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	<title>glossário poético &#8211; como fazer um poema</title>
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	<description>poesia brasileira e portuguesa</description>
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	<title>glossário poético &#8211; como fazer um poema</title>
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	<item>
		<title>Anáclase: o que é, características e exemplos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 May 2024 16:59:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[glossário poético]]></category>
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					<description><![CDATA[Saiba o que &#233; an&#225;clase em poesia, conhe&#231;a suas caracter&#237;sticas e veja exemplos de sua aplica&#231;&#227;o! A an&#225;clase &#233; um recurso estil&#237;stico frequentemente encontrado na poesia de diversos idiomas. Seu efeito &#233; gerar um dist&#250;rbio intencional no ritmo do verso, que pode simplesmente dinamiz&#225;-lo ou chamar a aten&#231;&#227;o para determinada palavra. A seguir, elucidaremos o&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/anaclase-poesia-caracteristicas-exemplos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Anáclase: o que é, características e exemplos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba o que é anáclase em poesia, conheça suas características e veja exemplos de sua aplicação!</em></span></p>
<p>A anáclase é um recurso estilístico frequentemente encontrado na poesia de diversos idiomas.</p>
<p>Seu efeito é gerar um distúrbio intencional no ritmo do verso, que pode simplesmente dinamizá-lo ou chamar a atenção para determinada palavra.</p>
<p>A seguir, elucidaremos o que é anáclase em poesia, quais são suas características e daremos exemplos de sua aplicação.</p>
<h2>Definição de anáclase</h2>
<p>Na poesia moderna, anáclase é o nome que se dá <strong>à inversão no posicionamento entre uma sílaba forte e uma sílaba fraca</strong> em versos de cadência silábico-acentual.</p>
<p>Em português, o mais comum é encontrarmos a anáclase em versos de <a href="https://comofazerumpoema.com/alternancia-ternaria-poesia-exemplos/">alternância binária</a>, o que equivale, na prática, a transformar um <a href="https://comofazerumpoema.com/iambo-o-que-e-caracteristicas-e-exemplos/">iambo</a> num <a href="https://comofazerumpoema.com/troqueu-o-que-e-caracteristicas-exemplos/">troqueu</a> ou vice-versa.</p>
<p>Este recurso estilístico deu-se nas línguas modernas por inspiração em processos semelhantes empregados na poesia greco-latina, em que era comum a inversão da quantidade da última sílaba de um pé com a inicial do pé seguinte.</p>
<p>A anáclase é também grafada <em>anaclasis</em>, termo proveniente do grego <em>anáklasis</em>, que significa &#8220;refração da luz ou do som&#8221;.</p>
<h2>Aplicação da anáclase</h2>
<p>A anáclase só se aplica a versos de cadência silábico-acentual, isto é, versos caracterizados tanto pelo número de sílabas poéticas que o compõem, quanto pelo posicionamento de seus acentos.</p>
<p>Em outras palavras: para que a anáclase seja empregada, e portanto surta o efeito desejado, e sendo a anáclase a inversão do posicionamento de duas sílabas, é preciso que haja um posicionamento natural destas sílabas no verso.</p>
<p>Um exemplo de anáclase se dá naquele que talvez seja o verso mais famoso da literatura mundial, presente em <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Hamlet" target="_blank" rel="noopener"><em>Hamlet</em></a>, de Shakespeare:</p>
<blockquote><p>To <strong>be</strong> or <strong>not</strong> to <strong>be</strong>, <strong>that</strong> is the <strong>ques</strong>tion (– ~ – ~ – ~ ~ – – ~)</p></blockquote>
<p>No verso acima, percebemos que o demonstrativo <em>&#8220;that&#8221;</em> está posicionado num local onde o ritmo iâmbico do verso demandaria uma sílaba não acentuada.</p>
<p>Empregando a anáclase, Shakespeare perturba intencionalmente o ritmo natural do verso, o que resulta numa notória ênfase na palavra fora de posição.</p>
<h2>Exemplo de anáclase</h2>
<p>Daremos mais um exemplo do emprego de anáclase, desta vez na poesia portuguesa.</p>
<p>Abaixo citamos as três primeiras estrofes do poema <em>A volta da Primavera</em>, de Castro Alves:</p>
<blockquote><p>Ai! não maldigas minha fronte pálida,<br />
E o peito gasto ao referver de amores.<br />
Vegetam louros — na caveira esquálida<br />
E a sepultura se reveste em flores.</p>
<p>Bem sei que um dia o vendaval da sorte<br />
Do mar lançou-me na gelada areia.<br />
Serei&#8230; que importa? o D. Juan da morte<br />
Dá-me o teu seio — e tu serás Haideia!</p>
<p>Pousa esta mão — nos meus cabelos úmidos!&#8230;<br />
Ensina à brisa ondulações suaves!<br />
Dá-me um abrigo nos teus seios túmidos!<br />
Fala!&#8230; que eu ouço o pipilar das aves!</p></blockquote>
<p>Todos estes doze decassílabos enquadram-se perfeitamente no ritmo iâmbico, isto é, seguindo um padrão de átona-tônica, átona-tônica, átona-tônica&#8230; até a última sílaba tônica do verso (– ~ – ~ – ~ – ~ – ~).</p>
<p>Notamos, contudo, o emprego da anáclase na primeira sílaba de alguns destes versos, que iniciam-se por sílaba tônica em vez de átona, como é natural do ritmo iâmbico.</p>
<p>Tal como no exemplo de Shakespeare, isso resulta num realce das palavras nas quais o acento invertido se encontra.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Alternância ternária: o que é, características e exemplos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 May 2024 15:47:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[glossário poético]]></category>
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					<description><![CDATA[Saiba o que &#233; altern&#226;ncia tern&#225;ria em poesia, conhe&#231;a suas caracter&#237;sticas e veja exemplos de sua aplica&#231;&#227;o! H&#225;, em portugu&#234;s, dois tipos r&#237;tmicos b&#225;sicos em que o verso pode ser enquadrado: a chamada altern&#226;ncia bin&#225;ria, e a chamada altern&#226;ncia tern&#225;ria. Em ambos os casos, o verso que nelas se enquadra destaca-se por uma uniformidade r&#237;tmica,&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/alternancia-ternaria-poesia-exemplos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Alternância ternária: o que é, características e exemplos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba o que é alternância ternária em poesia, conheça suas características e veja exemplos de sua aplicação!</em></span></p>
<p>Há, em português, dois tipos rítmicos básicos em que o verso pode ser enquadrado: a chamada <a href="https://comofazerumpoema.com/alternancia-binaria-poesia-exemplos/">alternância binária</a>, e a chamada alternância ternária.</p>
<p>Em ambos os casos, o verso que nelas se enquadra destaca-se por uma uniformidade rítmica, proveniente do posicionamento equidistante dos acentos, embora possa apresentar variações quanto ao <a href="https://comofazerumpoema.com/pe-ou-celula-metrica-poesia-tipos-exemplos/">pé</a> utilizado.</p>
<p>A seguir, elucidaremos o que é alternância ternária em poesia, quais são suas características e daremos exemplos de sua aplicação.</p>
<h2>Definição de alternância ternária</h2>
<p>Em poesia, alternância ternária é uma <strong>série rítmica regular em que as sílabas fortes sucedem-se em intervalos de três sílabas.</strong></p>
<p>Dizendo de outra forma, é uma série rítmica regular em que uma sílaba forte é sempre espaçada de outra sílaba forte por duas sílabas fracas.</p>
<p>Alternância ternária significa alternância entre três elementos; neste caso, significa uma sucessão entre uma sílaba forte e duas sílabas fracas, cujo posicionamento pode variar.</p>
<h2>Aplicação da alternância ternária</h2>
<p>A alternância ternária é empregada em português em todos os metros que comportam ao menos dois pés de três sílabas.</p>
<p>A depender da organização de sílabas fortes e fracas no verso, a alternância ternária pode ser:</p>
<ol>
<li><a href="https://comofazerumpoema.com/datilo-o-que-e-caracteristicas-exemplos/"><strong>Datílica</strong></a>: caso consista numa sucessão de dátilos, isto é, de pés compostos de uma sílaba forte seguida de duas sílabas fracas (~ – –)</li>
<li><a href="https://comofazerumpoema.com/anfibraco-o-que-e-caracteristicas-exemplos/"><strong>Anfíbráquica</strong></a>: caso consista numa sucessão de anfíbracos, isto é, de pés compostos de uma sílaba forte entre duas fracas (– ~ –).</li>
<li><a href="https://comofazerumpoema.com/anapesto-o-que-e-caracteristicas-exemplos/"><strong>Anapéstica</strong></a>: caso consista numa sucessão de anapestos, isto é, de pés compostos de duas sílabas fracas seguidas de uma sílaba forte (– – ~).</li>
</ol>
<p>No primeiro caso, nota-se que o movimento só se concretiza perfeitamente em <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-esdruxulo-caracteristicas-exemplos/">versos esdrúxulos</a>; no segundo, apenas em <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-grave-caracteristicas-exemplos/">versos graves</a> e, no terceiro, apenas em <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-agudo-caracteristicas-exemplos/">versos agudos</a>.</p>
<p>A prática portuguesa, contudo, é empregar de praxe todos estes movimentos considerando-os apenas até a última sílaba tônica do verso.</p>
<p>Também se nota que o movimento perfeito exige determinados metros, a depender do pé utilizado:</p>
<ul>
<li>Datílico: aplicável ao <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-heptassilabo-caracteristicas-exemplos/">heptassílabo</a> (três dátilos) e <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-decassilabo-caracteristicas-exemplos/">decassílabo</a> (quatro dátilos); embora teoricamente também seja aplicável ao <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-tetrassilabo-caracteristicas-exemplos/">tetrassílabo</a> (dois dátilos).</li>
<li>Anfibráquico: aplicável ao <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-pentassilabo-caracteristicas-exemplos/">pentassílabo</a> (dois anfíbracos) e <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-hendecassilabo-caracteristicas-exemplos/">hendecassílabo</a> (três anfíbracos).</li>
<li>Anapéstico: aplicável ao <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-hexassilabo-caracteristicas-exemplos/">hexassílabo</a> (dois anapestos), <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-eneassilabo-caracteristicas-exemplos/">eneassílabo </a>(três anapestos) e <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-dodecassilabo-caracteristicas-exemplos/">dodecassílabo</a> (quatro anapestos).</li>
</ul>
