li>
<li><em>O livro derradeiro (1961)</em></li>
<li><em>Dispersos (1961</em></li>
<li><em>Poemas inéditos (1996)</em></li>
<li><em>Últimos inéditos (2013)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas de Cruz e Sousa.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de conferir o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-convite-a-marilia-bocage-poesia-analise/">Convite à Marília, de Bocage</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os 10 melhores poemas de Mário Quintana! (comentados)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/melhores-poemas-de-mario-quintana-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=melhores-poemas-de-mario-quintana-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jul 2023 19:25:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[poetas brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2213</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o com os melhores poemas de M&#225;rio Quintana, um dos mais populares poetas brasileiros! M&#225;rio Quintana &#233;, hoje, um dos poetas mais queridos do p&#250;blico brasileiro. Sua poesia vale-se de uma linguagem simples e seu tremendo sucesso parece residir especialmente no tom &#237;ntimo, confessional, com que geralmente se nos apresenta. Ali&#225;s, &#233;&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/melhores-poemas-de-mario-quintana-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Os 10 melhores poemas de Mário Quintana! (comentados)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção com os melhores poemas de Mário Quintana, um dos mais populares poetas brasileiros!</em></span></p>
<p>Mário Quintana é, hoje, um dos poetas mais queridos do público brasileiro.</p>
<p>Sua poesia vale-se de uma linguagem simples e seu tremendo sucesso parece residir especialmente no tom íntimo, confessional, com que geralmente se nos apresenta.</p>
<p>Aliás, é isso o que o próprio poeta nos declara:</p>
<blockquote><p>Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão.</p></blockquote>
<p>Dito isso, preparamos uma seleção com os 10 melhores poemas de Mário Quintana para que você possa conhecer um pouco mais da obra deste poeta.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Mário Quintana</h2>
<h3>Esperança</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe title="Poema Esperança, de Mário Quintana | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/G_g6jHMyzlk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano<br />
Vive uma louca chamada Esperança<br />
E ela pensa que quando todas as sirenas<br />
Todas as buzinas<br />
Todos os reco-recos tocarem<br />
Atira-se<br />
E<br />
— ó delicioso voo!<br />
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,<br />
Outra vez criança&#8230;<br />
E em torno dela indagará o povo:<br />
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?<br />
E ela lhes dirá<br />
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)<br />
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:<br />
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA&#8230;</p></blockquote>
<p>Este poema é um dos poemas mais conhecidos de Mário Quintana e, sumariamente, traça uma metáfora com o sentimento que nos impregna no fim de todos os anos.</p>
<p>Este sentimento, a esperança, é personificada no poema, o qual parece nos alertar para o seu valor.</p>
<p><em>Esperança</em> <strong>destaca o caráter puro e inocente deste belo sentimento</strong> e nos relembra da importância de nutri-lo em nossas vidas.</p>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-esperanca-de-mario-quintana-poesia/">Esperança, de Mário Quintana</a>.</span></em></li>
</ul>
<h3>Emergência</h3>
<blockquote><p>Quem faz um poema abre uma janela.<br />
Respira, tu que estás numa cela<br />
abafada,<br />
esse ar que entra por ela.<br />
Por isso é que os poemas têm ritmo —<br />
para que possas profundamente respirar.<br />
Quem faz um poema salva um afogado.</p></blockquote>
<p><em>Emergência</em> é um poema interessante em que Mário Quintana aborda o caráter libertador da poesia.</p>
<p>Quando diz &#8220;quem faz um poema abre uma janela&#8221;, <strong>o narrador do poema associa o fazer poético com a abertura de possibilidades</strong>, libertação e renovação por parte daquele que a cultiva.</p>
<p>A vida sem poesia, sugere o poema, é como uma &#8220;cela abafada&#8221;, onde não podemos respirar bem.</p>
<p>Por fim, notamos que o título &#8220;Emergência&#8221; insinua que <strong>a poesia não nos é somente uma libertação, mas também uma necessidade premente</strong>.</p>
<h3>Os poemas</h3>
<blockquote><p>Os poemas são pássaros que chegam<br />
não se sabe de onde e pousam<br />
no livro que lês.</p>
<p>Quando fechas o livro, eles alçam voo<br />
como de um alçapão.<br />
Eles não têm pouso<br />
nem porto<br />
alimentam-se um instante em cada par de mãos<br />
e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,<br />
no maravilhado espanto de saberes<br />
que o alimento deles já estava em ti…</p></blockquote>
<p><em>Os poemas</em> compara poemas a pássaros que, misteriosamente, pousam nos livros, alçando voo logo que são estes fechados.</p>
<p>Esta metáfora transmite-nos a ideia de que <strong>poemas não somente têm vida, como são livres e independentes</strong>.</p>
<p>Há um aspecto assaz curioso no poema, representado por seus últimos versos, os quais sugerem que os poemas não só precisam de leitores como, em verdade, estão neles próprios.</p>
<h3>Cidadezinha</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe title="Poema Cidadezinha, de Mário Quintana | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/CnCqZ9QY2Fs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Cidadezinha cheia de graça…<br />
Tão pequenina que até causa dó!<br />
Com seus burricos a pastar na praça…<br />
Sua igrejinha de uma torre só…</p>
<p>Nuvens que venham, nuvens e asas,<br />
Não param nunca nem um segundo…<br />
E fica a torre, sobre as velhas casas,<br />
Fica cismando como é vasto o mundo!…</p>
<p>Eu que de longe venho perdido,<br />
Sem pouso fixo (a triste sina!)<br />
Ah, quem me dera ter lá nascido!</p>
<p>Lá toda a vida poder morar!<br />
Cidadezinha… Tão pequenina<br />
Que toda cabe num só olhar&#8230;</p></blockquote>
<p><em>Cidadezinha</em> é um poema delicado que <strong>descreve afetivamente o carinho experimentado pelo eu lírico para com uma cidade</strong>.</p>
<p>Tal cidade é carinhosamente chamada de &#8220;cidadezinha&#8221; e descrita em toda a sua singeleza.</p>
<p>Enquanto a descreve, o eu lírico expressa o seu sentimento, levando o poema ao ápice ao afirmar desejar não somente ter nascido, como viver para sempre na referida cidade.</p>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/cidadezinha-cheia-de-graca-mario-quintana/">Cidadezinha, de Mário Quintana</a>.</span></em></li>
</ul>
<h3>A Rua dos Cataventos</h3>
<blockquote><p>XVII</p>
<p>Da vez primeira em que me assassinaram<br />
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha&#8230;<br />
Depois, de cada vez que me mataram,<br />
Foram levando qualquer coisa minha&#8230;</p>
<p>E hoje, dos meus cadáveres, eu sou<br />
O mais desnudo, o que não tem mais nada&#8230;<br />
Arde um toco de vela, amarelada&#8230;<br />
Como o único bem que me ficou!</p>
<p>Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!<br />
Ah! desta mão, avaramente adunca,<br />
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!</p>
<p>Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai!<br />
Que a luz, trêmula e triste como um ai,<br />
A luz do morto não se apaga nunca!</p></blockquote>
<p>Este poema, que é o décimo sétimo da obra <em>A Rua dos Cataventos</em>, é o primeiro metrificado desta lista e, quanto ao aspecto formal, destaca-se na obra de Mário Quintana.</p>
<p>Como se percebe, trata-se de um <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-soneto-tipos-caracteristicas-exemplos/">soneto</a> construído em decassílabos rimados, cuja temática difere um pouco daquilo que encontramos comumente em Mário Quintana.</p>
<p>Aqui, não há resquício do bom humor característico do poeta; muito pelo contrário, vemos um eu lírico que <strong>desabafa sobre suas sucessivas &#8220;mortes&#8221; em vida</strong>.</p>
<h3>Ritmo</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Ritmo, de Mário Quintana | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/lTtinL0KOYo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Na porta<br />
a varredeira varre o cisco<br />
varre o cisco<br />
varre o cisco</p>
<p>Na pia<br />
a menininha escova os dentes<br />
escova os dentes<br />
escova os dentes</p>
<p>No arroio<br />
a lavadeira bate roupa<br />
bate roupa<br />
bate roupa</p>
<p>Até que enfim<br />
‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ se desenrola<br />
‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ toda a corda<br />
e o mundo gira imóvel como um pião!</p></blockquote>
<p><em>Ritmo</em> é um poema muito conhecido de Mário Quintana, sobre o qual já escrevemos aqui neste sítio.</p>
<p>O poema tem como objetivo descrever o ritmo, isto é, o movimento regular de ações que fazem parte de nosso cotidiano.</p>
<p>Vários recursos expressivos são utilizados pelo poeta, como aliterações, paradoxos e mesmo a disposição visual do poema, que parece nos insinuar que <strong>há uma regularidade indissociável de nossa realidade</strong>.</p>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-ritmo-de-mario-quintana-poesia-analise/">Ritmo, de Mário Quintana</a>.</span></em></li>
</ul>
<h3>Seiscentos e sessenta e seis</h3>
<blockquote><p>A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.</p>
<p>Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…<br />
Quando se vê, já é 6ª-feira…<br />
Quando se vê, passaram 60 anos!<br />
Agora, é tarde demais para ser reprovado…<br />
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,<br />
eu nem olhava o relógio<br />
seguia sempre em frente…</p>
<p>E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.</p></blockquote>
<p><em>Seiscentos e sessenta e seis</em> é um poema que <strong>discorre sobre a passagem do tempo e suas consequências em nossas vidas individuais</strong>.</p>
<p>O eu lírico descreve a vida como um amontoado de deveres aos quais nos dedicamos sem perceber que desperdiçamos outras possibilidades ao fazê-lo.</p>
<p>O poema é escrito por alguém que, ao perceber a passagem do tempo, arrepende-se e lamenta não poder voltar atrás.</p>
<p>É, enfim, uma reflexão sobre as nossas prioridades e a necessidade de escolhê-las bem.</p>
<h3>Poeminho do contra</h3>
<blockquote><p>Todos esses que aí estão<br />
Atravancando meu caminho,<br />
Eles passarão…<br />
Eu passarinho!</p></blockquote>
<p>Este famoso e pequeno <em>Poeminho do contra</em> expressa, em suma, uma atitude irreverente do eu lírico perante aqueles que o atrapalham.</p>
<p>Os versos finais são extremamente criativos e querem dizer, primeiro, que aqueles que &#8220;atravancam&#8221; o caminho do eu lírico, hora ou outra, deixarão de fazê-lo; e, segundo, que o eu lírico não se incomoda com eles.</p>
<p>Ao comparar-se com um passarinho, o eu lírico <strong>remete-se à liberdade e leveza dos pássaros</strong> para seguir seus próprios caminhos.</p>
<h3>Relógio</h3>
<blockquote><p>O mais feroz dos animais domésticos<br />
é o relógio de parede:<br />
conheço um que já devorou<br />
três gerações da minha família.</p></blockquote>
<p><em>Relógio</em> é um poema com humor destacado que, entretanto, expressa uma mensagem profunda.</p>
<p>O eu lírico diz que o relógio de parede é &#8220;o mais feroz dos animais domésticos&#8221;.</p>
<p>Naturalmente, Mário Quintana, aqui, aborda em verdade um de seus temas prediletos, que é <strong>o caráter implacável do tempo</strong>.</p>
<h3>Da discrição</h3>
<blockquote><p>Não te abras com teu amigo<br />
Que ele um outro amigo tem<br />
E o amigo do teu amigo<br />
Possui amigos também&#8230;</p></blockquote>
<p>Para fechar nossa lista, este que é um poema de temática diferente da de todos os anteriores.</p>
<p>Estes versos possuem <strong>um caráter fortemente irônico e moralista</strong>, e o narrador, em suma, recomenda ao leitor a discrição (anunciada no título).</p>
<p>As razões para isso são muito simples: &#8220;abrindo-se&#8221; com um amigo, isto é, contando-lhe um segredo, corre-se o risco de que este amigo o comente com outro, que também comente com outro e assim por diante, de forma que, finalmente, o segredo torne-se conhecimento comum.</p>
<h4>Sobre Mário Quintana</h4>
<p>Mário Quintana nasceu em Alegrete (RS), em 30 de julho de 1906.</p>
<p>Seu pai era dono de uma farmácia, e seus avós eram médicos.</p>
<p>Aos 13 anos, foi para Porto Alegre estudar no Colégio Militar como aluno interno, que acabou não terminando, embora fosse leitor voraz.</p>
<p>Deixou o colégio aos 17 anos, sem diploma, e se iniciou na vida literária, vivendo novamente em Alegrete.</p>
<p>Em 1926, teve um conto vencedor de um concurso patrocinado pelo Diário de Notícias, importante jornal da capital gaúcha.</p>
<p>Transferiu-se novamente a Porto Alegre em 1929, onde começou a trabalhar como jornalista.</p>
<p>Na década de 1930, estabilizou-se profissionalmente, trabalhando como jornalista e tradutor para a Editora Globo.</p>
<p>Seu primeiro livro, <em>A rua dos cataventos</em>, foi publicado em 1940, inaugurando uma época de grande atividade literária em sua vida.</p>
<p>Nas décadas de 60 e 70, consagrou-se nacionalmente como poeta, recebendo homenagens públicas como a saudação na <a href="https://www.academia.org.br/" target="_blank" rel="noopener">Academia Brasileira de Letras</a> por Augusto Meyer e Manuel Bandeira (1966), o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre (1967), a placa de bronze em Alegrete (com a famosa inscrição: “Um engano em bronze é um engano eterno.”), entre outras.</p>
<p>Faleceu em 5 de maio de 1994, em Porto Alegre, aos 88 anos de idade.</p>
<h4>Obras de Mário Quintana</h4>
<ul>
<li><em>A rua dos cataventos (1940)</em></li>
<li><em>Canções (1946)</em></li>
<li><em>Sapato florido (1948)</em></li>
<li><em>O aprendiz de feiticeiro (1950)</em></li>
<li><em>Espelho mágico (1951)</em></li>
<li><em>Inéditos e esparsos (1953)</em></li>
<li><em>Caderno H (1973)</em></li>
<li><em>Apontamentos de história sobrenatural (1976)</em></li>
<li><em>A vaca e o hipogrifo (1977)</em></li>
<li><em>Esconderijos do tempo (1980)</em></li>
<li><em>Baú de espantos (1986)</em></li>
<li><em>Da preguiça como método de trabalho (1987)</em></li>
<li><em>Preparativos de viagem (1987)</em></li>
<li><em>Porta giratória (1988)</em></li>
<li><em>A cor do invisível (1989)</em></li>
<li><em>Velório sem defunto (1990)</em></li>
