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	<title>citações e poemas &#8211; como fazer um poema</title>
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	<description>poesia brasileira e portuguesa</description>
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	<title>citações e poemas &#8211; como fazer um poema</title>
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	<item>
		<title>9 poemas de Ricardo Reis, o heterônimo neoclássico pessoano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Jun 2024 12:31:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poetas portugueses]]></category>
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					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas de Ricardo Reis, o heter&#244;nimo neocl&#225;ssico de Fernando Pessoa! Ricardo Reis est&#225; entre os heter&#244;nimos mais conhecidos de Fernando Pessoa, e possui um estilo todo particular. Assim diz Fernando Pessoa sobre sua primeira apari&#231;&#227;o: O Dr. Ricardo Reis nasceu dentro da minha alma no dia 29 de Janeiro de&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-ricardo-reis-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">9 poemas de Ricardo Reis, o heterônimo neoclássico pessoano</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas de Ricardo Reis, o heterônimo neoclássico de Fernando Pessoa!</em></span></p>
<p>Ricardo Reis está entre os heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa, e possui um estilo todo particular.</p>
<p>Assim diz Fernando Pessoa sobre sua primeira aparição:</p>
<blockquote><p>O Dr. Ricardo Reis nasceu dentro da minha alma no dia 29 de Janeiro de 1914, pelas 11 horas da noite. Eu estivera ouvindo no dia anterior uma discussão extensa sobre os excessos, especialmente de realização, da arte moderna. Segundo o meu processo de sentir as coisas sem as sentir, fui-me deixando ir na onda dessa reacção momentânea. Quando reparei em que estava pensando, vi que tinha erguido uma teoria neoclássica, e que a ia desenvolvendo. Achei-a bela e calculei interessante se a desenvolvesse segundo princípios que não adopto nem aceito. Ocorreu-me a ideia de a tornar um neoclassicismo «científico» [&#8230;] reagir contra duas correntes — tanto contra o romantismo moderno, como contra o neoclassicismo à Maurras. [&#8230;]</p></blockquote>
<p>Ricardo Reis, conta-nos também Pessoa, era médico, e &#8220;estava frequentemente no Brasil&#8221;.</p>
<p>Quanto à sua poesia, o que a distingue é o já anunciado &#8220;neoclassicismo&#8221;, inspirado especialmente em Horácio, cujas odes eram características por celebrar o <em>carpe diem</em> e a <em>aurea mediocritas</em>.</p>
<p>Além de uma filosofia que assimila epicurismo e estoicismo, o amor é também tema presente nos poemas de Ricardo Reis, o que destaca ainda mais a influência horaciana, para quem o amor surgia atrelado à necessidade de desfrutá-lo judiciosamente.</p>
<p>Dito isso, preparamos uma seleção com 9 poemas de Ricardo Reis para que você possa apreciar o estilo deste heterônimo.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Ricardo Reis</h2>
<h3>Uma após uma as ondas apressadas</h3>
<blockquote><p>Uma após uma as ondas apressadas<br />
Enrolam o seu verde movimento<br />
E chiam a alva espuma<br />
No moreno das praias.</p>
<p>Uma após uma as nuvens vagarosas<br />
Rasgam o seu redondo movimento<br />
E o sol aquece o espaço<br />
Do ar entre as nuvens escassas.</p>
<p>Indiferente a mim e eu a ela,<br />
A natureza deste dia calmo<br />
Furta pouco ao meu senso<br />
De se esvair o tempo.</p>
<p>Só uma vaga pena inconsequente<br />
Para um momento à porta da minha alma<br />
E após fitar-me um pouco<br />
Passa, a sorrir de nada.</p></blockquote>
<h3>Podemos crer-nos livres</h3>
<blockquote><p>Aqui, Neera, longe<br />
De homens e de cidades,<br />
Por ninguém nos tolher<br />
O passo, nem vedarem<br />
A nossa vista as casas,<br />
Podemos crer-nos livres.</p>
<p>Bem sei, é flava, que inda<br />
Nos tolhe a vida o corpo,<br />
E não temos a mão<br />
Onde temos a alma;<br />
Bem sei que mesmo aqui<br />
Se nos gasta esta carne<br />
Que os deuses concederam<br />
Ao estado antes de Averno.</p>
<p>Mas aqui não nos prendem<br />
Mais coisas do que a vida,<br />
Mãos alheias não tomam<br />
Do nosso braço, ou passos<br />
Humanos se atravessam<br />
Pelo nosso caminho.</p>
<p>Não nos sentimos presos<br />
Senão com pensarmos nisso,<br />
Por isso não pensemos<br />
E deixemo-nos crer<br />
Na inteira liberdade<br />
Que é a ilusão que agora<br />
Nos torna iguais dos deuses.</p></blockquote>
<h3>Mestre, são plácidas</h3>
<blockquote><p>Mestre, são plácidas<br />
Todas as horas<br />
Que nós perdemos.<br />
Se no perdê-las,<br />
Qual numa jarra,<br />
Nós pomos flores.</p>
<p>Não há tristezas<br />
Nem alegrias<br />
Na nossa vida.<br />
Assim saibamos,<br />
Sábios incautos,<br />
Não a viver,</p>
<p>Mas decorrê-la,<br />
Tranquilos, plácidos,<br />
Tendo as crianças<br />
Por nossas mestras,<br />
E os olhos cheios<br />
De Natureza…</p>
<p>A beira-rio,<br />
A beira-estrada,<br />
Conforme calha,<br />
Sempre no mesmo<br />
Leve descanso<br />
De estar vivendo.</p>
<p>O tempo passa,<br />
Não nos diz nada.<br />
Envelhecemos.<br />
Saibamos, quase<br />
Maliciosos,<br />
Sentir-nos ir.</p>
<p>Não vale a pena<br />
Fazer um gesto.<br />
Não se resiste<br />
Ao deus atroz<br />
Que os próprios filhos<br />
Devora sempre.</p>
<p>Colhamos flores.<br />
Molhemos leves<br />
As nossas mãos<br />
Nos rios calmos,<br />
Para aprendermos<br />
Calma também.</p>
<p>Girassóis sempre<br />
Fitando o Sol,<br />
Da vida iremos<br />
Tranquilos, tendo<br />
Nem o remorso<br />
De ter vivido.</p></blockquote>
<h3>Severo narro. Quanto sinto, penso</h3>
<blockquote><p>Severo narro. Quanto sinto, penso.<br />
Palavras são ideias.<br />
Múrmuro, o rio passa, e o que não passa,<br />
Que é nosso, não do rio.<br />
Assim quisesse o verso: meu e alheio<br />
E por mim mesmo lido.</p></blockquote>
<h3>Vive sem horas. Quanto mede pesa</h3>
<blockquote><p>Vive sem horas. Quanto mede pesa,<br />
E quanto pensas mede.<br />
Num fluido incerto nexo, como o rio<br />
Cujas ondas são ele,<br />
Assim teus dias vê, e se te vires<br />
Passar, como a outrem, cala.</p></blockquote>
<h3>Quero ignorado, e calmo</h3>
<blockquote><p>Quero ignorado, e calmo<br />
Por ignorado, e próprio<br />
Por calmo, encher meus dias<br />
De não querer mais deles.</p>
<p>Aos que a riqueza toca<br />
O ouro irrita a pele.<br />
Aos que a fama bafeja<br />
Embacia-se a vida.</p>
<p>Aos que a felicidade<br />
É sol, virá a noite.<br />
Mas ao que nada espera<br />
Tudo que vem é grato.</p></blockquote>
<h3>Não tenhas nada nas mãos</h3>
<blockquote><p>Não tenhas nada nas mãos<br />
Nem uma memória na alma,</p>
<p>Que quando te puserem<br />
Nas mãos o óbolo último,</p>
<p>Ao abrirem-te as mãos<br />
Nada te cairá.</p>
<p>Que trono te querem dar<br />
Que Átropos to não tire?</p>
<p>Que louros que não fanem<br />
Nos arbítrios de Minos?</p>
<p>Que horas que te não tornem<br />
Da estatura da sombra</p>
<p>Que serás quando fores<br />
Na noite e ao fim da estrada.</p>
<p>Colhe as flores mas larga-as,<br />
Das mãos mal as olhaste.</p>
<p>Senta-te ao sol. Abdica<br />
E sê rei de ti próprio.</p></blockquote>
<h3>Meu gesto que destrói</h3>
<blockquote><p>Meu gesto que destrói<br />
A mole das formigas,<br />
Tomá-lo-ão elas por de um ser divino;<br />
Mas eu não sou divino para mim.</p>
<p>Assim talvez os deuses<br />
Para si o não sejam,<br />
E só de serem do que nós maiores<br />
Tirem o serem deuses para nós.</p>
<p>Seja qual for o certo,<br />
Mesmo para com esses<br />
Que cremos serem deuses, não sejamos<br />
Inteiros numa fé talvez sem causa.</p></blockquote>
<h3>Uns, com os olhos postos no passado</h3>
<blockquote><p>Uns, com os olhos postos no passado,<br />
Veem o que não veem; outros, fitos<br />
Os mesmos olhos no futuro, veem<br />
O que não pode ver-se.</p>
<p>Porque tão longe ir pôr o que está perto —<br />
A segurança nossa? Este é o dia,<br />
Esta é a hora, este o momento, isto<br />
É quem somos, e é tudo.</p>
<p>Perene flui a interminável hora<br />
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto<br />
Em que vivemos, morreremos. Colhe<br />
O dia, porque és ele.</p></blockquote>
<h4>Sobre Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa foi um poeta e escritor português que nasceu em Lisboa, em 13 de junho de 1888.</p>
<p>Sua vasta obra contempla poemas, escritos filosóficos, sociológicos, astrológicos, ensaios de crítica literária, entre outros.</p>
<p>Em vida, Fernando Pessoa trabalhou como tradutor, correspondente estrangeiro, crítico literário e colaborador em revistas literárias, recusando alguns empregos para que pudesse se dedicar à literatura.</p>
<p>O poeta chegou a matricular-se na Faculdade de Letras de Lisboa, abandonando-a sem concluir o curso.</p>
<p>Sem dúvida, a grande excentricidade de Fernando Pessoa está em seus conhecidos heterônimos, que não são senão variações de sua própria personalidade, mas construídos com engenho incrível.</p>
<p>O poeta não se limitou a criar personalidades para seus heterônimos, e deu luz a uma história de vida completa para cada um deles, com data de nascimento adequando-se aos respectivos horóscopos, temperamento, estilo de vida, estilo literário e até data de óbito.</p>
<p>Fernando Pessoa faleceu em 30 de novembro de 1935, deixando em seu espólio cerca de 25 mil páginas de textos, que vêm sendo publicados lentamente desde então.</p>
<h4>Os heterônimos de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa ficou famoso por escrever sob o nome de <a href="https://dicionario.priberam.org/heter%C3%B3nimo" target="_blank" rel="noopener">heterônimos</a>.</p>
<p>Foram muitas e muitas personalidades criadas por ele, e abaixo fazemos um resumo biográfico das quatro mais famosas:</p>
<ul>
<li>Álvaro de Campos: nascido em Tavira, em 1890. Possuía temperamento emotivo e, por isso mesmo, é às vezes eufórico e exaltado. Viajou para a Escócia e para o Oriente, educou-se na Inglaterra e formou-se engenheiro.</li>
<li>Alberto Caeiro: nascido em Lisboa, em 1889, e falecido de tuberculose. Escrevia poemas, mas não possuía educação formal. Era denominado mestre por Álvaro de Campos, que o colocava como precursor e ícone do movimento literário que ficou conhecido em Portugal como Sensacionismo. Distinguia-se pela racionalidade e objetividade, e tinha uma vida ligada ao campo e aos rebanhos.</li>
<li>Ricardo Reis: nascido no Porto, em 1887. Era médico e, segundo nos conta Pessoa, &#8220;está frequentemente no Brasil&#8221;.</li>
<li>Bernardo Soares: era um &#8220;ajudante de guarda-livros&#8221; lisboeta, autor do famosíssimo <em>Livro do desassossego</em>. Era considerado um &#8220;semi-heterônimo&#8221; por Fernando Pessoa, porque, nas palavras do poeta, &#8220;não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e afectividade&#8221;.</li>
</ul>
<h4>Obras de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa publicou poucas obras em vida e, até hoje, possui parte de seus manuscritos inéditos.</p>
<p>Seus textos em poesia e prosa já foram editados sob muitos títulos, e abaixo destacamos algumas de suas obras mais conhecidas:</p>
<ul>
<li><em>35 sonnets (1918)</em></li>
<li><em>Antinous (1918)</em></li>
<li><em>English poems (1921) — em três volumes</em></li>
<li><em>Mensagem (1934)</em></li>
<li><em>A Nova Poesia Portuguesa (1944)</em></li>
<li><em>Poemas Dramáticos (1952)</em></li>
<li><em>Cartas de Amor de Fernando Pessoa (1978)</em></li>
<li><em>Sobre Portugal (1979)</em></li>
<li><em>Textos de Crítica e de Intervenção (1980)</em></li>
<li><em>Livro do desassossego (1982)</em></li>
<li><em>Obra Poética de Fernando Pessoa (1986)</em></li>
<li><em>Primeiro Fausto (1986)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas de Ricardo Reis</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-alvaro-de-campos-poesia/">poemas de Álvaro de Campos</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>4 poemas de Álvaro de Campos, o mais emotivo dentre os heterônimos pessoanos</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-de-alvaro-de-campos-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-de-alvaro-de-campos-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Jun 2024 15:28:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poetas portugueses]]></category>
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					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas de &#193;lvaro de Campos, o mais emotivo dentre os heter&#244;nimos pessoanos! &#193;lvaro de Campos &#233; o mais emotivo entre os heter&#244;nimos de Fernando Pessoa e, em raz&#227;o desta suscetibilidade, &#233; tamb&#233;m o que se expressa com maior emo&#231;&#227;o. &#201; deste heter&#244;nimo que sa&#237;ram algumas das composi&#231;&#245;es mais famosas de&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-alvaro-de-campos-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">4 poemas de Álvaro de Campos, o mais emotivo dentre os heterônimos pessoanos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas de Álvaro de Campos, o mais emotivo dentre os heterônimos pessoanos!</em></span></p>
<p>Álvaro de Campos é o mais emotivo entre os heterônimos de Fernando Pessoa e, em razão desta suscetibilidade, é também o que se expressa com maior emoção.</p>
<p>É deste heterônimo que saíram algumas das composições mais famosas de Pessoa, como o poema<em> <a href="https://comofazerumpoema.com/tabacaria-fernando-pessoa-todos-sonhos-mundo/">Tabacaria</a></em> e as célebres <em>Ode marítima</em> e <em>Ode triunfal</em>.</p>
<p>Nos poemas de Álvaro de Campos destaca-se uma força expressiva e uma energia incomuns, que por vezes pode soar até exagerada; mas é característico deste heterônimo o deixar-se levar pelo sentimento e expressá-lo com força máxima, ainda que soe eufórico ou exaltado.</p>
<p>Dito isso, preparamos uma seleção com 4 poemas de Álvaro de Campos para que você possa apreciar o estilo deste heterônimo.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Álvaro de Campos</h2>
<h3>Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo</h3>
<blockquote><p>Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo.<br />
São — tictac visível — quatro horas de tardar o dia.<br />
Abro a janela diretamente, no desespero da insônia.<br />
E, de repente, humano,<br />
O quadrado com cruz de uma janela iluminada!</p>
<p>Fraternidade na noite!<br />
Fraternidade involuntária, incógnita, na noite!<br />
Estamos ambos despertos e a humanidade é alheia.<br />
Dorme. Nós temos luz.</p>
<p>Quem serás? Doente, moedeiro falso, insone simples como eu?<br />
Não importa. A noite eterna, informe, infinita,<br />
Só tem, neste lugar, a humanidade das nossas duas janelas,<br />
O coração latente das nossas duas luzes,<br />
Neste momento e lugar, ignorando-nos, somos toda a vida.<br />
Sobre o parapeito da janela da traseira da casa,<br />
Sentindo úmida da noite a madeira onde agarro,<br />
Debruço-me para o infinito e, um pouco, para mim.</p>
<p>Nem galos gritando ainda no silêncio definitivo!<br />
Que fazes, camarada, da janela com luz?<br />
Sonho, falta de sono, vida?<br />
Tom amarelo cheio da tua janela incógnita…<br />
Tem graça: não tens luz elétrica.<br />
Ó candeeiros de petróleo da minha infância perdida!</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira a nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/acordo-de-noite-muito-noite-fernando-pessoa/">Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo, de Álvaro de Campos</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Quando olho para mim não me percebo</h3>
<blockquote><p>Quando olho para mim não me percebo.<br />
Tenho tanto a mania de sentir<br />
Que me extravio às vezes ao sair<br />
Das próprias sensações que eu recebo.</p>
<p>O ar que respiro, este licor que bebo<br />
Pertencem ao meu modo de existir,<br />
E eu nunca sei como hei-de concluir<br />
As sensações que a meu pesar concebo.</p>
<p>Nem nunca, propriamente, reparei<br />
Se na verdade sinto o que sinto. Eu<br />
Serei tal qual pareço em mim? serei</p>
<p>Tal qual me julgo verdadeiramente?<br />
Mesmo ante às sensações sou um pouco ateu,<br />
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira a nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/quando-olho-para-mim-nao-me-percebo-pessoa/">Quando olho para mim não me percebo, de Álvaro de Campos</a>.</em></li>
</ul>