<p>Independentemente do pé utilizado, a alternância ternária costuma conferir uma <strong>sensação de harmonia e regularidade</strong> aos versos, além de um andamento notavelmente característico.</p>
<h2>Exemplos de alternância ternária</h2>
<p>Abaixo daremos alguns exemplos do emprego da alternância ternária em versos portugueses (nosso destaque para as sílabas tônicas):</p>
<h3>Ritmo datílico (sucessão de dátilos: ~ – – ~ – -…)</h3>
<blockquote><p><strong>Fo</strong>gem d’ou<strong>vir</strong> as se<strong>rei</strong>as<br />
(Sá de Miranda)</p>
<p><strong>Há</strong> de ca<strong>ir</strong> sobre as <strong>on</strong>das<br />
(Gonçalves Dias)</p>
<p><strong>Di</strong>a de <strong>sol</strong>, inun<strong>da</strong>do de <strong>sol</strong>!…<br />
(Camilo Pessanha)</p></blockquote>
<h3><span id="Ritmo_anfibraquico_sucessao_de_anfibracos_%E2%80%93_%E2%80%93_%E2%80%93_-%E2%80%A6" class="ez-toc-section"></span>Ritmo anfibráquico (sucessão de anfíbracos: – ~ – – ~ -…)</h3>
<blockquote><p>No <strong>ber</strong>ço pen<strong>den</strong>te de <strong>ra</strong>mos flo<strong>ri</strong>dos,<br />
Em <strong>que eu</strong> peque<strong>ni</strong>no fe<strong>liz</strong> dormi<strong>ta</strong>va,<br />
Quem <strong>é</strong> que esse <strong>ber</strong>ço, com <strong>to</strong>do o cui<strong>da</strong>do,<br />
Can<strong>tan</strong>do can<strong>ti</strong>gas, a<strong>le</strong>gre emba<strong>la</strong>va?<br />
(Casimiro de Abreu)</p></blockquote>
<h3><span id="Ritmo_anapestico_sucessao_de_anapestos_%E2%80%93_%E2%80%93_%E2%80%93_%E2%80%93_%E2%80%A6" class="ez-toc-section"></span>Ritmo anapéstico (sucessão de anapestos: – – ~ – – ~…)</h3>
<blockquote><p>Já não <strong>fa</strong>la Tu<strong>pã</strong> no ulu<strong>lar</strong> da pro<strong>ce</strong>la<br />
(Olavo Bilac)</p>
<p>Que mer<strong>gu</strong>lha no a<strong>bis</strong>mo e mer<strong>gu</strong>lha no as<strong>so</strong>mbro<br />
(Machado de Assis)</p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Alternância binária: o que é, características e exemplos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 May 2024 15:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[glossário poético]]></category>
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					<description><![CDATA[Saiba o que &#233; altern&#226;ncia bin&#225;ria em poesia, conhe&#231;a suas caracter&#237;sticas e veja exemplos de sua aplica&#231;&#227;o! H&#225;, em portugu&#234;s, dois tipos r&#237;tmicos b&#225;sicos em que o verso pode ser enquadrado: a chamada altern&#226;ncia bin&#225;ria, e a chamada altern&#226;ncia tern&#225;ria. Em ambos os casos, o verso que nelas se enquadra destaca-se por uma uniformidade r&#237;tmica,&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/alternancia-binaria-poesia-exemplos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Alternância binária: o que é, características e exemplos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba o que é alternância binária em poesia, conheça suas características e veja exemplos de sua aplicação!</em></span></p>
<p>Há, em português, dois tipos rítmicos básicos em que o verso pode ser enquadrado: a chamada alternância binária, e a chamada <a href="https://comofazerumpoema.com/alternancia-ternaria-poesia-exemplos/">alternância ternária</a>.</p>
<p>Em ambos os casos, o verso que nelas se enquadra destaca-se por uma uniformidade rítmica, proveniente do posicionamento equidistante dos acentos, embora possa apresentar variações quanto ao <a href="https://comofazerumpoema.com/pe-ou-celula-metrica-poesia-tipos-exemplos/">pé</a> utilizado.</p>
<p>A seguir, elucidaremos o que é alternância binária em poesia, quais são suas características e daremos exemplos de sua aplicação.</p>
<h2>Definição de alternância binária</h2>
<p>Em poesia, alternância binária é uma <strong>série rítmica regular em que as sílabas fortes sucedem-se em intervalos de duas sílabas</strong>.</p>
<p>Dizendo de outra forma, é uma série rítmica regular em que uma sílaba forte é sempre seguida de uma sílaba fraca, e uma sílaba fraca sempre seguida de uma sílaba forte.</p>
<p>Alternância binária significa alternância entre dois elementos; neste caso, alternância entre sílabas fortes e fracas.</p>
<h2>Aplicação da alternância binária</h2>
<p>A alternância binária é empregada em português em todos os metros que comportam ao menos dois pés e pode apresentar duas variações, a depender da primeira sílaba do verso.</p>
<p>Caso a primeira sílaba do verso seja átona, dar-se-á um <a href="https://comofazerumpoema.com/iambo-o-que-e-caracteristicas-e-exemplos/">ritmo iâmbico</a> (<span style="font-size: 14pt;">&#8211; ~ &#8211; ~&#8230;</span>); caso seja tônica, dar-se-á um <a href="https://comofazerumpoema.com/troqueu-o-que-e-caracteristicas-exemplos/">ritmo trocaico</a> (<span style="font-size: 14pt;">~ &#8211; ~ -&#8230;</span>).</p>
<p>No primeiro caso, nota-se que o movimento só se concretiza perfeitamente em <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-agudo-caracteristicas-exemplos/">versos agudos</a>; já no segundo, o movimento só se concretiza perfeitamente em <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-grave-caracteristicas-exemplos/">versos graves</a>.</p>
<p>A prática portuguesa, contudo, é empregar de praxe ambos os movimentos considerando-os apenas até a última sílaba tônica do verso.</p>
<p>Também se nota que o ritmo iâmbico perfeito aplica-se somente aos <a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">metros</a> pares, enquanto o trocaico aos ímpares.</p>
<p>Independentemente do pé utilizado, a alternância binária costuma conferir uma <strong>sensação de harmonia e regularidade</strong> aos versos; mas pode, em contrapartida, conduzi-los às vezes à monotonia.</p>
<h2>Exemplos de alternância binária</h2>
<p>Abaixo daremos alguns exemplos do emprego da alternância binária em versos portugueses (nosso destaque para as sílabas tônicas):</p>
<h3>Ritmo iâmbico (sucessão de iambos: – ~ – ~…)</h3>
<blockquote><p>Que <strong>má</strong> ten<strong>ção</strong>, que <strong>pei</strong>to em <strong>nós</strong> se <strong>sen</strong>te<br />
(Camões)</p>
<p>A <strong>su</strong>a e<strong>nor</strong>me <strong>gra</strong>ça, o <strong>sal</strong> an<strong>ti</strong>go<br />
(Cassiano Ricardo)</p>
<p>O a<strong>mor</strong> flo<strong>rin</strong>do em <strong>nós</strong> a<strong>bril</strong> e ou<strong>tu</strong>bro<br />
(Geir Campos)</p>
<p>Fe<strong>chou</strong> à <strong>mi</strong>nha El<strong>vi</strong>ra a es<strong>qui</strong>va <strong>por</strong>ta<br />
(Machado de Assis)</p></blockquote>
<h3><span id="Ritmo_trocaico_sucessao_de_troqueus_%E2%80%93_-%E2%80%A6" class="ez-toc-section"></span>Ritmo trocaico (sucessão de troqueus: ~ – ~ -…)</h3>
<blockquote><p><strong>Oh</strong> que a<strong>ção</strong> re<strong>nhi</strong>da! <strong>ba</strong>las <strong>so</strong>bre <strong>ba</strong>las<br />
(Franklin Dória)</p>
<p><strong>Vão</strong>-me os <strong>o</strong>lhos <strong>ven</strong>do <strong>tu</strong>do em <strong>ro</strong>da <strong>mor</strong>to,<br />
<strong>Tu</strong>do <strong>chão</strong> de a<strong>rei</strong>as, <strong>sem</strong> um <strong>pin</strong>go <strong>d’á</strong>gua.<br />
(Alberto de Oliveira)</p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Acróstico: o que é, características e exemplos</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/acrostico-o-que-e-caracteristicas-exemplos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=acrostico-o-que-e-caracteristicas-exemplos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 May 2024 19:32:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[glossário poético]]></category>
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					<description><![CDATA[Saiba o que &#233; acr&#243;stico em poesia, conhe&#231;a suas caracter&#237;sticas e veja exemplos de sua aplica&#231;&#227;o! O acr&#243;stico &#233; um tipo de composi&#231;&#227;o po&#233;tica que, embora tenha perdido espa&#231;o na poesia s&#233;ria, continua a ser muito empregado com finalidade educativa. Tal ocorre porque o acr&#243;stico possui uma camada de sentido adicional que estimula a criatividade&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/acrostico-o-que-e-caracteristicas-exemplos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Acróstico: o que é, características e exemplos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba o que é acróstico em poesia, conheça suas características e veja exemplos de sua aplicação!</em></span></p>
<p>O acróstico é um tipo de composição poética que, embora tenha perdido espaço na poesia séria, continua a ser muito empregado com finalidade educativa.</p>
<p>Tal ocorre porque o acróstico possui uma camada de sentido adicional que estimula a criatividade de quem o escreve, além de convidar o leitor a decifrá-lo.</p>
<p>A seguir, elucidaremos o que é acróstico em poesia, quais são suas características e daremos exemplos de sua aplicação.</p>
<h2>Definição de acróstico</h2>
<p>Acróstico é uma composição poética em que <strong>o alinhamento vertical de determinadas letras que a compõem formam uma palavra ou frase</strong>.</p>
<p>Na maioria das vezes, tais letras são alinhadas no início dos versos.</p>
<p>Como facilmente se deduz, é em torno desta palavra ou frase formada que o acróstico é erigido, servindo os versos frequentemente para exaltá-la ou simplesmente caracterizá-la.</p>
<p>Geir Campos faz distinção entre três tipos de acrósticos: (1) o acróstico propriamente dito, cujo alinhamento da palavra ou frase em questão se dá no início dos versos; (2) o mesóstico, cujo alinhamento se dá no interior dos versos; (3) e o teléstico, cujo alinhamento se dá no fim dos versos.</p>
<p>Embora tais denominações não sejam de emprego corrente, os três tipos representados por elas são comumente encontrados, sendo o mais frequente denominá-los todos simplesmente acrósticos.</p>
<p>Ainda outros tipos de acrósticos são encontrados, variando o alinhamento (horizontal, por exemplo), o número de alinhamentos (dois ou três) e até a disposição gráfica dos versos, de forma a ressaltar a palavra alinhada.</p>
<h2>Aplicação do acróstico</h2>
<p>A aplicação mais frequente e tradicional do acróstico se dá sob a forma de <strong>homenagem à pessoa cujo nome é alinhado</strong> nas letras iniciais dos versos.</p>
<p>Esta pessoa, na poesia lírico-amorosa, é tradicionalmente a pessoa amada, embora também se encontre muitos acrósticos destinados a pessoas queridas, homenageadas pelo poema.</p>
<p>Além desta aplicação mais comum, os acrósticos são ainda utilizados para<strong> transmitir mensagens ou para caracterizar vocábulos</strong> os mais diversos, como &#8220;cidade&#8221;, &#8220;tristeza&#8221;, &#8220;amor&#8221;, que, formando-se através do alinhamento vertical das letras, servem também de temática ao poema.</p>