<li><em>Água: os últimos textos de Mario Quintana (2001)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas de Mário Quintana.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de conferir a nossa lista de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-gratidao-portugues-poesia/">poemas de gratidão</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>10 poemas de Manoel de Barros curtos e belos! (comentados)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-de-manoel-de-barros-curtos-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-de-manoel-de-barros-curtos-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Jul 2023 20:21:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poetas brasileiros]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2193</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas de Manoel de Barros, um dos mais populares poetas brasileiros! Manoel de Barros (1916-2014) &#233; um poeta brasileiro muito popular que, entre aqueles que abordamos neste espa&#231;o, destaca-se pela proximidade de nossos dias. A poesia de Manoel de Barros &#233; marcadamente singular e se caracteriza pelo uso de uma&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-manoel-de-barros-curtos-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">10 poemas de Manoel de Barros curtos e belos! (comentados)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #808080;">Confira a nossa seleção de poemas de Manoel de Barros, um dos mais populares poetas brasileiros!</span></em></p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_de_Barros" target="_blank" rel="noopener">Manoel de Barros</a> (1916-2014) é um poeta brasileiro muito popular que, entre aqueles que abordamos neste espaço, destaca-se pela proximidade de nossos dias.</p>
<p>A poesia de Manoel de Barros é marcadamente singular e se caracteriza pelo uso de uma linguagem simples e pessoal, que frequentemente se vale de neologismos e sinestesias para expressar impressões subjetivas e às vezes irracionais.</p>
<p>É uma poesia interessante, que obteve reconhecimento de grandes nomes da literatura brasileira ainda em vida do poeta.</p>
<p>Sendo assim, preparamos uma seleção com 10 poemas de Manoel de Barros curtos e belos, para que você possa entrar em contato e conhecer um pouco da obra deste poeta.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Manoel de Barros</h2>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="10 poemas de Manoel de Barros recitados! | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/1Usxz2d2S0o?start=321&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>O menino que carregava água na peneira</h3>
<blockquote><p>Tenho um livro sobre águas e meninos.<br />
Gostei mais de um menino<br />
que carregava água na peneira.</p>
<p>A mãe disse que carregar água na peneira<br />
era o mesmo que roubar um vento e<br />
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.</p>
<p>A mãe disse que era o mesmo<br />
que catar espinhos na água.<br />
O mesmo que criar peixes no bolso.</p>
<p>O menino era ligado em despropósitos.<br />
Quis montar os alicerces<br />
de uma casa sobre orvalhos.</p>
<p>A mãe reparou que o menino<br />
gostava mais do vazio, do que do cheio.<br />
Falava que vazios são maiores e até infinitos.</p>
<p>Com o tempo aquele menino<br />
que era cismado e esquisito,<br />
porque gostava de carregar água na peneira.</p>
<p>Com o tempo descobriu que<br />
escrever seria o mesmo<br />
que carregar água na peneira.</p>
<p>No escrever o menino viu<br />
que era capaz de ser noviça,<br />
monge ou mendigo ao mesmo tempo.</p>
<p>O menino aprendeu a usar as palavras.<br />
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.<br />
E começou a fazer peraltagens.</p>
<p>Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.<br />
O menino fazia prodígios.<br />
Até fez uma pedra dar flor.</p>
<p>A mãe reparava o menino com ternura.<br />
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!<br />
Você vai carregar água na peneira a vida toda.</p>
<p>Você vai encher os vazios<br />
com as suas peraltagens,<br />
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!</p></blockquote>
<p>Abrimos nossa lista com este poema que é interessante por <strong>girar em torno de uma metáfora</strong>.</p>
<p><em>O menino que carregava água na peneira</em>, em suma, descreve um menino &#8220;ligado em despropósitos&#8221;, mais especificamente, um menino que gostava de &#8220;carregar água na peneira&#8221;.</p>
<p>Naturalmente, <strong>carregar água na peneira representa uma atividade inútil e ilógica</strong>, cuja prática não entrega resultados palpáveis àquele que a executa.</p>
<p>O eu lírico, pois,<strong> associa esta atividade à criação poética</strong> que, a muitos, pode parecer irracional e sem utilidade, mas frequentemente é capaz de produzir &#8220;prodígios&#8221; e é fundamental para aquele que descobre nela a sua vocação.</p>
<h3>O livro sobre nada</h3>
<blockquote><p>É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.<br />
Tudo que não invento é falso.<br />
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.<br />
Tem mais presença em mim o que me falta.<br />
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.<br />
Sou muito preparado de conflitos.<br />
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.<br />
O meu amanhecer vai ser de noite.<br />
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.<br />
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.<br />
Meu avesso é mais visível do que um poste.<br />
Sábio é o que adivinha.<br />
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.<br />
A inércia é meu ato principal.<br />
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.<br />
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.<br />
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.<br />
Peixe não tem honras nem horizontes.<br />
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.<br />
Eu queria ser lido pelas pedras.<br />
As palavras me escondem sem cuidado.<br />
Aonde eu não estou as palavras me acham.<br />
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.<br />
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.<br />
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.<br />
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.<br />
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.<br />
Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus.<br />
Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.<br />
O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.<br />
Por pudor sou impuro.<br />
O branco me corrompe.<br />
Não gosto de palavra acostumada.<br />
A minha diferença é sempre menos.<br />
Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.<br />
Não preciso do fim para chegar.<br />
Do lugar onde estou já fui embora.</p></blockquote>
<p><em>O livro sobre nada</em> é um dos mais conhecidos poemas de Manoel de Barros e é construído inteiramente através de afirmações aparentemente ilógicas e contraditórias.</p>
<p>O eu lírico parece justamente valorizá-las como fundamentais no processo criativo, destacando <strong>a importância da inventividade e de que o poeta se afaste do convencional</strong> para que crie versos interessantes.</p>
<p>O poema é também um elogio à capacidade da poesia de expressar realidades profundas e autênticas, ainda que por meio de alusões ou contrariando a lógica e a razão.</p>
<h3>Biografia do orvalho</h3>
<blockquote><p>11.</p>
<p>A maior riqueza<br />
do homem<br />
é sua incompletude.<br />
Nesse ponto<br />
sou abastado.<br />
Palavras que me aceitam<br />
como sou<br />
— eu não aceito.<br />
Não aguento ser apenas<br />
um sujeito que abre<br />
portas, que puxa<br />
válvulas, que olha o<br />
relógio, que compra pão<br />
às 6 da tarde, que vai<br />
lá fora, que aponta lápis,<br />
que vê a uva etc. etc.<br />
Perdoai. Mas eu<br />
preciso ser Outros.<br />
Eu penso<br />
renovar o homem<br />
usando borboletas.</p></blockquote>
<p>Neste trecho de <em>Biografia do orvalho</em> temos um poema que discorre sobre <strong>a busca do eu lírico pela própria identidade</strong>.</p>
<p>Esta identidade é descrita como uma diferenciação dos outros ou, noutras palavras, como um <strong>afastamento do convencional</strong>.</p>
<p>O eu lírico diz &#8220;não aguentar&#8221; fazer apenas coisas banais que todas as outras pessoas fazem, mas quer encontrar sua individualidade através da renovação da natureza humana.</p>
<p>Os últimos versos expressam a sua <strong>necessidade de fazer algo diferente</strong> e único, algo que, enfim, represente sua singularidade.</p>
<h3>O fazedor de amanhecer</h3>
<blockquote><p>Sou leso em tratagens com máquina.<br />
Tenho desapetite para inventar coisas prestáveis.<br />
Em toda a minha vida só engenhei<br />
3 máquinas<br />
Como sejam:<br />
Uma pequena manivela para pegar no sono.<br />
Um fazedor de amanhecer<br />
para usamentos de poetas<br />
E um platinado de mandioca para o<br />
fordeco de meu irmão.<br />
Cheguei de ganhar um prêmio das indústrias<br />
automobilísticas pelo Platinado de Mandioca.<br />
Fui aclamado de idiota pela maioria<br />
das autoridades na entrega do prêmio.<br />
Pelo que fiquei um tanto soberbo.<br />
E a glória entronizou-se para sempre<br />
em minha existência.</p></blockquote>
<p>Neste poema, temos novamente uma temática muito comum na poesia de Manoel de Barros.</p>
<p>O eu lírico, em suma, <strong>versa sobre a própria insignificância</strong> ou, antes, sobre a inutilidade daquilo que sabe fazer.</p>
<p>Porém, logo percebemos que ele não enxerga com maus olhos essa inutilidade, pelo contrário, orgulha-se dela.</p>
<p>Aqui, também encontramos o <strong>uso criativo de neologismos</strong> e a noção implícita de que há beleza no irracional.</p>
<h3>Prefácio</h3>
<blockquote><p>Assim é que elas foram feitas (todas as coisas) —<br />
sem nome.<br />
Depois é que veio a harpa e a fêmea em pé.<br />
Insetos errados de cor caíam no mar.<br />
A voz se estendeu na direção da boca.<br />
Caranguejos apertavam mangues.<br />
Vendo que havia na terra<br />
Dependimentos demais<br />
E tarefas muitas —<br />
Os homens começaram a roer unhas.<br />
Ficou certo pois não<br />
Que as moscas iriam iluminar<br />
O silêncio das coisas anônimas.<br />
Porém, vendo o Homem<br />
Que as moscas não davam conta de iluminar o<br />
Silêncio das coisas anônimas —<br />
Passaram essa tarefa para os poetas.</p></blockquote>
<p><em>Prefácio</em> é um dos melhores poemas de Manoel de Barros pelo caráter profundo da mensagem que transmite.</p>
<p>Neste poema, como em outros de Manoel de Barros, o eu lírico parece conduzir-nos por <strong>afirmações ilógicas e situações pouco importantes</strong>.</p>
<p>O poema, contudo, centra-se nas &#8220;coisas anônimas&#8221;, retratadas como objeto de atenção dos poetas.</p>
<p>Segundo o eu lírico, é tarefa dos poetas &#8220;iluminar o silêncio das coisas anônimas&#8221;, isto é, <strong>perscrutar o que há de misterioso neste mundo e expressá-lo pela poesia</strong>.</p>
<h3>O apanhador de desperdícios</h3>
<blockquote><p>Uso a palavra para compor meus silêncios.<br />
Não gosto das palavras<br />
fatigadas de informar.<br />
Dou mais respeito<br />
às que vivem de barriga no chão<br />
tipo água pedra sapo.<br />
Entendo bem o sotaque das águas<br />
Dou respeito às coisas desimportantes<br />
e aos seres desimportantes.<br />
Prezo insetos mais que aviões.<br />
Prezo a velocidade<br />
das tartarugas mais que a dos mísseis.<br />
Tenho em mim um atraso de nascença.<br />
Eu fui aparelhado<br />
para gostar de passarinhos.<br />
Tenho abundância de ser feliz por isso.<br />
Meu quintal é maior do que o mundo.<br />
Sou um apanhador de desperdícios:<br />
Amo os restos<br />
como as boas moscas.<br />
Queria que a minha voz tivesse um formato<br />
de canto.<br />
Porque eu não sou da informática:<br />
eu sou da invencionática.<br />
Só uso a palavra para compor meus silêncios.</p></blockquote>
<p><em>O apanhador de desperdícios</em> é um poema emblemático de uma ideia explorada por Manoel de Barros em outras composições.</p>
<p>Numa primeira leitura, poderíamos dizer que o que faz o eu lírico neste poema é <strong>desvelar-nos sua sensibilidade e seu olhar compassivo</strong> para com as coisas &#8220;insignificantes&#8221;.</p>
<p>O que ocorre, porém, é algo mais profundo: esta ideia, tão cara a Manoel de Barros, sugere-nos que <strong>a riqueza da vida reside nas coisas simples e nos detalhes</strong>.</p>
<p>Portanto, o que encontramos por trás destes versos é a singularidade do eu lírico expressa através das particularidades de sua existência individual.</p>
<h3>Os deslimites da palavra</h3>
<blockquote><p>Ando muito completo de vazios.<br />
Meu órgão de morrer me predomina.<br />
Estou sem eternidades.<br />
Não posso mais saber quando amanheço ontem.<br />
Está rengo de mim o amanhecer.<br />
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.<br />
Atrás do ocaso fervem os insetos.<br />
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.<br />
Essas coisas me mudam para cisco.<br />
A minha independência tem algemas.</p></blockquote>
<p><em>Os deslimites da palavra</em> é um poema que <strong>explora simultaneamente as limitações e as potencialidades da linguagem</strong>.</p>
<p>Cada um dos versos do poema encerra uma afirmativa aparentemente ilógica mas compreensível após um esforço de nossa parte.</p>
<p>Quer dizer: compreendemos, ou ao menos parecemos compreender, a motivação e o sentimento que tais afirmações escondem; e isso nos basta.</p>
<p>Assim, é este um poema que parece <strong>demonstrar a possibilidade de expressar o indescritível</strong>, ainda que de maneira contraditória e talvez irracional.</p>
<h3>Aprendimentos</h3>
<blockquote><p>O filósofo Kierkegaard me ensinou que cultura<br />
é o caminho que o homem percorre para se conhecer.<br />
Sócrates fez o seu caminho de cultura e ao fim<br />
falou que só sabia que não sabia de nada.</p>
<p>Não tinha as certezas científicas. Mas que aprendera coisas<br />
di-menor com a natureza. Aprendeu que as folhas<br />
das árvores servem para nos ensinar a cair sem<br />
alardes. Disse que fosse ele caracol vegetado<br />
sobre pedras, ele iria gostar. Iria certamente<br />
aprender o idioma que as rãs falam com as águas<br />
e ia conversar com as rãs.</p>
<p>E gostasse mais de ensinar que a exuberância maior está nos insetos<br />
do que nas paisagens. Seu rosto tinha um lado de<br />
ave. Por isso ele podia conhecer todos os pássaros<br />
do mundo pelo coração de seus cantos. Estudara<br />
nos livros demais. Porém aprendia melhor no ver,<br />
no ouvir, no pegar, no provar e no cheirar.</p>
<p>Chegou por vezes de alcançar o sotaque das origens.<br />
Se admirava de como um grilo sozinho, um só pequeno<br />
grilo, podia desmontar os silêncios de uma noite!<br />
Eu vivi antigamente com Sócrates, Platão, Aristóteles —<br />
esse pessoal.</p>
<p>Eles falavam nas aulas: Quem se aproxima das origens se renova.<br />
Píndaro falava pra mim que usava todos os fósseis linguísticos que<br />