<h3>O que há em mim é sobretudo cansaço</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe title="Poema O que há em mim é sobretudo cansaço, de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/zRuICj_eSDw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>O que há em mim é sobretudo cansaço —<br />
Não disto nem daquilo,<br />
Nem sequer de tudo ou de nada:<br />
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,<br />
Cansaço.</p>
<p>A sutileza das sensações inúteis,<br />
As paixões violentas por coisa nenhuma,<br />
Os amores intensos por o suposto em alguém,<br />
Essas coisas todas —<br />
Essas e o que falta nelas eternamente —;<br />
Tudo isso faz um cansaço,<br />
Este cansaço,<br />
Cansaço.</p>
<p>Há sem dúvida quem ame o infinito,<br />
Há sem dúvida quem deseje o impossível,<br />
Há sem dúvida quem não queira nada —<br />
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:<br />
Porque eu amo infinitamente o finito,<br />
Porque eu desejo impossivelmente o possível,<br />
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,<br />
Ou até se não puder ser…</p>
<p>E o resultado?<br />
Para eles a vida vivida ou sonhada,<br />
Para eles o sonho sonhado ou vivido,<br />
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, a vida…<br />
Para mim só um grande, um profundo,<br />
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,<br />
Um supremíssimo cansaço,<br />
Íssimo, íssimo, íssimo,<br />
Cansaço…</p></blockquote>
<ul>
<li>Confira a nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-ha-em-mim-e-sobretudo-cansaco-pessoa/">O que há em mim é sobretudo cansaço, de Álvaro de Campos</a>.</li>
</ul>
<h3>Poema em linha reta</h3>
<blockquote><p>Nunca conheci quem tivesse levado porrada.<br />
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.</p>
<p>E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,<br />
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,<br />
Indesculpavelmente sujo,<br />
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,<br />
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,<br />
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das<br />
etiquetas,<br />
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,<br />
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,<br />
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;<br />
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,<br />
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,<br />
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,<br />
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado<br />
Para fora da possibilidade do soco;<br />
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,<br />
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.</p>
<p>Toda a gente que eu conheço e que fala comigo<br />
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,<br />
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…</p>
<p>Quem me dera ouvir de alguém a voz humana<br />
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;<br />
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!<br />
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.<br />
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?<br />
Ó príncipes, meus irmãos,</p>
<p>Arre, estou farto de semideuses!<br />
Onde é que há gente no mundo?</p>
<p>Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?</p>
<p>Poderão as mulheres não os terem amado,<br />
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!<br />
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,<br />
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?<br />
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,<br />
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira a nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-em-linha-reta-fernando-pessoa-poesia/">Poema em linha reta, de Álvaro de Campos</a>.</em></li>
</ul>
<h4>Sobre Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa foi um poeta e escritor português que nasceu em Lisboa, em 13 de junho de 1888.</p>
<p>Sua vasta obra contempla poemas, escritos filosóficos, sociológicos, astrológicos, ensaios de crítica literária, entre outros.</p>
<p>Em vida, Fernando Pessoa trabalhou como tradutor, correspondente estrangeiro, crítico literário e colaborador em revistas literárias, recusando alguns empregos para que pudesse se dedicar à literatura.</p>
<p>O poeta chegou a matricular-se na Faculdade de Letras de Lisboa, abandonando-a sem concluir o curso.</p>
<p>Sem dúvida, a grande excentricidade de Fernando Pessoa está em seus conhecidos heterônimos, que não são senão variações de sua própria personalidade, mas construídos com engenho incrível.</p>
<p>O poeta não se limitou a criar personalidades para seus heterônimos, e deu luz a uma história de vida completa para cada um deles, com data de nascimento adequando-se aos respectivos horóscopos, temperamento, estilo de vida, estilo literário e até data de óbito.</p>
<p>Fernando Pessoa faleceu em 30 de novembro de 1935, deixando em seu espólio cerca de 25 mil páginas de textos, que vêm sendo publicados lentamente desde então.</p>
<h4>Os heterônimos de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa ficou famoso por escrever sob o nome de <a href="https://dicionario.priberam.org/heter%C3%B3nimo" target="_blank" rel="noopener">heterônimos</a>.</p>
<p>Foram muitas e muitas personalidades criadas por ele, e abaixo fazemos um resumo biográfico das quatro mais famosas:</p>
<ul>
<li>Álvaro de Campos: nascido em Tavira, em 1890. Possuía temperamento emotivo e, por isso mesmo, é às vezes eufórico e exaltado. Viajou para a Escócia e para o Oriente, educou-se na Inglaterra e formou-se engenheiro.</li>
<li>Alberto Caeiro: nascido em Lisboa, em 1889, e falecido de tuberculose. Escrevia poemas, mas não possuía educação formal. Era denominado mestre por Álvaro de Campos, que o colocava como precursor e ícone do movimento literário que ficou conhecido em Portugal como Sensacionismo. Distinguia-se pela racionalidade e objetividade, e tinha uma vida ligada ao campo e aos rebanhos.</li>
<li>Ricardo Reis: nascido no Porto, em 1887. Era médico e, segundo nos conta Pessoa, &#8220;está frequentemente no Brasil&#8221;.</li>
<li>Bernardo Soares: era um &#8220;ajudante de guarda-livros&#8221; lisboeta, autor do famosíssimo <em>Livro do desassossego</em>. Era considerado um &#8220;semi-heterônimo&#8221; por Fernando Pessoa, porque, nas palavras do poeta, &#8220;não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e afectividade&#8221;.</li>
</ul>
<h4>Obras de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa publicou poucas obras em vida e, até hoje, possui parte de seus manuscritos inéditos.</p>
<p>Seus textos em poesia e prosa já foram editados sob muitos títulos, e abaixo destacamos algumas de suas obras mais conhecidas:</p>
<ul>
<li><em>35 sonnets (1918)</em></li>
<li><em>Antinous (1918)</em></li>
<li><em>English poems (1921) — em três volumes</em></li>
<li><em>Mensagem (1934)</em></li>
<li><em>A Nova Poesia Portuguesa (1944)</em></li>
<li><em>Poemas Dramáticos (1952)</em></li>
<li><em>Cartas de Amor de Fernando Pessoa (1978)</em></li>
<li><em>Sobre Portugal (1979)</em></li>
<li><em>Textos de Crítica e de Intervenção (1980)</em></li>
<li><em>Livro do desassossego (1982)</em></li>
<li><em>Obra Poética de Fernando Pessoa (1986)</em></li>
<li><em>Primeiro Fausto (1986)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas de Álvaro de Campos.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-alberto-caeiro-poesia/">poemas de Alberto Caeiro</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>7 poemas de Alberto Caeiro para conhecer este heterônimo pessoano</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-de-alberto-caeiro-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-de-alberto-caeiro-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 May 2024 15:35:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poetas portugueses]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=3432</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas de Alberto Caeiro para conhecer este heter&#244;nimo pessoano! Em muitos sentidos, &#233; Alberto Caeiro o heter&#244;nimo mais importante de Fernando Pessoa. Denominado &#8220;mestre&#8221; por outros heter&#244;nimos, assim o pr&#243;prio Fernando Pessoa descreve, em carta, a sua primeira apari&#231;&#227;o: (&#8230;) acerquei-me de uma c&#244;moda alta, e, tomando um papel, comecei&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-alberto-caeiro-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">7 poemas de Alberto Caeiro para conhecer este heterônimo pessoano</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas de Alberto Caeiro para conhecer este heterônimo pessoano!</em></span></p>
<p>Em muitos sentidos, é Alberto Caeiro o heterônimo mais importante de Fernando Pessoa.</p>
<p>Denominado &#8220;mestre&#8221; por outros heterônimos, assim o próprio Fernando Pessoa descreve, em <a href="http://arquivopessoa.net/textos/3007" target="_blank" rel="noopener">carta</a>, a sua primeira aparição:</p>
<blockquote><p>(&#8230;) acerquei-me de uma cômoda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com um título, <em>O Guardador de Rebanhos</em>. E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre. Foi essa a sensação imediata que tive.</p></blockquote>
<p>Caeiro é um poeta distinto pela racionalidade e objetividade, e por levar uma vida ligada ao campo e aos rebanhos.</p>
<p>A maioria de seus poemas são <a href="https://comofazerumpoema.com/ecloga-egloga-caracteristicas-exemplos-poesia/">éclogas</a> em <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-livre-caracteristicas-exemplos/">verso livre</a>, portanto, são poemas que se passam num cenário campestre, manso e agradável, nos quais o poeta reflete sobre a natureza e expõe sua filosofia de vida.</p>
<p>Dito isso, preparamos uma seleção com 7 poemas de Alberto Caeiro para que você possa apreciar o estilo deste célebre heterônimo.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Alberto Caeiro</h2>
<h3>Se, depois de eu morrer</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe title="Poema Se, depois de eu morrer, de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/20yyx3BqMcE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,<br />
Não há nada mais simples.<br />
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.<br />
Entre uma e outra coisa todos os dias são meus.</p>
<p>Sou fácil de definir.<br />
Vi como um danado.<br />
Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.<br />
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.<br />
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.<br />
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;<br />
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.<br />
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.</p>
<p>Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.<br />
Fechei os olhos e dormi.<br />
Além disso, fui o único poeta da Natureza.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-se-depois-de-eu-morrer-faernando-pessoa/">Se, depois de eu morrer, de Alberto Caeiro</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Não tenho pressa. Pressa de quê?</h3>
<blockquote><p>Não tenho pressa. Pressa de quê?<br />
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.<br />
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,<br />
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.<br />
Não; não sei ter pressa.<br />
Se estendo o braço, chego exatamente aonde o meu braço chega —<br />
Nem um centímetro mais longe.<br />
Toco só onde toco, não aonde penso.<br />
Só me posso sentar aonde estou.<br />
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,<br />
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,<br />
E vivemos vadios da nossa realidade.<br />
E estamos sempre fora dela porque estamos aqui.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-nao-tenho-pressa-pressa-fernando-pessoa/">Não tenho pressa. Pressa de quê?, de Alberto Caeiro</a>.</em></li>
</ul>
<h3>O meu olhar é nítido como um girassol</h3>
<blockquote><p>O meu olhar é nítido como um girassol.<br />
Tenho o costume de andar pelas estradas<br />
Olhando para a direita e para a esquerda,<br />
E de vez em quando olhando para trás…<br />
E o que vejo a cada momento<br />
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,<br />
E eu sei dar por isso muito bem…<br />
Sei ter o pasmo essencial<br />
Que tem uma criança se, ao nascer,<br />
Reparasse que nascera deveras…<br />
Sinto-me nascido a cada momento<br />
Para a eterna novidade do mundo…</p>
<p>Creio no mundo como num malmequer,<br />
Porque o vejo. Mas não penso nele<br />
Porque pensar é não compreender…<br />
O Mundo não se fez para pensarmos nele<br />
(Pensar é estar doente dos olhos)<br />
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…</p>
<p>Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…<br />
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.<br />
Mas porque a amo, e amo-a por isso,<br />
Porque quem ama nunca sabe o que ama<br />
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…</p>
<p>Amar é a eterna inocência,<br />
E a única inocência não pensar…</p></blockquote>
<h3>Se eu pudesse</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe title="Poema Se eu pudesse, de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/ZdFZtkEtDdY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>XXI</p>
<p>Se eu pudesse trincar a terra toda<br />
E sentir-lhe um paladar,<br />
E se a terra fosse uma coisa para trincar<br />
Seria mais feliz um momento…<br />
Mas eu nem sempre quero ser feliz.<br />
É preciso ser de vez em quando infeliz<br />
Para se poder ser natural…</p>
<p>Nem tudo é dias de sol,<br />
E a chuva, quando falta muito, pede-se.<br />
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade<br />
Naturalmente, como quem não estranha<br />
Que haja montanhas e planícies<br />
E que haja rochedos e erva…</p>
<p>O que é preciso é ser-se natural e calmo<br />
Na felicidade ou na infelicidade,<br />
Sentir como quem olha,<br />
Pensar como quem anda,<br />
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,<br />
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…<br />
Assim é e assim seja…</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-se-eu-pudesse-fernando-pessoa-caeiro/">Se eu pudesse, de Alberto Caeiro</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Nunca busquei viver a minha vida</h3>
<blockquote><p>Nunca busquei viver a minha vida<br />
A minha vida viveu-se sem que eu quisesse ou não quisesse.<br />
Só quis ver como se não tivesse alma<br />
Só quis ver como se fosse eterno.</p></blockquote>
<h3>Dizes-me: tu és mais alguma coisa</h3>
<blockquote><p>Dizes-me: tu és mais alguma coisa<br />
Que uma pedra ou uma planta.<br />
Dizes-me: sentes, pensas e sabes<br />
Que pensas e sentes.<br />
Então as pedras escrevem versos?<br />
Então as plantas têm ideias sobre o mundo?</p>
<p>Sim: há diferença.<br />
Mas não é a diferença que encontras;<br />
Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as coisas:<br />
Só me obriga a ser consciente.</p>
<p>Se sou mais que uma pedra ou uma planta? Não sei.<br />
Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos.</p>
<p>Ter consciência é mais que ter cor?<br />
Pode ser e pode não ser.<br />
Sei que é diferente apenas.<br />
Ninguém pode provar que é mais que só diferente.</p>
<p>Sei que a pedra é a real, e que a planta existe.<br />
Sei isto porque elas existem.</p>
<p>Sei isto porque os meus sentidos mo mostram.<br />
Sei que sou real também.<br />
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram,<br />
Embora com menos clareza que me mostram a pedra e a planta.<br />
Não sei mais nada.</p>
<p>Sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos.<br />
Sim, faço ideias sobre o mundo, e a planta nenhumas.<br />
Mas é que as pedras não são poetas, são pedras;<br />
E as plantas são plantas só, e não pensadores.<br />
Tanto posso dizer que sou superior a elas por isto,<br />
Como que sou inferior.<br />
Mas não digo isso: digo da pedra, “é uma pedra”,<br />
Digo da planta, “é uma planta”,<br />
Digo de mim, “sou eu”.<br />
E não digo mais nada. Que mais há a dizer?</p></blockquote>
<h3>Quem me dera eu fosse o pó da estrada</h3>
<blockquote><p>Quem me dera eu fosse o pó da estrada<br />
E que os pés dos pobres me estivessem pisando…</p>
<p>Quem me dera eu fosse os rios que correm<br />
E que as lavadeiras estivessem à minha beira…</p>
<p>Quem me dera eu fosse os choupos à margem do rio<br />