<p>Abaixo está um exemplo de acróstico, em versos citados por Manuel Bandeira em <em>A versificação em língua portuguesa</em>, cujas iniciais dos versos formam o nome Maria (nosso destaque para as iniciais):</p>
<blockquote><p><strong>M</strong>aria, tens no teu vulto<br />
<strong>A</strong> graça da ave e da flor.<br />
<strong>R</strong>endo-te mais do que amor<br />
<strong>I</strong>menso: rendo-te culto.<br />
<strong>A</strong>h! como à mãe do Senhor.</p></blockquote>
<h2>Exemplos de acróstico</h2>
<p>Abaixo daremos mais dois exemplos da aplicação do acróstico em português, com nosso destaque para as letras que formam palavras:</p>
<h3>Prefácio, de Antônio José da Silva</h3>
<p>Este acróstico serve de prefácio ao volume em que foram publicadas as comédias deste poeta brasileiro, queimado vivo pela Inquisição em 1739:</p>
<blockquote><p><strong>A</strong>migo leitor, prudente,<br />
<strong>N</strong>ão critico rigoroso<br />
<strong>T</strong>e desejo: mas, piedoso,<br />
<strong>O</strong>s meus defeitos consente:<br />
<strong>N</strong>ome não busco excelente<br />
<strong>I</strong>nsigne entre os escritores;<br />
<strong>O</strong>s aplausos inferiores<br />
<strong>J</strong>ulgo a meu plectro bastantes:<br />
<strong>O</strong>s encômios relevantes<br />
<strong>S</strong>ão para engenhos maiores.<br />
<strong>E</strong>sta cômica harmonia<br />
<strong>P</strong>assatempo é douto, e grave;<br />
<strong>H</strong>onesta e alegre e suave,<br />
<strong>D</strong>ivertida a melodia;<br />
<strong>A</strong>polo, que ilustra o dia,<br />
<strong>S</strong>oberano me reparte<br />
<strong>I</strong>deias, facundia e arte,<br />
<strong>L</strong>eitor, para divertir-te,<br />
<strong>V</strong>ontade para servir-te,<br />
<strong>A</strong>feto para agradar-te.</p></blockquote>
<h3>Vencido está de amor&#8230; Meu pensamento, de Camões</h3>
<p>Este acróstico é interessante por estar, primeiro, em forma de <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-soneto-tipos-caracteristicas-exemplos/">soneto</a> e, segundo, por conter dois, e não apenas um alinhamento vertical, algo que aumenta consideravelmente a dificuldade da composição.</p>
<blockquote><p><strong>V</strong>encido está de amor&#8230; <strong>M</strong>eu pensamento<br />
<strong>O</strong> mais que pode ser&#8230; <strong>V</strong>encida a vida,<br />
<strong>S</strong>ujeita a vos servir e&#8230; <strong>I</strong>nstituída,<br />
<strong>O</strong>ferecendo tudo&#8230; <strong>A</strong> vosso intento.</p>
<p><strong>C</strong>ontente deste bem&#8230; <strong>L</strong>ouva o momento,<br />
<strong>O</strong>u hora em que se viu&#8230; <strong>T</strong>ão bem perdida;<br />
<strong>M</strong>il vezes desejando&#8230; <strong>A</strong>ssi ferida,<br />
<strong>O</strong>utras mil renovar&#8230; <strong>S</strong>eu perdimento.</p>
<p><strong>C</strong>om esta pretensão&#8230; <strong>E</strong>stá segura<br />
<strong>A</strong> causa que me guia&#8230; <strong>N</strong>esta empresa<br />
<strong>T</strong>ão sobrenatural&#8230; <strong>H</strong>onrosa, e alta.</p>
<p><strong>J</strong>urando não querer&#8230; <strong>O</strong>utra ventura,<br />
<strong>V</strong>otando só por vós&#8230; <strong>R</strong>ara firmeza,<br />
<strong>O</strong>u ser no vosso amor&#8230; <strong>A</strong>chado em falta.</p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Eco: o que é, características e exemplos</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/eco-o-que-e-caracteristicas-exemplos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=eco-o-que-e-caracteristicas-exemplos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Apr 2024 16:48:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[glossário poético]]></category>
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					<description><![CDATA[Saiba o que &#233; eco em poesia, conhe&#231;a suas caracter&#237;sticas e veja exemplos de sua aplica&#231;&#227;o! O eco &#233; um recurso estil&#237;stico por vezes encontrado na poesia portuguesa. Embora surja no discurso naturalmente e possa, tamb&#233;m, configurar descuido ou v&#237;cio de linguagem, se trabalhado criativamente, o eco pode proporcionar efeitos interessantes. A seguir, elucidaremos o&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/eco-o-que-e-caracteristicas-exemplos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Eco: o que é, características e exemplos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba o que é eco em poesia, conheça suas características e veja exemplos de sua aplicação!</em></span></p>
<p>O eco é um recurso estilístico por vezes encontrado na poesia portuguesa.</p>
<p>Embora surja no discurso naturalmente e possa, também, configurar descuido ou vício de linguagem, se trabalhado criativamente, o eco pode proporcionar efeitos interessantes.</p>
<p>A seguir, elucidaremos o que é eco em poesia, quais são suas características e daremos exemplos de sua aplicação.</p>
<h2>Definição de eco</h2>
<p>Em poesia, eco é o recurso estilístico que <strong>consiste em fazer suceder a um verso, rimando com ele, uma palavra ou grupo de palavras</strong>.</p>
<p>O eco é também conhecido em retórica por homeoteleuto ou <em>homeoteleuton</em>, significando simplesmente a repetição de terminações de palavras e configurando um vício de estilo.</p>
<p>Curiosamente, é este vício de estilo, originalmente registrado por Aristóteles, considerado por alguns como <strong>a matriz da rima</strong>, criada posteriormente.</p>
<p>Como recurso poético, o eco, para além do efeito de reiteração sonora, oferece algumas possibilidades interessantes ao poeta, como veremos a seguir.</p>
<h2>Aplicação do eco</h2>
<p>Uma das aplicações mais frequentes do eco observamos nestes versos atribuídos a Gregório de Matos:</p>
<blockquote><p>Que falta nesta cidade?<br />
— Verdade!<br />
Que mais por sua desonra?<br />
— Honra!<br />
Falta mais que se lhe ponha?<br />
— Vergonha!</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Quem a pôs neste socrócio?<br />
— Negócio!<br />
Quem causa tal perdição?<br />
— Ambição!<br />
E o maior desta loucura?<br />
— Usura!</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>E que justiça a resguarda?<br />
— Bastarda!<br />
É grátis distribuída?<br />
— Vendida!<br />
Que tem, que a todos assusta?<br />
— Injusta!</p></blockquote>
<p>Nestes versos, o que primeiro percebemos é aquilo que configura o eco: <strong>a repetição das terminações em palavras subsequentes</strong>, tal como ocorre com o emprego do termo na retórica.</p>
<p>Mas há, porém, uma grande diferença no emprego do eco como recurso estilístico, que aquele observado em períodos desagradáveis como &#8220;não dão explicação sobre a demissão do João&#8221;.</p>
<p>Nos versos acima, observamos que o eco, para além da ênfase gerada pela reiteração sonora, <strong>opera como se respondesse a sonoridade anterior</strong>, algo que se encaixa perfeitamente no sentido e intenção dos versos.</p>
<p>Esse tipo de composição é mais frequente noutras línguas, como o francês e o inglês (nesta, é denominada <em>echo verse</em>), onde fica explícita a dinâmica de perguntas e respostas em eco como a essência da composição, como neste exemplo de George Herbert:</p>
<blockquote><p>O who will show me those delights on high?<br />
<em>Echo:</em> I.<br />
Thou, Echo, thou art mortall, all men know.<br />
<em>Echo:</em> No.<br />
Wert thou not born among the trees and leaves?<br />
<em>Echo:</em> Leaves.<br />
And are there any leaves that still abide?<br />
<em>Echo: </em>Bide.<br />
What leaves are they? impart the matter wholly.<br />
<em>Echo: </em>Holy.</p></blockquote>
<p>É também comum o emprego do eco como a complementar o verso anterior. como vemos neste exemplo de Rubén Darío:</p>
<blockquote><p>Tuve en momentos distantes,<br />
antes,<br />
que amar los dulces cabellos<br />
bellos<br />
de la ilusión que primera<br />
era<br />
en mi alcázar andaluz<br />
luz</p></blockquote>
<p>Notamos, finalmente, que quase sempre o emprego do eco se dá através de versos <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-monossilabo-caracteristicas-exemplos/">monossílabos</a> ou <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-dissilabo-caracteristicas-exemplos/">dissílabos</a>, que entremeiam versos mais longos e têm no eco sua principal aplicação na língua portuguesa.</p>
<h2>Exemplo de eco</h2>
<p>Abaixo daremos mais um exemplo da aplicação do eco em português.</p>
<h3>A sonâmbula, de Fagundes Varela</h3>
<blockquote><p>Virgem de loiros cabelos<br />
– Belos, –<br />
Como cadeia de amores,<br />
Onda vás tão triste agora<br />
– Hora –<br />
De tão sinistros horrores?</p>
<p>Sob nuvem lutulenta<br />
— Lenta, —<br />
Se esconde a pálida lua;<br />
Na sombra os gênios combatem;<br />
— Batem —<br />
Os ventos a rocha nua</p>
<p>Noite medonha e funesta<br />
– Esta –<br />
Fundos mistérios encerra!<br />
Não corras, olha, repara,<br />
– Para, –<br />
Escuta as vozes da serra!…</p>
<p>Dos furacões nas lufadas,<br />
– Fadas –<br />
Traidoras passam nos ares!<br />
Cruentos monstros e espiam!<br />
– Piam –<br />
As corujas nos palmares!</p>
<p>Bela doida, se soubesses<br />
– Esses –<br />
Esses gritos o que dizem,<br />
Ah! por certo que ouviras,<br />
– Viras –<br />
Que tredas coisas predizem!</p>
<p>Mas, infeliz, continuas!<br />
– Nuas –<br />
As tuas espáduas são!<br />
E sob teus pés mofinos,<br />
– Finos, –<br />
Prendem-se às urzes do chão!</p>
<p>O orvalho teu rosto molha;<br />
– Olha –<br />
Como branca e fria estás!<br />
Virgem de loiros cabelos,<br />
– Belos –<br />
Por Deus! conta-me onde vás!</p>
<p>Nestes ervaçais sem termos,<br />
– Ermos –<br />
Ninguém pode te acudir…<br />
Toma sentido, sossega,<br />
– Cega! –<br />
Vê, são horas de dormir!</p>
<p>Teus olhos giram incertos;<br />
– Certos –<br />
Contudo teus passos vão!<br />
Teu ser que a ilusão persegue<br />
– Segue –<br />
O impulso de oculta mão!</p>
<p>Ai! dormes! Talvez risonho<br />
– Sonho –<br />
Te chame a bailes brilhantes!<br />
Talvez vozes que te encantam<br />
– Cantam –<br />
A teus ouvidos amantes!</p>
<p>Talvez seus ligeiros passos<br />
– Paços –<br />
Pisem d’oiro construídos!<br />
Talvez quanto há de perfume<br />
– Fume –<br />
Pra agradar teus sentidos!</p>
<p>Mas ah ! Na cabana agora,<br />
– Ora –<br />
Tua pobre mãe por ti;<br />
E teu pai além divaga,<br />
– Vaga –<br />
Sem saber que andas aqui!</p>
<p>Virgem de loiros cabelos<br />
– Belos, –<br />
Como cadeia de amores,<br />
Onda vás tão triste agora<br />
– Hora –<br />