achava para renovar sua poesia. Os mestres pregavam<br />
que o fascínio poético vem das raízes da fala.</p>
<p>Sócrates falava que as expressões mais eróticas<br />
são donzelas. E que a Beleza se explica melhor<br />
por não haver razão nenhuma nela. O que mais eu sei<br />
sobre Sócrates é que ele viveu uma ascese de mosca.</p></blockquote>
<p><em>Aprendimentos </em>é outro entre os poemas de Manoel de Barros mais comentados e mais conhecidos.</p>
<p>Este poema é interessante, primeiramente, pela criativa interpretação e associação do pensamento de diferentes e importantes filósofos.</p>
<p>Também, destacamos a linguagem, trabalhada da maneira toda particular de Manoel de Barros.</p>
<p>Mas a característica mais marcante deste poema é a mensagem que encerra: o eu lírico sugere que o verdadeiro conhecimento está não nas &#8220;certezas científicas&#8221;, mas nas <strong>conexões diretas com o mundo ao nosso redor</strong>.</p>
<p>Assim, vemos novamente um destaque à natureza e ao sentido das pequenas coisas que às vezes passam despercebidas em nossa vida.</p>
<h3>Tratado geral das grandezas do ínfimo</h3>
<blockquote><p>A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.<br />
Meu fado é o de não saber quase tudo.<br />
Sobre o nada eu tenho profundidades.<br />
Não tenho conexões com a realidade.<br />
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.<br />
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).<br />
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.<br />
Fiquei emocionado.<br />
Sou fraco para elogios.</p></blockquote>
<p>Este conhecidíssimo poema de Manoel de Barros, além de abordar uma de suas temáticas preferidas, é dotado de uma ironia deliciosa.</p>
<p>A começar pelo título, que anuncia um &#8220;tratado&#8221; sobre um assunto ostensivamente contraditório (&#8220;grandezas do ínfimo&#8221;), somos capazes de imaginar o poeta a sorrir.</p>
<p>O poema transmite várias mensagens: a primeira, que <strong>a poesia é inerente das palavras</strong>; a segunda, que <strong>nosso conhecimento é não apenas limitado, mas ínfimo</strong> diante da complexidade do mundo; a terceira, que <strong>grande é aquele capaz de captar detalhes</strong>.</p>
<p>Tudo isso é envolto numa linguagem que parece <strong>questionar o convencional</strong> e induzir-nos a pensar na profundidade das coisas mais simples.</p>
<p>Os versos, também, escancaram a distância do poeta para o homem comum; e esta, ao ser notada pelo eu lírico, é recebida com bom humor.</p>
<h3>Olhos parados</h3>
<blockquote><p>Olhar, reparar tudo em volta, sem a menor intenção de poesia.<br />
Girar os braços, respirar o ar fresco, lembrar dos parentes.<br />
Lembrar da casa da gente, das irmãs, dos irmãos e dos pais da gente.<br />
Lembrar que estão longe e ter saudades deles…<br />
Lembrar da cidade onde se nasceu, com inocência, e rir sozinho.<br />
Rir de coisas passadas. Ter saudade da pureza.<br />
Lembrar de músicas, de bailes, de namoradas que a gente já teve.<br />
Lembrar de lugares que a gente já andou e de coisas que a gente já viu.<br />
Lembrar de viagens que a gente já fez e de amigos que ficaram longe.<br />
Lembrar dos amigos que estão próximos e das conversas com eles.<br />
Saber que a gente tem amigos de fato!<br />
Tirar uma folha de árvore, ir mastigando, sentir os ventos pelo rosto…<br />
Sentir o sol. Gostar de ver as coisas todas.<br />
Gostar de estar ali caminhando. Gostar de estar assim esquecido.<br />
Gostar desse momento. Gostar dessa emoção tão cheia de riquezas íntimas.</p></blockquote>
<p>Para fechar nossa lista, este que é outro que está entre os melhores poemas de Manoel de Barros.</p>
<p>Este poema trabalha um elemento novo nesta lista: <strong>o sentimento de nostalgia</strong>.</p>
<p>Vemos que, nestes versos, o eu lírico como <strong>estimula uma reflexão sobre a vida</strong> e, mais do que isso, sobre seus detalhes mais marcantes, incluindo vivências, pessoas e sentimentos.</p>
<p>É um poema que, como outros de Manoel de Barros, expressa uma mensagem de <strong>valorização das coisas simples</strong>, posto que nelas reside nossa individualidade.</p>
<p>Talvez o que haja de mais belo nestes versos é que, após o eu lírico evocar-nos o passado, o que ele faz é preencher-nos de um <strong>sentimento de gratidão</strong>.</p>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas de Manoel de Barros.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/sonetos-de-amor-portugues-poesia-famosos/">sonetos de amor</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os 10 melhores poemas de Cora Coralina! (comentados)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/melhores-poemas-de-cora-coralina-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=melhores-poemas-de-cora-coralina-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Jul 2023 20:31:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poetas brasileiros]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2186</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o com os melhores poemas de Cora Coralina! Cora Coralina &#233;, hoje, uma das poetisas brasileiras mais conhecidas e mais queridas pelo p&#250;blico. Sua hist&#243;ria &#233; interessant&#237;ssima, e o que mais parece impressionar &#233; ter ela come&#231;ado a publicar versos apenas na velhice. Talvez por isso, a poesia de Cora Coralina parece&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/melhores-poemas-de-cora-coralina-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Os 10 melhores poemas de Cora Coralina! (comentados)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #808080;">Confira a nossa seleção com os melhores poemas de Cora Coralina!</span></em></p>
<p>Cora Coralina é, hoje, uma das poetisas brasileiras mais conhecidas e mais queridas pelo público.</p>
<p>Sua história é interessantíssima, e o que mais parece impressionar é ter ela começado a publicar versos apenas na velhice.</p>
<p>Talvez por isso, a poesia de Cora Coralina parece inteiramente dotada do tom de alguém que, no fim da vida, reflete sobre como viveu e quais lições pôde tirar de suas experiências.</p>
<p>Assim, podemos entender com facilidade um dos segredos do sucesso desta poetisa: a nós, seus leitores, a poesia de Cora Coralina soa-nos como se fossem conselhos de uma querida avó.</p>
<p>Sendo assim, preparamos uma seleção com os 10 melhores poemas de Cora Coralina para que você possa conhecer um pouco mais da obra desta poetisa.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Cora Coralina</h2>
<h3>Meu destino</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Meu destino, de Cora Coralina | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/RrOM_Md0Nco?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Nas palmas de tuas mãos<br />
leio as linhas da minha vida.<br />
Linhas cruzadas, sinuosas,<br />
interferindo no teu destino.</p>
<p>Não te procurei, não me procuraste –<br />
íamos sozinhos por estradas diferentes.<br />
Indiferentes, cruzamos.</p>
<p>Passavas com o fardo da vida&#8230;<br />
Corri ao teu encontro.<br />
Sorri. Falamos.<br />
Esse dia foi marcado<br />
com a pedra branca<br />
da cabeça de um peixe.</p>
<p>E, desde então, caminhamos<br />
juntos pela vida&#8230;</p></blockquote>
<p><i>Meu destino</i> é um poema que <strong>sugere uma reflexão sobre a atuação do destino em nossas vidas</strong>.</p>
<p>Este, que é sem dúvida um dos melhores poemas de Cora Coralina, é também um belo cartão de visita de sua obra.</p>
<p>Sentimos, ao percorrer estes versos, imergir-nos nas calmas reflexões de alguém que rememora o passado, lembrando-se de um lance decisivo.</p>
<p>O poema evoca o momento do primeiro encontro entre o eu lírico e o seu ser amado, momento após o qual jamais se separaram.</p>
<p>Os versos destacam o caráter inesperado do encontro entre ambos, reforçando que nenhum dos dois forçou tal encontro, como a dizer-nos que ele <strong>simplesmente aconteceu</strong>.</p>
<p><em>Meu destino</em>, pois, convida-nos a<strong> refletir sobre o destino e a importância que adquirem em nossas vidas alguns momentos especiais</strong>.</p>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-meu-destino-cora-coralina-poesia/">Meu destino, de Cora Coralina</a>.</span></em></li>
</ul>
<h3>O cântico da terra</h3>
<blockquote><p>Eu sou a terra, eu sou a vida.<br />
Do meu barro primeiro veio o homem.<br />
De mim veio a mulher e veio o amor.<br />
Veio a árvore, veio a fonte.<br />
Vem o fruto e vem a flor.</p>
<p>Eu sou a fonte original de toda vida.<br />
Sou o chão que se prende à tua casa.<br />
Sou a telha da coberta de teu lar.<br />
A mina constante de teu poço.<br />
Sou a espiga generosa de teu gado<br />
e certeza tranquila ao teu esforço.<br />
Sou a razão de tua vida.<br />
De mim vieste pela mão do Criador,<br />
e a mim tu voltarás no fim da lida.<br />
Só em mim acharás descanso e Paz.</p>
<p>Eu sou a grande Mãe Universal.<br />
Tua filha, tua noiva e desposada.<br />
A mulher e o ventre que fecundas.<br />
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.</p>
<p>A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.<br />
Teu arado, tua foice, teu machado.<br />
O berço pequenino de teu filho.<br />
O algodão de tua veste<br />
e o pão de tua casa.</p>
<p>E um dia bem distante<br />
a mim tu voltarás.<br />
E no canteiro materno de meu seio<br />
tranquilo dormirás.</p>
<p>Plantemos a roça.<br />
Lavremos a gleba.<br />
Cuidemos do ninho,<br />
do gado e da tulha.<br />
Fartura teremos<br />
e donos de sítio<br />
felizes seremos.</p></blockquote>
<p><em>O cântico da terra</em> é um poema que <strong>celebra a conexão entre o ser humano e a terra e exalta a importância desta para a vida</strong>.</p>
<p>O poema é construído como se fosse a terra a dizer de sua própria importância; ela diz ser a fonte original da vida, e portanto dela derivarem o homem, a mulher, o amor, a árvore, a fonte, o fruto e a flor.</p>
<p>A exposição se estende, e então vamos refletindo sobre quantas coisas realmente dependem da terra, como o nosso alimento, nossa casa, nosso vestuário e nossa própria vida.</p>
<p>Enfim, a terra se autoproclama a Mãe Universal, responsável por sustentar toda a criação divina, e para onde deve retornar o homem, que nela encontra descanso, paz e felicidade.</p>
<h3>A Procura</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema A Procura, de Cora Coralina | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/orJ4tKKXorc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Andei pelos caminhos da Vida.<br />
Caminhei pelas ruas do Destino –<br />
procurando meu signo.<br />
Bati na porta da Fortuna,<br />
mandou dizer que não estava.<br />
Bati na porta da Fama,<br />
falou que não podia atender.<br />
Procurei a casa da Felicidade,<br />
a vizinha da frente me informou<br />
que ela tinha se mudado<br />
sem deixar novo endereço.<br />
Procurei a morada da Fortaleza.<br />
Ela me fez entrar: deu-me veste nova,<br />
perfumou-me os cabelos,<br />
fez-me beber de seu vinho.<br />
Acertei o meu caminho.</p></blockquote>
<p><i>A Procura é um poema que </i>sugere uma<strong> reflexão sobre o o curso de nossas vidas</strong>.</p>
<p>O poema é a expressão de um eu lírico que fortaleceu-se com as adversidades e nelas encontrou força para seguir adiante.</p>
<p>São versos que, em suma, transmitem a mensagem de alguém que &#8220;aceitou o seu caminho&#8221;, isto é, alguém que se tornou resistente às decepções da vida e tornou-se capaz de aceitá-la como ela é.</p>
<p><em>A Procura</em> é um poema que parece nos dizer que<strong> é preciso ter coragem diante de nossas frustrações e ter perseverança no curso de nossa existência</strong>, pois, um dia, poderemos enfim encontrar o nosso &#8220;caminho&#8221;.</p>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-a-procura-cora-coralina-analise-poesia/">A Procura, de Cora Coralina</a>.</span></em></li>
</ul>
<h3>Todas as vidas</h3>
<blockquote><p>Vive dentro de mim<br />
uma cabocla velha<br />
de mau-olhado,<br />
acocorada ao pé do borralho,<br />
olhando para o fogo.<br />
Benze quebranto.<br />
Bota feitiço&#8230;<br />
Ogum. Orixá.<br />
Macumba, terreiro.<br />
Ogã, pai de santo&#8230;</p>
<p>Vive dentro de mim<br />
a lavadeira do Rio Vermelho.<br />
Seu cheiro gostoso<br />
d&#8217;água e sabão.<br />
Rodilha de pano.<br />
Trouxa de roupa,<br />
pedra de anil.<br />
Sua coroa verde de são-caetano.</p>
<p>Vive dentro de mim<br />
a mulher cozinheira.<br />
Pimenta e cebola.<br />
Quitute benfeito.<br />
Panela de barro.<br />
Taipa de lenha.<br />
Cozinha antiga<br />
toda pretinha.<br />
Bem cacheada de picumã.<br />
Pedra pontuda.<br />
Cumbuco de coco.<br />
Pisando alho-sal.</p>
<p>Vive dentro de mim<br />
a mulher do povo.<br />
Bem proletária.<br />
Bem linguaruda,<br />
desabusada, sem preconceitos,<br />
de casca-grossa,<br />
de chinelinha,<br />
e filharada.</p>
<p>Vive dentro de mim<br />
a mulher roceira.<br />
&#8211; Enxerto da terra,<br />
meio casmurra.<br />
Trabalhadeira.<br />
Madrugadeira.<br />
Analfabeta.<br />
De pé no chão.<br />
Bem parideira.<br />
Bem criadeira.<br />
Seus doze filhos<br />
Seus vinte netos.</p>
<p>Vive dentro de mim<br />
a mulher da vida.<br />
Minha irmãzinha&#8230;<br />
Fingindo alegre seu triste fado.</p>
<p>Todas as vidas dentro de mim:<br />
Na minha vida &#8211;<br />
a vida mera das obscuras.</p></blockquote>
<p><em>Todas as vidas</em> é um poema muito interessante que nos revela as várias faces da identidade de Cora Coralina.</p>
<p>Embora saibamos que um eu lírico não necessariamente tem de representar o artista detrás de si, aqui claramente temos <strong>traços da personalidade da poetisa goiana</strong>, retratados como diferentes personalidades dentro de uma pessoa só.</p>
<p>Neste poema, ficamos com <strong>uma</strong> <strong>forte impressão da</strong> <strong>simplicidade e da difícil vida</strong> da poetisa, e impressiona vê-la ressaltando em si mesma a &#8220;lavadeira&#8221;, a &#8220;cozinheira&#8221;, a &#8220;roceira&#8221; e, sobretudo, a &#8220;analfabeta&#8221;.</p>
<p>É tocante ver como um caminho como esse, de dificuldades, ausência de educação formal e muito trabalho, acabou desembocando na poesia.</p>
<h3>Ressalva</h3>
<blockquote><p>Este livro foi escrito<br />
por uma mulher<br />
que no tarde da Vida<br />
recria a poetiza sua própria<br />
Vida.</p>
<p>Este livro<br />
foi escrito por uma mulher<br />
que fez a escalada da<br />
Montanha da Vida<br />
removendo pedras<br />
e plantando flores.</p>
<p>Este livro:<br />
Versos&#8230; Não.<br />
Poesia&#8230; Não.<br />
Um modo diferente de contar velhas estórias.</p></blockquote>
<p><em>Ressalva</em> é o poema que abre o livro <em>Poemas dos becos de Goiás e estórias mais (1965)</em>, o primeiro publicado por Cora Coralina.</p>