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo…</p>
<p>Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro<br />
E que ele me batesse e me estimasse…</p>
<p>Antes isso que ser o que atravessa a vida<br />
Olhando para trás de si e tendo pena…</p></blockquote>
<h4>Sobre Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa foi um poeta e escritor português que nasceu em Lisboa, em 13 de junho de 1888.</p>
<p>Sua vasta obra contempla poemas, escritos filosóficos, sociológicos, astrológicos, ensaios de crítica literária, entre outros.</p>
<p>Em vida, Fernando Pessoa trabalhou como tradutor, correspondente estrangeiro, crítico literário e colaborador em revistas literárias, recusando alguns empregos para que pudesse se dedicar à literatura.</p>
<p>O poeta chegou a matricular-se na Faculdade de Letras de Lisboa, abandonando-a sem concluir o curso.</p>
<p>Sem dúvida, a grande excentricidade de Fernando Pessoa está em seus conhecidos heterônimos, que não são senão variações de sua própria personalidade, mas construídos com engenho incrível.</p>
<p>O poeta não se limitou a criar personalidades para seus heterônimos, e deu luz a uma história de vida completa para cada um deles, com data de nascimento adequando-se aos respectivos horóscopos, temperamento, estilo de vida, estilo literário e até data de óbito.</p>
<p>Fernando Pessoa faleceu em 30 de novembro de 1935, deixando em seu espólio cerca de 25 mil páginas de textos, que vêm sendo publicados lentamente desde então.</p>
<h4>Os heterônimos de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa ficou famoso por escrever sob o nome de <a href="https://dicionario.priberam.org/heter%C3%B3nimo" target="_blank" rel="noopener">heterônimos</a>.</p>
<p>Foram muitas e muitas personalidades criadas por ele, e abaixo fazemos um resumo biográfico das quatro mais famosas:</p>
<ul>
<li>Álvaro de Campos: nascido em Tavira, em 1890. Possuía temperamento emotivo e, por isso mesmo, é às vezes eufórico e exaltado. Viajou para a Escócia e para o Oriente, educou-se na Inglaterra e formou-se engenheiro.</li>
<li>Alberto Caeiro: nascido em Lisboa, em 1889, e falecido de tuberculose. Escrevia poemas, mas não possuía educação formal. Era denominado mestre por Álvaro de Campos, que o colocava como precursor e ícone do movimento literário que ficou conhecido em Portugal como Sensacionismo. Distinguia-se pela racionalidade e objetividade, e tinha uma vida ligada ao campo e aos rebanhos.</li>
<li>Ricardo Reis: nascido no Porto, em 1887. Era médico e, segundo nos conta Pessoa, &#8220;está frequentemente no Brasil&#8221;.</li>
<li>Bernardo Soares: era um &#8220;ajudante de guarda-livros&#8221; lisboeta, autor do famosíssimo <em>Livro do desassossego</em>. Era considerado um &#8220;semi-heterônimo&#8221; por Fernando Pessoa, porque, nas palavras do poeta, &#8220;não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e afectividade&#8221;.</li>
</ul>
<h4>Obras de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa publicou poucas obras em vida e, até hoje, possui parte de seus manuscritos inéditos.</p>
<p>Seus textos em poesia e prosa já foram editados sob muitos títulos, e abaixo destacamos algumas de suas obras mais conhecidas:</p>
<ul>
<li><em>35 sonnets (1918)</em></li>
<li><em>Antinous (1918)</em></li>
<li><em>English poems (1921) — em três volumes</em></li>
<li><em>Mensagem (1934)</em></li>
<li><em>A Nova Poesia Portuguesa (1944)</em></li>
<li><em>Poemas Dramáticos (1952)</em></li>
<li><em>Cartas de Amor de Fernando Pessoa (1978)</em></li>
<li><em>Sobre Portugal (1979)</em></li>
<li><em>Textos de Crítica e de Intervenção (1980)</em></li>
<li><em>Livro do desassossego (1982)</em></li>
<li><em>Obra Poética de Fernando Pessoa (1986)</em></li>
<li><em>Primeiro Fausto (1986)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas de Alberto Caeiro.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-o-que-me-doi-nao-e-fernando-pessoa/">O que me dói não é, de Fernando Pessoa</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>10 poemas curtos de Fernando Pessoa para ler e se impressionar!</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-curtos-de-fernando-pessoa-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-curtos-de-fernando-pessoa-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Feb 2024 14:58:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[poetas portugueses]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2856</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas curtos de Fernando Pessoa e se deixe impressionar! Fernando Pessoa &#233; um destes raros poetas que, com poucas palavras, tem a capacidade de comover. Isso decorre de sua percep&#231;&#227;o acut&#237;ssima da realidade humana, que se alia &#224; sua rara capacidade de express&#227;o. Assim que, &#224;s vezes numa &#250;nica estrofe,&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-curtos-de-fernando-pessoa-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">10 poemas curtos de Fernando Pessoa para ler e se impressionar!</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas curtos de Fernando Pessoa e se deixe impressionar!</em></span></p>
<p>Fernando Pessoa é um destes raros poetas que, com poucas palavras, tem a capacidade de comover.</p>
<p>Isso decorre de sua percepção acutíssima da realidade humana, que se alia à sua rara capacidade de expressão.</p>
<p>Assim que, às vezes numa única estrofe, o grande português consegue impactar-nos e transmitir uma mensagem potente.</p>
<p>Para comprová-lo, preparamos uma seleção com 10 poemas curtos de Fernando Pessoa, para que você possa ler e se impressionar com o estro deste gigante.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas curtos de Fernando Pessoa</h2>
<h3>Dorme, que a vida é nada!</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Dorme, que a vida é nada!, de Fernando Pessoa | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/a1DbY04pNC0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Dorme, que a vida é nada!<br />
Dorme, que tudo é vão!<br />
Se alguém achou a estrada,<br />
Achou-a em confusão,<br />
Com a alma enganada.</p>
<p>Não há lugar nem dia<br />
Para quem quer achar,<br />
Nem paz nem alegria<br />
Para quem, por amar,<br />
Em quem ama confia.</p>
<p>Melhor entre onde os ramos<br />
Tecem dosséis sem ser<br />
Ficar como ficamos,<br />
Sem pensar nem querer,<br />
Dando o que nunca damos.</p></blockquote>
<h3>Mar português</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Mar português, de Fernando Pessoa | como fazer um poema" src="https://www.youtube.com/embed/e8z4M0JqBso?feature=oembed" width="1200" height="675" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen" data-mce-fragment="1"></iframe></div>
<blockquote><p>Ó mar salgado, quanto do teu sal<br />
São lágrimas de Portugal!<br />
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,<br />
Quantos filhos em vão rezaram!<br />
Quantas noivas ficaram por casar<br />
Para que fosses nosso, ó mar!</p>
<p>Valeu a pena? Tudo vale a pena<br />
Se a alma não é pequena.<br />
Quem quer passar além do Bojador<br />
Tem que passar além da dor.<br />
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,<br />
Mas nele é que espelhou o céu.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/mar-portugues-fernando-pessoa-tudo-vale-a-pena/">Mar português, de Fernando Pessoa</a>.</em></li>
</ul>
<h3><span id="Segue_o_teu_destino_de_Fernando_Pessoa" class="ez-toc-section"></span>Segue o teu destino</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Segue o teu destino, de Fernando Pessoa | como fazer um poema" src="https://www.youtube.com/embed/X2hDmVN-MI4?feature=oembed" width="1200" height="675" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen" data-mce-fragment="1"></iframe></div>
<blockquote><p>Segue o teu destino,<br />
Rega as tuas plantas,<br />
Ama as tuas rosas.<br />
O resto é a sombra<br />
De árvores alheias.</p>
<p>A realidade<br />
Sempre é mais ou menos<br />
Do que nós queremos.<br />
Só nós somos sempre<br />
Iguais a nós-próprios.</p>
<p>Suave é viver só.<br />
Grande e nobre é sempre<br />
Viver simplesmente.<br />
Deixa a dor nas aras<br />
Como ex-voto aos deuses.</p>
<p>Vê de longe a vida.<br />
Nunca a interrogues.<br />
Ela nada pode<br />
Dizer-te. A resposta<br />
Está além dos deuses.</p>
<p>Mas serenamente<br />
Imita o Olimpo<br />
No teu coração.<br />
Os deuses são deuses<br />
Porque não se pensam.</p></blockquote>
<h3>Presságio</h3>
<blockquote><p>O amor, quando se revela,<br />
Não se sabe revelar.<br />
Sabe bem olhar p’ra ela,<br />
Mas não lhe sabe falar.</p>
<p>Quem quer dizer o que sente<br />
Não sabe o que há de dizer.<br />
Fala: parece que mente…<br />
Cala: parece esquecer…</p>
<p>Ah, mas se ela adivinhasse,<br />
Se pudesse ouvir o olhar,<br />
E se um olhar lhe bastasse<br />
P’ra saber que a estão a amar!</p>
<p>Mas quem sente muito, cala;<br />
Quem quer dizer quanto sente<br />
Fica sem alma nem fala,<br />
Fica só, inteiramente!</p>
<p>Mas se isto puder contar-lhe<br />
O que não lhe ouso contar,<br />
Já não terei que falar-lhe<br />
Porque lhe estou a falar…</p></blockquote>
<h3>Autopsicografia</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Autopsicografia, de Fernando Pessoa | como fazer um poema" src="https://www.youtube.com/embed/lZHyciHOhw4?feature=oembed" width="1200" height="675" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen" data-mce-fragment="1"></iframe></div>
<blockquote><p>O poeta é um fingidor<br />
Finge tão completamente<br />
Que chega a fingir que é dor<br />
A dor que deveras sente.</p>
<p>E os que lêem o que escreve,<br />
Na dor lida sentem bem,<br />
Não as duas que ele teve,<br />
Mas só a que eles não têm.</p>
<p>E assim nas calhas de roda<br />
Gira, a entreter a razão,<br />
Esse comboio de corda<br />
Que se chama coração.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-autopsicografia-de-fernando-pessoa/">Autopsicografia, de Fernando Pessoa</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Não sei quantas almas tenho</h3>
<blockquote><p>Não sei quantas almas tenho.<br />
Cada momento mudei.<br />
Continuamente me estranho.<br />
Nunca me vi nem achei.<br />
De tanto ser, só tenho alma.<br />
Quem tem alma não tem calma.<br />
Quem vê é só o que vê,<br />
Quem sente não é quem é,</p>
<p>Atento ao que sou e vejo,<br />
Torno-me eles e não eu.<br />
Cada meu sonho ou desejo<br />
É do que nasce e não meu.<br />
Sou minha própria paisagem,<br />
Assisto à minha passagem,<br />
Diverso, móbil e só,<br />
Não sei sentir-me onde estou.</p>
<p>Por isso, alheio, vou lendo<br />
Como páginas, meu ser<br />
O que segue não prevendo,<br />
O que passou a esquecer.<br />
Noto à margem do que li<br />
O que julguei que senti.<br />
Releio e digo: «Fui eu?»<br />
Deus sabe, porque o escreveu.</p></blockquote>
<h3>Eu</h3>
<blockquote><p>Sou louco e tenho por memória<br />
Uma longínqua e infiel lembrança<br />
De qualquer dita transitória<br />
Que sonhei ter quando criança.</p>
<p>Depois, malograda trajetória<br />
Do meu destino sem esperança,<br />
Perdi, na névoa da noite inglória<br />
O saber e o ousar da aliança.</p>
<p>Só guardo como um anel pobre<br />
Que a todo o herdado só faz rico<br />
Um frio perdido que me cobre</p>
<p>Como um céu dossel de mendigo,<br />
Na curva inútil em que fico<br />
Da estrada certa que não sigo.</p></blockquote>
<h3>Feliz dia para quem é</h3>
<blockquote><p>Feliz dia para quem é<br />
O igual do dia,<br />
E no exterior azul que vê<br />
Simples confia!</p>
<p>Azul do céu faz pena a quem<br />
Não pode ser<br />
Na alma um azul do céu também<br />
Com que viver</p>
<p>Ah, e se o verde com que estão<br />
Os montes quedos<br />
Pudesse haver no coração<br />
E em seus segredos!</p>
<p>Mas vejo quem devia estar<br />
Igual do dia<br />
Insciente e sem querer passar.<br />
Ah, a ironia</p>
<p>De só sentir a terra e o céu<br />
Tão belo ser<br />
Quem de si sente que perdeu<br />
A alma pra os ter!</p></blockquote>
<h3>Entre o sono e o sonho</h3>
<blockquote><p>Entre o sono e o sonho,<br />
Entre mim e o que em mim<br />
É o quem eu me suponho<br />
Corre um rio sem fim.</p>
<p>Passou por outras margens,<br />
Diversas mais além,<br />
Naquelas várias viagens<br />
Que todo o rio tem.</p>
<p>Chegou onde hoje habito<br />
A casa que hoje sou.<br />
Passa, se eu me medito;<br />
Se desperto, passou.</p>
<p>E quem me sinto e morre<br />
No que me liga a mim<br />
Dorme onde o rio corre —<br />
Esse rio sem fim.</p></blockquote>
<h3>Sonho. Não sei quem sou</h3>
<blockquote><p>Sonho. Não sei quem sou neste momento.<br />
Durmo sentindo-me. Na hora calma<br />
Meu pensamento esquece o pensamento,<br />
Minha alma não tem alma.</p>
<p>Se existo é um erro eu o saber. Se acordo<br />
Parece que erro. Sinto que não sei.<br />
Nada quero nem tenho nem recordo.<br />
Não tenho ser nem lei.</p>
<p>Lapso da consciência entre ilusões,<br />
Fantasmas me limitam e me contêm.<br />
Dorme insciente de alheios corações,<br />
Coração de ninguém.</p></blockquote>
<h4>Sobre Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa foi um poeta e escritor português que nasceu em Lisboa, em 13 de junho de 1888.</p>
<p>Sua vasta obra contempla poemas, escritos filosóficos, sociológicos, astrológicos, ensaios de crítica literária, entre outros.</p>
<p>Em vida, Fernando Pessoa trabalhou como tradutor, correspondente estrangeiro, crítico literário e colaborador em revistas literárias, recusando alguns empregos para que pudesse se dedicar à literatura.</p>
<p>O poeta chegou a matricular-se na Faculdade de Letras de Lisboa, abandonando-a sem concluir o curso.</p>
<p>Sem dúvida, a grande excentricidade de Fernando Pessoa está em seus conhecidos heterônimos, que não são senão variações de sua própria personalidade, mas construídos com engenho incrível.</p>
<p>O poeta não se limitou a criar personalidades para seus heterônimos, e deu luz a uma história de vida completa para cada um deles, com data de nascimento adequando-se aos respectivos horóscopos, temperamento, estilo de vida, estilo literário e até data de óbito.</p>
<p>Fernando Pessoa faleceu em 30 de novembro de 1935, deixando em seu espólio cerca de 25 mil páginas de textos, que vêm sendo publicados lentamente desde então.</p>
<h4>Os heterônimos de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa ficou famoso por escrever sob o nome de <a href="https://dicionario.priberam.org/heter%C3%B3nimo" target="_blank" rel="noopener">heterônimos</a>.</p>
<p>Foram muitas e muitas personalidades criadas por ele, e abaixo fazemos um resumo biográfico das quatro mais famosas:</p>
<ul>
<li>Álvaro de Campos: nascido em Tavira, em 1890. Possuía temperamento emotivo e, por isso mesmo, é às vezes eufórico e exaltado. Viajou para a Escócia e para o Oriente, educou-se na Inglaterra e formou-se engenheiro.</li>
<li>Alberto Caeiro: nascido em Lisboa, em 1889, e falecido de tuberculose. Escrevia poemas, mas não possuía educação formal. Era denominado mestre por Álvaro de Campos, que o colocava como precursor e ícone do movimento literário que ficou conhecido em Portugal como Sensacionismo. Distinguia-se pela racionalidade e objetividade, e tinha uma vida ligada ao campo e aos rebanhos.</li>
<li>Ricardo Reis: nascido no Porto, em 1887. Era médico e, segundo nos conta Pessoa, &#8220;está frequentemente no Brasil&#8221;.</li>
<li>Bernardo Soares: era um &#8220;ajudante de guarda-livros&#8221; lisboeta, autor do famosíssimo <em>Livro do desassossego</em>. Era considerado um &#8220;semi-heterônimo&#8221; por Fernando Pessoa, porque, nas palavras do poeta, &#8220;não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e afectividade&#8221;.</li>
</ul>
<h4>Obras de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa publicou poucas obras em vida e, até hoje, possui parte de seus manuscritos inéditos.</p>
<p>Seus textos em poesia e prosa já foram editados sob muitos títulos, e abaixo destacamos algumas de suas obras mais conhecidas:</p>
<ul>
<li><em>35 sonnets (1918)</em></li>
<li><em>Antinous (1918)</em></li>
<li><em>English poems (1921) — em três volumes</em></li>
<li><em>Mensagem (1934)</em></li>
<li><em>A Nova Poesia Portuguesa (1944)</em></li>
<li><em>Poemas Dramáticos (1952)</em></li>
<li><em>Cartas de Amor de Fernando Pessoa (1978)</em></li>
<li><em>Sobre Portugal (1979)</em></li>
<li><em>Textos de Crítica e de Intervenção (1980)</em></li>
<li><em>Livro do desassossego (1982)</em></li>
<li><em>Obra Poética de Fernando Pessoa (1986)</em></li>