De tão sinistros horrores?</p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Encadeamento: o que é, características e exemplos</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/encadeamento-poesia-caracteristicas-exemplos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=encadeamento-poesia-caracteristicas-exemplos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Mar 2024 18:25:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[glossário poético]]></category>
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					<description><![CDATA[Saiba o que &#233; encadeamento em poesia, conhe&#231;a suas caracter&#237;sticas e veja exemplos de sua aplica&#231;&#227;o! O encadeamento &#233; um recurso estil&#237;stico de grande aplica&#231;&#227;o na poesia, tanto cl&#225;ssica quanto moderna, por proporcionar alguns efeitos muito interessantes &#224; composi&#231;&#227;o. H&#225;, por&#233;m, certa confus&#227;o quanto ao significado do termo, tendo em vista haver tr&#234;s contextos em&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/encadeamento-poesia-caracteristicas-exemplos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Encadeamento: o que é, características e exemplos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba o que é encadeamento em poesia, conheça suas características e veja exemplos de sua aplicação!</em></span></p>
<p>O encadeamento é um recurso estilístico de grande aplicação na poesia, tanto clássica quanto moderna, por proporcionar alguns efeitos muito interessantes à composição.</p>
<p>Há, porém, certa confusão quanto ao significado do termo, tendo em vista haver três contextos em que é ele comumente empregado.</p>
<p>A seguir, elucidaremos o que é encadeamento em poesia, quais são suas características e daremos exemplos de sua aplicação.</p>
<h2>Definição de encadeamento</h2>
<p>Em poesia, há três acepções para o emprego do termo encadeamento.</p>
<p>Na primeira e mais frequente dentre elas, encadeamento refere-se à <strong>repetição de fonemas, palavras ou frases em versos subsequentes</strong>; aqui, o termo equivale à anáfora.</p>
<p>Encadeamento pode-se referir também ao <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-cavalgamento-enjambement-poesia/"><em>enjambement</em></a>, embora o emprego deste último, ou de cavalgamento, seja preferido para tal acepção.</p>
<p>Finalmente, encadeamento pode-se referir ao <strong>recurso de fazer aparecer a rima de um verso no interior do verso seguinte</strong>; neste caso, dizemos que tais rimas são encadeadas.</p>
<h2>Aplicação do encadeamento</h2>
<p>Desconsiderando o chamado <em>enjambement</em>, já abordado neste <em>site</em>, temos, pois, dois recursos estilísticos diferentes denominados encadeamento em português.</p>
<p>O primeiro é também chamado anáfora e o encontramos, por exemplo, na segunda estrofe do poema <em>Tristeza desconhecida</em>, de Augusto Frederico Schmidt, que replicamos abaixo:</p>
<blockquote><p>Tristeza de animais com frio e de casebres miseráveis.<br />
Pensei em destinos desconhecidos que me atormentam<br />
Em rostos de homens que não vi e me acompanham<br />
Pensei em emigrantes que ficaram para sempre longe das pátrias, de que eu tenho misteriosas saudades<br />
Pensei em mortos que morreram entre indiferentes<br />
Pensei nas velhas mulheres de todos, humilhadas e sorridentes<br />
Mas não achei o motivo desta tristeza que desceu sobre mim.</p></blockquote>
<p>Como se vê, nota-se que quatro versos iniciam-se com a palavra &#8220;pensei&#8221;, o que surte no poema dois efeitos principais.</p>
<p>O primeiro deles é <strong>demarcar o início dos versos</strong>: exatamente por esse motivo, o encadeamento é muitíssimo empregado em versos livres, nos quais geralmente o poeta faz algo que cumpra um papel semelhante ao da métrica no que tange ao realce da estrutura do poema.</p>
<p>O segundo deles é <strong>reforçar a ideia contida nas palavras que abrem o verso</strong>; no exemplo acima, a repetição de &#8220;pensei&#8221;, &#8220;pensei&#8221;, &#8220;pensei&#8221; dá a entender que o eu lírico pensou em muitas coisas.</p>
<p>Em retórica, é justamente para isso que se emprega a anáfora: para enfatizar o termo repetido; em poesia, os termos repetidos costumam iniciar os versos, resultando nisto que chamamos encadeamento, e que também pode ser realizado com fonemas ou com grupos de palavras.</p>
<p>No poema <em>Descanso</em>, Augusto Frederico Schmidt utiliza a mesma técnica repetindo a expressão &#8220;olho o céu&#8221;:</p>
<blockquote><p>Olho o céu e enfim descanso!<br />
Olho o céu e as estrelas frias<br />
E o vão tormento que me segue sempre<br />
De repente se vai com a leveza do fumo que o vento atira para longe.</p></blockquote>
<p>O termo encadeamento pode referir-se também a um recurso estilístico semelhante ao uso tradicional das rimas; aqui, contudo, <strong>a rima final de um verso completa-se no interior do verso seguinte</strong>.</p>
<p>Exemplos abundantes temos nos belíssimos <a href="https://comofazerumpoema.com/rondo-rondeau-caracteristicas-exemplos/">rondós</a> de Silva Alvarenga, como vemos abaixo:</p>
<blockquote><p>Já serena desde a tarde<br />
Já não arde o sol formoso;<br />
Vem saudoso o brando vento<br />
Doce alento respirar.</p></blockquote>
<p>Idêntico recurso é empregado nestes versos de João Cardoso, que o mescla com rimas tradicionais:</p>
<blockquote><p>Byron, Senhora, foi um poeta<br />
D’alma seleta, raça de escol.<br />
— Águia, no imenso plaino a librar-se,<br />
Sem deslumbrar-se, fitava o sol.</p></blockquote>
<h2>Exemplos de encadeamento</h2>
<p>Abaixo daremos mais dois exemplos do encadeamento empregado como recurso estilístico em português.</p>
<h3>Canção do vento e da minha vida, Manuel Bandeira</h3>
<p>Nestes belos versos, Manuel Bandeira, além de empregar o encadeamento (anáfora), utiliza também uma técnica frequente na poesia barroca, denominada pelo espanhol Dámaso Alonso como &#8220;semeadura e colheita&#8221;.</p>
<p>Consiste ela simplesmente em espalhar certas palavras nos versos para recolhê-las com efeito conclusivo no final.</p>
<p>Na poesia barroca, era frequente a &#8220;semeadura&#8221; ocorrer nas quadras e a &#8220;colheita&#8221; nos tercetos de <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-soneto-tipos-caracteristicas-exemplos/">sonetos</a>:</p>
<blockquote><p>O vento varria as folhas,<br />
O vento varria os frutos,<br />
O vento varria as flores&#8230;<br />
E a minha vida ficava<br />
Cada vez mais cheia<br />
De frutos, de flores, de folhas.</p></blockquote>
<h3>Ode marítima, de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)</h3>
<p>Neste poema, são inúmeros os trechos em que o encadeamento é empregado com grande efeito expressivo:</p>
<blockquote><p>Os navios que entram a barra,<br />
Os navios que saem dos portos,<br />
Os navios que passam ao longe<br />
(Suponho-me vendo-os duma praia deserta) —<br />
Todos estes navios abstractos quase na sua ida<br />
Todos estes navios assim comovem-me como se fossem outra coisa<br />
E não apenas navios, navios indo e vindo.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Todo o vapor ao longe é um barco de vela perto.<br />
Todo o navio distante visto agora é um navio no passado visto próximo.<br />
Todos os marinheiros invisíveis a bordo dos navios no horizonte<br />
São os marinheiros visíveis do tempo dos velhos navios,<br />
Da época lenta e veleira das navegações perigosas,<br />
Da época de madeira e lona das viagens que duravam meses.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Chamam por mim as águas,<br />
Chamam por mim os mares.<br />
Chamam por mim, levantando uma voz corpórea, os longes,<br />
As épocas marítimas todas sentidas no passado, a chamar.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Eh marinheiros, gajeiros! eh tripulantes, pilotos!<br />
Navegadores, mareantes, marujos, aventureiros!<br />
Eh capitães de navios! homens ao leme e em mastros!<br />
Homens que dormem em beliches rudes!<br />
Homens que dormem co&#8217;o Perigo a espreitar pelas vigias!<br />
Homens que dormem co&#8217;a Morte por travesseiro!<br />
Homens que têm tombadilhos, que têm pontes donde olhar<br />
A imensidade imensa do mar imenso!<br />
Eh manipuladores dos guindastes de carga!<br />
Eh amainadores de velas, fogueiros, criados de bordo!<br />
Homens que metem a carga nos porões!<br />
Homens que enrolam cabos no convés!<br />
Homens que limpam os metais das escotilhas!<br />
Homens do leme! homens das máquinas! homens dos mastros!<br />
Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh!<br />
Gente de boné de pala! Gente de camisola de malha!<br />
Gente de âncoras e bandeiras cruzadas bordadas no peito!<br />
Gente tatuada! gente de cachimbo! gente de amurada!<br />
Gente escura de tanto sol, crestada de tanta chuva,<br />
Limpa de olhos de tanta imensidade diante deles,<br />
Audaz de rosto de tantos ventos que lhes bateram a valer!</p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Canção de ninar (ou cantiga de embalar): o que é, características e exemplos</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/cancao-de-ninar-cantiga-de-embalar-exemplos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=cancao-de-ninar-cantiga-de-embalar-exemplos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Mar 2024 16:39:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[glossário poético]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=3135</guid>

					<description><![CDATA[Saiba o que &#233; can&#231;&#227;o de ninar (ou cantiga de embalar) em poesia, conhe&#231;a suas caracter&#237;sticas e veja exemplos de sua aplica&#231;&#227;o! As can&#231;&#245;es de ninar est&#227;o entre as composi&#231;&#245;es po&#233;ticas de maior alcance e maior popularidade da literatura. A maioria das pessoas que as conhece, e as entoa, n&#227;o se atenta para seus aspectos&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/cancao-de-ninar-cantiga-de-embalar-exemplos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Canção de ninar (ou cantiga de embalar): o que é, características e exemplos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba o que é canção de ninar (ou cantiga de embalar) em poesia, conheça suas características e veja exemplos de sua aplicação!</em></span></p>
<p>As canções de ninar estão entre as composições poéticas de maior alcance e maior popularidade da literatura.</p>
<p>A maioria das pessoas que as conhece, e as entoa, não se atenta para seus aspectos construtivos, embora reconheça o seu evidente valor funcional.</p>
<p>A seguir, elucidaremos o que é canção de ninar em poesia, quais são suas características e daremos exemplos de sua aplicação.</p>
<h2>Definição de canção de ninar</h2>