<p>Destacamo-lo por nos mostrar, de uma só vez, o estilo e a trajetória da autora que, &#8220;no tarde da vida&#8221;, começou a fazer versos.</p>
<p>O poema parece-nos bonito sobretudo por <strong>explicitar a possibilidade de recriar-nos pela literatura</strong>.</p>
<p>Aliás, é isso o que diz fazer o eu lírico, que nos mostra ter encontrado na poesia uma nova motivação para viver, já na velhice.</p>
<p>Nos poucos versos de <em>Ressalva</em>, entramos em contato com a simplicidade e a atmosfera que irá permear toda a obra de Cora Coralina.</p>
<h3>Becos de Goiás</h3>
<blockquote><p>Beco da minha terra&#8230;<br />
Amo tua paisagem triste, ausente e suja.<br />
Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa.<br />
Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio.<br />
E a réstia de sol que ao meio-dia desce, fugidia,<br />
e semeia polmes dourados no teu lixo pobre,<br />
calçando de ouro a sandália velha,<br />
jogada no teu monturo.</p>
<p>Amo a prantina silenciosa do teu fio de água,<br />
descendo de quintais escusos<br />
sem pressa,<br />
e se sumindo depressa na brecha de um velho cano.<br />
Amo a avenca delicada que renasce<br />
na frincha de teus muros empenados,<br />
e a plantinha desvalida, de caule mole<br />
que se defende, viceja e floresce<br />
no agasalho de tua sombra úmida e calada.</p>
<p>Amo esses burros de lenha<br />
que passam pelos becos antigos. Burrinhos dos morros,<br />
secos, lanzudos, mal zelados, cansados, pisados.<br />
Arrochados na sua carga, sabidos, procurando a sombra,<br />
no range-range das cangalhas.</p>
<p>E aquele menino, lenheiro ele, salvo seja.<br />
Sem infância, sem idade.<br />
Franzino, maltrapilho,<br />
pequeno para ser homem,<br />
forte para ser criança.<br />
Ser indefeso, indefinido, que só se vê na minha cidade.</p>
<p>Amo e canto com ternura<br />
todo o errado da minha terra.</p>
<p>Becos da minha terra,<br />
discriminados e humildes,<br />
lembrando passadas eras&#8230;</p>
<p>Beco do Cisco.<br />
Beco do Cotovelo.<br />
Beco do Antônio Gomes.<br />
Beco das Taquaras.<br />
Beco do Seminário.<br />
Bequinho da Escola.<br />
Beco do Ouro Fino.<br />
Beco da Cachoeira Grande.<br />
Beco da Calabrote.<br />
Beco do Mingu.<br />
Beco da Vila Rica&#8230;</p>
<p>Conto a estória dos becos,<br />
dos becos da minha terra,<br />
suspeitos&#8230; mal-afamados<br />
onde família de conceito não passava.<br />
“Lugar de gentinha” – diziam, virando a cara.<br />
De gente do pote d’água.<br />
De gente de pé no chão.</p>
<p>Becos de mulher perdida.<br />
Becos de mulheres da vida.<br />
Renegadas, confinadas<br />
na sombra triste do beco.<br />
Quarto de porta e janela.<br />
Prostituta anemiada,<br />
solitária, hética, engalicada,<br />
tossindo, escarrando sangue<br />
na umidade suja do beco.</p>
<p>Becos mal-assombrados.<br />
Becos de assombração&#8230;<br />
Altas horas, mortas horas&#8230;<br />
Capitão-mor – alma penada,<br />
terror dos soldados, castigado nas armas.<br />
Capitão-mor, alma penada,<br />
num cavalo ferrado,<br />
chispando fogo,<br />
descendo e subindo o beco,<br />
comandando o quadrado – feixe de varas&#8230;<br />
Arrastando espada, tinindo esporas&#8230;</p>
<p>Mulher-dama. Mulheres da vida,<br />
perdidas,<br />
começavam em boas casas, depois,<br />
baixavam pra o beco.<br />
Queriam alegria. Faziam bailaricos.<br />
– Baile Sifilítico – era ele assim chamado.<br />
O delegado-chefe de Polícia – brabeza –<br />
dava em cima&#8230;<br />
Mandava sem dó, na peia.<br />
No dia seguinte, coitadas,<br />
cabeça raspada à navalha,<br />
obrigadas a capinar o Largo do Chafariz,<br />
na frente da Cadeia.</p>
<p>Becos da minha terra&#8230;<br />
Becos de assombração.<br />
Românticos, pecaminosos&#8230;<br />
Têm poesia e têm drama.<br />
O drama da mulher da vida, antiga,<br />
humilhada, malsinada.<br />
Meretriz venérea,<br />
desprezada, mesentérica, exangue.<br />
Cabeça raspada à navalha,<br />
castigada a palmatória,<br />
capinando o largo,<br />
chorando. Golfando sangue.</p>
<p>(ÚLTIMO ATO)</p>
<p>Um irmão vicentino comparece.<br />
Traz uma entrada grátis do São Pedro de Alcântara.<br />
Uma passagem de terceira no grande coletivo de São Vicente.<br />
Uma estação permanente de repouso – no aprazível<br />
São Miguel.</p>
<p>Cai o pano.</p></blockquote>
<p><em>Becos de Goiás</em> é um poema em que o eu lírico <strong>expressa sua ligação com a própria terra</strong>.</p>
<p>O poema é interessante por descrever com minúcia especialmente os aspectos negativos dos &#8220;becos&#8221; da terra do eu lírico, de forma que este mesmo assim diz amá-los, como se constituíssem uma dimensão de si mesmo.</p>
<p>Vemo-los pintados como a representar toda uma variedade de pessoas humildes, e mesmo serem rejeitados por &#8220;famílias de conceito&#8221; que se referiam a eles como &#8220;lugar de gentinha&#8221;.</p>
<p>O que parece fazer o eu lírico, além de evocar-nos a imagem de suas origens, é <strong>alertar-nos para uma realidade que muitos procuram ignorar</strong>.</p>
<h3>Aninha e suas pedras</h3>
<blockquote><p>Não te deixes destruir…<br />
Ajuntando novas pedras<br />
e construindo novos poemas.</p>
<p>Recria tua vida, sempre, sempre.<br />
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.</p>
<p>Faz de tua vida mesquinha<br />
um poema.<br />
E viverás no coração dos jovens<br />
e na memória das gerações que hão de vir.</p>
<p>Esta fonte é para uso de todos os sedentos.<br />
Toma a tua parte.<br />
Vem a estas páginas<br />
e não entraves seu uso<br />
aos que têm sede.</p></blockquote>
<p><em>Aninha e suas pedras</em> é um dos mais conhecidos poemas de Cora Coralina.</p>
<p>Incluímo-lo nesta lista porque, apesar de pequeno, ele <strong>encerra uma mensagem profunda</strong>.</p>
<p>Para além da oralidade e do tom intimista, confidente, que estabelece uma relação entre o eu lírico e o leitor, <em>Aninha e suas pedras</em> parece <strong>estimular nossa resistência e nosso entusiasmo</strong> pela vida.</p>
<p>Além do belo conselho &#8220;faz de tua vida mesquinha um poema&#8221;, o eu lírico incentiva o leitor a &#8220;recriar&#8221; sempre a própria vida, a &#8220;recomeçar&#8221;, algo que, em suma, significa &#8220;não perder a motivação&#8221;.</p>
<p>Associando o viver à poesia, contudo, o eu lírico dá um passo além, e sugere que <strong>a arte perdura depois que morremos</strong>, e portanto nos preserva.</p>
<h3>Amigo</h3>
<blockquote><p>Vamos conversar<br />
como dois velhos que se encontram<br />
no fim da caminhada.<br />
Foi o mesmo nosso marco de partida.<br />
Palmilhamos juntos a mesma estrada.</p>
<p>Eu era moça.<br />
Sentia sem saber<br />
seu cheiro de terra,<br />
seu cheiro de mato,<br />
seu cheiro de pastagens.</p>
<p>É que havia dentro de mim,<br />
no fundo obscuro de meu ser<br />
vivências e atavismo ancestrais:<br />
fazendas, latifúndios,<br />
engenhos e currais.</p>
<p>Mas&#8230; ai de mim!<br />
Era moça da cidade.<br />
Escrevia versos e era sofisticada.<br />
Você teve medo.<br />
O medo que todo homem sente<br />
da mulher letrada.</p>
<p>Não pressentiu, não adivinhou<br />
aquela que o esperava<br />
mesmo antes de nascer.</p>
<p>Indiferente<br />
tomaste teu caminho<br />
por estrada diferente.<br />
Longo tempo o esperei<br />
na encruzilhada,<br />
depois&#8230; depois&#8230;<br />
carreguei sozinha<br />
a pedra do meu destino.</p>
<p>Hoje, no tarde da vida,<br />
apenas,<br />
uma suave e perdida relembrança.</p></blockquote>
<p><i>Amigo </i>é um poema que encerra uma<strong> reflexão sobre o tempo e sobre as escolhas que fazemos na vida</strong>.</p>
<p>Os versos são escritos por uma narradora e <strong>sugerem dor e arrependimento</strong> na constatação de uma oportunidade perdida, isto é, a oportunidade de um amor real que poderia ter se concretizado, mas não o fez.</p>
<p>É um poema que, embora em tom sereno, expressa um desalento que tem na &#8220;suave e perdida relembrança&#8221; a única coisa que restou de um amor que poderia ter marcado uma vida.</p>
<p><em>Amigo</em> é belo por lembrar-nos que, às vezes, <strong>pequenos detalhes podem alterar por completo o curso de nossa existência</strong>.</p>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-amigo-de-cora-coralina-poesia-analise/">Amigo, de Cora Coralina</a>.</span></em></li>
</ul>
<h3>Mulher da Vida</h3>
<blockquote><p>Mulher da Vida,<br />
Minha irmã.</p>
<p>De todos os tempos.<br />
De todos os povos.<br />
De todas as latitudes.<br />
Ela vem do fundo imemorial das idades<br />
e carrega a carga pesada<br />
dos mais torpes sinônimos,<br />
apelidos e apodos:<br />
Mulher da zona,<br />
Mulher da rua,<br />
Mulher perdida,<br />
Mulher à toa.</p>
<p>Mulher da Vida,<br />
Minha irmã.</p>
<p>Pisadas, espezinhadas, ameaçadas.<br />
Desprotegidas e exploradas.<br />
Ignoradas da Lei, da Justiça e do Direito.</p>
<p>Necessárias fisiologicamente.<br />
Indestrutíveis.</p>
<p>Sobreviventes.<br />
Possuídas e infamadas sempre<br />
por aqueles que um dia<br />
as lançaram na vida.<br />
Marcadas. Contaminadas.<br />
Escorchadas. Discriminadas.</p>
<p>Nenhum direito lhes assiste.<br />
Nenhum estatuto ou norma as protege.<br />
Sobrevivem como a erva cativa<br />
dos caminhos,<br />
pisadas, maltratadas e renascidas.</p>
<p>Flor sombria, sementeira espinhal<br />
gerada nos viveiros da miséria,<br />
da pobreza e do abandono,<br />
enraizada em todos os quadrantes<br />
da Terra.</p>
<p>Um dia, numa cidade longínqua, essa<br />
mulher corria perseguida pelos homens<br />
que a tinham maculado. Aflita, ouvindo<br />
o tropel dos perseguidores e o sibilo<br />
das pedras,<br />
ela encontrou-se com a Justiça.<br />
A Justiça estendeu sua destra poderosa<br />
e lançou o repto milenar:<br />
“Aquele que estiver sem pecado<br />
atire a primeira pedra”.</p>
<p>As pedras caíram<br />
e os cobradores deram as costas.</p>
<p>O Justo falou então a palavra<br />
de equidade:<br />
“Ninguém te condenou, mulher&#8230; nem<br />
eu te condeno”.</p>
<p>A Justiça pesou a falta pelo peso<br />
do sacrifício e este excedeu àquela.<br />
Vilipendiada, esmagada.<br />
Possuída e enxovalhada,<br />
ela é a muralha que há milênios<br />
detém as urgências brutais do homem<br />
para que na sociedade<br />
possam coexistir a inocência,<br />
a castidade e a virtude.</p>
<p>Na fragilidade de sua carne maculada<br />
esbarra a exigência impiedosa do macho.</p>
<p>Sem cobertura de leis<br />
e sem proteção legal,<br />
ela atravessa a vida ultrajada<br />
e imprescindível, pisoteada, explorada,<br />
nem a sociedade a dispensa<br />
nem lhe reconhece direitos<br />
nem lhe dá proteção.<br />
E quem já alcançou o ideal dessa mulher,<br />
que um homem a tome pela mão,<br />
a levante, e diga: minha companheira.</p>
<p>Mulher da Vida,<br />
Minha irmã.</p>
<p>No fim dos tempos.<br />
No dia da Grande Justiça<br />
do Grande Juiz.<br />
Serás remida e lavada<br />
de toda condenação.</p>
<p>E o juiz da Grande Justiça<br />
a vestirá de branco<br />
em novo batismo de purificação.<br />
Limpará as máculas de sua vida<br />
humilhada e sacrificada<br />
para que a Família Humana<br />
possa subsistir sempre,<br />
estrutura sólida e indestrutível<br />
da sociedade,<br />
de todos os povos,<br />
de todos os tempos.</p>
<p>Mulher da Vida,<br />
Minha irmã.</p>
<p><em>Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e</em><br />
<em>meretrizes vos precedem no Reino de Deus.</em><br />
<em>(Evangelho de São Mateus 21, 31)</em></p></blockquote>
<p><em>Mulher da Vida</em> é um belo de poema de Cora Coralina que merece menção em nossa lista.</p>
<p>Este poema tem uma abordagem interessante porque <strong>vai na contramão do senso comum e combate preconceitos</strong> antiquíssimos que, o mais das vezes, representam a boa e velha hipocrisia.</p>
<p>O poema, em resumo, humaniza a prostituta através de um eu lírico que a chama de &#8220;minha irmã&#8221; e <strong>transmite uma mensagem de empatia e compreensão</strong>.</p>
<h3>Ofertas de Aninha (aos moços)</h3>
<blockquote><p>Eu sou aquela mulher<br />
a quem o tempo<br />
muito ensinou.<br />
Ensinou a amar a vida.<br />
Não desistir da luta.<br />
Recomeçar na derrota.<br />
Renunciar a palavras e pensamentos negativos.<br />
Acreditar nos valores humanos.<br />
Ser otimista.</p>
<p>Creio numa força imanente<br />
que vai ligando a família humana<br />
numa corrente luminosa<br />
de fraternidade universal.<br />
Creio na solidariedade humana.<br />
Creio na superação dos erros<br />
e angústias do presente.</p>
<p>Acredito nos moços.<br />
Exalto sua confiança,<br />
generosidade e idealismo.<br />
Creio nos milagres da ciência<br />
e na descoberta de uma profilaxia<br />
futura dos erros e violências do presente.</p>
<p>Aprendi que mais vale lutar<br />
do que recolher dinheiro fácil.<br />
Antes acreditar do que duvidar.</p></blockquote>
<p>Para fechar nossa lista, nada melhor do que um poema que transmite o lado mais positivo e otimista de Cora Coralina.</p>
<p><em>Ofertas de Aninha (aos moços)</em> é um poema que <strong>parece sintetizar o mais importante do aprendizado de uma vida</strong>.</p>
<p>Quando pensamos em Aninha (Cora Coralina), já na velhice, a compor estes versos, logo entendemos sua profundidade, pois logo pensamos na vida sofrida e repleta de obstáculos que a poetisa enfrentou e está exposta em poemas anteriores.</p>
<p>Após todo este esforço, o eu lírico revela-nos as lições que aprendeu, que soam como recomendações de como devemos viver nossas vidas: com coragem, perseverança, otimismo e amor.</p>
<h4>Sobre Cora Coralina</h4>
<p>Cora Coralina (pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas) nasceu na Cidade de Goiás (GO), em 20 de agosto de 1889.</p>
<p>Foi criada às margens do rio Vermelho, e fez os estudos primários na Escola da Mestre Silvina.</p>
<p>Iniciou sua carreira literária aos 14 anos com o conto Tragédia na Roça, publicado no Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás.</p>
<p>Aos 15 anos, tornou-se &#8220;Cora&#8221;, um derivativo de coração, que posteriormente seria acompanhado de Coralina.</p>
<p>Casou-se, teve seis filhos e afastou-se de Goiás por 45 anos, vivendo em São Paulo.</p>
<p>Seu marido faleceu em 1934. Pouco depois, viúva, retornou a Goiás, onde passou a exercer a ocupação de doceira.</p>
<p>Publicou o seu primeiro livro, <em>Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais (1965)</em>, apenas aos 76 anos, e em seguida despontou como uma das principais vozes da poesia moderna brasileira.</p>
<p>Em 1970, tomou posse da cadeira número 5 da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás.</p>
<p>Em 1982, mesmo tendo estudado somente até o equivalente ao segundo ano do atual Ensino Fundamental, recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal de Goiás.</p>
<p>No ano seguinte, foi a vencedora do concurso Intelectual do Ano do Troféu Juca Pato, tornando-se a primeira mulher a receber tal honraria.</p>