<li><em>Primeiro Fausto (1986)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas curtos de Fernando Pessoa.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-o-que-me-doi-nao-e-fernando-pessoa/">O que me dói não é, de Fernando Pessoa</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>7 poemas infantis de Cecília Meireles para ler com as crianças!</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-infantis-de-cecilia-meireles-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-infantis-de-cecilia-meireles-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Feb 2024 14:30:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[poetas brasileiros]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2857</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas infantis de Cec&#237;lia Meireles para ler com as crian&#231;as! &#201; algo conhecido que Cec&#237;lia Meireles, al&#233;m de vasta e reconhecida obra po&#233;tica, foi uma grande entusiasta da educa&#231;&#227;o infantil. A este interesse Cec&#237;lia empenhou-se com not&#225;vel dedica&#231;&#227;o, e os frutos de seu trabalho educativo foram muitos, desde a funda&#231;&#227;o&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-infantis-de-cecilia-meireles-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">7 poemas infantis de Cecília Meireles para ler com as crianças!</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas infantis de Cecília Meireles para ler com as crianças!</em></span></p>
<p>É algo conhecido que Cecília Meireles, além de vasta e reconhecida obra poética, foi uma grande entusiasta da educação infantil.</p>
<p>A este interesse Cecília empenhou-se com notável dedicação, e os frutos de seu trabalho educativo foram muitos, desde a fundação da primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, até a publicação de numerosos poemas infantis.</p>
<p>Sendo assim, preparamos uma seleção com 7 poemas infantis de Cecília Meireles, alguns deles de grande sucesso, para que você possa apreciá-los e recitá-los a crianças.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas infantis de Cecília Meireles</h2>
<h3>Ou isto ou aquilo</h3>
<blockquote><p>Ou se tem chuva e não se tem sol,<br />
ou se tem sol e não se tem chuva!</p>
<p>Ou se calça a luva e não se põe o anel,<br />
ou se põe o anel e não se calça a luva!</p>
<p>Quem sobe nos ares não fica no chão,<br />
quem fica no chão não sobe nos ares.</p>
<p>É uma grande pena que não se possa<br />
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!</p>
<p>Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,<br />
ou compro o doce e gasto o dinheiro.</p>
<p>Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…<br />
e vivo escolhendo o dia inteiro!</p>
<p>Não sei se brinco, não sei se estudo,<br />
se saio correndo ou fico tranquilo.</p>
<p>Mas não consegui entender ainda<br />
qual é melhor: se é isto ou aquilo.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-ou-isto-ou-aquilo-de-cecilia-meireles/">Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles</a>.</em></li>
</ul>
<h3>A bailarina</h3>
<blockquote><p>Esta menina<br />
tão pequenina<br />
quer ser bailarina.<br />
Não conhece nem dó nem ré<br />
mas sabe ficar na ponta do pé.</p>
<p>Não conhece nem mi nem fá<br />
Mas inclina o corpo para cá e para lá</p>
<p>Não conhece nem lá nem si,<br />
mas fecha os olhos e sorri.</p>
<p>Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar<br />
e não fica tonta nem sai do lugar.</p>
<p>Põe no cabelo uma estrela e um véu<br />
e diz que caiu do céu.</p>
<p>Esta menina<br />
tão pequenina<br />
quer ser bailarina.</p>
<p>Mas depois esquece todas as danças,<br />
e também quer dormir como as outras crianças.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-a-bailarina-de-cecilia-meireles-poesia/">A bailarina, de Cecília Meireles</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Bolhas</h3>
<blockquote><p>Olha a bolha d’água<br />
no galho!<br />
Olha o orvalho!</p>
<p>Olha a bolha de vinho<br />
na rolha!<br />
Olha a bolha!</p>
<p>Olha a bolha na mão<br />
Que trabalha!</p>
<p>Olha a bolha de sabão<br />
na ponta da palha:<br />
brilha, espelha<br />
e se espalha.<br />
Olha a bolha!</p>
<p>Olha a bolha<br />
que molha<br />
a mão do menino:</p>
<p>A bolha da chuva da calha!</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-bolhas-cecilia-meireles-poesia-analise/">Bolhas, de Cecília Meireles</a>.</em></li>
</ul>
<h3>O Menino Azul</h3>
<blockquote><p>O menino quer um burrinho<br />
para passear.<br />
Um burrinho manso,<br />
que não corra nem pule,<br />
mas que saiba conversar.</p>
<p>O menino quer um burrinho<br />
que saiba dizer<br />
o nome dos rios,<br />
das montanhas, das flores,<br />
de tudo o que aparecer.</p>
<p>O menino quer um burrinho<br />
que saiba inventar histórias bonitas<br />
com pessoas e bichos<br />
e com barquinhos no mar.</p>
<p>E os dois sairão pelo mundo<br />
que é como um jardim<br />
apenas mais largo<br />
e talvez mais comprido<br />
e que não tenha fim.</p>
<p>(Quem souber de um burrinho desses,<br />
pode escrever<br />
para a Ruas das Casas,<br />
Número das Portas,<br />
ao Menino Azul que não sabe ler.)</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-o-menino-azul-cecilia-meireles-poesia/">O Menino Azul, de Cecília Meireles</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Leilão de jardim</h3>
<blockquote><p>Quem me compra um jardim com flores?<br />
Borboletas de muitas cores,<br />
lavadeiras e passarinhos,<br />
ovos verdes e azuis nos ninhos?</p>
<p>Quem me compra este caracol?<br />
Quem me compra um raio de sol?<br />
Um lagarto entre o muro e a hera,<br />
uma estátua da Primavera?</p>
<p>Quem me compra este formigueiro?<br />
E este sapo, que é jardineiro?<br />
E a cigarra e a sua canção?<br />
E o grilinho dentro do chão?</p>
<p>(Este é o meu leilão.)</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-leilao-de-jardim-de-cecilia-meireles/">Leilão de jardim, de Cecília Meireles</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Jogo de bola</h3>
<blockquote><p>A bela bola<br />
rola:<br />
a bela bola do Raul.</p>
<p>Bola amarela,<br />
a da Arabela.</p>
<p>A do Raul,<br />
azul.</p>
<p>Rola a amarela<br />
e pula a azul.</p>
<p>A bola é mole,<br />
é mole e rola.</p>
<p>A bola é bela,<br />
é bela e pula.</p>
<p>É bela, rola e pula,<br />
é mole, amarela, azul.</p>
<p>A de Raul é de Arabela,<br />
e a de Arabela é de Raul.</p></blockquote>
<h3>Criança</h3>
<blockquote><p>Cabecinha boa de menino triste,<br />
de menino triste que sofre sozinho,<br />
que sozinho sofre, — e resiste,</p>
<p>Cabecinha boa de menino ausente,<br />
que de sofrer tanto se fez pensativo,<br />
e não sabe mais o que sente…</p>
<p>Cabecinha boa de menino mudo<br />
que não teve nada, que não pediu nada,<br />
pelo medo de perder tudo.</p>
<p>Cabecinha boa de menino santo<br />
que do alto se inclina sobre a água do mundo<br />
para mirar seu desencanto.</p>
<p>Para ver passar numa onda lenta e fria<br />
a estrela perdida da felicidade<br />
que soube que não possuiria.</p></blockquote>
<h4>Quais os benefícios dos poemas infantis para as crianças?</h4>
<p>A leitura de poemas infantis pode ser muito benéfica para as crianças.</p>
<p>Poderíamos elencar inúmeros motivos para justificá-lo, mas resumiremos os principais.</p>
<p>Que fique, porém, registrado que incentivamos fortemente o uso da poesia como ferramenta de ensino: as crianças só têm a ganhar.</p>
<p>Os principais benefícios dos poemas infantis para as crianças são:</p>
<h5>Poemas infantis são divertidos</h5>
<p>Não se pode falar em ensinar crianças sem falar em didática.</p>
<p>E a didática, para crianças, tem de ser leve, dinâmica, estimulante.</p>
<div id="comof-1201657604" class="comof-after-18th comof-highlight-wrapper" data-title="Placement name: after-18th; Ads: Curso 350x250">Muito do que a criança aprenderá, ou terá dificuldades para aprender, é diretamente dependente da maneira com a qual foi ensinada.</div>
<p>Sendo assim, destacamos que os poemas infantis são poderosíssimas ferramentas de ensino, justamente porque estimularão o cérebro da criança, que se divertirá com as relações todas novas estabelecidas entre as palavras e com o som agradável dos versos.</p>
<h5>Poemas infantis desenvolvem a memória</h5>
<p>A repetição de rimas e cantigas é como que um exercício para a memória das crianças; não somente memória semântica, como memória afetiva.</p>
<p>A criança, portanto, ao ler poemas infantis, fará registros semânticos e afetivos em sua mente, podendo recordá-los quando deparar-se com palavras componentes do poema no futuro, lembrando-se tanto do sentido atribuído a elas no poema, quanto das sensações que experimentaram ao lê-los pela primeira vez.</p>
<h5>Poemas infantis desenvolvem o uso da linguagem</h5>
<p>Desenvolver o bom uso da linguagem é algo fundamental para uma criança, que impactará sua vida futura independentemente do caminho que escolha.</p>
<p>Sabemos que o processo cognitivo humano é complexo, lento, e muitas vezes inconsciente.</p>
<p>A criança chega a um mundo onde não conhece nada e, exposta diariamente a diferentes sons, imagens e estímulos, vai lentamente atribuindo sentido a eles e entendendo o ambiente em que vive.</p>
<p>Os poemas infantis contribuem sobremaneira para que a criança tome consciência dos fonemas, das palavras, da sintaxe, além de estimular a interpretação de texto e o raciocínio crítico, habilidades importantíssimas que terão de desenvolver.</p>
<h5>Poemas infantis estimulam a criatividade</h5>
<p>Os variados elementos que constituem a poesia são fortíssimos estímulos para a criatividade das crianças.</p>
<p>Os jogos de palavras, as rimas, as aliterações, o ritmo, a cadência dos poemas, tudo isso as encanta por evidenciar relações interessantes que as palavras podem travar entre si.</p>
<p>Mas mais do que isso: sendo os poemas, em geral, narrativas, eles farão com que a criança imagine e a imaginação, como sabemos, é o grande pilar da criatividade.</p>
<h4>Sobre Cecília Meireles</h4>
<p>Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de novembro de 1901 e morreu, na mesma cidade, em 9 de novembro de 1964.</p>
<p>Nascida órfã de pai, perdeu a mãe aos três anos e, por isso, foi criada por sua avó portuguesa, Dona Jacinta, natural da ilha dos Açores.</p>
<p>Desde pequena, Cecília recebeu educação religiosa e demonstrou grande interesse pela literatura. Tornou-se professora muito cedo, quando já compunha poemas.</p>
<p>O interesse de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cec%C3%ADlia_Meireles" target="_blank" rel="noopener">Cecília Meireles</a> pela educação fê-la fundar a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, em 1934.</p>
<p>Aos 21 anos, casou-se com o pintor português Fernando Correia Dias, que veio a suicidar-se em 1936.</p>
<p>Cinco anos após este evento dramático, Cecília casa-se novamente, desta vez com o engenheiro agrônomo Heitor Vinícius de Silveira Grilo.</p>
<p>Em 1939, Cecília publica <em>Viagem</em>, livro que rapidamente encantou leitores e acadêmicos, dando-lhe grande reconhecimento e o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras.</p>
<p>No dia 9 de novembro de 1964, com 63 anos, Cecília faleceu, vítima de câncer, no Rio de Janeiro.</p>
<h4>Obras de Cecília Meireles</h4>
<ul>
<li><em>Espectros (1919)</em></li>
<li><em>Criança, meu amor (1923)</em></li>
<li><em>Nunca mais (1923)</em></li>
<li><em>Poema dos poemas (1923)</em></li>
<li><em>Baladas para el-rei (1925)</em></li>
<li><em>O espírito vitorioso (1929)</em></li>
<li><em>Saudação à menina de Portugal (1930)</em></li>
<li><em>Batuque, samba e macumba (1933)</em></li>
<li><em>A festa das letras (1937)</em></li>
<li><em>Viagem (1939)</em></li>
<li><em>Olhinhos de gato (1940)</em></li>
<li><em>Vaga música (1942)</em></li>
<li><em>Mar absoluto (1945)</em></li>
<li><em>Rute e Alberto (1945)</em></li>
<li><em>Rui: pequena história de uma grande vida (1948)</em></li>
<li><em>Retrato natural (1949)</em></li>
<li><em>Problemas de literatura infantil (1950)</em></li>
<li><em>Amor em Leonoreta (1952)</em></li>
<li><em>Doze noturnos da Holanda e O aeronauta (1952)</em></li>
<li><em>Romanceiro da Inconfidência (1953)</em></li>
<li><em>Poemas escritos na Índia (1953)</em></li>
<li><em>Pequeno oratório de Santa Clara (1955)</em></li>
<li><em>Pistoia, cemitério militar brasileiro (1955)</em></li>
<li><em>Panorama folclórico de Açores (1955)</em></li>
<li><em>Canções (1956)</em></li>
<li><em>Giroflê, giroflá (1956).</em></li>
<li><em>Romance de Santa Cecília (1957).</em></li>
<li><em>A rosa (1957).</em></li>
<li><em>Metal rosicler (1960)</em></li>
<li><em>Poemas de Israel (1963)</em></li>
<li><em>Solombra (1963)</em></li>
<li><em>Ou isto ou aquilo (1964)</em></li>
<li><em>Escolha o seu sonho (1964)</em></li>
<li><em>Crônica trovada da cidade de Sam Sebastiam (1965)</em></li>
<li><em>O menino atrasado (1966)</em></li>
<li><em>Poemas italianos (1968)</em></li>
<li><em>Flor de poemas (1972)</em></li>
<li><em>Elegias (1974)</em></li>
<li><em>Flores e canções (1979)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas infantis de Cecília Meireles.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de conferir a nossa seleção de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-infantis-de-vinicius-de-moraes-poesia/">poemas infantis de Vinícius de Moraes</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>7 belíssimos poemas de Cruz e Sousa, ícone do Simbolismo brasileiro</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-de-cruz-e-sousa-simbolismo-brasileiro/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-de-cruz-e-sousa-simbolismo-brasileiro</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Oct 2023 13:30:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[poetas brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas de Cruz e Sousa, poeta representante do Simbolismo brasileiro! Cruz e Sousa &#233; um poeta brasileiro de grande import&#226;ncia hist&#243;rica, especialmente por ser-lhe atribu&#237;da a introdu&#231;&#227;o do Simbolismo no Brasil. Sua obra destaca-se especialmente pela musicalidade e pelo teor imag&#233;tico e sugestivo, em conformidade com os simbolistas franceses que&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-cruz-e-sousa-simbolismo-brasileiro/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">7 belíssimos poemas de Cruz e Sousa, ícone do Simbolismo brasileiro</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas de Cruz e Sousa, poeta representante do Simbolismo brasileiro!</em></span></p>
<p>Cruz e Sousa é um poeta brasileiro de grande importância histórica, especialmente por ser-lhe atribuída a introdução do Simbolismo no Brasil.</p>
<p>Sua obra destaca-se especialmente pela musicalidade e pelo teor imagético e sugestivo, em conformidade com os simbolistas franceses que lhe serviram de inspiração.</p>
<p>Cruz e Sousa, em sua época, foi apelidado &#8220;Dante negro&#8221;, em referência ao poeta florentino Dante Alighieri, em demonstração do grande reconhecimento que conquistou devido ao mérito literário de sua obra.</p>
<p>Dito isso, preparamos uma seleção com 7 poemas de Cruz e Sousa para que você possa conhecer um pouco mais da obra deste grande poeta brasileiro.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Cruz e Sousa</h2>
<h3>Acrobata da dor</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Acrobata da dor, de Cruz e Sousa | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/tS-eNcY-nik?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Gargalha, ri, num riso de tormenta,<br />
Como um palhaço, que desengonçado,<br />
Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado<br />
De uma ironia e de uma dor violenta.</p>
<p>Da gargalhada atroz, sanguinolenta,<br />
Agita os guizos, e convulsionado<br />
Salta, gavroche, salta clown, varado<br />
Pelo estertor dessa agonia lenta&#8230;</p>
<p>Pedem-te bis e um bis não se despreza!<br />
Vamos! retesa os músculos, retesa<br />
Nessas macabras piruetas d&#8217;aço&#8230;</p>
<p>E embora caias sobre o chão, fremente,<br />
Afogado em teu sangue estuoso e quente<br />
Ri! Coração, tristíssimo palhaço.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-acrobata-da-dor-cruz-e-sousa-poesia/">Acrobata da dor, de Cruz e Sousa</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Vida obscura</h3>
<blockquote><p>Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,<br />
Ó ser humilde entre os humildes seres.<br />
Embriagado, tonto dos prazeres,<br />
O mundo para ti foi negro e duro.</p>