<p>Canção de ninar (ou cantiga de embalar) é uma <strong>composição poética e/ou musical concebida com a intenção de fazer adormecer uma criança</strong>.</p>
<p>Em português, este tipo de composição é conhecido por muitos nomes, como acalanto, acalento, nana-nenê, dorme-nenê, canção ou cantiga de berço, canção ou cantiga de ninar, de acalentar, de embalar, de canastra, de arrolar, entre outros.</p>
<p>Como se percebe, <strong>o que melhor a define é não o seu nome, mas a sua finalidade</strong>: a canção de ninar é feita para ser entoada por um adulto a fim de fazer com que uma criança durma.</p>
<p>Frequentemente, isso é feito enquanto se balança a criança, seja num berço ou aconchegada no colo do adulto, e daí o termo embalar.</p>
<p>Modernamente, também encontramos gravações de canções de ninar, acompanhadas de música, nos mais diversos formatos imagináveis.</p>
<h2>Características da canção de ninar</h2>
<p>Embora variadíssimas, é possível elencar algumas características das canções de ninar comumente observadas.</p>
<p>Em geral, estas composições <strong>expressam um contraste entre a vontade daquele que a entoa</strong> (o adulto que deseja que a criança durma) <strong>e a daquele que a escuta</strong> (a criança que supostamente não quer dormir).</p>
<p>Em razão disso, é comum nelas encontrarmos verbos no imperativo:</p>
<blockquote><p>Dorme, dorme, meu menino,<br />
Nesse bercinho dourado<br />
(&#8230;)</p></blockquote>
<p>Também é comum que a letra da cantiga<strong> tente persuadir a criança a fazer aquilo que se deseja</strong>, e isso pode vir expresso de variadas maneiras, como através de promessas de recompensas ou até ameaças.</p>
<p>Independentemente da forma com que apareça, a persuasão é sempre expressa em linguagem dócil, por vezes lúdica, fantástica ou até ilógica.</p>
<p>Embora não seja regra, é comum se destacarem elementos fônicos e sonoros nas canções de ninar: frequentemente encontramos <a href="https://comofazerumpoema.com/x-poemas-sobre-paz-com-rimas-poesia-versos/">rimas</a>, <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-aliteracao-na-poesia-exemplos-figura/">aliterações</a> e/ou <a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">metrificação</a> nestas composições, algo que contribui para que, quando cantadas pelo adulto, soem ritmadas e agradáveis aos ouvidos da criança.</p>
<p>Por fim, destacamos que as canções de ninar geralmente apresentam-se em numerosas variações regionais, posto que, o mais das vezes, não se sabe quem as compôs e sua transmissão é feita oralmente de geração para geração.</p>
<h2>Exemplos de canção de ninar</h2>
<p>Abaixo daremos mais alguns exemplos de canção de ninar em português:</p>
<h3>Canções de ninar brasileiras</h3>
<h4>Nana neném</h4>
<blockquote><p>Nana, neném<br />
Que a Cuca vem pegar<br />
Papai foi pra roça<br />
Mamãe foi trabalhar</p>
<p>Nana, neném<br />
Que a Cuca vem pegar<br />
Papai foi pra roça<br />
Mamãe foi trabalhar</p>
<p>Boi, boi, boi<br />
Boi da cara preta<br />
Pega esse menino<br />
Que tem medo de careta</p>
<p>Boi, boi, boi<br />
Boi da cara preta<br />
Pega esse menino<br />
Que tem medo de careta</p>
<p>Bicho papão<br />
Sai de cima do telhado<br />
E deixa este menino<br />
Dormir sossegado</p>
<p>Bicho papão<br />
Sai de cima do telhado<br />
E deixa este menino<br />
Dormir sossegado</p></blockquote>
<h4>Fui no Tororó</h4>
<blockquote><p>Fui no Tororó,<br />
Beber água, não achei<br />
Achei bela morena<br />
Que no Tororó deixei</p>
<p>Aproveite minha gente<br />
Que uma noite não é nada<br />
Se não dormir agora<br />
Dormirá de madrugada</p>
<p>Ó Mariazinha, Mariazinha<br />
Entrará na roda<br />
E ficará sozinha</p>
<p>Sozinha eu não fico<br />
Nem hei de ficar<br />
Pois eu tenho Joãozinho<br />
Para ser meu par</p></blockquote>
<h4>Se essa rua fosse minha</h4>
<blockquote><p>Se essa rua,<br />
Se essa rua fosse minha.<br />
Eu mandava,<br />
Eu mandava ladrilhar.<br />
Com pedrinhas,<br />
Com pedrinhas de brilhante.<br />
Para o meu,<br />
Para o meu amor passar.</p>
<p>Nessa rua,<br />
Nessa rua tem um bosque.<br />
Que se chama,<br />
Que se chama solidão.<br />
Dentro dele,<br />
Dentro dele mora um anjo.<br />
Que roubou,<br />
Que roubou meu coração.</p>
<p>Se eu roubei,<br />
Se eu roubei teu coração.<br />
Tu roubaste,<br />
Tu roubaste o meu também.<br />
Se eu roubei,<br />
Se eu roubei teu coração.<br />
É porque,<br />
É porque te quero bem.</p></blockquote>
<h4>Sapo-cururu</h4>
<blockquote><p>Sapo-cururu<br />
Na beira do rio<br />
Quando o sapo canta, ô maninha<br />
É porque tem frio</p>
<p>A mulher do sapo<br />
Deve estar lá dentro<br />
Fazendo rendinha, ô maninha<br />
Para o casamento</p>
<p>Sapo-cururu<br />
Na beira do rio<br />
Quando o sapo canta, ô maninha<br />
É porque tem frio</p>
<p>A mulher do sapo<br />
Deve estar lá dentro<br />
Fazendo rendinha, ô maninha<br />
Para o casamento</p>
<p>Sapo-cururu<br />
Na beira do rio<br />
Quando o sapo canta, ô maninha<br />
É porque tem frio</p>
<p>A mulher do sapo<br />
Deve estar lá dentro<br />
Fazendo rendinha, ô maninha<br />
Para o casamento</p>
<p>Sapo-cururu<br />
Na beira do rio<br />
Quando o sapo canta, ô maninha<br />
É porque tem frio</p>
<p>A mulher do sapo<br />
Deve estar lá dentro<br />
Fazendo rendinha, ô maninha<br />
Para o casamento</p>
<p>Fazendo rendinha, ô maninha<br />
Para o casamento</p></blockquote>
<h3>Cantigas de embalar portuguesas</h3>
<h4>Dorme, dorme, meu menino</h4>
<blockquote><p>Dorme, dorme, meu menino,<br />
Nesse bercinho dourado<br />
Vai dormir com Jesus Cristo,<br />
Um soninho descansado.</p></blockquote>
<h4>Brilha, brilha lá no céu</h4>
<blockquote><p>Brilha, brilha lá no céu,<br />
a estrelinha que nasceu.</p>
<p>Logo outra surge ao lado,<br />
fica o céu fica iluminado.</p>
<p>Brilha, brilha lá no céu,<br />
a estrelinha que nasceu.</p>
<p>Logo outra surge ao lado,<br />
fica o céu fica iluminado.</p>
<p>Brilha, brilha lá no céu,<br />
a estrelinha que nasceu.</p></blockquote>
<h4>Chegou o soninho</h4>
<blockquote><p>A noite cai lá fora<br />
A lua a cintilar<br />
Uma estrelinha brilha<br />
E vai-te aconchegar.</p>
<p>Escovar os dentinhos,<br />
Casar os botões…<br />
Chegando o soninho<br />
Vão ser dois heróis.</p>
<p>Juntos vão viajar<br />
Por sonhos de encantar…</p>
<p>De manhã vai nascer<br />
O Sol, um novo dia,<br />
Para poderes brincar<br />
Com muita energia.</p>
<p>Vestir o pijama<br />
E sempre a sorrir<br />
Saltar para a cama.<br />
É hora de dormir.</p>
<p>O Soninho vai chegar<br />
Com ele vais sonhar.</p>
<p>O Soninho chegou…<br />
E vai-te aconchegar.</p>
<p>Boa noite e até amanhã!</p></blockquote>
<h4>Está na hora da caminha</h4>
<blockquote><p>Está na hora da caminha<br />
vamos lá dormir<br />
que lá fora, as estrelas<br />
dormem a sorrir<br />
e amanhã cedinho, bem cedinho<br />
tu vais ver<br />
acordas mais forte e mais esperto,<br />
isso é crescer<br />
boa noite,</p>
<p>sonhos lindos,<br />
adeus e até amanhã.</p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Epigrama: o que é, características e exemplos</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/epigrama-o-que-e-caracteristicas-exemplos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=epigrama-o-que-e-caracteristicas-exemplos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Mar 2024 17:49:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[glossário poético]]></category>
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					<description><![CDATA[Saiba o que &#233; epigrama em poesia, conhe&#231;a suas caracter&#237;sticas e veja exemplos de sua aplica&#231;&#227;o! O epigrama &#233; um tipo de poema que, pelo uso, consagrou-se como forma sat&#237;rica por excel&#234;ncia. Sua brevidade caracter&#237;stica, quando bem trabalhada, confere uma pot&#234;ncia e uma incisividade not&#225;veis &#224; composi&#231;&#227;o. A seguir, elucidaremos o que &#233; epigrama em&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/epigrama-o-que-e-caracteristicas-exemplos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Epigrama: o que é, características e exemplos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba o que é epigrama em poesia, conheça suas características e veja exemplos de sua aplicação!</em></span></p>
<p>O epigrama é um tipo de poema que, pelo uso, consagrou-se como forma satírica por excelência.</p>
<p>Sua brevidade característica, quando bem trabalhada, confere uma potência e uma incisividade notáveis à composição.</p>
<p>A seguir, elucidaremos o que é epigrama em poesia, quais são suas características e daremos exemplos de sua aplicação.</p>
<h2>Definição de epigrama</h2>
<p>O epigrama é uma <strong>composição poética, breve e satírica</strong>, que expressa um pensamento ou um conceito malicioso de forma incisiva.</p>
<p>Na poesia clássica, porém, o epigrama não se restringia à sátira, destinando-se a praticamente qualquer assunto, especialmente à lembrança de eventos memoráveis ou à exaltação de personalidades exemplares.</p>
<p>O que caracterizava o epigrama, e ainda o caracteriza, é a concisão: <strong>o epigrama contém poucos versos</strong>, o mais das vezes dispostos numa única estrofe.</p>
<p>O termo epigrama é derivado do grego <em>epigramma</em> (&#8220;inscrição, título&#8221;).</p>
<h2>História do epigrama</h2>
<p>Originalmente, o epigrama consistia numa inscrição gravada em lápides, estátuas, edifícios ou monumentos; daí o significado da palavra, em grego antigo, equivaler a &#8220;inscrição&#8221;, &#8220;título&#8221;.</p>
<p>Posteriormente, ainda na Grécia, o epigrama desenvolveu-se em gênero literário, cujos registros temos reunidos na célebre <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Antologia_Palatina" target="_blank" rel="noopener"><em>Antologia Palatina</em></a>, compilada, segundo J. A. Cuddon, por volta do ano 925, e que consiste majoritariamente em epigramas.</p>
<p>A tradição não somente se preservou na literatura latina, mas evoluiu a partir dos dois autores que talvez sejam os maiores epigramatistas da literatura universal: Catulo e Marcial.</p>
<p>Como diz a <em>The Princeton Encyclopedia of Poetry and Poetics</em>, Catulo, ao empregar epigramas para descrever fatos da vida cotidiana e de relações pessoais, desvelou o potencial lírico deste tipo de composição.</p>
<p>Já Marcial, inspirando-se em Catulo, adicionou mordacidade ao gênero, hoje consagrado quase unanimemente à sátira.</p>
<p>A forte influência greco-latina fez com que muitos autores cultivassem os epigramas a partir do Renascimento, dentre os quais destacamos Góngora, Quevedo, Byron, George Bernard Shaw, Dryden e Jonathan Swift.</p>
<h2>Aplicação do epigrama</h2>