<p>Em 1984, foi eleita Símbolo da Mulher Trabalhadora Rural pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).</p>
<p>Faleceu em Goiânia, em 10 de abril de 1985.</p>
<p>Após sua morte, amigos e parentes criaram a Associação Casa de Cora Coralina, uma entidade sem fins lucrativos que mantém o <a href="https://www.museucoracoralina.com.br/site/" target="_blank" rel="noopener">Museu Cora Coralina</a>, que transformou em museu a casa em que Cora Coralina passou seus últimos dias.</p>
<h4>Obras de Cora Coralina</h4>
<ul>
<li><em>Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais (1965)</em></li>
<li><em>Meu Livro de Cordel (1976)</em></li>
<li><em>Vintém de Cobre: Meias confissões de Aninha (1983)</em></li>
<li><em>Estórias da Casa Velha da Ponte (1985)</em></li>
<li><em>Meninos Verdes (1986)</em></li>
<li><em>Tesouro da Casa Velha (1996)</em></li>
<li><em>A Moeda de Ouro que o Pato Engoliu (1999)</em></li>
<li><em>Vila Boa de Goiás (2001)</em></li>
<li><em>O Prato Azul-Pombinho (2002)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas de Cora Coralina.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-infantis-de-vinicius-de-moraes-poesia/">poemas infantis de Vinícius de Moraes</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>10 poemas infantis de Vinícius de Moraes para ler com as crianças!</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-infantis-de-vinicius-de-moraes-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-infantis-de-vinicius-de-moraes-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jun 2023 09:00:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poetas brasileiros]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2175</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o com os melhores poemas infantis de Vin&#237;cius de Moraes! Vin&#237;cius de Moraes, como sabemos, foi um artista m&#250;ltiplo e fez um sucesso tremendo tanto na m&#250;sica, quanto nas letras. Sua obra destinada ao p&#250;blico infantil &#233;, at&#233; hoje, conhecid&#237;ssima do p&#250;blico brasileiro, havendo muitas pessoas que conhecem poemas de Vin&#237;cius sem&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-infantis-de-vinicius-de-moraes-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">10 poemas infantis de Vinícius de Moraes para ler com as crianças!</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #808080;">Confira a nossa seleção com os melhores poemas infantis de Vinícius de Moraes!</span></em></p>
<p>Vinícius de Moraes, como sabemos, foi um artista múltiplo e fez um sucesso tremendo tanto na música, quanto nas letras.</p>
<p>Sua obra destinada ao público infantil é, até hoje, conhecidíssima do público brasileiro, havendo muitas pessoas que conhecem poemas de Vinícius sem saber que se tratam de poemas dele.</p>
<p>Já dissemos, em outra ocasião, o quanto se pode ganhar em ensinar poesia para crianças, e o quanto a poesia pode ajudar a desenvolver o raciocínio e o senso estético dos pequenos. Em suma: a poesia infantil tem uma didática e um efeito talvez insuperáveis.</p>
<p>É por isso que, para pais e educadores, é quase sempre proveitosa a leitura de poemas infantis.</p>
<p>Sendo assim, preparamos uma seleção com 10 poemas infantis de Vinícius de Moraes para ler e se divertir com as crianças. Disponibilizaremos, também, versões musicais dos poemas.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas infantis de Vinícius de Moraes</h2>
<h3>As borboletas</h3>
<blockquote><p>Brancas<br />
Azuis<br />
Amarelas<br />
E pretas<br />
Brincam<br />
Na luz<br />
As belas<br />
Borboletas.</p>
<p>Borboletas brancas<br />
São alegres e francas.</p>
<p>Borboletas azuis<br />
Gostam muito de luz.</p>
<p>As amarelinhas<br />
São tão bonitinhas!</p>
<p>E as pretas, então&#8230;<br />
Oh, que escuridão!</p></blockquote>
<h4>Versão musical de As borboletas, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="AS BORBOLETAS Vinicius de Moraes - MÚSICA! Canção infantil com o poema de Vinicius de Moraes" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/mdezD2pYDuw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>A casa</h3>
<blockquote><p>Era uma casa<br />
Muito engraçada<br />
Não tinha teto<br />
Não tinha nada<br />
Ninguém podia<br />
Entrar nela não<br />
Porque na casa<br />
Não tinha chão<br />
Ninguém podia<br />
Dormir na rede<br />
Porque a casa<br />
Não tinha parede<br />
Ninguém podia<br />
Fazer pipi<br />
Porque penico<br />
Não tinha ali<br />
Mas era feita<br />
Com muito esmero<br />
Na Rua dos Bobos<br />
Número Zero.</p></blockquote>
<h4>Versão musical de A casa, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="A Casa -  Vinicius de Moraes - Clipe Galinha Pintadinha" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/wnkdc5NX0H0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>O pato</h3>
<blockquote><p>Lá vem o pato<br />
Pata aqui, pata acolá<br />
Lá vem o pato<br />
Para ver o que é que há.<br />
O pato pateta<br />
Pintou o caneco<br />
Surrou a galinha<br />
Bateu no marreco<br />
Pulou do poleiro<br />
No pé do cavalo<br />
Levou um coice<br />
Criou um galo<br />
Comeu um pedaço<br />
De jenipapo<br />
Ficou engasgado<br />
Com dor no papo<br />
Caiu no poço<br />
Quebrou a tigela<br />
Tantas fez o moço<br />
Que foi pra panela.</p></blockquote>
<h4>Versão musical de O pato, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Toquinho - O Pato" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/z8-yWOXXJ4Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>O gato</h3>
<blockquote><p>Com um lindo salto<br />
Lesto e seguro<br />
O gato passa<br />
Do chão ao muro<br />
Logo mudando<br />
De opinião<br />
Passa de novo<br />
Do muro ao chão<br />
E pega corre<br />
Bem de mansinho<br />
Atrás de um pobre<br />
De um passarinho<br />
Súbito, para<br />
Como assombrado<br />
Depois dispara<br />
Pula de lado<br />
E quando tudo<br />
Se lhe fatiga Toma o seu banho<br />
Passando a língua<br />
Pela barriga.</p></blockquote>
<h4>Versão musical de O gato, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Mart&#039;nália - Arca de Noé – O Gato – Vídeo infantil" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/YYxPYCHKd2Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>O leão</h3>
<blockquote><p>Leão! Leão! Leão!<br />
Rugindo como o trovão<br />
Deu um pulo, e era uma vez<br />
Um cabritinho montês.</p>
<p>Leão! Leão! Leão!<br />
És o rei da criação</p>
<p>Tua goela é uma fornalha<br />
Teu salto, uma labareda<br />
Tua garra, uma navalha<br />
Cortando a presa na queda.</p>
<p>Leão longe, leão perto<br />
Nas areias do deserto.<br />
Leão alto, sobranceiro<br />
Junto do despenhadeiro.<br />
Leão na caça diurna<br />
Saindo a correr da furna.<br />
Leão! Leão! Leão!<br />
Foi Deus que te fez ou não?</p>
<p>O salto do tigre é rápido<br />
Como o raio; mas não há<br />
Tigre no mundo que escape<br />
Do salto que o Leão dá.<br />
Não conheço quem defronte<br />
O feroz rinoceronte.<br />
Pois bem, se ele vê o Leão<br />
Foge como um furacão.</p>
<p>Leão se esgueirando, à espera<br />
Da passagem de outra fera&#8230;<br />
Vem o tigre; como um dardo<br />
Cai-lhe em cima o leopardo<br />
E enquanto brigam, tranquilo<br />
O leão fica olhando aquilo.<br />
Quando se cansam, o leão<br />
Mata um com cada mão.</p>
<p>Leão! Leão! Leão!<br />
És o rei da criação!</p></blockquote>
<h4>Versão musical de O leão, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Fagner - O Leão (Lyric Video)" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/hb-JSVK6L3Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>O elefantinho</h3>
<blockquote><p>Onde vais, elefantinho<br />
Correndo pelo caminho<br />
Assim tão desconsolado?<br />
Andas perdido, bichinho<br />
Espetaste o pé no espinho<br />
Que sentes, pobre coitado?</p>
<p>— Estou com um medo danado<br />
Encontrei um passarinho!</p></blockquote>
<h4>Versão musical de O elefantinho, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="O Elefantinho" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/1jQ_8lW9Uts?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>O pinguim</h3>
<blockquote><p>Bom dia, pinguim<br />
Onde vai assim<br />
Com ar apressado?<br />
Eu não sou malvado<br />
Não fique assustado<br />
Com medo de mim.<br />
Eu só gostaria<br />
De dar um tapinha<br />
No seu chapéu-jaca<br />
Ou bem de levinho<br />
Puxar o rabinho<br />
Da sua casaca.</p></blockquote>
<h4>Versão musical de O pinguim, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Toquinho - O Pinguim" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/7-w3Dlm5OUM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>O relógio</h3>
<blockquote><p>Passa, tempo, tic-tac<br />
Tic-tac, passa, hora<br />
Chega logo, tic-tac<br />
Tic-tac, e vai-te embora<br />
Passa, tempo<br />
Bem depressa<br />
Não atrasa<br />
Não demora<br />
Que já estou<br />
Muito cansado<br />
Já perdi<br />
Toda a alegria<br />
De fazer<br />
Meu tic-tac<br />
Dia e noite<br />
Noite e dia<br />
Tic-tac<br />
Tic-tac<br />
Tic-tac&#8230;</p></blockquote>
<h4>Versão musical de O relógio, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Walter Franco - O Relógio" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/4szJqFbLEnE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>São Francisco</h3>
<blockquote><p>Lá vai São Francisco<br />
Pelo caminho<br />
De pé descalço<br />
Tão pobrezinho<br />
Dormindo à noite<br />
Junto ao moinho<br />
Bebendo a água<br />
Do ribeirinho.</p>
<p>Lá vai São Francisco<br />
De pé no chão<br />
Levando nada<br />
No seu surrão<br />
Dizendo ao vento<br />
Bom dia, amigo<br />
Dizendo ao fogo<br />
Saúde, irmão.</p>
<p>Lá vai São Francisco<br />
Pelo caminho<br />
Levando ao colo<br />
Jesuscristinho<br />
Fazendo festa<br />
No menininho<br />
Contando histórias<br />
Pros passarinhos.</p></blockquote>
<h4>Versão musical de São Francisco, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="São Francisco" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/nh_Cig36-xU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>A porta</h3>
<blockquote><p>Eu sou feita de madeira<br />
Madeira, matéria morta<br />
Mas não há coisa no mundo<br />
Mais viva do que uma porta.</p>
<p>Eu abro devagarinho<br />
Pra passar o menininho<br />
Eu abro bem com cuidado<br />
Pra passar o namorado</p>
<p>Eu abro bem prazenteira<br />
Pra passar a cozinheira<br />
Eu abro de supetão<br />
Pra passar o capitão.</p>
<p>Só não abro pra essa gente<br />
Que diz (a mim bem me importa&#8230;)<br />
Que se uma pessoa é burra<br />
É burra como uma porta.</p>
<p>Eu sou muito inteligente!</p>
<p>Eu fecho a frente da casa<br />
Fecho a frente do quartel<br />
Fecho tudo nesse mundo<br />
Só vivo aberta no céu!</p></blockquote>
<h4>Versão musical de A porta, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="08 - A Porta - Fábio Jr. (DISCO A ARCA DE NOÉ - 1980)" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/9jnBBdg2Y6k?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h4>Sobre Vinícius de Moraes</h4>
<p>Vinícius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro em 19 de outubro de 1913, filho de um pai funcionário público e poeta, e de uma mãe poetisa.</p>
<p>Apelidado carinhosamente de &#8220;poetinha&#8221;, Vinícius de Moraes teve atuação destacada, além de como poeta, como compositor, dramaturgo e diplomata.</p>
<p>Na música, esteve ele ao lado de figuras importantíssimas, podendo ser considerado, junto a Tom Jobim e João Gilberto, o epicentro do movimento que ficou mundialmente conhecido como bossa nova.</p>
<p>Sua canção <em>Chega de saudade</em>, que contou com arranjos de Tom Jobim, é considerada um marco na música popular brasileira que, regravada na voz de inúmeros artistas, foi considerada pela revista americana <a href="https://www.rollingstone.com/" target="_blank" rel="noopener"><em>Rolling Stone</em></a> a sexta melhor canção brasileira de todos os tempos.</p>
<p>No teatro, Vinícius de Moraes destacou-se com a peça <em>Orfeu da Conceição (1956)</em>, e sua poesia costuma ser enquadrada na segunda fase do modernismo brasileiro, apresentando de forma acentuada temáticas lírico-amorosas, como vemos no <em>Soneto de fidelidade</em>.</p>
<p>Além de reconhecido nacionalmente por sua obra artística, Vinícius de Moraes ficou também famoso por sua vida pessoal bastante agitada: o &#8220;poetinha&#8221;, tido como um grande conquistador, casou-se nove vezes e deixou cinco filhos, vindo a falecer em 9 de julho de 1980.</p>
<h4>Obras poéticas de Vinícius de Moraes</h4>
<ul>
<li><em>O caminho para a distância </em>(1933)</li>
<li><em>Forma e exegese</em> (1935)</li>
<li><em>Ariana, a mulher</em> (1936)</li>
<li><em>Novos poemas</em> (1938)</li>
<li><em>Cinco elegias</em> (1943)</li>
<li><em>Poemas, sonetos e baladas</em> (1946)</li>
<li><em>Pátria minha</em> (1949)</li>
<li><em>Antologia poética</em> (1954)</li>
<li><em>Livro de sonetos</em> (1957)</li>
<li><em>Novos poemas II</em> (1959)</li>
<li><em>O mergulhador</em> (1968)</li>
<li><em>A arca de Noé</em> (1970)</li>
<li><em>Poemas esparsos</em> (2008)</li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas infantis de Vinícius de Moraes.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea com <a href="https://comofazerumpoema.com/melhores-poemas-de-vinicius-de-moraes-poesia/">os melhores poemas de Vinícius de Moraes</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os 10 melhores poemas de Vinícius de Moraes! (comentados)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/melhores-poemas-de-vinicius-de-moraes-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=melhores-poemas-de-vinicius-de-moraes-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jun 2023 22:01:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poetas brasileiros]]></category>
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					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o com os melhores poemas de Vin&#237;cius de Moraes, esse popular&#237;ssimo poeta brasileiro! Vin&#237;cius de Moraes (1913-1980), artista m&#250;ltiplo, &#233; uma das figuras mais populares da literatura brasileira. Isso se deve, principalmente, ao fato de o poeta ser tamb&#233;m um dos maiores compositores da m&#250;sica popular brasileira, sendo figura-chave no movimento conhecido&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/melhores-poemas-de-vinicius-de-moraes-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Os 10 melhores poemas de Vinícius de Moraes! (comentados)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #808080;">Confira a nossa seleção com os melhores poemas de Vinícius de Moraes, esse popularíssimo poeta brasileiro!</span></em></p>
<p>Vinícius de Moraes (1913-1980), artista múltiplo, é uma das figuras mais populares da literatura brasileira.</p>