<p>Atravessaste num silêncio escuro<br />
A vida presa a trágicos deveres<br />
E chegaste ao saber de altos saberes<br />
Tornando-te mais simples e mais puro.</p>
<p>Ninguém te viu o sentimento inquieto,<br />
Magoado, oculto e aterrador, secreto.<br />
Que o coração te apunhalou no mundo.</p>
<p>Mas eu que sempre te segui os passos<br />
Sei que cruz infernal prendeu-te os braços<br />
E o teu suspiro como foi profundo!</p></blockquote>
<h3>Cavador do Infinito</h3>
<blockquote><p>Com a lâmpada do Sonho desce aflito<br />
E sobe aos mundos mais imponderáveis,<br />
Vai abafando as queixas implacáveis,<br />
Da alma o profundo e soluçado grito.</p>
<p>Ânsias, Desejos, tudo a fogo, escrito<br />
Sente, em redor, nos astros inefáveis.<br />
Cava nas fundas eras insondáveis<br />
O cavador do trágico Infinito.</p>
<p>E quanto mais pelo Infinito cava<br />
Mais o Infinito se transforma em lava<br />
E o cavador se perde nas distâncias&#8230;</p>
<p>Alto levanta a lâmpada do Sonho<br />
E com seu vulto pálido e tristonho<br />
Cava os abismos das eternas ânsias!</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-cavador-do-infinito-cruz-e-sousa-poesia/">Cavador do Infinito, de Cruz e Sousa</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Beleza morta</h3>
<blockquote><p>De leve, louro e enlanguescido helianto<br />
Tens a flórea dolência contristada&#8230;<br />
Há no teu riso amargo um certo encanto<br />
De antiga formosura destronada.</p>
<p>No corpo, de um letárgico quebranto,<br />
Corpo de essência fina, delicada,<br />
Sente-se ainda o harmonioso canto<br />
Da carne virginal, clara e rosada.</p>
<p>Sente-se o canto errante, as harmonias<br />
Quase apagadas, vagas, fugidias<br />
E uns restos de clarão de Estrela acesa&#8230;</p>
<p>Como que ainda os derradeiros haustos<br />
De opulências, de pompas e de faustos,<br />
As relíquias saudosas da beleza</p></blockquote>
<h3>Rebelado</h3>
<blockquote><p>Ri tua face um riso acerbo e doente,<br />
Que fere, ao mesmo tempo que contrista&#8230;<br />
Riso de ateu e riso de budista<br />
Gelado no Nirvana impenitente.</p>
<p>Flor de sangue, talvez, e flor dolente<br />
De uma paixão espiritual de artista,<br />
Flor de Pecado sentimentalista<br />
Sangrando em riso desdenhosamente.</p>
<p>Da alma sombria de tranquilo asceta<br />
Bebeste, entanto, a morbidez secreta<br />
Que a febre das insânias adormece.</p>
<p>Mas no teu lábio convulsivo e mudo<br />
Mesmo até riem, com desdéns de tudo,<br />
As sílabas simbólicas da Prece!</p></blockquote>
<h3>Post mortem</h3>
<blockquote><p>Quando do amor das Formas inefáveis<br />
No teu sangue apagar-se a imensa chama,<br />
Quando os brilhos estranhos e variáveis<br />
Esmorecerem nos troféus da Fama.</p>
<p>Quando as níveas Estrelas invioláveis,<br />
Doce velário que um luar derrama,<br />
Nas clareiras azuis ilimitáveis<br />
Clamarem tudo o que o teu Verso clama.</p>
<p>Já terás para os báratros descido,<br />
Nos cilícios da Morte revestido,<br />
Pés e faces e mãos e olhos gelados&#8230;</p>
<p>Mas os teus Sonhos e Visões e Poemas<br />
Pelo alto ficarão de eras supremas<br />
Nos relevos do Sol eternizados!</p></blockquote>
<h3>Antífona</h3>
<blockquote><p>Ó Formas alvas, brancas, Formas claras<br />
De luares, de neves, de neblinas!&#8230;<br />
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas&#8230;<br />
Incensos dos turíbulos das aras&#8230;</p>
<p>Formas do Amor, constelarmente puras,<br />
De Virgens e de Santas vaporosas&#8230;<br />
Brilhos errantes, mádidas frescuras<br />
E dolências de lírios e de rosas&#8230;</p>
<p>Indefiníveis músicas supremas,<br />
Harmonias da Cor e do Perfume&#8230;<br />
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,<br />
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume&#8230;</p>
<p>Visões, salmos e cânticos serenos,<br />
Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes&#8230;<br />
Dormências de volúpicos venenos<br />
Sutis e suaves, mórbidos, radiantes&#8230;</p>
<p>Infinitos espíritos dispersos,<br />
Inefáveis, edênicos, aéreos,<br />
Fecundai o Mistério destes versos<br />
Com a chama ideal de todos os mistérios.</p>
<p>Do Sonho as mais azuis diafaneidades<br />
Que fuljam, que na Estrofe se levantem<br />
E as emoções, todas as castidades<br />
Da alma do Verso, pelos versos cantem.</p>
<p>Que o pólen de ouro dos mais finos astros<br />
Fecunde e inflame a rima clara e ardente&#8230;<br />
Que brilhe a correção dos alabastros<br />
Sonoramente, luminosamente.</p>
<p>Forças originais, essência, graça<br />
De carnes de mulher, delicadezas&#8230;<br />
Todo esse eflúvio que por ondas passa<br />
Do Éter nas róseas e áureas correntezas&#8230;</p>
<p>Cristais diluídos de clarões alacres,<br />
Desejos, vibrações, ânsias, alentos,<br />
Fulvas vitórias, triunfamentos acres,<br />
Os mais estranhos estremecimentos&#8230;</p>
<p>Flores negras do tédio e flores vagas<br />
De amores vãos, tantálicos, doentios&#8230;<br />
Fundas vermelhidões de velhas chagas<br />
Em sangue, abertas, escorrendo em rios&#8230;</p>
<p>Tudo! vivo e nervoso e quente e forte,<br />
Nos turbilhões quiméricos do Sonho,<br />
Passe, cantando, ante o perfil medonho<br />
E o tropel cabalístico da Morte&#8230;</p></blockquote>
<h4>Sobre Cruz e Sousa</h4>
<p>Cruz e Sousa nasceu em 24 de novembro de 1861, em Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis), em Santa Catarina.</p>
<p>Nasceu livre, por ser filho de escravos alforriados, e foi criado como filho adotivo do Marechal de Campo Guilherme Xavier de Sousa e Clarinda Fagundes de Sousa.</p>
<p>Teve a educação patrocinada pela mesma família de aristocratas que alforriou seus pais, fazendo os primeiros estudos em Santa Catarina e, em seguida, movendo-se a São Paulo, onde cursou direito e formou-se em 1881.</p>
<p>Iniciou sua carreira literária como jornalista e colaborou em diversas publicações.</p>
<p>Publicou seu primeiro livro de poesias, <em>Tropos e Fantasias</em>, em 1885.</p>
<p>Em 1893, lançou <em>Missal</em> e <em>Broquéis</em>, obras que se tornaram marcos do Simbolismo brasileiro.</p>
<p>Foi apelidado &#8220;Dante negro&#8221;, em referência ao poeta italiano Dante Alighieri, e tornou-se um dos poetas mais importantes do Brasil.</p>
<p>Apesar do reconhecimento literário, enfrentou dificuldades financeiras e problemas de saúde.</p>
<p>Faleceu em 19 de março de 1898, em Antônio Carlos (MG), vítima de tuberculose.</p>
<p>É patrono da cadeira 15 da <a href="https://www.academiacatarinense.org.br/patronos" target="_blank" rel="noopener">Academia Catarinense de Letras</a>.</p>
<h4>Obras de Cruz e Sousa</h4>
<ul>
<li><em>Tropos e Fantasias (1885)</em></li>
<li><em>Missal (1893)</em></li>
<li><em>Broquéis (1893)</em></li>
<li><em>Evocações (1898)</em></li>
<li><em>Faróis (1900)</em></li>
<li><em>Últimos sonetos (1905)</em></li>
<li><em>Outras evocações (1961)</em></li>
<li><em>O livro derradeiro (1961)</em></li>
<li><em>Dispersos (1961</em></li>
<li><em>Poemas inéditos (1996)</em></li>
<li><em>Últimos inéditos (2013)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas de Cruz e Sousa.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de conferir o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-convite-a-marilia-bocage-poesia-analise/">Convite à Marília, de Bocage</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os 10 melhores poemas de Mário Quintana! (comentados)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/melhores-poemas-de-mario-quintana-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=melhores-poemas-de-mario-quintana-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Jul 2023 19:25:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[poetas brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2213</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o com os melhores poemas de M&#225;rio Quintana, um dos mais populares poetas brasileiros! M&#225;rio Quintana &#233;, hoje, um dos poetas mais queridos do p&#250;blico brasileiro. Sua poesia vale-se de uma linguagem simples e seu tremendo sucesso parece residir especialmente no tom &#237;ntimo, confessional, com que geralmente se nos apresenta. Ali&#225;s, &#233;&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/melhores-poemas-de-mario-quintana-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Os 10 melhores poemas de Mário Quintana! (comentados)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção com os melhores poemas de Mário Quintana, um dos mais populares poetas brasileiros!</em></span></p>
<p>Mário Quintana é, hoje, um dos poetas mais queridos do público brasileiro.</p>
<p>Sua poesia vale-se de uma linguagem simples e seu tremendo sucesso parece residir especialmente no tom íntimo, confessional, com que geralmente se nos apresenta.</p>
<p>Aliás, é isso o que o próprio poeta nos declara:</p>
<blockquote><p>Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão.</p></blockquote>
<p>Dito isso, preparamos uma seleção com os 10 melhores poemas de Mário Quintana para que você possa conhecer um pouco mais da obra deste poeta.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Mário Quintana</h2>
<h3>Esperança</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Esperança, de Mário Quintana | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/G_g6jHMyzlk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano<br />
Vive uma louca chamada Esperança<br />
E ela pensa que quando todas as sirenas<br />
Todas as buzinas<br />
Todos os reco-recos tocarem<br />
Atira-se<br />
E<br />
— ó delicioso voo!<br />
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,<br />
Outra vez criança&#8230;<br />
E em torno dela indagará o povo:<br />
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?<br />
E ela lhes dirá<br />
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)<br />
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:<br />
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA&#8230;</p></blockquote>
<p>Este poema é um dos poemas mais conhecidos de Mário Quintana e, sumariamente, traça uma metáfora com o sentimento que nos impregna no fim de todos os anos.</p>
<p>Este sentimento, a esperança, é personificada no poema, o qual parece nos alertar para o seu valor.</p>
<p><em>Esperança</em> <strong>destaca o caráter puro e inocente deste belo sentimento</strong> e nos relembra da importância de nutri-lo em nossas vidas.</p>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-esperanca-de-mario-quintana-poesia/">Esperança, de Mário Quintana</a>.</span></em></li>
</ul>
<h3>Emergência</h3>
<blockquote><p>Quem faz um poema abre uma janela.<br />
Respira, tu que estás numa cela<br />
abafada,<br />
esse ar que entra por ela.<br />
Por isso é que os poemas têm ritmo —<br />
para que possas profundamente respirar.<br />
Quem faz um poema salva um afogado.</p></blockquote>
<p><em>Emergência</em> é um poema interessante em que Mário Quintana aborda o caráter libertador da poesia.</p>
<p>Quando diz &#8220;quem faz um poema abre uma janela&#8221;, <strong>o narrador do poema associa o fazer poético com a abertura de possibilidades</strong>, libertação e renovação por parte daquele que a cultiva.</p>
<p>A vida sem poesia, sugere o poema, é como uma &#8220;cela abafada&#8221;, onde não podemos respirar bem.</p>
<p>Por fim, notamos que o título &#8220;Emergência&#8221; insinua que <strong>a poesia não nos é somente uma libertação, mas também uma necessidade premente</strong>.</p>
<h3>Os poemas</h3>
<blockquote><p>Os poemas são pássaros que chegam<br />
não se sabe de onde e pousam<br />
no livro que lês.</p>
<p>Quando fechas o livro, eles alçam voo<br />
como de um alçapão.<br />
Eles não têm pouso<br />
nem porto<br />
alimentam-se um instante em cada par de mãos<br />
e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,<br />
no maravilhado espanto de saberes<br />
que o alimento deles já estava em ti…</p></blockquote>
<p><em>Os poemas</em> compara poemas a pássaros que, misteriosamente, pousam nos livros, alçando voo logo que são estes fechados.</p>
<p>Esta metáfora transmite-nos a ideia de que <strong>poemas não somente têm vida, como são livres e independentes</strong>.</p>
<p>Há um aspecto assaz curioso no poema, representado por seus últimos versos, os quais sugerem que os poemas não só precisam de leitores como, em verdade, estão neles próprios.</p>
<h3>Cidadezinha</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Cidadezinha, de Mário Quintana | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/CnCqZ9QY2Fs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Cidadezinha cheia de graça…<br />
Tão pequenina que até causa dó!<br />
Com seus burricos a pastar na praça…<br />
Sua igrejinha de uma torre só…</p>
<p>Nuvens que venham, nuvens e asas,<br />
Não param nunca nem um segundo…<br />
E fica a torre, sobre as velhas casas,<br />
Fica cismando como é vasto o mundo!…</p>
<p>Eu que de longe venho perdido,<br />
Sem pouso fixo (a triste sina!)<br />
Ah, quem me dera ter lá nascido!</p>
<p>Lá toda a vida poder morar!<br />
Cidadezinha… Tão pequenina<br />
Que toda cabe num só olhar&#8230;</p></blockquote>
<p><em>Cidadezinha</em> é um poema delicado que <strong>descreve afetivamente o carinho experimentado pelo eu lírico para com uma cidade</strong>.</p>
<p>Tal cidade é carinhosamente chamada de &#8220;cidadezinha&#8221; e descrita em toda a sua singeleza.</p>
<p>Enquanto a descreve, o eu lírico expressa o seu sentimento, levando o poema ao ápice ao afirmar desejar não somente ter nascido, como viver para sempre na referida cidade.</p>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/cidadezinha-cheia-de-graca-mario-quintana/">Cidadezinha, de Mário Quintana</a>.</span></em></li>
</ul>
<h3>A Rua dos Cataventos</h3>
<blockquote><p>XVII</p>
<p>Da vez primeira em que me assassinaram<br />
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha&#8230;<br />
Depois, de cada vez que me mataram,<br />
Foram levando qualquer coisa minha&#8230;</p>
<p>E hoje, dos meus cadáveres, eu sou<br />
O mais desnudo, o que não tem mais nada&#8230;<br />
Arde um toco de vela, amarelada&#8230;<br />
Como o único bem que me ficou!</p>
<p>Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!<br />
Ah! desta mão, avaramente adunca,<br />
Ninguém há de arrancar-me a luz sagrada!</p>
<p>Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai!<br />
Que a luz, trêmula e triste como um ai,<br />
A luz do morto não se apaga nunca!</p></blockquote>
<p>Este poema, que é o décimo sétimo da obra <em>A Rua dos Cataventos</em>, é o primeiro metrificado desta lista e, quanto ao aspecto formal, destaca-se na obra de Mário Quintana.</p>
<p>Como se percebe, trata-se de um <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-soneto-tipos-caracteristicas-exemplos/">soneto</a> construído em decassílabos rimados, cuja temática difere um pouco daquilo que encontramos comumente em Mário Quintana.</p>
<p>Aqui, não há resquício do bom humor característico do poeta; muito pelo contrário, vemos um eu lírico que <strong>desabafa sobre suas sucessivas &#8220;mortes&#8221; em vida</strong>.</p>
<h3>Ritmo</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Ritmo, de Mário Quintana | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/lTtinL0KOYo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Na porta<br />
a varredeira varre o cisco<br />
varre o cisco<br />
varre o cisco</p>
<p>Na pia<br />
a menininha escova os dentes<br />
escova os dentes<br />
escova os dentes</p>
<p>No arroio<br />
a lavadeira bate roupa<br />
bate roupa<br />
bate roupa</p>
<p>Até que enfim<br />
‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ se desenrola<br />
‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ ‎ toda a corda<br />
e o mundo gira imóvel como um pião!</p></blockquote>
<p><em>Ritmo</em> é um poema muito conhecido de Mário Quintana, sobre o qual já escrevemos aqui neste sítio.</p>
<p>O poema tem como objetivo descrever o ritmo, isto é, o movimento regular de ações que fazem parte de nosso cotidiano.</p>
<p>Vários recursos expressivos são utilizados pelo poeta, como aliterações, paradoxos e mesmo a disposição visual do poema, que parece nos insinuar que <strong>há uma regularidade indissociável de nossa realidade</strong>.</p>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-ritmo-de-mario-quintana-poesia-analise/">Ritmo, de Mário Quintana</a>.</span></em></li>
</ul>
<h3>Seiscentos e sessenta e seis</h3>
<blockquote><p>A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.</p>
<p>Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…<br />