<p>O uso consagrou o epigrama à sátira e, portanto, o epigrama presta-se à<strong> exposição incisiva de pensamentos ou ditos mordazes</strong>.</p>
<p>Os epigramas são geralmente monostróficos, embora possam apresentar-se com mais de uma estrofe; a brevidade, contudo, é característica fundamental.</p>
<p>Em português, o metro preferido costuma ser o <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-heptassilabo-caracteristicas-exemplos/">heptassílabo</a>, rimas são normalmente utilizadas e, em razão do tom humorístico empregado, nota-se um uso acima da média dos chamados <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-agudo-caracteristicas-exemplos/">versos agudos</a> nas composições.</p>
<p>Estes são empregados especialmente no fechamento das estrofes, em razão de seu efeito enfático que fortalece ainda mais o caráter incisivo dos epigramas.</p>
<p>Um dos poetas portugueses que mais escreveu epigramas foi Bocage, e a medicina era um de seus alvos preferidos, como podemos observar no epigrama seguinte:</p>
<blockquote><p>Um homem rico, outro pobre<br />
Grave moléstia prostrou.<br />
Qual deles morreu? O rico,<br />
Que mais remédios tomou.</p></blockquote>
<p>Ou neste outro:</p>
<blockquote><p>A morte era uma idiota<br />
Antes de aforismos ter;<br />
Mas depois que há medicina<br />
Já sabe ler, e escrever.</p></blockquote>
<p>Em duas estrofes:</p>
<blockquote><p>&#8220;Ante mim não vales nada<br />
(Disse a Morte à Medicina);<br />
Eu de tudo quanto existe<br />
Sou a fatal assassina.&#8221;</p>
<p>&#8220;Ui! (a mãe dos aforismos<br />
Responde à Parca amarela)<br />
Olha a tola! Eu sou o mesmo,<br />
Mas com mais método que ela.&#8221;</p></blockquote>
<p>Em três:</p>
<blockquote><p>Um Filósofo enfermou;<br />
Não tinha mal de perigo,<br />
Mas sofreu a medicina<br />
Por agradar a um amigo.</p>
<p>Consentiu que receitasse<br />
Hipocrático impostor,<br />
E logo para um criado<br />
Disse, brando, e sem tremor:</p>
<p>&#8220;Não deixes lá na botica<br />
Esse amargo fruto do erro;<br />
Inda tem mais serventia:<br />
Supre os escritores de enterro.&#8221;</p></blockquote>
<p>Notamos, contudo, que quanto mais se alonga o epigrama, mais ele perde sua feição característica, isto é, sua incisividade.</p>
<p>Também notamos que, em geral, <strong>ao último verso do epigrama é de praxe reservado o cerne do dito ou pensamento</strong>, tal como ocorre com as chamadas &#8220;chaves de ouro&#8221; dos sonetos.</p>
<p>Em razão do caráter mordaz dos epigramas, há quem chame este último verso, em vez de &#8220;chave de ouro&#8221;, de &#8220;ferro em brasa&#8221;.</p>
<h2>Exemplos de epigrama</h2>
<p>Abaixo daremos mais alguns exemplos de epigrama em português:</p>
<h3>A um panfletário, de Alberto Ramos</h3>
<p>Este epigrama utiliza versos <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-decassilabo-caracteristicas-exemplos/">decassílabos</a>:</p>
<blockquote><p>Os velhacos e os maus, juiz inclemente,<br />
zurzes com a pena rábida e ferina&#8230;<br />
Só não falas de ti — pois francamente<br />
perdes o tema da melhor verrina.</p></blockquote>
<h3>O epigrama, de Fontoura Xavier</h3>
<p>Este epigrama mescla diferentes metros numa <a href="https://comofazerumpoema.com/sextilha-sexteto-caracteristicas-exemplos/">sextilha</a>:</p>
<blockquote><p>O epigrama é uma centelha<br />
Do espírito do Diabo,<br />
Faísca como um pirilampo; e ao cabo<br />
Se assemelha<br />
A uma abelha,<br />
Por ter ferrão no rabo!…</p></blockquote>
<h3>Estando enfermo um poeta, de Bocage</h3>
<p>Este epigrama emprega <a href="https://comofazerumpoema.com/redondilha-maior-menor-tipos-exemplos/">redondilhas</a> em duas quadras:</p>
<blockquote><p>Estando enfermo um poeta<br />
Foi visitá-lo um doutor,<br />
E em rigorosa dieta<br />
Logo, logo o mandou pôr.</p>
<p>&#8220;Regule-se, coma pouco&#8221;<br />
Diz-lhe o médico eminente:<br />
&#8220;Ai senhor! (acode o louco)<br />
Por isso é que estou doente.&#8221;</p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Epístola: o que é, características e exemplos</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/epistola-o-que-e-caracteristicas-exemplos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=epistola-o-que-e-caracteristicas-exemplos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Mar 2024 14:43:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[glossário poético]]></category>
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					<description><![CDATA[Saiba o que &#233; ep&#237;stola em poesia, conhe&#231;a suas caracter&#237;sticas e veja exemplos de sua aplica&#231;&#227;o! A ep&#237;stola &#233; um tipo de composi&#231;&#227;o po&#233;tica cultivado desde a Antiguidade e, embora modernamente tenha ca&#237;do em desuso, permanece viva na obra de muitos poetas. O interessante da ep&#237;stola &#233; que, diferente de outros tipos de poemas, nela&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/epistola-o-que-e-caracteristicas-exemplos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Epístola: o que é, características e exemplos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba o que é epístola em poesia, conheça suas características e veja exemplos de sua aplicação!</em></span></p>
<p>A epístola é um tipo de composição poética cultivado desde a Antiguidade e, embora modernamente tenha caído em desuso, permanece viva na obra de muitos poetas.</p>
<p>O interessante da epístola é que, diferente de outros tipos de poemas, nela o poeta dirige-se diretamente a um ou mais destinatários, algo cujo efeito é uma aproximação imediata entre ambos.</p>
<p>A seguir, elucidaremos o que é epístola em poesia, quais são suas características e daremos exemplos de sua aplicação.</p>
<h2>Definição de epístola</h2>
<p>Epístola é uma <strong>composição literária em feitio de carta</strong>, escrita em prosa ou em verso, pela qual o autor dirige-se diretamente a um ou mais destinatários.</p>
<p>A epístola pode vir datada, e tem como característica <strong>especificar sempre o destinatário</strong>, podendo este último consistir em um ou mais entes, reais ou fictícios.</p>
<p>Quando satírica, é comum a epístola vir assinada por um &#8220;autor anônimo&#8221;, ou por algum pseudônimo.</p>
<p>Ao longo do tempo, a epístola desenvolveu-se em gênero literário, tomando rumos diferentes na prosa e na poesia: nesta, o feitio literário da composição costuma ser mais evidente; naquela, correspondências pessoais são também integradas ao gênero, quando, por qualquer motivo, seu conteúdo se mostra de interesse histórico ou documental.</p>
<p>O termo epístola é derivado do grego <em>epistole</em> (&#8220;mensagem&#8221;) que passou ao latim como <em>epistola</em> (&#8220;carta&#8221;, &#8220;mensagem&#8221;).</p>
<h2>História da epístola</h2>
<p>A epístola, em seu sentido mais amplo, é um tipo de composição literária antiquíssimo, presente em diferentes tradições.</p>
<p>Fundamentalmente, a epístola é uma mensagem direcionada a um ou mais destinatários e, em prosa, temos epístolas no Antigo Egito e na tradição cristã, cujo exemplo mais conhecido são as famosas <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ep%C3%ADstolas_paulinas" target="_blank" rel="noopener">epístolas paulinas</a>, integradas ao Novo Testamento.</p>
<p>É na antiguidade clássica, porém, que as epístolas se consolidaram em gênero literário.</p>
<p>Em prosa, o gênero partiu de epístolas como as de Cícero e Sêneca, direcionadas a destinatários reais, até a prática moderna, em que tal nem sempre se verifica.</p>
<p><em>Gente pobre</em>, obra de estreia Dostoiévski e <em>Os sofrimentos do jovem Werther</em>, de Goethe, são dois exemplos dos chamados romances epistolares, estilo ficcional que bem representa os resultados da evolução do gênero epistolar em prosa.</p>
<p>Em verso, o primeiro exemplo que temos do emprego de epístolas é do poeta Horácio, que foi seguido pouco depois por Ovídio.</p>
<p>Como nota J. A. Cuddon no <em>The Penguin Dictionary of Lit. Terms and Lit. Theory</em>, a obra epistolar destes dois poetas demonstram bem os dois tipos de epístolas mais frequentes: (1) epístolas a respeito de temas morais e filosóficos (Horácio) e (2) epístolas a respeito de temas amorosos e sentimentais (Ovídio).</p>
<p>Nas epístolas do primeiro tipo, o tom pode variar muito, e as composições podem encerrar desde conselhos, reflexões e elogios até críticas mordazes.</p>
<p>Na Idade Média e no Renascimento, as epístolas foram cultivadas por grandes nomes da literatura universal, como Samuel Daniel, Petrarca, Ariosto e Boileau.</p>
<p>Em português, talvez o exemplo mais célebre de epístolas em verso seja o das famosas <em>Cartas chilenas</em>, de Tomás Antônio Gonzaga, que abordaremos mais adiante.</p>
<h2>Aplicação da epístola</h2>
<p>Em geral, a epístola em verso presta-se a abordar, como nota J. A. Cuddon, ou <strong>temas morais e filosóficos</strong>, ou <strong>temas sentimentais</strong>.</p>
<p>Assim, as epístolas podem expressar opiniões, manifestos, relatos históricos, críticas ou simplesmente sentimentos, a depender do objetivo do autor, que colocará na epístola, contudo, uma mensagem direcionada a alguém.</p>
<p>Este alguém (destinatário) é, pois, elemento sempre presente na epístola, e pode consistir em <strong>um ou mais entes, sendo eles reais ou fictícios</strong>.</p>
<p>Em português, as epístolas são compostas tradicionalmente ou em <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-branco-solto-caracteristicas-exemplos/">versos brancos</a>, ou em <em><a href="https://comofazerumpoema.com/terza-rima-caracteristicas-exemplos/">terza rima</a></em>; o metro mais usado é o <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-decassilabo-caracteristicas-exemplos/">decassílabo</a>.</p>
<p>Um bom exemplo de epístola portuguesa temos na <em>Epístola a Critilo</em>, atribuída a Cláudio Manuel da Costa, construída em decassílabos brancos e que assim começa:</p>
<blockquote><p>Vejo, ó Critilo, do Chileno Chefe<br />
Tão bem pintada a história nos teus versos,<br />
Que não sei decidir, qual seja a cópia,<br />
Qual seja o original. Dentro em minha alma<br />
Que diversas paixões, que afetos vários<br />
A um tempo se suscitam! Gelo, e tremo<br />
Umas vezes de horror, de mágoa, e susto,<br />
Outras vezes do riso apenas posso<br />
Resistir aos impulsos: igualmente<br />
Me sinto vacilar entre os combates<br />
Da raiva, e do prazer. Mas ah! que disse!<br />
Eu retrato a expressão, nem me subscrevo<br />
Ao sufrágio daquele, que assim pensa<br />
Alheio da razão, que me surpreende.<br />
(&#8230;)</p></blockquote>
<h2>Exemplos de epístola</h2>
<p>Para exemplificar melhor o emprego da epístola na poesia portuguesa, utilizaremos as famosas <em>Cartas chilenas</em>, de Tomás Antônio Gonzaga.</p>