<p>Isso se deve, principalmente, ao fato de o poeta ser também um dos maiores compositores da música popular brasileira, sendo figura-chave no movimento conhecido como bossa nova, que mereceu reconhecimento mundial.</p>
<p>Assim, são muitos os versos de Vinícius que acabaram ganhando versões para a música e, até hoje, ecoam na voz dos melhores cantores brasileiros.</p>
<p>Contudo, o mérito da poesia de Vinícius de Moraes não se limita às suas adaptações e ela merece, também, ser apreciada como literatura.</p>
<p>Sendo assim, preparamos uma seleção com os 10 melhores poemas de Vinícius de Moraes para que você possa conhecer um pouco mais da obra deste poeta.</p>
<p>Faremos, também, alguns comentários sobre eles.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Vinícius de Moraes</h2>
<h3>Soneto de fidelidade</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Soneto de fidelidade, de Vinícius de Moraes | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/sOkuGjq8ep0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>De tudo, ao meu amor serei atento<br />
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto<br />
Que mesmo em face do maior encanto<br />
Dele se encante mais meu pensamento.</p>
<p>Quero vivê-lo em cada vão momento<br />
E em louvor hei de espalhar meu canto<br />
E rir meu riso e derramar meu pranto<br />
Ao seu pesar ou seu contentamento.</p>
<p>E assim, quando mais tarde me procure<br />
Quem sabe a morte, angústia de quem vive<br />
Quem sabe a solidão, fim de quem ama</p>
<p>Eu possa me dizer do amor (que tive):<br />
Que não seja imortal, posto que é chama<br />
Mas que seja infinito enquanto dure.</p></blockquote>
<p>Abrimos nossa lista com este <em>Soneto de fidelidade</em> que, além de ser um dos melhores poemas de Vinícius de Moraes, é também um dos mais famosos.</p>
<p>Esse poema é muito representativo da obra de Vinícius de Moraes basicamente por dois motivos: primeiro, pela forma; segundo, pela temática.</p>
<p>Quanto à forma, trata-se de um <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-soneto-tipos-caracteristicas-exemplos/">soneto</a>, uma das formas de composição preferidas do poeta, construído nos tradicionais <strong>decassílabos</strong>, com rimas numa disposição também tradicional.</p>
<p>Quanto ao conteúdo, este poema se enquadra naquela que seja, talvez, a temática preferida do poeta: <strong>o amor</strong>.</p>
<p>Como o título nos sugere, <em>Soneto de fidelidade</em> é um poema que faz como uma &#8220;jura de amor&#8221;.</p>
<p>O eu lírico, ao longo dos versos, <strong>expressa toda sua devoção e seu carinho pelo objeto de seu amor</strong>, afirmando que seu desejo é de que este sentimento perdure enquanto durar sua vida e que, embora tenha de acabar (porque tudo nesta vida acaba), &#8220;que seja infinito enquanto dure&#8221;.</p>
<p>São versos muito bonitos, cuja mensagem nos faz refletir sobre a transitoriedade da vida e nos comove pela beleza e potência do sentimento expresso.</p>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-soneto-de-fidelidade-vinicius-de-moraes/">Soneto de fidelidade, de Vinícius de Moraes</a>.</span></em></li>
</ul>
<h4>Soneto de fidelidade na voz de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Soneto de Fidelidade" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/eHgU4ERc7Nc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>Soneto de contrição</h3>
<blockquote><p>Eu te amo, Maria, eu te amo tanto<br />
Que o meu peito me dói como em doença<br />
E quanto mais me seja a dor intensa<br />
Mais cresce na minha alma teu encanto.</p>
<p>Como a criança que vagueia o canto<br />
Ante o mistério da amplidão suspensa<br />
Meu coração é um vago de acalanto<br />
Berçando versos de saudade imensa.</p>
<p>Não é maior o coração que a alma<br />
Nem melhor a presença que a saudade<br />
Só te amar é divino, e sentir calma&#8230;</p>
<p>E é uma calma tão feita de humildade<br />
Que tão mais te soubesse pertencida<br />
Menos seria eterno em tua vida.</p></blockquote>
<p><em>Soneto de contrição</em> é mais um exemplo da poesia lírico-amorosa de Vinícius de Moraes.</p>
<p>Assim como o poema anterior, é este um soneto construído em <strong>decassílabos rimados</strong>, metro que muito agradava o poeta.</p>
<p>Também como <em>Soneto de fidelidade</em>, são estes versos de um eu lírico que se declara, destacando a potência de seu sentimento.</p>
<p>Este poema é interessante por alguns motivos: primeiramente, porque vai direcionado a uma pessoa identificada, nomeada Maria (é raro que tal ocorra da poesia de Vinícius de Moraes).</p>
<p>Em segundo lugar, interessa a própria abordagem do poema que, aqui, <strong>relata o efeito opressivo e dominante que tem o amor sobre o eu lírico</strong>, chegando a doer fisicamente &#8220;como em doença&#8221;.</p>
<p>Após sugerir que quanto mais sofre, mais ama, o eu lírico compara o próprio coração a uma criança que canta diante do mistério do mundo e diz que a música de seus versos é impregnada de uma saudade imensa.</p>
<p>O soneto é finalizado com uma bela mensagem que <strong>sugere o efeito final do amor ser a calma e a humildade</strong>, tão maiores quanto maior a distância, a &#8220;não apropriação&#8221; da amada.</p>
<p>Quer dizer: o eu lírico diz <strong>preferir a saudade que a presença</strong>, pois aquela é mais forte e alimenta mais fortemente o seu amor, que é aquilo que lhe dá calma.</p>
<h3>Ternura</h3>
<blockquote><p>Eu te peço perdão por te amar de repente<br />
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos<br />
Das horas que passei à sombra dos teus gestos<br />
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos<br />
Das noites que vivi acalentado<br />
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo<br />
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.<br />
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo<br />
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas<br />
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma&#8230;<br />
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias<br />
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta<br />
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar<br />
extático da aurora.</p></blockquote>
<p><em>Ternura</em> é outro dos melhores poemas de Vinícius de Moraes e mais um a abordar a temática do amor.</p>
<p>Pela forma, contudo, este poema diferencia-se dos poemas anteriores, visto que não é um soneto, não rima e nem utiliza métrica regular.</p>
<p><em>Ternura</em> é construído em <strong>versos livres</strong> e, assim como <em>Soneto de contrição</em>, <strong>associa o amor a um sentimento de calma e sossego</strong>.</p>
<p>Diferentemente do poema anterior, porém, aqui não temos os traços selvagens e dolorosos deste sentimento, que é retratado somente com doçura e suavidade.</p>
<p>Aliás, esta abordagem é bem a que o título <em>Ternura</em> sugere e, após desculpar-se por &#8220;amar de repente&#8221; e não conseguir controlar aquilo que sente, o eu lírico diz que seu amor não &#8220;traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas&#8221;, e só exige da amada que &#8220;repouses quieta&#8221;.</p>
<p>Trata-se de um amor, portanto, pacífico e sereno, transbordante de ternura.</p>
<h3>A rosa de Hiroxima</h3>
<blockquote><p>Pensem nas crianças<br />
Mudas telepáticas<br />
Pensem nas meninas<br />
Cegas inexatas<br />
Pensem nas mulheres<br />
Rotas alteradas<br />
Pensem nas feridas<br />
Como rosas cálidas<br />
Mas oh não se esqueçam<br />
Da rosa da rosa<br />
Da rosa de Hiroxima<br />
A rosa hereditária<br />
A rosa radioativa<br />
Estúpida e inválida<br />
A rosa com cirrose<br />
A antirrosa atômica<br />
Sem cor sem perfume<br />
Sem rosa sem nada.</p></blockquote>
<p><em>A rosa de Hiroxima</em> (por vezes grafado &#8220;A rosa de Hiroshima&#8221;) destaca-se, na obra de Vinícius de Moraes, tanto pela forma, quanto pelo conteúdo.</p>
<p>Em primeiro lugar, a forma: são <strong>versos despreocupados com a métrica</strong> (embora todos eles apresentem cinco ou seis sílabas poéticas); são versos que não rimam, e são versos dispostos numa única estrofe de extensão incomum (18 versos).</p>
<p>Já quanto ao conteúdo, vemos algo raro na obra do poeta: <strong>o tom adotado é irônico e provocativo</strong>, e os versos fazem uma dura crítica social.</p>
<p><em>A rosa de Hiroxima</em> faz referência, como se percebe, à Segunda Guerra Mundial, mais especificamente às bombas atômicas que foram lançadas pelos EUA nas cidades japonesas, matando milhares de civis inocentes.</p>
<p>O poeta retrata o horror da brutalidade destes atos e nos faz refletir sobre <strong>as consequências devastadoras e irreversíveis da guerra</strong> e do uso de armas nucleares.</p>
<p>Além de descrever seus efeitos imediatos, o eu lírico nos alerta para consequências futuras (&#8220;hereditárias&#8221;), isto é, quer ele nos lembrar que o que fizermos hoje impactará diretamente as gerações que ainda virão.</p>
<h4>Versão musical de A rosa de Hiroxima, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Rosa de Hiroshima -  Vinicius de Moraes" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/BydC2fopTwo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>A uma mulher</h3>
<blockquote><p>Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito nu sobre o teu peito<br />
Estavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos frias<br />
E a angústia do regresso morava já nos teus olhos.<br />
Tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino<br />
Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne<br />
Quis beijar-te num vago carinho agradecido.<br />
Mas quando meus lábios tocaram teus lábios<br />
Eu compreendi que a morte já estava no teu corpo<br />
E que era preciso fugir para não perder o único instante<br />
Em que foste realmente a ausência de sofrimento<br />
Em que realmente foste a serenidade.</p></blockquote>
<p><em>A uma mulher</em> é outro que está entre os melhores poemas de Vinícius de Moraes, principalmente por afastar-se daquilo que poderíamos esperar.</p>
<p>Esta composição aborda, como outras desta lista, a temática amorosa; porém, o faz de uma maneira inteiramente distinta.</p>
<p>Aqui, a &#8220;mulher&#8221; a quem o eu lírico se destina não está a inspirá-lo sentimentos amorosos serenos ou violentos: está, isto sim, a enchê-lo de compaixão.</p>
<p>É uma cena triste: <strong>são versos que narram uma iminente separação</strong>. O eu lírico, percebendo-o, ainda como tenta agradecê-la carinhosamente pelo que viveram juntos; mas conclui ser inútil.</p>
<p>Experimentamos, pois, uma reflexão sobre a efemeridade de nossos momentos felizes e tomamos, através do poema, consciência da finitude de tudo.</p>
<p>Diferentemente da maioria dos poemas de Vinícius de Moraes, <em>A uma mulher</em> <strong>possui um fim melancólico</strong>. É, como alguns outros, construído em versos livres e disposto numa única estrofe.</p>
<h3>Soneto do amor total</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Soneto do amor total, de Vinícius de Moraes | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/gpJfcSiThR4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Amo-te tanto, meu amor&#8230; não cante<br />
O humano coração com mais verdade&#8230;<br />
Amo-te como amigo e como amante<br />
Numa sempre diversa realidade.</p>
<p>Amo-te afim, de um calmo amor prestante,<br />
E te amo além, presente na saudade.<br />
Amo-te, enfim, com grande liberdade<br />
Dentro da eternidade e a cada instante.</p>
<p>Amo-te como um bicho, simplesmente,<br />
De um amor sem mistério e sem virtude<br />
Com um desejo maciço e permanente.</p>
<p>E de te amar assim muito e amiúde,<br />
É que um dia em teu corpo de repente<br />
Hei de morrer de amar mais do que pude.</p></blockquote>
<p>Em <em>Soneto do amor total</em>, voltamos à forma fixa preferida de Vinícius de Moraes: o soneto.</p>
<p>Para além do uso de decassílabos rimados, é este um soneto construído com estrofação, disposição de rimas e ritmo clássicos.</p>
<p>Este poema data de 1951, época de maturidade artística do poeta, e resume, como já dissemos aqui em outra ocasião, <strong>uma declaração de amor extremada.</strong></p>
<p>Há nestes versos um uso interessante de recursos estilísticos, como a <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-aliteracao-na-poesia-exemplos-figura/">aliteração</a>, que dotam-no de musicalidade acentuada.</p>
<p>A intenção do poema, como sugerida pelo título (&#8220;amor total&#8221;), é <strong>expressar toda a intensidade de um amor absoluto e fatal</strong> experimentado pelo eu lírico.</p>
<p>A expressão desta intensidade pode ser notada, por exemplo, pela repetição insistente de &#8220;amo-te&#8221; ao longo do poema; tal verbo fica como que se repetindo em nossa cabeça, como se o eu lírico estivesse declamando-o pessoalmente, a convencer da força pela repetição.</p>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-soneto-do-amor-total-vinicius-de-moraes/">Soneto do amor total, de Vinícius de Moraes</a>.</span></em></li>
</ul>
<h4>Soneto do amor total na voz de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Soneto do amor total - Vinicius de Moraes" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/a77fVabGL78?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>Poema de Natal</h3>
<blockquote><p>Para isso fomos feitos:<br />
Para lembrar e ser lembrados<br />
Para chorar e fazer chorar<br />
Para enterrar os nossos mortos &#8211;<br />
Por isso temos braços longos para os adeuses<br />
Mãos para colher o que foi dado<br />
Dedos para cavar a terra.</p>
<p>Assim será a nossa vida:<br />
Uma tarde sempre a esquecer<br />
Uma estrela a se apagar na treva<br />
Um caminho entre dois túmulos &#8211;<br />
Por isso precisamos velar<br />
Falar baixo, pisar leve, ver<br />
A noite dormir em silêncio.</p>
<p>Não há muito que dizer:<br />
Uma canção sobre um berço<br />
Um verso, talvez, de amor<br />
Uma prece por quem se vai &#8211;<br />
Mas que essa hora não esqueça<br />
E por ela os nossos corações<br />
Se deixem, graves e simples.</p>
<p>Pois para isso fomos feitos:<br />
Para a esperança no milagre<br />
Para a participação da poesia<br />
Para ver a face da morte &#8211;<br />
De repente nunca mais esperaremos&#8230;<br />
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas<br />
Nascemos, imensamente.</p></blockquote>
<p><em>Poema de Natal</em> é uma composição única na obra de Vinícius de Moraes.</p>
<p>Quanto à forma, o poema apresenta 28 versos divididos em quatro estrofes regulares; não há uso de métrica, nem de rima.</p>
<p>É interessante notar que o título nos engana; pois, quando lemos &#8220;Poema de Natal&#8221;, pensamos na tradicional celebração do nascimento de Jesus, comemorada em 25 de dezembro.</p>
<p>Não é, pois, do que se trata o poema, que <strong>encerra uma profunda reflexão filosófica</strong> sobre a transitoriedade de nossa existência enquanto seres humanos.</p>