Quando se vê, já é 6ª-feira…<br />
Quando se vê, passaram 60 anos!<br />
Agora, é tarde demais para ser reprovado…<br />
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,<br />
eu nem olhava o relógio<br />
seguia sempre em frente…</p>
<p>E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.</p></blockquote>
<p><em>Seiscentos e sessenta e seis</em> é um poema que <strong>discorre sobre a passagem do tempo e suas consequências em nossas vidas individuais</strong>.</p>
<p>O eu lírico descreve a vida como um amontoado de deveres aos quais nos dedicamos sem perceber que desperdiçamos outras possibilidades ao fazê-lo.</p>
<p>O poema é escrito por alguém que, ao perceber a passagem do tempo, arrepende-se e lamenta não poder voltar atrás.</p>
<p>É, enfim, uma reflexão sobre as nossas prioridades e a necessidade de escolhê-las bem.</p>
<h3>Poeminho do contra</h3>
<blockquote><p>Todos esses que aí estão<br />
Atravancando meu caminho,<br />
Eles passarão…<br />
Eu passarinho!</p></blockquote>
<p>Este famoso e pequeno <em>Poeminho do contra</em> expressa, em suma, uma atitude irreverente do eu lírico perante aqueles que o atrapalham.</p>
<p>Os versos finais são extremamente criativos e querem dizer, primeiro, que aqueles que &#8220;atravancam&#8221; o caminho do eu lírico, hora ou outra, deixarão de fazê-lo; e, segundo, que o eu lírico não se incomoda com eles.</p>
<p>Ao comparar-se com um passarinho, o eu lírico <strong>remete-se à liberdade e leveza dos pássaros</strong> para seguir seus próprios caminhos.</p>
<h3>Relógio</h3>
<blockquote><p>O mais feroz dos animais domésticos<br />
é o relógio de parede:<br />
conheço um que já devorou<br />
três gerações da minha família.</p></blockquote>
<p><em>Relógio</em> é um poema com humor destacado que, entretanto, expressa uma mensagem profunda.</p>
<p>O eu lírico diz que o relógio de parede é &#8220;o mais feroz dos animais domésticos&#8221;.</p>
<p>Naturalmente, Mário Quintana, aqui, aborda em verdade um de seus temas prediletos, que é <strong>o caráter implacável do tempo</strong>.</p>
<h3>Da discrição</h3>
<blockquote><p>Não te abras com teu amigo<br />
Que ele um outro amigo tem<br />
E o amigo do teu amigo<br />
Possui amigos também&#8230;</p></blockquote>
<p>Para fechar nossa lista, este que é um poema de temática diferente da de todos os anteriores.</p>
<p>Estes versos possuem <strong>um caráter fortemente irônico e moralista</strong>, e o narrador, em suma, recomenda ao leitor a discrição (anunciada no título).</p>
<p>As razões para isso são muito simples: &#8220;abrindo-se&#8221; com um amigo, isto é, contando-lhe um segredo, corre-se o risco de que este amigo o comente com outro, que também comente com outro e assim por diante, de forma que, finalmente, o segredo torne-se conhecimento comum.</p>
<h4>Sobre Mário Quintana</h4>
<p>Mário Quintana nasceu em Alegrete (RS), em 30 de julho de 1906.</p>
<p>Seu pai era dono de uma farmácia, e seus avós eram médicos.</p>
<p>Aos 13 anos, foi para Porto Alegre estudar no Colégio Militar como aluno interno, que acabou não terminando, embora fosse leitor voraz.</p>
<p>Deixou o colégio aos 17 anos, sem diploma, e se iniciou na vida literária, vivendo novamente em Alegrete.</p>
<p>Em 1926, teve um conto vencedor de um concurso patrocinado pelo Diário de Notícias, importante jornal da capital gaúcha.</p>
<p>Transferiu-se novamente a Porto Alegre em 1929, onde começou a trabalhar como jornalista.</p>
<p>Na década de 1930, estabilizou-se profissionalmente, trabalhando como jornalista e tradutor para a Editora Globo.</p>
<p>Seu primeiro livro, <em>A rua dos cataventos</em>, foi publicado em 1940, inaugurando uma época de grande atividade literária em sua vida.</p>
<p>Nas décadas de 60 e 70, consagrou-se nacionalmente como poeta, recebendo homenagens públicas como a saudação na <a href="https://www.academia.org.br/" target="_blank" rel="noopener">Academia Brasileira de Letras</a> por Augusto Meyer e Manuel Bandeira (1966), o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre (1967), a placa de bronze em Alegrete (com a famosa inscrição: “Um engano em bronze é um engano eterno.”), entre outras.</p>
<p>Faleceu em 5 de maio de 1994, em Porto Alegre, aos 88 anos de idade.</p>
<h4>Obras de Mário Quintana</h4>
<ul>
<li><em>A rua dos cataventos (1940)</em></li>
<li><em>Canções (1946)</em></li>
<li><em>Sapato florido (1948)</em></li>
<li><em>O aprendiz de feiticeiro (1950)</em></li>
<li><em>Espelho mágico (1951)</em></li>
<li><em>Inéditos e esparsos (1953)</em></li>
<li><em>Caderno H (1973)</em></li>
<li><em>Apontamentos de história sobrenatural (1976)</em></li>
<li><em>A vaca e o hipogrifo (1977)</em></li>
<li><em>Esconderijos do tempo (1980)</em></li>
<li><em>Baú de espantos (1986)</em></li>
<li><em>Da preguiça como método de trabalho (1987)</em></li>
<li><em>Preparativos de viagem (1987)</em></li>
<li><em>Porta giratória (1988)</em></li>
<li><em>A cor do invisível (1989)</em></li>
<li><em>Velório sem defunto (1990)</em></li>
<li><em>Água: os últimos textos de Mario Quintana (2001)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas de Mário Quintana.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de conferir a nossa lista de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-gratidao-portugues-poesia/">poemas de gratidão</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>10 poemas de Manoel de Barros curtos e belos! (comentados)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-de-manoel-de-barros-curtos-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-de-manoel-de-barros-curtos-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Jul 2023 20:21:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poetas brasileiros]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2193</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas de Manoel de Barros, um dos mais populares poetas brasileiros! Manoel de Barros (1916-2014) &#233; um poeta brasileiro muito popular que, entre aqueles que abordamos neste espa&#231;o, destaca-se pela proximidade de nossos dias. A poesia de Manoel de Barros &#233; marcadamente singular e se caracteriza pelo uso de uma&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-manoel-de-barros-curtos-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">10 poemas de Manoel de Barros curtos e belos! (comentados)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #808080;">Confira a nossa seleção de poemas de Manoel de Barros, um dos mais populares poetas brasileiros!</span></em></p>
<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_de_Barros" target="_blank" rel="noopener">Manoel de Barros</a> (1916-2014) é um poeta brasileiro muito popular que, entre aqueles que abordamos neste espaço, destaca-se pela proximidade de nossos dias.</p>
<p>A poesia de Manoel de Barros é marcadamente singular e se caracteriza pelo uso de uma linguagem simples e pessoal, que frequentemente se vale de neologismos e sinestesias para expressar impressões subjetivas e às vezes irracionais.</p>
<p>É uma poesia interessante, que obteve reconhecimento de grandes nomes da literatura brasileira ainda em vida do poeta.</p>
<p>Sendo assim, preparamos uma seleção com 10 poemas de Manoel de Barros curtos e belos, para que você possa entrar em contato e conhecer um pouco da obra deste poeta.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Manoel de Barros</h2>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="10 poemas de Manoel de Barros recitados! | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/1Usxz2d2S0o?start=321&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>O menino que carregava água na peneira</h3>
<blockquote><p>Tenho um livro sobre águas e meninos.<br />
Gostei mais de um menino<br />
que carregava água na peneira.</p>
<p>A mãe disse que carregar água na peneira<br />
era o mesmo que roubar um vento e<br />
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.</p>
<p>A mãe disse que era o mesmo<br />
que catar espinhos na água.<br />
O mesmo que criar peixes no bolso.</p>
<p>O menino era ligado em despropósitos.<br />
Quis montar os alicerces<br />
de uma casa sobre orvalhos.</p>
<p>A mãe reparou que o menino<br />
gostava mais do vazio, do que do cheio.<br />
Falava que vazios são maiores e até infinitos.</p>
<p>Com o tempo aquele menino<br />
que era cismado e esquisito,<br />
porque gostava de carregar água na peneira.</p>
<p>Com o tempo descobriu que<br />
escrever seria o mesmo<br />
que carregar água na peneira.</p>
<p>No escrever o menino viu<br />
que era capaz de ser noviça,<br />
monge ou mendigo ao mesmo tempo.</p>
<p>O menino aprendeu a usar as palavras.<br />
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.<br />
E começou a fazer peraltagens.</p>
<p>Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.<br />
O menino fazia prodígios.<br />
Até fez uma pedra dar flor.</p>
<p>A mãe reparava o menino com ternura.<br />
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!<br />
Você vai carregar água na peneira a vida toda.</p>
<p>Você vai encher os vazios<br />
com as suas peraltagens,<br />
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!</p></blockquote>
<p>Abrimos nossa lista com este poema que é interessante por <strong>girar em torno de uma metáfora</strong>.</p>
<p><em>O menino que carregava água na peneira</em>, em suma, descreve um menino &#8220;ligado em despropósitos&#8221;, mais especificamente, um menino que gostava de &#8220;carregar água na peneira&#8221;.</p>
<p>Naturalmente, <strong>carregar água na peneira representa uma atividade inútil e ilógica</strong>, cuja prática não entrega resultados palpáveis àquele que a executa.</p>
<p>O eu lírico, pois,<strong> associa esta atividade à criação poética</strong> que, a muitos, pode parecer irracional e sem utilidade, mas frequentemente é capaz de produzir &#8220;prodígios&#8221; e é fundamental para aquele que descobre nela a sua vocação.</p>
<h3>O livro sobre nada</h3>
<blockquote><p>É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.<br />
Tudo que não invento é falso.<br />
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.<br />
Tem mais presença em mim o que me falta.<br />
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.<br />
Sou muito preparado de conflitos.<br />
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.<br />
O meu amanhecer vai ser de noite.<br />
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.<br />
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.<br />
Meu avesso é mais visível do que um poste.<br />
Sábio é o que adivinha.<br />
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.<br />
A inércia é meu ato principal.<br />
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.<br />
Sabedoria pode ser que seja estar uma árvore.<br />
Estilo é um modelo anormal de expressão: é estigma.<br />
Peixe não tem honras nem horizontes.<br />
Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas quando não desejo contar nada, faço poesia.<br />
Eu queria ser lido pelas pedras.<br />
As palavras me escondem sem cuidado.<br />
Aonde eu não estou as palavras me acham.<br />
Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.<br />
Uma palavra abriu o roupão pra mim. Ela deseja que eu a seja.<br />
A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.<br />
Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.<br />
Esta tarefa de cessar é que puxa minhas frases para antes de mim.<br />
Ateu é uma pessoa capaz de provar cientificamente que não é nada. Só se compara aos santos. Os santos querem ser os vermes de Deus.<br />
Melhor para chegar a nada é descobrir a verdade.<br />
O artista é erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.<br />
Por pudor sou impuro.<br />
O branco me corrompe.<br />
Não gosto de palavra acostumada.<br />
A minha diferença é sempre menos.<br />
Palavra poética tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria.<br />
Não preciso do fim para chegar.<br />
Do lugar onde estou já fui embora.</p></blockquote>
<p><em>O livro sobre nada</em> é um dos mais conhecidos poemas de Manoel de Barros e é construído inteiramente através de afirmações aparentemente ilógicas e contraditórias.</p>
<p>O eu lírico parece justamente valorizá-las como fundamentais no processo criativo, destacando <strong>a importância da inventividade e de que o poeta se afaste do convencional</strong> para que crie versos interessantes.</p>
<p>O poema é também um elogio à capacidade da poesia de expressar realidades profundas e autênticas, ainda que por meio de alusões ou contrariando a lógica e a razão.</p>
<h3>Biografia do orvalho</h3>
<blockquote><p>11.</p>
<p>A maior riqueza<br />
do homem<br />
é sua incompletude.<br />
Nesse ponto<br />
sou abastado.<br />
Palavras que me aceitam<br />
como sou<br />
— eu não aceito.<br />
Não aguento ser apenas<br />
um sujeito que abre<br />
portas, que puxa<br />
válvulas, que olha o<br />
relógio, que compra pão<br />
às 6 da tarde, que vai<br />
lá fora, que aponta lápis,<br />
que vê a uva etc. etc.<br />
Perdoai. Mas eu<br />
preciso ser Outros.<br />
Eu penso<br />
renovar o homem<br />
usando borboletas.</p></blockquote>
<p>Neste trecho de <em>Biografia do orvalho</em> temos um poema que discorre sobre <strong>a busca do eu lírico pela própria identidade</strong>.</p>
<p>Esta identidade é descrita como uma diferenciação dos outros ou, noutras palavras, como um <strong>afastamento do convencional</strong>.</p>
<p>O eu lírico diz &#8220;não aguentar&#8221; fazer apenas coisas banais que todas as outras pessoas fazem, mas quer encontrar sua individualidade através da renovação da natureza humana.</p>
<p>Os últimos versos expressam a sua <strong>necessidade de fazer algo diferente</strong> e único, algo que, enfim, represente sua singularidade.</p>
<h3>O fazedor de amanhecer</h3>
<blockquote><p>Sou leso em tratagens com máquina.<br />
Tenho desapetite para inventar coisas prestáveis.<br />
Em toda a minha vida só engenhei<br />
3 máquinas<br />
Como sejam:<br />
Uma pequena manivela para pegar no sono.<br />
Um fazedor de amanhecer<br />
para usamentos de poetas<br />
E um platinado de mandioca para o<br />
fordeco de meu irmão.<br />
Cheguei de ganhar um prêmio das indústrias<br />
automobilísticas pelo Platinado de Mandioca.<br />
Fui aclamado de idiota pela maioria<br />
das autoridades na entrega do prêmio.<br />
Pelo que fiquei um tanto soberbo.<br />
E a glória entronizou-se para sempre<br />
em minha existência.</p></blockquote>
<p>Neste poema, temos novamente uma temática muito comum na poesia de Manoel de Barros.</p>
<p>O eu lírico, em suma, <strong>versa sobre a própria insignificância</strong> ou, antes, sobre a inutilidade daquilo que sabe fazer.</p>
<p>Porém, logo percebemos que ele não enxerga com maus olhos essa inutilidade, pelo contrário, orgulha-se dela.</p>
<p>Aqui, também encontramos o <strong>uso criativo de neologismos</strong> e a noção implícita de que há beleza no irracional.</p>
<h3>Prefácio</h3>
<blockquote><p>Assim é que elas foram feitas (todas as coisas) —<br />
sem nome.<br />
Depois é que veio a harpa e a fêmea em pé.<br />
Insetos errados de cor caíam no mar.<br />
A voz se estendeu na direção da boca.<br />
Caranguejos apertavam mangues.<br />
Vendo que havia na terra<br />
Dependimentos demais<br />
E tarefas muitas —<br />
Os homens começaram a roer unhas.<br />
Ficou certo pois não<br />
Que as moscas iriam iluminar<br />
O silêncio das coisas anônimas.<br />
Porém, vendo o Homem<br />
Que as moscas não davam conta de iluminar o<br />
Silêncio das coisas anônimas —<br />
Passaram essa tarefa para os poetas.</p></blockquote>
<p><em>Prefácio</em> é um dos melhores poemas de Manoel de Barros pelo caráter profundo da mensagem que transmite.</p>
<p>Neste poema, como em outros de Manoel de Barros, o eu lírico parece conduzir-nos por <strong>afirmações ilógicas e situações pouco importantes</strong>.</p>
<p>O poema, contudo, centra-se nas &#8220;coisas anônimas&#8221;, retratadas como objeto de atenção dos poetas.</p>
<p>Segundo o eu lírico, é tarefa dos poetas &#8220;iluminar o silêncio das coisas anônimas&#8221;, isto é, <strong>perscrutar o que há de misterioso neste mundo e expressá-lo pela poesia</strong>.</p>
<h3>O apanhador de desperdícios</h3>
<blockquote><p>Uso a palavra para compor meus silêncios.<br />
Não gosto das palavras<br />
fatigadas de informar.<br />
Dou mais respeito<br />
às que vivem de barriga no chão<br />
tipo água pedra sapo.<br />
Entendo bem o sotaque das águas<br />
Dou respeito às coisas desimportantes<br />