<p>Esta obra é composta por várias cartas satíricas (das quais conhecemos treze) construídas em decassílabos brancos, escritas em tom mordaz, agressivo e jocoso.</p>
<p>A obra se inicia com a seguinte observação:</p>
<blockquote><p><em>Cartas chilenas</em></p>
<p>Em que se contam os sucessos<br />
de todo o Governo de Fanfarrão Minésio,<br />
General de Chile.<br />
Escritas na língua Castelhana<br />
pelo Poeta Critilo.<br />
Traduzidas em Português,<br />
e dedicadas<br />
aos Grandes de Portugal<br />
por um Anônimo.</p></blockquote>
<p>O tal Poeta Critilo, suposto habitante de Santiago, é um personagem; o &#8220;tradutor&#8221; é declarado anônimo; Chile, em verdade, é paródia da própria Vila Rica e o tal Fanfarrão Minésio é ninguém menos que <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_da_Cunha_Meneses" target="_blank" rel="noopener">Luís da Cunha Meneses</a>, o governador de Minas Gerais de então.</p>
<p>Abaixo citamos o início de uma das cartas.</p>
<h3>Carta 9ª, de Tomás Antônio Gonzaga</h3>
<blockquote><p><em>Em que se contam as desordens,</em><br />
<em>que Fanfarrão obrou no governo das Tropas</em></p>
<p>Agora, Doroteu, agora estava<br />
Bamboando na rede preguiçosa,<br />
E tomando na fina porçolana<br />
O mate saboroso, quando escuto<br />
De grossa artilharia o rouco estrondo.<br />
O sangue se congela, a casa treme,<br />
E pesada porção de estuque velho<br />
À violência do abalo despegada<br />
Da barriguda esteira, faz que eu perca<br />
A tigela esmaltada, que era a cousa,<br />
Que tinha nesta casa de algum preço.<br />
*<br />
Apenas torno em mim daquele susto,<br />
Me lembra ser o dia, em que o bom Chefe<br />
Aos seus auxiliares lições dava,<br />
Da que Saxe1 chamou pequena guerra.<br />
Amigo Doroteu, não sou tão néscio,<br />
Que os avisos de Jove não conheça.<br />
Castigou, castigou o meu descuido,<br />
Pois não me deu a veia de Poeta,<br />
Nem me trouxe por mares empolados<br />
A Chile, para que gostoso, e mole<br />
Descanse o corpo na franjada rede.<br />
*<br />
Nasceu o sábio Homero entre os antigos,<br />
Para o nome cantar do Grego Aquiles;2<br />
Para cantar também ao Pio Eneias,<br />
Teve o povo Romano o seu Virgílio.<br />
Assim para escrever os grandes feitos,<br />
Que nosso Fanfarrão obrou em Chile,<br />
Entendo, Doroteu, que a Providência<br />
Lançou na culta Espanha o teu Critilo.<br />
Ora pois, Doroteu, eu passo, eu passo<br />
A cumprir respeitoso os meus deveres.<br />
E já que o meu Herói agora adestra<br />
Esquadras belicosas, também hoje<br />
Tomarei por empresa só mostrar-te<br />
Que ele fez na milícia grandes cousas.<br />
(&#8230;)</p></blockquote>
<h3>Bilhete postal, de Augusto dos Anjos</h3>
<p>Também satírica é esta epístola de Augusto dos Anjos, que vem assinada por &#8220;O Poeta Raquítico&#8221; e é construída em <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-dodecassilabo-caracteristicas-exemplos/">dodecassílabos</a> rimados.</p>
<blockquote><p>Ilustre professor da Carta Aberta: — Almejo<br />
Que uma alimentação a fiambre e a vinho e a queijo<br />
Lhe fortaleça o corpo, e assim lhe fortaleça<br />
As mãos, os pés, a perna et coetera e a cabeça.<br />
Continue a comer como um monstro no almoço,<br />
Inche como um balão, cresça como um colosso<br />
E vá crescendo e vá crescendo e vá crescendo,<br />
E fique do tamanho extraordinário e horrendo<br />
Do célebre Titão e do Hércules lendário;<br />
O seu ventre se torne um ventre extraordinário,<br />
Cheio do cheiro ruim de fétidos resíduos;<br />
As barrigas então de cinquenta indivíduos<br />
Não poderão caber na sua ampla barriga.<br />
Não mais lhe pesará a desgraça inimiga,<br />
O seu nome também não será mais Antônio.<br />
Todos hão de chamá-lo o colosso, o demônio,<br />
A maravilha das brilhantes maravilhas.<br />
As hienas carniçais, as leoas e as novilhas,<br />
Diante do seu vigor recuarão e diante<br />
Do estrídulo metal de sua voz atroante<br />
De certo, correrão mansas e espavoridas.<br />
Se as minhas orações, forem, pois, atendidas,<br />
O senhor há de ser o Teseu do universo.<br />
Seja um gigante, pois; não faça, porém, verso<br />
De qualidade alguma e nem também me faça<br />
Artigos tresandando a bolor e a cachaça,<br />
Ricos de incorreções e de erros de gramática,<br />
Tenha vergonha, esconda essa tendência asnática,<br />
Que somente possui o seu cérebro obtuso —<br />
Esconda-a, e nunca mais se exponha a fazer uso<br />
Da pena, e nunca mais desenterre alfarrábios.<br />
Os tolos, em geral, são tidos como sábios<br />
Quando querem calar-se e reprimir-se sabem,<br />
O senhor é papalvo e os papalvos não cabem<br />
No centro literário e no centro político.<br />
Respeite-me, portanto!</p>
<p>O Poeta Raquítico.</p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Écloga (ou égloga): o que é, características e exemplos</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/ecloga-egloga-caracteristicas-exemplos-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=ecloga-egloga-caracteristicas-exemplos-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Mar 2024 19:22:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[glossário poético]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2929</guid>

					<description><![CDATA[Saiba o que &#233; &#233;cloga (ou &#233;gloga) em poesia, conhe&#231;a suas caracter&#237;sticas e veja exemplos de sua aplica&#231;&#227;o! A &#233;cloga &#233; um dos tipos de poema mais antigos e mais caracter&#237;sticos na poesia ocidental. Principalmente por influ&#234;ncia do grande poeta Virg&#237;lio, numerosos poetas portugueses cultivaram-na, como Cam&#245;es, S&#225; de Miranda, Cl&#225;udio Manuel da Costa, entre&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/ecloga-egloga-caracteristicas-exemplos-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Écloga (ou égloga): o que é, características e exemplos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba o que é écloga (ou égloga) em poesia, conheça suas características e veja exemplos de sua aplicação!</em></span></p>
<p>A écloga é um dos tipos de poema mais antigos e mais característicos na poesia ocidental.</p>
<p>Principalmente por influência do grande poeta Virgílio, numerosos poetas portugueses cultivaram-na, como Camões, Sá de Miranda, Cláudio Manuel da Costa, entre muitos outros.</p>
<p>A seguir, elucidaremos o que é écloga em poesia, quais são suas características e daremos exemplos de sua aplicação.</p>
<h2>Definição de écloga</h2>
<p>A écloga é uma <strong>composição poética que retrata a vida no campo</strong>, prestando homenagens ao amor, à natureza e à tranquilidade da vida campesina.</p>
<p>É geralmente composta por diálogos (ou monólogos) em que os interlocutores expressam seus sentimentos e estados de ânimo.</p>
<p>Tais sentimentos, quase sempre, resumem-se<strong> no elogio da vida campestre, nos amores pastoris e em frustrações amorosas</strong>.</p>
<p>A écloga também se presta a reflexões filosóficas, e é comum encerrarem uma lição moral.</p>
<p>Por extensão de sentido, modernamente chamam-se éclogas quaisquer poemas que tenham como temática a vida bucólica.</p>
<p>O termo écloga é derivado do grego <em>ekloge</em>, que significa literalmente &#8220;escolha&#8221;, &#8220;seleção&#8221;.</p>
<h2>História da écloga</h2>
<p>Segundo J.A. Cuddon (<em>The Penguin Dict. of Lit. Terms and Lit. Theory</em>), o termo écloga foi aplicado pela primeira vez para referir-se aos poemas bucólicos de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Virg%C3%ADlio" target="_blank" rel="noopener">Virgílio</a>, inspirados nos idílios de Teócrito.</p>
<p>A despeito de alguns outros poetas do período clássico que cultivaram este tipo de poema, a grande popularização das éclogas deu-se, primeiro, no Renascimento, através de figuras como Dante, Petrarca e Boccaccio, por influência de Virgílio.</p>
<p>Posteriormente, nos séculos XV e XVI, as éclogas popularizaram-se ainda mais através de grandes poetas como Battista Mantovano, Garcilaso de la Vega, Edmund Spenser, Juan Boscán, Lope de Vega, entre outros.</p>
<p>Em português, a introdução das éclogas é atribuída a Sá de Miranda; entre os muitos poetas que a cultivaram, destacamos Camões, Bernardim Ribeiro, Diogo Bernardes e os conhecidos poetas da chamada Escola Mineira.</p>
<h2>Características da écloga</h2>
<p>A écloga é um tipo de poema que <strong>não se caracteriza pela forma, mas pela temática e pelo tom</strong>.</p>
<p>Isso quer dizer que constroem-se éclogas em diferentes metros e com variada estrofação.</p>
<p>Há, mesmo, éclogas erigidas em verso livre, tal como as do heterônimo Alberto Caeiro, de Fernando Pessoa.</p>
<p>Alguns elementos, contudo, caracterizam as éclogas:</p>
<p>O primeiro deles é consistir a écloga num <strong>diálogo ou num monólogo entre homens do campo</strong>, quase sempre pastores.</p>
<p>O segundo elemento é a écloga se passar num <strong>cenário campestre, manso e agradável</strong>, geralmente elogiado pelos interlocutores.</p>
<p>Tal cenário, denominado em latim <em>locus amoenus</em> (lugar ameno), é descrito como um local paradisíaco, ideal para que se viva e ideal para que floresçam virtudes na alma.</p>
<p>O elogio, assim, não se limita à beleza natural do cenário, mas se estende à simplicidade da vida no campo.</p>
<p>O amor é temática frequente nas éclogas, seja em sua face mais bela, seja nas ilusões dele provenientes (aqui, difere da natureza, sempre deleitosa).</p>
<p>Finalmente, também é comum nas éclogas o enaltecimento <strong>da renúncia aos bens terrenos, da dedicação integral à contemplação da natureza e da busca pelo equilíbrio</strong>, ou <em>aurea </em><em>mediocritas</em>.</p>
<h2>Aplicação da écloga</h2>
<p>Para demonstrar a aplicação da écloga em português, utilizaremos o exemplo daquela que está numerada como a écloga XII da edição de 1843 das <em>Obras completas de Camões</em>.</p>
<p>A écloga tradicional, de praxe, começa com a apresentação de seus interlocutores, ou seja, dos personagens que dialogarão no poema.</p>
<p>Após a indicação de seus nomes, pode ser que haja uma introdução ao diálogo, ou o diálogo começa imediatamente.</p>
<p>Em ambos os casos, o comum é que os primeiros versos descrevam o cenário e/ou o estado de ânimo de um ou mais interlocutores, tal como vemos no referido exemplo de Camões, que assim começa:</p>
<blockquote><p><em>Délio, Alcido, Galásio</em></p>
<p>Délio</p>
<p>Agora, Alcido, enquanto o nosso gado<br />
Pasce diante nós, manso e seguro,<br />
Sentemo-nos aqui neste abrigado.</p>
<p>Logremos este sol sereno e puro,<br />
Que livre se nos dá, antes que venha<br />
A noite fria com seu manto escuro.</p>
<p>O rico com seu ouro lá se avenha;<br />