<p>Dispensando efeitos melódicos rebuscados, o poema nos guia pelas quatro estrofes como que em passada lenta e calma, fazendo-nos refletir sobre a fugacidade dos momentos que experimentamos e concluindo que devemos, pois, &#8220;falar baixo, pisar leve, ver a noite e dormir em silêncio&#8221;, ou seja, viver cautelosamente, não agir com afobação e contemplar, em silêncio, o que há de belo em nossa rápida existência.</p>
<p>A última estrofe é muito bonita e sugere que justamente a morte pode nos servir como justificativa para que valorizemos a vida; experimentamos, ao percebê-lo, uma sensação de &#8220;renascimento&#8221;, e por isso o título <em>Poema de Natal</em>.</p>
<h3>Soneto do amigo</h3>
<blockquote><p>Enfim, depois de tanto erro passado<br />
Tantas retaliações, tanto perigo<br />
Eis que ressurge noutro o velho amigo<br />
Nunca perdido, sempre reencontrado.</p>
<p>É bom sentá-lo novamente ao lado<br />
Com olhos que contêm o olhar antigo<br />
Sempre comigo um pouco atribulado<br />
E como sempre singular comigo.</p>
<p>Um bicho igual a mim, simples e humano<br />
Sabendo se mover e comover<br />
E a disfarçar com o meu próprio engano.</p>
<p>O amigo: um ser que a vida não explica<br />
Que só se vai ao ver outro nascer<br />
E o espelho de minha alma multiplica&#8230;</p></blockquote>
<p><em>Soneto do amigo </em>é um poema que data de 1946 e consta ter sido escrito em Los Angeles.</p>
<p>Esta é outra composição em decassílabos rimados na forma fixa que tanto agradava Vinícius de Moraes.</p>
<p>Destacamos este poema por <strong>abordar a amizade sob a perspectiva do reencontro</strong>, isto é, o poema diz sobre amigos que, após um tempo separados, reencontram-se e descobrem que a velha amizade permanece.</p>
<p>O poema é comovente pela simplicidade da forma e do sentimento; a maioria de nós, esperamos, sabe muito bem o que é reencontrar uma velha amizade.</p>
<p>O último terceto, ao dizer do amigo &#8220;um ser que a vida não explica&#8221; e que, segundo o eu lírico, multiplica-lhe o &#8220;espelho da alma&#8221; diz, com esta bela imagem poética, o que sentimos a respeito de um amigo verdadeiro: uma afinidade profundíssima, tão profunda que ele parece-nos ser, intimamente, um &#8220;espelho&#8221; de nós mesmos.</p>
<h3>Poema dos olhos da amada</h3>
<blockquote><p>Ó minha amada<br />
Que olhos os teus<br />
São cais noturnos<br />
Cheios de adeus<br />
São docas mansas<br />
Trilhando luzes<br />
Que brilham longe<br />
Longe nos breus&#8230;</p>
<p>Ó minha amada<br />
Que olhos os teus<br />
Quanto mistério<br />
Nos olhos teus<br />
Quantos saveiros<br />
Quantos navios<br />
Quantos naufrágios<br />
Nos olhos teus&#8230;</p>
<p>Ó minha amada<br />
Que olhos os teus<br />
Se Deus houvera<br />
Fizera-os Deus<br />
Pois não os fizera<br />
Quem não soubera<br />
Que há muitas eras<br />
Nos olhos teus.</p>
<p>Ah, minha amada<br />
De olhos ateus<br />
Cria a esperança<br />
Nos olhos meus<br />
De verem um dia<br />
O olhar mendigo<br />
Da poesia<br />
Nos olhos teus.</p></blockquote>
<p><em>Poema dos olhos da amada</em> é uma composição interessante e parece, quando olhamos rapidamente, enquadrar-se numa forma fixa medieval.</p>
<p>Não é, contudo, o que ocorre: quanto à forma, trata-se de um poema de 32 versos divididos em quatro oitavas (estrofe de oito versos), todas elas começadas em &#8220;Ó minha amada&#8221;, exceção feita à última estrofe, iniciada em &#8220;Ah, minha amada&#8221;.</p>
<p>O poema vale-se de rima e, embora apresente alguma irregularidade na disposição, o segundo, quarto e oitavo verso de todas as estrofes terminam com a mesma rima (&#8220;-eus&#8221;), sendo, inclusive, o mesmo verso em três das quatro estrofes (com uma ligeira diferença na pontuação de uma delas).</p>
<p>Isso, naturalmente, confere uma sonoridade particular ao poema, reforçada pela repetição, especialmente, de &#8220;olhos&#8221; e &#8220;teus&#8221;, que soam-nos como uma ideia fixa.</p>
<p>Quanto ao sentido, como o título sugere, o poema versa sobre os olhos da amada ou, melhor dizendo, <strong>toma os olhos como representação da amada e descreve-os em adoração</strong>.</p>
<p>Este poema, apesar de não se enquadrar perfeitamente na métrica, faz um movimento interessante e é belo pela sugestiva evocação de imagens a partir dos olhos da mulher que o eu lírico ama, trazendo à tona sentimentos, memórias, experiências estéticas e transcendentes e mesmo a figura divina — havendo-a ou não.</p>
<h4>Versão musical de Poema dos olhos da amada, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Vinicius de Moraes - Poema dos Olhos da Amada" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/yPmz0NMVvBY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>Soneto de separação</h3>
<blockquote><p>De repente do riso fez-se o pranto<br />
Silencioso e branco como a bruma<br />
E das bocas unidas fez-se a espuma<br />
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.</p>
<p>De repente da calma fez-se o vento<br />
Que dos olhos desfez a última chama<br />
E da paixão fez-se o pressentimento<br />
E do momento imóvel fez-se o drama.</p>
<p>De repente, não mais que de repente<br />
Fez-se de triste o que se fez amante<br />
E de sozinho o que se fez contente.</p>
<p>Fez-se do amigo próximo o distante<br />
Fez-se da vida uma aventura errante<br />
De repente, não mais que de repente.</p></blockquote>
<p>Para fechar nossa lista com os melhores poemas de Vinícius de Moraes, elencamos este <em>Soneto de separação</em> que é mais uma composição comovente do poeta.</p>
<p>Datado de setembro de 1938, consta que este poema foi escrito a bordo do navio Highland Patriot (que viria a afundar na Segunda Guerra Mundial), em pleno Oceano Atlântico, rumo à Inglaterra.</p>
<p>Este soneto é, também, construído em decassílabos rimados; mas, diferente dos anteriores, varia as rimas entre as quadras, não se enquadrando no padrão italiano clássico.</p>
<p>O poema trabalha de maneira interessante <strong>os efeitos emocionais de separações repentinas</strong>, mostrando como, quando ocorrem, vamos do &#8220;riso&#8221; ao &#8220;pranto&#8221;, e experimentamos uma drástica mudança em nossas vidas.</p>
<p><em>Soneto de separação</em> é, como outras composições de Vinícius de Moraes, um poema que nos faz refletir sobre a transitoriedade da vida e os impactos desta permanente impermanência de tudo em nossas existências individuais.</p>
<h4>Sobre Vinícius de Moraes</h4>
<p>Vinícius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro em 19 de outubro de 1913, filho de um pai funcionário público e poeta, e de uma mãe poetisa.</p>
<p>Apelidado carinhosamente de &#8220;poetinha&#8221;, Vinícius de Moraes teve atuação destacada, além de como poeta, como compositor, dramaturgo e diplomata.</p>
<p>Na música, esteve ele ao lado de figuras importantíssimas, podendo ser considerado, junto a Tom Jobim e João Gilberto, o epicentro do movimento que ficou mundialmente conhecido como bossa nova.</p>
<p>Sua canção <em>Chega de saudade</em>, que contou com arranjos de Tom Jobim, é considerada um marco na música popular brasileira que, regravada na voz de inúmeros artistas, foi considerada pela revista americana <a href="https://www.rollingstone.com/" target="_blank" rel="noopener"><em>Rolling Stone</em></a> a sexta melhor canção brasileira de todos os tempos.</p>
<p>No teatro, Vinícius de Moraes destacou-se com a peça <em>Orfeu da Conceição (1956)</em>, e sua poesia costuma ser enquadrada na segunda fase do modernismo brasileiro, apresentando de forma acentuada temáticas lírico-amorosas, como vemos no <em>Soneto de fidelidade</em>.</p>
<p>Além de reconhecido nacionalmente por sua obra artística, Vinícius de Moraes ficou também famoso por sua vida pessoal bastante agitada: o &#8220;poetinha&#8221;, tido como um grande conquistador, casou-se nove vezes e deixou cinco filhos, vindo a falecer em 9 de julho de 1980.</p>
<h4>Obras poéticas de Vinícius de Moraes</h4>
<ul>
<li><em>O caminho para a distância </em>(1933)</li>
<li><em>Forma e exegese</em> (1935)</li>
<li><em>Ariana, a mulher</em> (1936)</li>
<li><em>Novos poemas</em> (1938)</li>
<li><em>Cinco elegias</em> (1943)</li>
<li><em>Poemas, sonetos e baladas</em> (1946)</li>
<li><em>Pátria minha</em> (1949)</li>
<li><em>Antologia poética</em> (1954)</li>
<li><em>Livro de sonetos</em> (1957)</li>
<li><em>Novos poemas II</em> (1959)</li>
<li><em>O mergulhador</em> (1968)</li>
<li><em>A arca de Noé</em> (1970)</li>
<li><em>Poemas esparsos</em> (2008)</li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas de Vinícius de Moraes.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-acrobata-da-dor-cruz-e-sousa-poesia/">Acrobata da dor, de Cruz e Sousa</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>6 bonitos poemas de Guimarães Passos para conhecer sua obra!</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/6-bonitos-poemas-de-guimaraes-passos-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=6-bonitos-poemas-de-guimaraes-passos-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Feb 2022 15:04:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[poetas brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas de Guimar&#227;es Passos e conhe&#231;a melhor a obra deste poeta brasileiro! Guimar&#227;es Passos &#233; uma figura importante das letras nacionais lembrando, especialmente, por ser fundador da Academia Brasileira de Letras e pelo excelente Tratado de versifica&#231;&#227;o que escreveu juntamente de Olavo Bilac. Para al&#233;m de poeta, Guimar&#227;es Passos teve&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/6-bonitos-poemas-de-guimaraes-passos-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">6 bonitos poemas de Guimarães Passos para conhecer sua obra!</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas de Guimarães Passos e conheça melhor a obra deste poeta brasileiro!</em></span></p>
<p>Guimarães Passos é uma figura importante das letras nacionais lembrando, especialmente, por ser fundador da Academia Brasileira de Letras e pelo excelente <a href="https://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?id=136349" target="_blank" rel="noopener"><em>Tratado de versificação</em></a> que escreveu juntamente de Olavo Bilac.</p>
<p>Para além de poeta, Guimarães Passos teve forte atuação como jornalista, e envolveu-se diretamente com o governo revolucionário que instalou-se no Paraná para lutar contra o governo do ditador Floriano Peixoto.</p>
<p>Derrubada a revolta, exilou-se em Buenos Aires, onde permaneceu por 18 meses e pôde colaborar com jornais argentinos.</p>
<p>Dito isso, preparamos uma seleção com 6 poemas de Guimarães Passos, para que você possa conhecer um pouco mais da obra deste poeta brasileiro.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Guimarães Passos</h2>
<h3>No exílio</h3>
<blockquote><p>Longe da terra pátria!&#8230; Os longos dias<br />
Do exílio amargam, mas não há no mundo<br />
Desgraçado tão grande que, no fundo,<br />
Não encontre um prazer nas agonias.</p>
<p>Que o céu alheio aclara-me jucundo,<br />
Se os teus olhos de mim já não desvias,<br />
Se o calor do teu peito a cinzas frias<br />
A saudade reduz em que me afundo!</p>
<p>Ouvir-te o coração apaixonado<br />
Chegar-te aos lábios num prazer tamanho,<br />
Compensa a dor ao mais desesperado.</p>
<p>Bendita a sorte que me uniu contigo:<br />
Mostrou-me a Pátria um coração estranho,<br />
Deste-me, estranha, um coração amigo!</p></blockquote>
<h3>Mea culpa</h3>
<blockquote><p>Não é tua alma o lírio imaculado,<br />
Que à luz de uns olhos puros se levanta,<br />
Pois não fulgura em teu olhar a santa<br />
Chama, que brilha isenta do pecado.</p>
<p>Se o teu seio palpita apaixonado,<br />
Se a voz do amor nos teus suspiros canta,<br />
Não me ilude o queixume, que à garganta,<br />
Quebras, para me ver mais desgraçado!</p>
<p>Eu bem sei quem tu és&#8230; Mas, que loucura<br />
Arrasta-me a teus pés como um cativo!<br />
Mostra-me o inferno a aberta sepultura:</p>
<p>E abraçado contigo, ó pecadora!<br />
Eu desço-o tão feliz como se fora<br />
Um justo ao claro céu subindo vivo.</p></blockquote>
<h3>Morte</h3>
<blockquote><p>És negra, és negra, dizem-me os felizes,<br />
Dizem que ao ver-te o vulto atro e sombrio,<br />
Gelam-se os corações, tamanho frio,<br />
Serena, espalhas onde quer que pises.</p>
<p>É que tu levas para um céu vazio,<br />
Onde somente as dores tem raízes,<br />
As esperança todas, e não dizes<br />
Nada a quem fica, nem a quem partiu,</p>
<p>Anjo negro, terror da humanidade,<br />
Morte, estilete que nos toca o fundo<br />
D’alma, enchendo de mágoa e de saudade!</p>
<p>Morte, há no mundo tanta dor contida!<br />
Que, tu, que findas todo o bem do mundo,<br />
És a coisa melhor que há nesta vida.</p></blockquote>
<h3>Aos felizes</h3>
<blockquote><p><em>A Henrique Silva</em></p>
<p>Pensais que invento penas por meu gosto,<br />
Que em meus versos afeto sofrimento?<br />
Néscios? Lede nas linhas do meu rosto,<br />
E com verdade me dizei se invento.</p>
<p>Ride felizes, ride que o desgosto<br />
Nunca deixou de vir; em breve o alento<br />
Que hoje tendes tê-lo-eis como o sol posto:<br />
Longe e brilhando apenas um momento.</p>
<p>“Mas, me direis, como te enganas! Ama,<br />
Ama, que perderás essa tristeza,<br />
Terás ventura, terás glória, fama&#8230;”</p>
<p>E eu, por vingar-me, sufocando o ai!<br />
Do coração ferido, com firmeza,<br />
Por meu turno respondo-vos &#8211; amai!</p></blockquote>
<h3>Prisioneiro</h3>
<blockquote><p>Que era um pássaro apenas, me disseste,<br />
Porém o nome dele tu ignoras,<br />
Ouviste e ainda ouves vibrações sonoras,<br />
Mas o doce cantor não conheceste.</p>
<p>Pensas em mim, e do tenor celeste<br />
Escutas enlevada as sedutoras<br />
Canções saudosas e comovedoras&#8230;<br />
Que ave, perguntas, misteriosa é esta?</p>
<p>Que encantada harmonia, que doçura,<br />
Que magoado cantar!&#8230; A todo o instante<br />
Ouves esta garganta ardente e obscura.</p>
<p>Nunca a verás; não queiras vê-la, não!<br />
Deixa que o meu amor oculto cante<br />
N’áurea gaiola do teu coração.</p></blockquote>
<h3>Ébrio</h3>
<blockquote><p>Querem que eu ria, que o prazer alheio<br />
Seja meu, que o partilhe e o acompanhe;<br />
Que a ventura que banha aos outros, banhe<br />
Meu negro peito de tristeza cheio.</p>
<p>Seja! Bradai; nenhum de vós estranhe<br />
Mais nesta roda um rosto triste e feio;<br />
Quero beber e rir, pois já não creio<br />
Senão que existem males e champagne.</p>
<p>E uma taça após outra fui bebendo;<br />
Sempre bebendo, vi dançar a mesa,<br />
E os meus convivas fui desconhecendo.</p>
<p>Ébrio afinal, caí&#8230; mas não sozinho:<br />
Comigo estavas, porque a natureza<br />