e aos seres desimportantes.<br />
Prezo insetos mais que aviões.<br />
Prezo a velocidade<br />
das tartarugas mais que a dos mísseis.<br />
Tenho em mim um atraso de nascença.<br />
Eu fui aparelhado<br />
para gostar de passarinhos.<br />
Tenho abundância de ser feliz por isso.<br />
Meu quintal é maior do que o mundo.<br />
Sou um apanhador de desperdícios:<br />
Amo os restos<br />
como as boas moscas.<br />
Queria que a minha voz tivesse um formato<br />
de canto.<br />
Porque eu não sou da informática:<br />
eu sou da invencionática.<br />
Só uso a palavra para compor meus silêncios.</p></blockquote>
<p><em>O apanhador de desperdícios</em> é um poema emblemático de uma ideia explorada por Manoel de Barros em outras composições.</p>
<p>Numa primeira leitura, poderíamos dizer que o que faz o eu lírico neste poema é <strong>desvelar-nos sua sensibilidade e seu olhar compassivo</strong> para com as coisas &#8220;insignificantes&#8221;.</p>
<p>O que ocorre, porém, é algo mais profundo: esta ideia, tão cara a Manoel de Barros, sugere-nos que <strong>a riqueza da vida reside nas coisas simples e nos detalhes</strong>.</p>
<p>Portanto, o que encontramos por trás destes versos é a singularidade do eu lírico expressa através das particularidades de sua existência individual.</p>
<h3>Os deslimites da palavra</h3>
<blockquote><p>Ando muito completo de vazios.<br />
Meu órgão de morrer me predomina.<br />
Estou sem eternidades.<br />
Não posso mais saber quando amanheço ontem.<br />
Está rengo de mim o amanhecer.<br />
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.<br />
Atrás do ocaso fervem os insetos.<br />
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.<br />
Essas coisas me mudam para cisco.<br />
A minha independência tem algemas.</p></blockquote>
<p><em>Os deslimites da palavra</em> é um poema que <strong>explora simultaneamente as limitações e as potencialidades da linguagem</strong>.</p>
<p>Cada um dos versos do poema encerra uma afirmativa aparentemente ilógica mas compreensível após um esforço de nossa parte.</p>
<p>Quer dizer: compreendemos, ou ao menos parecemos compreender, a motivação e o sentimento que tais afirmações escondem; e isso nos basta.</p>
<p>Assim, é este um poema que parece <strong>demonstrar a possibilidade de expressar o indescritível</strong>, ainda que de maneira contraditória e talvez irracional.</p>
<h3>Aprendimentos</h3>
<blockquote><p>O filósofo Kierkegaard me ensinou que cultura<br />
é o caminho que o homem percorre para se conhecer.<br />
Sócrates fez o seu caminho de cultura e ao fim<br />
falou que só sabia que não sabia de nada.</p>
<p>Não tinha as certezas científicas. Mas que aprendera coisas<br />
di-menor com a natureza. Aprendeu que as folhas<br />
das árvores servem para nos ensinar a cair sem<br />
alardes. Disse que fosse ele caracol vegetado<br />
sobre pedras, ele iria gostar. Iria certamente<br />
aprender o idioma que as rãs falam com as águas<br />
e ia conversar com as rãs.</p>
<p>E gostasse mais de ensinar que a exuberância maior está nos insetos<br />
do que nas paisagens. Seu rosto tinha um lado de<br />
ave. Por isso ele podia conhecer todos os pássaros<br />
do mundo pelo coração de seus cantos. Estudara<br />
nos livros demais. Porém aprendia melhor no ver,<br />
no ouvir, no pegar, no provar e no cheirar.</p>
<p>Chegou por vezes de alcançar o sotaque das origens.<br />
Se admirava de como um grilo sozinho, um só pequeno<br />
grilo, podia desmontar os silêncios de uma noite!<br />
Eu vivi antigamente com Sócrates, Platão, Aristóteles —<br />
esse pessoal.</p>
<p>Eles falavam nas aulas: Quem se aproxima das origens se renova.<br />
Píndaro falava pra mim que usava todos os fósseis linguísticos que<br />
achava para renovar sua poesia. Os mestres pregavam<br />
que o fascínio poético vem das raízes da fala.</p>
<p>Sócrates falava que as expressões mais eróticas<br />
são donzelas. E que a Beleza se explica melhor<br />
por não haver razão nenhuma nela. O que mais eu sei<br />
sobre Sócrates é que ele viveu uma ascese de mosca.</p></blockquote>
<p><em>Aprendimentos </em>é outro entre os poemas de Manoel de Barros mais comentados e mais conhecidos.</p>
<p>Este poema é interessante, primeiramente, pela criativa interpretação e associação do pensamento de diferentes e importantes filósofos.</p>
<p>Também, destacamos a linguagem, trabalhada da maneira toda particular de Manoel de Barros.</p>
<p>Mas a característica mais marcante deste poema é a mensagem que encerra: o eu lírico sugere que o verdadeiro conhecimento está não nas &#8220;certezas científicas&#8221;, mas nas <strong>conexões diretas com o mundo ao nosso redor</strong>.</p>
<p>Assim, vemos novamente um destaque à natureza e ao sentido das pequenas coisas que às vezes passam despercebidas em nossa vida.</p>
<h3>Tratado geral das grandezas do ínfimo</h3>
<blockquote><p>A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.<br />
Meu fado é o de não saber quase tudo.<br />
Sobre o nada eu tenho profundidades.<br />
Não tenho conexões com a realidade.<br />
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.<br />
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).<br />
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.<br />
Fiquei emocionado.<br />
Sou fraco para elogios.</p></blockquote>
<p>Este conhecidíssimo poema de Manoel de Barros, além de abordar uma de suas temáticas preferidas, é dotado de uma ironia deliciosa.</p>
<p>A começar pelo título, que anuncia um &#8220;tratado&#8221; sobre um assunto ostensivamente contraditório (&#8220;grandezas do ínfimo&#8221;), somos capazes de imaginar o poeta a sorrir.</p>
<p>O poema transmite várias mensagens: a primeira, que <strong>a poesia é inerente das palavras</strong>; a segunda, que <strong>nosso conhecimento é não apenas limitado, mas ínfimo</strong> diante da complexidade do mundo; a terceira, que <strong>grande é aquele capaz de captar detalhes</strong>.</p>
<p>Tudo isso é envolto numa linguagem que parece <strong>questionar o convencional</strong> e induzir-nos a pensar na profundidade das coisas mais simples.</p>
<p>Os versos, também, escancaram a distância do poeta para o homem comum; e esta, ao ser notada pelo eu lírico, é recebida com bom humor.</p>
<h3>Olhos parados</h3>
<blockquote><p>Olhar, reparar tudo em volta, sem a menor intenção de poesia.<br />
Girar os braços, respirar o ar fresco, lembrar dos parentes.<br />
Lembrar da casa da gente, das irmãs, dos irmãos e dos pais da gente.<br />
Lembrar que estão longe e ter saudades deles…<br />
Lembrar da cidade onde se nasceu, com inocência, e rir sozinho.<br />
Rir de coisas passadas. Ter saudade da pureza.<br />
Lembrar de músicas, de bailes, de namoradas que a gente já teve.<br />
Lembrar de lugares que a gente já andou e de coisas que a gente já viu.<br />
Lembrar de viagens que a gente já fez e de amigos que ficaram longe.<br />
Lembrar dos amigos que estão próximos e das conversas com eles.<br />
Saber que a gente tem amigos de fato!<br />
Tirar uma folha de árvore, ir mastigando, sentir os ventos pelo rosto…<br />
Sentir o sol. Gostar de ver as coisas todas.<br />
Gostar de estar ali caminhando. Gostar de estar assim esquecido.<br />
Gostar desse momento. Gostar dessa emoção tão cheia de riquezas íntimas.</p></blockquote>
<p>Para fechar nossa lista, este que é outro que está entre os melhores poemas de Manoel de Barros.</p>
<p>Este poema trabalha um elemento novo nesta lista: <strong>o sentimento de nostalgia</strong>.</p>
<p>Vemos que, nestes versos, o eu lírico como <strong>estimula uma reflexão sobre a vida</strong> e, mais do que isso, sobre seus detalhes mais marcantes, incluindo vivências, pessoas e sentimentos.</p>
<p>É um poema que, como outros de Manoel de Barros, expressa uma mensagem de <strong>valorização das coisas simples</strong>, posto que nelas reside nossa individualidade.</p>
<p>Talvez o que haja de mais belo nestes versos é que, após o eu lírico evocar-nos o passado, o que ele faz é preencher-nos de um <strong>sentimento de gratidão</strong>.</p>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas de Manoel de Barros.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/sonetos-de-amor-portugues-poesia-famosos/">sonetos de amor</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os 10 melhores poemas de Cora Coralina! (comentados)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/melhores-poemas-de-cora-coralina-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=melhores-poemas-de-cora-coralina-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Jul 2023 20:31:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poetas brasileiros]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2186</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o com os melhores poemas de Cora Coralina! Cora Coralina &#233;, hoje, uma das poetisas brasileiras mais conhecidas e mais queridas pelo p&#250;blico. Sua hist&#243;ria &#233; interessant&#237;ssima, e o que mais parece impressionar &#233; ter ela come&#231;ado a publicar versos apenas na velhice. Talvez por isso, a poesia de Cora Coralina parece&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/melhores-poemas-de-cora-coralina-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Os 10 melhores poemas de Cora Coralina! (comentados)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #808080;">Confira a nossa seleção com os melhores poemas de Cora Coralina!</span></em></p>
<p>Cora Coralina é, hoje, uma das poetisas brasileiras mais conhecidas e mais queridas pelo público.</p>
<p>Sua história é interessantíssima, e o que mais parece impressionar é ter ela começado a publicar versos apenas na velhice.</p>
<p>Talvez por isso, a poesia de Cora Coralina parece inteiramente dotada do tom de alguém que, no fim da vida, reflete sobre como viveu e quais lições pôde tirar de suas experiências.</p>
<p>Assim, podemos entender com facilidade um dos segredos do sucesso desta poetisa: a nós, seus leitores, a poesia de Cora Coralina soa-nos como se fossem conselhos de uma querida avó.</p>
<p>Sendo assim, preparamos uma seleção com os 10 melhores poemas de Cora Coralina para que você possa conhecer um pouco mais da obra desta poetisa.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Cora Coralina</h2>
<h3>Meu destino</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema Meu destino, de Cora Coralina | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/RrOM_Md0Nco?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Nas palmas de tuas mãos<br />
leio as linhas da minha vida.<br />
Linhas cruzadas, sinuosas,<br />
interferindo no teu destino.</p>
<p>Não te procurei, não me procuraste –<br />
íamos sozinhos por estradas diferentes.<br />
Indiferentes, cruzamos.</p>
<p>Passavas com o fardo da vida&#8230;<br />
Corri ao teu encontro.<br />
Sorri. Falamos.<br />
Esse dia foi marcado<br />
com a pedra branca<br />
da cabeça de um peixe.</p>
<p>E, desde então, caminhamos<br />
juntos pela vida&#8230;</p></blockquote>
<p><i>Meu destino</i> é um poema que <strong>sugere uma reflexão sobre a atuação do destino em nossas vidas</strong>.</p>
<p>Este, que é sem dúvida um dos melhores poemas de Cora Coralina, é também um belo cartão de visita de sua obra.</p>
<p>Sentimos, ao percorrer estes versos, imergir-nos nas calmas reflexões de alguém que rememora o passado, lembrando-se de um lance decisivo.</p>
<p>O poema evoca o momento do primeiro encontro entre o eu lírico e o seu ser amado, momento após o qual jamais se separaram.</p>
<p>Os versos destacam o caráter inesperado do encontro entre ambos, reforçando que nenhum dos dois forçou tal encontro, como a dizer-nos que ele <strong>simplesmente aconteceu</strong>.</p>
<p><em>Meu destino</em>, pois, convida-nos a<strong> refletir sobre o destino e a importância que adquirem em nossas vidas alguns momentos especiais</strong>.</p>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-meu-destino-cora-coralina-poesia/">Meu destino, de Cora Coralina</a>.</span></em></li>
</ul>
<h3>O cântico da terra</h3>
<blockquote><p>Eu sou a terra, eu sou a vida.<br />
Do meu barro primeiro veio o homem.<br />
De mim veio a mulher e veio o amor.<br />
Veio a árvore, veio a fonte.<br />
Vem o fruto e vem a flor.</p>
<p>Eu sou a fonte original de toda vida.<br />
Sou o chão que se prende à tua casa.<br />
Sou a telha da coberta de teu lar.<br />
A mina constante de teu poço.<br />
Sou a espiga generosa de teu gado<br />
e certeza tranquila ao teu esforço.<br />
Sou a razão de tua vida.<br />
De mim vieste pela mão do Criador,<br />
e a mim tu voltarás no fim da lida.<br />
Só em mim acharás descanso e Paz.</p>
<p>Eu sou a grande Mãe Universal.<br />
Tua filha, tua noiva e desposada.<br />
A mulher e o ventre que fecundas.<br />
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.</p>
<p>A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.<br />
Teu arado, tua foice, teu machado.<br />
O berço pequenino de teu filho.<br />
O algodão de tua veste<br />
e o pão de tua casa.</p>
<p>E um dia bem distante<br />
a mim tu voltarás.<br />
E no canteiro materno de meu seio<br />
tranquilo dormirás.</p>
<p>Plantemos a roça.<br />
Lavremos a gleba.<br />
Cuidemos do ninho,<br />
do gado e da tulha.<br />
Fartura teremos<br />
e donos de sítio<br />
felizes seremos.</p></blockquote>
<p><em>O cântico da terra</em> é um poema que <strong>celebra a conexão entre o ser humano e a terra e exalta a importância desta para a vida</strong>.</p>
<p>O poema é construído como se fosse a terra a dizer de sua própria importância; ela diz ser a fonte original da vida, e portanto dela derivarem o homem, a mulher, o amor, a árvore, a fonte, o fruto e a flor.</p>
<p>A exposição se estende, e então vamos refletindo sobre quantas coisas realmente dependem da terra, como o nosso alimento, nossa casa, nosso vestuário e nossa própria vida.</p>
<p>Enfim, a terra se autoproclama a Mãe Universal, responsável por sustentar toda a criação divina, e para onde deve retornar o homem, que nela encontra descanso, paz e felicidade.</p>
<h3>A Procura</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Poema A Procura, de Cora Coralina | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/orJ4tKKXorc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Andei pelos caminhos da Vida.<br />
Caminhei pelas ruas do Destino –<br />
procurando meu signo.<br />
Bati na porta da Fortuna,<br />
mandou dizer que não estava.<br />
Bati na porta da Fama,<br />
falou que não podia atender.<br />
Procurei a casa da Felicidade,<br />
a vizinha da frente me informou<br />
que ela tinha se mudado<br />
sem deixar novo endereço.<br />
Procurei a morada da Fortaleza.<br />
Ela me fez entrar: deu-me veste nova,<br />
perfumou-me os cabelos,<br />
fez-me beber de seu vinho.<br />
Acertei o meu caminho.</p></blockquote>
<p><i>A Procura é um poema que </i>sugere uma<strong> reflexão sobre o o curso de nossas vidas</strong>.</p>
<p>O poema é a expressão de um eu lírico que fortaleceu-se com as adversidades e nelas encontrou força para seguir adiante.</p>
<p>São versos que, em suma, transmitem a mensagem de alguém que &#8220;aceitou o seu caminho&#8221;, isto é, alguém que se tornou resistente às decepções da vida e tornou-se capaz de aceitá-la como ela é.</p>
<p><em>A Procura</em> é um poema que parece nos dizer que<strong> é preciso ter coragem diante de nossas frustrações e ter perseverança no curso de nossa existência</strong>, pois, um dia, poderemos enfim encontrar o nosso &#8220;caminho&#8221;.</p>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-a-procura-cora-coralina-analise-poesia/">A Procura, de Cora Coralina</a>.</span></em></li>
</ul>
<h3>Todas as vidas</h3>
<blockquote><p>Vive dentro de mim<br />
uma cabocla velha<br />
de mau-olhado,<br />
acocorada ao pé do borralho,<br />
olhando para o fogo.<br />
Benze quebranto.<br />
Bota feitiço&#8230;<br />
Ogum. Orixá.<br />
Macumba, terreiro.<br />
Ogã, pai de santo&#8230;</p>
<p>Vive dentro de mim<br />
a lavadeira do Rio Vermelho.<br />
Seu cheiro gostoso<br />
d&#8217;água e sabão.<br />
Rodilha de pano.<br />
Trouxa de roupa,<br />
pedra de anil.<br />
Sua coroa verde de são-caetano.</p>
<p>Vive dentro de mim<br />
a mulher cozinheira.<br />
Pimenta e cebola.<br />
Quitute benfeito.<br />
Panela de barro.<br />
Taipa de lenha.<br />
Cozinha antiga<br />
toda pretinha.<br />
Bem cacheada de picumã.<br />
Pedra pontuda.<br />
Cumbuco de coco.<br />
Pisando alho-sal.</p>
<p>Vive dentro de mim<br />
a mulher do povo.<br />
Bem proletária.<br />
Bem linguaruda,<br />