Não se farta a cobiça coa riqueza;<br />
Mais arde o fogo quando tem mais lenha.</p>
<p>Com pouco se contenta a Natureza.<br />
Quem isto bem olhasse, certifico<br />
Que não fugisse tanto da pobreza.</p>
<p>O sol também me aquenta, como ao rico;<br />
A fonte água me dá, frutos a terra;<br />
Com pouco mantimento farto fico.</p>
<p>Ah! que a má vaidade nos faz guerra!<br />
Para que gasto tempo em mais palavras?<br />
Os olhos da razão esta nos cerra.</p>
<p>Alcido, tens ovelhas e tens cabras,<br />
De que tiras da lã, tiras do leite;<br />
E não te faltam campos em que labras.</p>
<p>Inda tu queres mais? Amigo, eu hei-te<br />
De falar claro e sem lisonjerias,<br />
Não hajas medo tu que eu as afeite.</p>
<p>Tu cantavas Amor, Amor tangias;<br />
Falava a tua frauta, agora é muda.<br />
Que mal te mudou tanto em poucos dias?</p></blockquote>
<p>Percebe-se, pois, que já no primeiro terceto Camões introduz-nos à mansidão do cenário tão característico das éclogas: diante do gado que &#8220;pasce&#8221;, os interlocutores &#8220;abrigam-se&#8221; para dialogar.</p>
<p>Também serve esta primeira fala para introduzir a temática da conversa e o estado de ânimo dos interlocutores.</p>
<p>Como se percebe, o discurso é direcionado a Alcido, que aparentemente sofreu uma decepção amorosa.</p>
<p>Logo em seguida, este responde:</p>
<blockquote><p>Alcido</p>
<p>Muda-se a idade, Délio; e, se se muda<br />
Com ela a condição, nada me espanto;<br />
O gosto me ajudou, já não me ajuda.</p>
<p>Se já cantei Amor, se Amor não canto,<br />
Culpas do tempo são, que vai mudando<br />
O meu cantar alegre em triste pranto.</p>
<p>O tempo, que tão leve vai voando,<br />
Délio, não torna mais; e assi fugindo,<br />
Mil claros desenganos nos vai dando.</p>
<p>Pouco a pouco se veio descobrindo<br />
O mal de uma esperança vã e incerta,<br />
Que me deixou chorando, e foi-se rindo.</p>
<p>(&#8230;)</p></blockquote>
<p>Assim o poema prossegue, e o diálogo se desenvolve, não raro encerrando uma lição moral.</p>
<p>Não se caracterizando por uma forma específica, outros metros podem ser empregados na écloga.</p>
<p>Bernardim Ribeiro, por exemplo, emprega o <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-heptassilabo-caracteristicas-exemplos/">heptassílabo</a> em sua<em> Écloga de Jano e Franco</em>; Fernando Pessoa, através de seu heterônimo Alberto Caeiro, escreve éclogas em <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-livre-caracteristicas-exemplos/">verso livre</a> e que encerram não diálogos, mas monólogos do curioso pastor.</p>
<h2>Exemplo de écloga</h2>
<p>Abaixo daremos um exemplo de écloga de Cláudio Manuel da Costa, poeta que cultivou com muito brilho este tipo de poema.</p>
<p>A écloga abaixo é construída em <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-decassilabo-caracteristicas-exemplos/">decassílabos</a> e utiliza a estrutura que chamamos <a href="https://comofazerumpoema.com/terza-rima-caracteristicas-exemplos/"><em>terza rima</em></a>.</p>
<h3>Écloga V, de Cláudio Manuel da Costa</h3>
<blockquote><p><em>Frondoso e Alcino</em></p>
<p>Fron.</p>
<p>Em vão te estás cansando o dia inteiro,<br />
Alcino, em perguntar, que significa<br />
Este, que vês cortar, triste letreiro:</p>
<p>Ele não é debalde: aqui se explica<br />
Tudo, quanto há de grande, novo, e raro,<br />
Na pobre aldeia, e na cidade rica.</p>
<p>Nada pode escapar do golpe avaro&#8230;<br />
(Diz cifra breve): agora entende;<br />
Que deste dito o assunto eu não declaro.</p>
<p>Alc.</p>
<p>Se o meu juízo o caso compreende,<br />
Essa letra, que entalhas, e que admiro,<br />
Com a morte de Arúncio fala, ou prende.</p>
<p>Fron.</p>
<p>Ah! Que arrancas um mísero suspiro<br />
Do centro de minha alma; o nome amado<br />
Me faz deixar a vida, que respiro.</p>
<p>Alc.</p>
<p>Eu bem via, que estava o teu cuidado,<br />
Frondoso meu, lembrando a triste morte<br />
Desse caro pastor, tão estimado.</p>
<p>Fron.</p>
<p>E quando esperas tu, que o fatal corte,<br />
Que de mim separou tão doce amigo,<br />
Possa romper de amor o laço forte!</p>
<p>Primeiro se verá nascer o trigo<br />
No céu; dará primeiro a terra estrelas,<br />
Que tenha esta lembrança algum perigo.</p>
<p>Alc.</p>
<p>Triste, e funesto caso! As ninfas belas<br />
Do pátrio Ribeirão tanto choraram,<br />
Que inda alívio não há, nem gosto entre elas.</p>
<p>Os gados largos dias não pastaram;<br />
E mugindo à maneira de sentidos,<br />
A pele sobre os ossos encostaram.</p>
<p>Os mochos pelas faias estendidos<br />
Enchendo a terra, e céu de mil agouros,<br />
Espalharam tristíssimos grasnidos.</p>
<p>Os campos, que té ali se viam louros<br />
Com o matiz vistoso das searas,<br />
Perderam de repente seus tesouros.</p>
<p>Fron.</p>
<p>Esses sinais, Alcino, se reparas,<br />
Dizem cousa maior, que sentimentos<br />
Consagrados da morte sobre as aras.</p>
<p>Quando há mostras no céu, quando há portentos<br />
Na terra, algum segredo há, não sei onde,<br />
Que não é para humanos pensamentos.</p>
<p>Ao meu conhecimento não se esconde<br />
A grandeza do golpe: mas alcanço,<br />
Que a tanta perda a dor não corresponde.</p>
<p>De te buscar exemplos me não canso;<br />
Só te lembro porém, que o tronco duro<br />
Faz mais estrago que o arbusto manso.</p>
<p>Alc.</p>
<p>O que queres dizer, eu conjeturo:<br />
No vime, e no carvalho há igual ruína:<br />
Igual a consequência eu não seguro.</p>
<p>Aquele cai sem dano, este destina<br />
Fatal estrago a tudo, o que está posto<br />
Debaixo dele. É isto? Ora imagina.</p>
<p>Fron.</p>
<p>Jove aparte de nós tanto desgosto:<br />
Baste, para avivar nossa saudade,<br />
O ser cortado em flor aquele rosto.</p>
<p>Contente-se da morte a crueldade<br />
Em nos levar com passo tão ligeiro<br />
Uma tão bela, tão mimosa idade.</p>
<p>Roubou-nos um pastor, que era o primeiro<br />
Entre os nossos do monte; ele nos dava<br />
As justas leis no campo, e no terreiro.</p>
<p>Ele as dúvidas nossas concertava;<br />
E sendo maioral, por arte nova,<br />
Com respeito o agrado temperava.</p>
<p>De mil virtudes suas nos deu prova;<br />
Sempre a bem dirigindo os nossos passos.<br />
Oh quanto esta lembrança a dor renova!</p>
<p>Alc.</p>
<p>Ai! E com quanta mágoa nos teus braços<br />
Eu vi, Frondoso meu, que Arúncio esteve<br />
Desatando da vida os doces laços!</p>
<p>Fron.</p>
<p>Meu pensamento, Amigo, não se atreve<br />
A lembrar-se (ai de mim!) da mortal hora.<br />
Em que vi acabar vida tão breve.</p>
<p>Quem fora duro seixo, ou bronze fora,<br />
Para animar agora na lembrança<br />
Aquela imagem, com que esta alma chora!</p>
<p>Eu vi, Alcino, eu vi, que na mudança<br />
Que do caduco e eterno bem fazia,<br />
A alma tinha cheia de esperança.</p>
<p>Tudo, o que era mortal, aborrecia:<br />
A cópia dos seus gados, o cajado,<br />
(Bem que era de ouro fino) em nada havia.</p>
<p>Em vão o molestava o doce estado<br />
Da honra, e da grandeza: a Jove entregue<br />
O espírito seguia outro cuidado.</p>
<p>Mas ai, Alcino! A voz já não prossegue;<br />
Que tudo, o que a memória vem trazendo,<br />
Receio, Amigo, que a matar-me chegue.</p>
<p>Alc.</p>
<p>As ninfas do Mondego estou já vendo<br />
Descerem para nós com triste pranto.<br />
Ou eu me engano, ou elas vêm dizendo:</p>
<p>Se do lírio, da murta, e do amaranto<br />
Cercada deve ser a sepultura<br />
De Arúncio, a nós nos toca ofício tanto.</p>
<p>Nós o criamos, com feliz ternura,<br />
Dando-lhe o mel, e o leite: a nós nos toca<br />
Mandar o corpo belo à terra dura.</p>
<p>Fron.</p>
<p>De outro lado igualmente se provoca<br />
O Tejo (onde ele viu a luz primeira):<br />
E as ninfas do centro úmido convoca.</p>
<p>A mim só se me deve a glória inteira<br />
(Fala o soberbo Tejo) eu o demando:<br />
Minha há de ser esta honra derradeira.</p>
<p>Aqui lhe estou uma urna preparando,<br />
Coberta de um cipreste; onde a memória<br />
Seu nome viverá sempre guardando.</p>
<p>Por mais que voe a idade transitória,<br />
Nunca se há de apagar aquele afeto,<br />
Que de Arúncio consagro à triste história.</p>
<p>Durarás entre nós, Pastor discreto,<br />
Renovando a lembrança de Corino,<br />
Que da nossa saudade é inda objeto:</p>
<p>Ele te deu o ser; tu peregrino<br />
Retrato de seus dotes, consolavas<br />
Nosso desejo, tão constante, e fino.</p>
<p>Aquele caro irmão, que tanto amavas,<br />
Aônio, digo, aquele, a quem devias<br />
Toda a felicidade, que gozavas,</p>
<p>Hoje lamenta teus saudosos dias;<br />
Hoje chora comigo: eu lhe desejo<br />
Alívio a tão cansadas agonias.</p>
<p>Alc.</p>
<p>Oh! Contente-se embora o claro Tejo<br />
De haver ao mundo dado, quem lhe ganha<br />
Fama, e nome a seu reino assaz sobejo.</p>
<p>Contente-se o Mondego, que na estranha<br />
Ventura de educá-lo, deu ao mundo,<br />
Quem lhe soube adquirir glória tamanha.</p>
<p>O fado, que conhece inda o mais fundo,<br />
Quer, que guarde seu corpo a turva areia<br />
De outro rio, mais triste, e mais profundo.</p>
<p>Do rio, que seu curso não refreia<br />
Até chegar, onde entra a grande costa,<br />
Que banha do Brasil salgada veia.</p>
<p>Rio das Velhas se chama (se reposta<br />
Buscamos nos antigos, a pintura<br />
Das dórcades na história se vê posta).</p>
<p>Os primeiros, que entraram na espessura<br />
Dos ásperos sertões, dizem, que acharam<br />
Três bárbaras, já velhas, nesta altura.</p>
<p>Fron.</p>
<p>Das três Parcas melhor eles tomaram<br />
O nome desse rio; se é verdade,<br />
Que elas a vida humana governaram.</p>
<p>Triste sejas, ó rio: a divindade<br />
De Apolo, que em ti cria o amável ouro,<br />
Se aparte do teu seio em toda a idade.</p>
<p>Não sejas da ambição rico tesouro:<br />
Girar se vejam sobre as praias tuas<br />
Os brancos cisnes não, aves d&#8217;agouro.</p>
<p>Do inverno as enxurradas levem cruas<br />
As sementeiras, que teus campos criam:<br />
Deixem só sobre a terra as pedras nuas.</p>
<p>Os pobres navegantes, que se fiam<br />
Dessas funestas águas, desde agora<br />
Conheçam a traição, que não temiam.</p>
<p>Alc.</p>
<p>E contra quem, Frondoso, inda em tal hora<br />
Se armam as pragas tuas! Um delírio<br />
Só para extremo tal desculpa fora.</p>
<p>Se Jove é quem nos manda este martírio,<br />
Soframos o seu golpe: ao pastor belo<br />
Derramemos em cima o goivo, o lírio.</p>
<p>O nosso Ribeirão traz o modelo<br />
Do enterro, que dispõe: nós entretanto<br />
Demos a conhecer nosso desvelo.</p>
<p>Envolto o corpo em um cândido manto,<br />
Que distingue de Deus o brasão nobre,<br />
Aqui se oferece para o nosso pranto.</p>
<p>Enquanto pois o corpo a terra cobre,<br />
Seguindo o teu princípio deixa, Amigo,<br />
Que um voto lhe consagre um pastor pobre,<br />
Um voto, que se escreva em seu jazigo.</p></blockquote>
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