Do meu amor embriaga mais que o vinho.</p></blockquote>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que tenha gostado de nossa seleção de poemas de Guimarães Passos.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver o que escrevemos sobre as <a href="https://comofazerumpoema.com/quantos-versos-tem-um-poema-poesia-formas/">formas fixas na poesia</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>6 belíssimos poemas de Olavo Bilac para ler e se impressionar!</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/belissimos-poemas-de-olavo-bilac-poesia-poeta/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=belissimos-poemas-de-olavo-bilac-poesia-poeta</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Dec 2021 20:46:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[poetas brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas de Olavo Bilac e se impressione com a beleza dos versos deste grande poeta! Olavo Bilac &#233;, sem d&#250;vida, um dos nomes mais respeitados da literatura brasileira. Considerado o representante mais ic&#244;nico do Parnasianismo brasileiro, Bilac foi, em vida, um dos poetas mais populares do Brasil. O esmero e&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/belissimos-poemas-de-olavo-bilac-poesia-poeta/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">6 belíssimos poemas de Olavo Bilac para ler e se impressionar!</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas de Olavo Bilac e se impressione com a beleza dos versos deste grande poeta!</em></span></p>
<p>Olavo Bilac é, sem dúvida, um dos nomes mais respeitados da literatura brasileira.</p>
<p>Considerado o representante mais icônico do <a href="https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/lingua-portuguesa/parnasianismo-no-brasil" target="_blank" rel="noopener">Parnasianismo brasileiro</a>, Bilac foi, em vida, um dos poetas mais populares do Brasil.</p>
<p>O esmero e meticulosidade de Bilac em suas composições é ímpar, e pode ser muito bem definido por estes versos do próprio poeta:</p>
<blockquote><p>Quero que a estrofe cristalina,<br />
Dobrada ao jeito<br />
Do ourives, saia da oficina<br />
Sem um defeito</p></blockquote>
<p>Dito isso, preparamos uma seleção com 6 poemas de Olavo Bilac, para que você possa apreciar se impressionar com a beleza e a refinada técnica dos versos deste grande poeta.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Olavo Bilac</h2>
<h3>Inania verba</h3>
<blockquote><p>Ah! quem há-de exprimir, alma impotente e escrava,<br />
O que a boca não diz, o que a mão não escreve?<br />
— Ardes, sangras, pregada à tua cruz, e, em breve,<br />
Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava&#8230;</p>
<p>O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:<br />
A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve&#8230;<br />
E a Palavra pesada abafa a Ideia leve,<br />
Que, perfume o clarão, refulgia o voava.</p>
<p>Quem o molde achará para a expressão de tudo?<br />
Ai! quem há-de dizer as ânsias infinitas<br />
Do sonho? o o céu que foge à mão que se levanta?</p>
<p>E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?<br />
E as palavras de fé que nunca foram ditas?<br />
E as confissões de amor que morrem na garganta?!</p></blockquote>
<h3>Vanitas</h3>
<blockquote><p>Cego, em febre a cabeça, a mão nervosa e fria,<br />
Trabalha. A alma lhe sai da pena, alucinada,<br />
E enche-lhe, a palpitar, a estrofe iluminada<br />
De gritos de triunfo e gritos de agonia.</p>
<p>Prende a ideia fugaz; doma a rima bravia;<br />
Trabalha&#8230; E a obra, por fim, resplandece acabada :<br />
« Mundo, que as minhas mãos arrancaram do nada!<br />
Filha do meu trabalho! ergue-te à luz do dia!</p>
<p>Cheia da minha febre e da minha alma cheia,<br />
Arranquei-te da Vida ao adito profundo,<br />
Arranquei-te do Amor à mina ampla e secreta!</p>
<p>Posso agora morrer, porque vives! » E o Poeta<br />
Pensa que vai cair, exausto, ao pé de um mundo,<br />
E cai — vaidade humana! — ao pé do um grão de areia&#8230;</p></blockquote>
<h3>Só</h3>
<blockquote><p>Este, que um deus cruel arremessou à vida,<br />
Marcando-o com o sinal da sua maldição,<br />
— Este desabrochou como a erva má, nascida<br />
Apenas para aos pés ser calcada no chão.</p>
<p>De motejo em motejo arrasta a alma ferida&#8230;<br />
Sem constância no amor, dentro do coração<br />
Sente, crespa, crescer a selva retorcida<br />
Dos pensamentos maus, filhos da solidão.</p>
<p>Longos dias sem sol! noites de eterno luto!<br />
Alma cega, perdida à toa no caminho!<br />
Roto casco de nau, desprezado no mar!</p>
<p>E, arvore, acabará sem nunca dar um fruto&#8230;<br />
E, homem, há-de morrer como viveu: sozinho!<br />
Sem ar! sem luz! sem Deus! sem fé! sem pão! sem lar!</p></blockquote>
<h3>A um poeta</h3>
<blockquote><p>Longe do estéril turbilhão da rua,<br />
Beneditino, escreve! No aconchego<br />
Do claustro, no silêncio e no sossego,<br />
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!</p>
<p>Mas que na forma se disfarce o emprego<br />
Do esforço; e a trama viva se construa<br />
De tal modo, que a imagem fique nua,<br />
Rica, mas sóbria, como um templo grego.</p>
<p>Não se mostre na fábrica o suplício<br />
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,<br />
Sem lembrar os andaimes do edifício:</p>
<p>Porque a Beleza, gêmea da Verdade,<br />
Arte pura, inimiga do artifício,<br />
É a força e a graça na simplicidade.</p></blockquote>
<h3>Língua portuguesa</h3>
<blockquote><p>Última flor do Lácio, inculta e bela,<br />
És, a um tempo, esplendor e sepultura;<br />
Ouro nativo, que, na ganga impura,<br />
A bruta mina entre os cascalhos vela&#8230;</p>
<p>Amo-te assim, desconhecida e obscura,<br />
Tuba de alto clangor, lira singela,<br />
Que tens o trom e o silvo da procela,<br />
E o arrolo da saudade e da ternura!</p>
<p>Amo o teu viço agreste e o teu aroma<br />
De virgens selvas e de oceanos largos!<br />
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,</p>
<p>Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”<br />
E em que Camões chorou, no exílio amargo,<br />
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!</p></blockquote>
<h3>Os sinos</h3>
<blockquote><p>Plangei, sinos! A terra ao nosso amor não basta&#8230;<br />
Cansados de ânsias vis e de ambições ferozes,<br />
Ardemos numa louca aspiração mais casta,<br />
Para transmigrações, para metempsicoses!</p>
<p>Cantai, sinos! Daqui por onde o horror se arrasta,<br />
Campas de rebeliões, bronzes de apoteoses,<br />
Badalai, bimbalhai, tocai à esfera vasta!<br />
Levai os nossos ais rolando em vossas vozes!</p>
<p>Em repiques de febre, em dobres a finados,<br />
Em rebates de angústia, ó carrilhões, dos cimos<br />
Tangei! Torres da fé, vibrai os nossos brados!</p>
<p>Dizei, sinos da terra, em clamores supremos,<br />
Toda a nossa tortura aos astros de onde vimos,<br />
Toda a nossa esperança aos astros aonde iremos!</p></blockquote>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas de Olavo Bilac.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-machado-de-assis-poesia-brasileira/">poemas de Machado de Assis</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>4 poemas de Machado de Assis para conhecer a poesia deste enorme escritor!</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-de-machado-de-assis-poesia-brasileira/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-de-machado-de-assis-poesia-brasileira</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Dec 2021 20:44:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[poetas brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=492</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas de Machado de Assis e conhe&#231;a o lado poeta deste nome enorme da literatura brasileira! Machado de Assis dispensa apresenta&#231;&#245;es. Esse imenso escritor brasileiro, contista, cronista, romancista e teatr&#243;logo, &#233; amplamente considerado o maior nome da literatura brasileira. O que poucos sabem &#233; que Machado foi, tamb&#233;m, poeta, e&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-machado-de-assis-poesia-brasileira/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">4 poemas de Machado de Assis para conhecer a poesia deste enorme escritor!</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas de Machado de Assis e conheça o lado poeta deste nome enorme da literatura brasileira!</em></span></p>
<p>Machado de Assis dispensa apresentações. Esse imenso escritor brasileiro, contista, cronista, romancista e teatrólogo, é amplamente considerado o maior nome da literatura brasileira.</p>
<p>O que poucos sabem é que Machado foi, também, poeta, e sua obra poética inclui diversas traduções, além de composições originais.</p>
<p>Como <a href="https://www.academia.org.br/academicos/machado-de-assis/biografia" target="_blank" rel="noopener">diz</a> a Academia Brasileira (chamada, em vida de Machado, de &#8220;Casa de Machado de Assis&#8221;), &#8220;a obra de Machado de Assis abrange, praticamente, todos os gêneros literários&#8221;.</p>
<p>Por isso, preparamos uma seleção com 4 poemas de Machado de Assis para que, caso você não conheça, possa entrar em contato com a obra poética deste enorme escritor.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Machado de Assis</h2>
<h3>Soneto de natal</h3>
<blockquote><p>Um homem, &#8211; era aquela noite amiga,<br />
Noite cristã, berço no Nazareno, &#8211;<br />
Ao relembrar os dias de pequeno,<br />
E a viva dança, e a lépida cantiga,</p>
<p>Quis transportar ao verso doce e ameno<br />
As sensações da sua idade antiga,<br />
Naquela mesma velha noite amiga,<br />
Noite cristã, berço do Nazareno.</p>
<p>Escolheu o soneto&#8230; A folha branca<br />
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,<br />
A pena não acode ao gesto seu.</p>
<p>E, em vão lutando contra o metro adverso,<br />
Só lhe saiu este pequeno verso:<br />
“Mudaria o Natal ou mudei eu?”</p></blockquote>
<h3>Uma criatura</h3>
<blockquote><p>Sei de uma criatura antiga e formidável,<br />
Que a si mesma devora os membros e as entranhas,<br />
Com a sofreguidão da fome insaciável.</p>
<p>Habita juntamente os vales e as montanhas;<br />
E no mar, que se rasga, à maneira de abismo,<br />
Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.</p>
<p>Traz impresso na fronte o obscuro despotismo.<br />
Cada olhar que despede, acerbo e mavioso,<br />
Parece uma expansão de amor e de egoísmo.</p>
<p>Friamente contempla o desespero e o gozo,<br />
Gosta do colibri, como gosta do verme,<br />
E cinge ao coração o belo e o monstruoso.</p>
<p>Para ela o chacal é, como a rola, inerme;<br />
E caminha na terra imperturbável, como<br />
Pelo vasto areal um vasto paquiderme.</p>
<p>Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo<br />
Vem a folha, que lento e lento se desdobra,<br />
Depois a flor, depois o suspirado pomo.</p>
<p>Pois essa criatura está em toda a obra:<br />
Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto;<br />
E é nesse destruir que as forças dobra.</p>
<p>Ama de igual amor o poluto e o impoluto;<br />
Começa e recomeça uma perpétua lida,<br />
E sorrindo obedece ao divino estatuto.</p>
<p>Tu dirás que é a Morte; eu direi que é a vida.</p></blockquote>
<h3>Círculo vicioso</h3>
<blockquote><p>Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:<br />
&#8211; “Quem me dera que fosse aquela loura estrela,<br />
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”<br />
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:</p>
<p>&#8211; “Pudesse eu copiar o transparente lume,<br />
Que, da grega coluna à gótica janela,<br />
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!”<br />
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:</p>
<p>&#8211; “Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela<br />
Claridade imortal, que toda a luz resume.”<br />
Mas o sol, inclinando a rútila capela:</p>
<p>&#8211; “Pesa-me esta brilhante auréola de nume&#8230;<br />
Enfara-me esta azul e desmedida umbela&#8230;<br />
Por que não nasci eu um simples vaga-lume?”</p></blockquote>
<h3>A mosca azul</h3>
<blockquote><p>Era uma mosca azul, asas de ouro e granada,<br />
Filha da China ou do Industão,<br />
Que entre as folhas brotou de uma rosa encarnada,<br />
Em certa noite de verão.</p>
<p>E zumbia, e voava, e voava, e zumbia,<br />
Refulgindo ao clarão do sol<br />
E da lua, &#8211; melhor do que refulgiria<br />
Um brilhante do Grão-Mogol.</p>
<p>Um poleá que a viu, espantado e tristonho,<br />
Um poleá lhe perguntou:<br />
“Mosca, esse refulgir, que mais parece um sonho,<br />
Dize, quem foi que to ensinou?”</p>
<p>Então ela, voando, e revoando, disse:<br />
&#8211; “Eu sou a vida, eu sou a flor<br />
Das graças, o padrão da eterna meninice,<br />
E mais a glória, e mais o amor.”</p>
<p>E ele deixou-se estar a contemplá-la, mudo,<br />
E tranquilo, como um faquir,<br />
Como alguém que ficou deslembrado de tudo,<br />
Sem comparar, nem refletir.</p>
<p>Entre as asas do inseto, a voltear no espaço,<br />
Uma cousa lhe pareceu<br />
Que surdia, com todo o resplendor de um paço<br />
E viu um rosto, que era o seu.</p>
<p>Era ele, era um rei, o rei de Cachemira,<br />
Que tinha sobre o colo nu,<br />
Um imenso colar de opala, e uma safira<br />
Tirada ao corpo de Vichnu.</p>
<p>Cem mulheres em flor, cem nairas superfinas,<br />
Aos pés dele, no liso chão,<br />
Espreguiçam sorrindo, as suas graças finas,<br />
E todo o amor que têm lhe dão.</p>
<p>Mudos, graves, de pé, cem etíopes feios,<br />
Com grandes leques de avestruz,<br />
Refrescam-lhes de manso os aromados seios,<br />
Voluptuosamente nus.</p>
<p>Vinha a glória depois; &#8211; quatorze reis vencidos,<br />
E enfim as páreas triunfais<br />
De trezentas nações, e o parabéns unidos<br />
Das coroas ocidentais.</p>
<p>Mas o melhor de tudo é que no rosto aberto<br />
Das mulheres e dos varões,<br />
Como em água que deixa o fundo descoberto,<br />
Via limpos os corações.</p>
<p>Então ele, estendendo a mão calosa e tosca,<br />
Afeita a só carpintejar,<br />
Como um gesto pegou na fulgurante mosca,<br />
Curioso de a examinar.</p>
<p>Quis vê-la, quis saber a causa do mistério.<br />
E, fechando-a na mão, sorriu<br />
De contente, ao pensar que ali tinha um império,<br />
E para casa se partiu.</p>
<p>Alvoroçado chega, examina, e parece<br />
Que se houve nessa ocupação<br />
Miudamente, como um homem que quisesse<br />
Dissecar a sua ilusão.</p>
<p>Dissecou-a, a tal ponto, e com tal arte, que ela,<br />
Rota, baça, nojenta, vil,<br />
Sucumbiu; e com isto esvaiu-se-lhe aquela<br />
Visão fantástica e sutil.</p>
<p>Hoje, quando ele aí vai, de aloé e cardamomo<br />
Na cabeça, com ar taful,<br />
Dizem que ensandeceu, e que não sabe como<br />
Perdeu a sua mosca azul.</p></blockquote>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas de Machado de Assis.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-famosos-curtos-brasileiros-poesia/">poemas famosos curtos da literatura brasileira</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
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