desabusada, sem preconceitos,<br />
de casca-grossa,<br />
de chinelinha,<br />
e filharada.</p>
<p>Vive dentro de mim<br />
a mulher roceira.<br />
&#8211; Enxerto da terra,<br />
meio casmurra.<br />
Trabalhadeira.<br />
Madrugadeira.<br />
Analfabeta.<br />
De pé no chão.<br />
Bem parideira.<br />
Bem criadeira.<br />
Seus doze filhos<br />
Seus vinte netos.</p>
<p>Vive dentro de mim<br />
a mulher da vida.<br />
Minha irmãzinha&#8230;<br />
Fingindo alegre seu triste fado.</p>
<p>Todas as vidas dentro de mim:<br />
Na minha vida &#8211;<br />
a vida mera das obscuras.</p></blockquote>
<p><em>Todas as vidas</em> é um poema muito interessante que nos revela as várias faces da identidade de Cora Coralina.</p>
<p>Embora saibamos que um eu lírico não necessariamente tem de representar o artista detrás de si, aqui claramente temos <strong>traços da personalidade da poetisa goiana</strong>, retratados como diferentes personalidades dentro de uma pessoa só.</p>
<p>Neste poema, ficamos com <strong>uma</strong> <strong>forte impressão da</strong> <strong>simplicidade e da difícil vida</strong> da poetisa, e impressiona vê-la ressaltando em si mesma a &#8220;lavadeira&#8221;, a &#8220;cozinheira&#8221;, a &#8220;roceira&#8221; e, sobretudo, a &#8220;analfabeta&#8221;.</p>
<p>É tocante ver como um caminho como esse, de dificuldades, ausência de educação formal e muito trabalho, acabou desembocando na poesia.</p>
<h3>Ressalva</h3>
<blockquote><p>Este livro foi escrito<br />
por uma mulher<br />
que no tarde da Vida<br />
recria a poetiza sua própria<br />
Vida.</p>
<p>Este livro<br />
foi escrito por uma mulher<br />
que fez a escalada da<br />
Montanha da Vida<br />
removendo pedras<br />
e plantando flores.</p>
<p>Este livro:<br />
Versos&#8230; Não.<br />
Poesia&#8230; Não.<br />
Um modo diferente de contar velhas estórias.</p></blockquote>
<p><em>Ressalva</em> é o poema que abre o livro <em>Poemas dos becos de Goiás e estórias mais (1965)</em>, o primeiro publicado por Cora Coralina.</p>
<p>Destacamo-lo por nos mostrar, de uma só vez, o estilo e a trajetória da autora que, &#8220;no tarde da vida&#8221;, começou a fazer versos.</p>
<p>O poema parece-nos bonito sobretudo por <strong>explicitar a possibilidade de recriar-nos pela literatura</strong>.</p>
<p>Aliás, é isso o que diz fazer o eu lírico, que nos mostra ter encontrado na poesia uma nova motivação para viver, já na velhice.</p>
<p>Nos poucos versos de <em>Ressalva</em>, entramos em contato com a simplicidade e a atmosfera que irá permear toda a obra de Cora Coralina.</p>
<h3>Becos de Goiás</h3>
<blockquote><p>Beco da minha terra&#8230;<br />
Amo tua paisagem triste, ausente e suja.<br />
Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa.<br />
Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio.<br />
E a réstia de sol que ao meio-dia desce, fugidia,<br />
e semeia polmes dourados no teu lixo pobre,<br />
calçando de ouro a sandália velha,<br />
jogada no teu monturo.</p>
<p>Amo a prantina silenciosa do teu fio de água,<br />
descendo de quintais escusos<br />
sem pressa,<br />
e se sumindo depressa na brecha de um velho cano.<br />
Amo a avenca delicada que renasce<br />
na frincha de teus muros empenados,<br />
e a plantinha desvalida, de caule mole<br />
que se defende, viceja e floresce<br />
no agasalho de tua sombra úmida e calada.</p>
<p>Amo esses burros de lenha<br />
que passam pelos becos antigos. Burrinhos dos morros,<br />
secos, lanzudos, mal zelados, cansados, pisados.<br />
Arrochados na sua carga, sabidos, procurando a sombra,<br />
no range-range das cangalhas.</p>
<p>E aquele menino, lenheiro ele, salvo seja.<br />
Sem infância, sem idade.<br />
Franzino, maltrapilho,<br />
pequeno para ser homem,<br />
forte para ser criança.<br />
Ser indefeso, indefinido, que só se vê na minha cidade.</p>
<p>Amo e canto com ternura<br />
todo o errado da minha terra.</p>
<p>Becos da minha terra,<br />
discriminados e humildes,<br />
lembrando passadas eras&#8230;</p>
<p>Beco do Cisco.<br />
Beco do Cotovelo.<br />
Beco do Antônio Gomes.<br />
Beco das Taquaras.<br />
Beco do Seminário.<br />
Bequinho da Escola.<br />
Beco do Ouro Fino.<br />
Beco da Cachoeira Grande.<br />
Beco da Calabrote.<br />
Beco do Mingu.<br />
Beco da Vila Rica&#8230;</p>
<p>Conto a estória dos becos,<br />
dos becos da minha terra,<br />
suspeitos&#8230; mal-afamados<br />
onde família de conceito não passava.<br />
“Lugar de gentinha” – diziam, virando a cara.<br />
De gente do pote d’água.<br />
De gente de pé no chão.</p>
<p>Becos de mulher perdida.<br />
Becos de mulheres da vida.<br />
Renegadas, confinadas<br />
na sombra triste do beco.<br />
Quarto de porta e janela.<br />
Prostituta anemiada,<br />
solitária, hética, engalicada,<br />
tossindo, escarrando sangue<br />
na umidade suja do beco.</p>
<p>Becos mal-assombrados.<br />
Becos de assombração&#8230;<br />
Altas horas, mortas horas&#8230;<br />
Capitão-mor – alma penada,<br />
terror dos soldados, castigado nas armas.<br />
Capitão-mor, alma penada,<br />
num cavalo ferrado,<br />
chispando fogo,<br />
descendo e subindo o beco,<br />
comandando o quadrado – feixe de varas&#8230;<br />
Arrastando espada, tinindo esporas&#8230;</p>
<p>Mulher-dama. Mulheres da vida,<br />
perdidas,<br />
começavam em boas casas, depois,<br />
baixavam pra o beco.<br />
Queriam alegria. Faziam bailaricos.<br />
– Baile Sifilítico – era ele assim chamado.<br />
O delegado-chefe de Polícia – brabeza –<br />
dava em cima&#8230;<br />
Mandava sem dó, na peia.<br />
No dia seguinte, coitadas,<br />
cabeça raspada à navalha,<br />
obrigadas a capinar o Largo do Chafariz,<br />
na frente da Cadeia.</p>
<p>Becos da minha terra&#8230;<br />
Becos de assombração.<br />
Românticos, pecaminosos&#8230;<br />
Têm poesia e têm drama.<br />
O drama da mulher da vida, antiga,<br />
humilhada, malsinada.<br />
Meretriz venérea,<br />
desprezada, mesentérica, exangue.<br />
Cabeça raspada à navalha,<br />
castigada a palmatória,<br />
capinando o largo,<br />
chorando. Golfando sangue.</p>
<p>(ÚLTIMO ATO)</p>
<p>Um irmão vicentino comparece.<br />
Traz uma entrada grátis do São Pedro de Alcântara.<br />
Uma passagem de terceira no grande coletivo de São Vicente.<br />
Uma estação permanente de repouso – no aprazível<br />
São Miguel.</p>
<p>Cai o pano.</p></blockquote>
<p><em>Becos de Goiás</em> é um poema em que o eu lírico <strong>expressa sua ligação com a própria terra</strong>.</p>
<p>O poema é interessante por descrever com minúcia especialmente os aspectos negativos dos &#8220;becos&#8221; da terra do eu lírico, de forma que este mesmo assim diz amá-los, como se constituíssem uma dimensão de si mesmo.</p>
<p>Vemo-los pintados como a representar toda uma variedade de pessoas humildes, e mesmo serem rejeitados por &#8220;famílias de conceito&#8221; que se referiam a eles como &#8220;lugar de gentinha&#8221;.</p>
<p>O que parece fazer o eu lírico, além de evocar-nos a imagem de suas origens, é <strong>alertar-nos para uma realidade que muitos procuram ignorar</strong>.</p>
<h3>Aninha e suas pedras</h3>
<blockquote><p>Não te deixes destruir…<br />
Ajuntando novas pedras<br />
e construindo novos poemas.</p>
<p>Recria tua vida, sempre, sempre.<br />
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.</p>
<p>Faz de tua vida mesquinha<br />
um poema.<br />
E viverás no coração dos jovens<br />
e na memória das gerações que hão de vir.</p>
<p>Esta fonte é para uso de todos os sedentos.<br />
Toma a tua parte.<br />
Vem a estas páginas<br />
e não entraves seu uso<br />
aos que têm sede.</p></blockquote>
<p><em>Aninha e suas pedras</em> é um dos mais conhecidos poemas de Cora Coralina.</p>
<p>Incluímo-lo nesta lista porque, apesar de pequeno, ele <strong>encerra uma mensagem profunda</strong>.</p>
<p>Para além da oralidade e do tom intimista, confidente, que estabelece uma relação entre o eu lírico e o leitor, <em>Aninha e suas pedras</em> parece <strong>estimular nossa resistência e nosso entusiasmo</strong> pela vida.</p>
<p>Além do belo conselho &#8220;faz de tua vida mesquinha um poema&#8221;, o eu lírico incentiva o leitor a &#8220;recriar&#8221; sempre a própria vida, a &#8220;recomeçar&#8221;, algo que, em suma, significa &#8220;não perder a motivação&#8221;.</p>
<p>Associando o viver à poesia, contudo, o eu lírico dá um passo além, e sugere que <strong>a arte perdura depois que morremos</strong>, e portanto nos preserva.</p>
<h3>Amigo</h3>
<blockquote><p>Vamos conversar<br />
como dois velhos que se encontram<br />
no fim da caminhada.<br />
Foi o mesmo nosso marco de partida.<br />
Palmilhamos juntos a mesma estrada.</p>
<p>Eu era moça.<br />
Sentia sem saber<br />
seu cheiro de terra,<br />
seu cheiro de mato,<br />
seu cheiro de pastagens.</p>
<p>É que havia dentro de mim,<br />
no fundo obscuro de meu ser<br />
vivências e atavismo ancestrais:<br />
fazendas, latifúndios,<br />
engenhos e currais.</p>
<p>Mas&#8230; ai de mim!<br />
Era moça da cidade.<br />
Escrevia versos e era sofisticada.<br />
Você teve medo.<br />
O medo que todo homem sente<br />
da mulher letrada.</p>
<p>Não pressentiu, não adivinhou<br />
aquela que o esperava<br />
mesmo antes de nascer.</p>
<p>Indiferente<br />
tomaste teu caminho<br />
por estrada diferente.<br />
Longo tempo o esperei<br />
na encruzilhada,<br />
depois&#8230; depois&#8230;<br />
carreguei sozinha<br />
a pedra do meu destino.</p>
<p>Hoje, no tarde da vida,<br />
apenas,<br />
uma suave e perdida relembrança.</p></blockquote>
<p><i>Amigo </i>é um poema que encerra uma<strong> reflexão sobre o tempo e sobre as escolhas que fazemos na vida</strong>.</p>
<p>Os versos são escritos por uma narradora e <strong>sugerem dor e arrependimento</strong> na constatação de uma oportunidade perdida, isto é, a oportunidade de um amor real que poderia ter se concretizado, mas não o fez.</p>
<p>É um poema que, embora em tom sereno, expressa um desalento que tem na &#8220;suave e perdida relembrança&#8221; a única coisa que restou de um amor que poderia ter marcado uma vida.</p>
<p><em>Amigo</em> é belo por lembrar-nos que, às vezes, <strong>pequenos detalhes podem alterar por completo o curso de nossa existência</strong>.</p>
<ul>
<li><em><span style="color: #000000;">Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-amigo-de-cora-coralina-poesia-analise/">Amigo, de Cora Coralina</a>.</span></em></li>
</ul>
<h3>Mulher da Vida</h3>
<blockquote><p>Mulher da Vida,<br />
Minha irmã.</p>
<p>De todos os tempos.<br />
De todos os povos.<br />
De todas as latitudes.<br />
Ela vem do fundo imemorial das idades<br />
e carrega a carga pesada<br />
dos mais torpes sinônimos,<br />
apelidos e apodos:<br />
Mulher da zona,<br />
Mulher da rua,<br />
Mulher perdida,<br />
Mulher à toa.</p>
<p>Mulher da Vida,<br />
Minha irmã.</p>
<p>Pisadas, espezinhadas, ameaçadas.<br />
Desprotegidas e exploradas.<br />
Ignoradas da Lei, da Justiça e do Direito.</p>
<p>Necessárias fisiologicamente.<br />
Indestrutíveis.</p>
<p>Sobreviventes.<br />
Possuídas e infamadas sempre<br />
por aqueles que um dia<br />
as lançaram na vida.<br />
Marcadas. Contaminadas.<br />
Escorchadas. Discriminadas.</p>
<p>Nenhum direito lhes assiste.<br />
Nenhum estatuto ou norma as protege.<br />
Sobrevivem como a erva cativa<br />
dos caminhos,<br />
pisadas, maltratadas e renascidas.</p>
<p>Flor sombria, sementeira espinhal<br />
gerada nos viveiros da miséria,<br />
da pobreza e do abandono,<br />
enraizada em todos os quadrantes<br />
da Terra.</p>
<p>Um dia, numa cidade longínqua, essa<br />
mulher corria perseguida pelos homens<br />
que a tinham maculado. Aflita, ouvindo<br />
o tropel dos perseguidores e o sibilo<br />
das pedras,<br />
ela encontrou-se com a Justiça.<br />
A Justiça estendeu sua destra poderosa<br />
e lançou o repto milenar:<br />
“Aquele que estiver sem pecado<br />
atire a primeira pedra”.</p>
<p>As pedras caíram<br />
e os cobradores deram as costas.</p>
<p>O Justo falou então a palavra<br />
de equidade:<br />
“Ninguém te condenou, mulher&#8230; nem<br />
eu te condeno”.</p>
<p>A Justiça pesou a falta pelo peso<br />
do sacrifício e este excedeu àquela.<br />
Vilipendiada, esmagada.<br />
Possuída e enxovalhada,<br />
ela é a muralha que há milênios<br />
detém as urgências brutais do homem<br />
para que na sociedade<br />
possam coexistir a inocência,<br />
a castidade e a virtude.</p>
<p>Na fragilidade de sua carne maculada<br />
esbarra a exigência impiedosa do macho.</p>
<p>Sem cobertura de leis<br />
e sem proteção legal,<br />
ela atravessa a vida ultrajada<br />
e imprescindível, pisoteada, explorada,<br />
nem a sociedade a dispensa<br />
nem lhe reconhece direitos<br />
nem lhe dá proteção.<br />
E quem já alcançou o ideal dessa mulher,<br />
que um homem a tome pela mão,<br />
a levante, e diga: minha companheira.</p>
<p>Mulher da Vida,<br />
Minha irmã.</p>
<p>No fim dos tempos.<br />
No dia da Grande Justiça<br />
do Grande Juiz.<br />
Serás remida e lavada<br />
de toda condenação.</p>
<p>E o juiz da Grande Justiça<br />
a vestirá de branco<br />
em novo batismo de purificação.<br />
Limpará as máculas de sua vida<br />
humilhada e sacrificada<br />
para que a Família Humana<br />
possa subsistir sempre,<br />
estrutura sólida e indestrutível<br />
da sociedade,<br />
de todos os povos,<br />
de todos os tempos.</p>
<p>Mulher da Vida,<br />
Minha irmã.</p>
<p><em>Declarou-lhes Jesus: Em verdade vos digo que publicanos e</em><br />
<em>meretrizes vos precedem no Reino de Deus.</em><br />
<em>(Evangelho de São Mateus 21, 31)</em></p></blockquote>
<p><em>Mulher da Vida</em> é um belo de poema de Cora Coralina que merece menção em nossa lista.</p>
<p>Este poema tem uma abordagem interessante porque <strong>vai na contramão do senso comum e combate preconceitos</strong> antiquíssimos que, o mais das vezes, representam a boa e velha hipocrisia.</p>
<p>O poema, em resumo, humaniza a prostituta através de um eu lírico que a chama de &#8220;minha irmã&#8221; e <strong>transmite uma mensagem de empatia e compreensão</strong>.</p>
<h3>Ofertas de Aninha (aos moços)</h3>
<blockquote><p>Eu sou aquela mulher<br />
a quem o tempo<br />
muito ensinou.<br />
Ensinou a amar a vida.<br />
Não desistir da luta.<br />
Recomeçar na derrota.<br />
Renunciar a palavras e pensamentos negativos.<br />
Acreditar nos valores humanos.<br />
Ser otimista.</p>
<p>Creio numa força imanente<br />
que vai ligando a família humana<br />
numa corrente luminosa<br />
de fraternidade universal.<br />
Creio na solidariedade humana.<br />
Creio na superação dos erros<br />
e angústias do presente.</p>
<p>Acredito nos moços.<br />
Exalto sua confiança,<br />
generosidade e idealismo.<br />
Creio nos milagres da ciência<br />
e na descoberta de uma profilaxia<br />
futura dos erros e violências do presente.</p>
<p>Aprendi que mais vale lutar<br />
do que recolher dinheiro fácil.<br />
Antes acreditar do que duvidar.</p></blockquote>
<p>Para fechar nossa lista, nada melhor do que um poema que transmite o lado mais positivo e otimista de Cora Coralina.</p>
<p><em>Ofertas de Aninha (aos moços)</em> é um poema que <strong>parece sintetizar o mais importante do aprendizado de uma vida</strong>.</p>
<p>Quando pensamos em Aninha (Cora Coralina), já na velhice, a compor estes versos, logo entendemos sua profundidade, pois logo pensamos na vida sofrida e repleta de obstáculos que a poetisa enfrentou e está exposta em poemas anteriores.</p>
<p>Após todo este esforço, o eu lírico revela-nos as lições que aprendeu, que soam como recomendações de como devemos viver nossas vidas: com coragem, perseverança, otimismo e amor.</p>
<h4>Sobre Cora Coralina</h4>
<p>Cora Coralina (pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas) nasceu na Cidade de Goiás (GO), em 20 de agosto de 1889.</p>
<p>Foi criada às margens do rio Vermelho, e fez os estudos primários na Escola da Mestre Silvina.</p>
<p>Iniciou sua carreira literária aos 14 anos com o conto Tragédia na Roça, publicado no Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás.</p>
<p>Aos 15 anos, tornou-se &#8220;Cora&#8221;, um derivativo de coração, que posteriormente seria acompanhado de Coralina.</p>
<p>Casou-se, teve seis filhos e afastou-se de Goiás por 45 anos, vivendo em São Paulo.</p>
<p>Seu marido faleceu em 1934. Pouco depois, viúva, retornou a Goiás, onde passou a exercer a ocupação de doceira.</p>
<p>Publicou o seu primeiro livro, <em>Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais (1965)</em>, apenas aos 76 anos, e em seguida despontou como uma das principais vozes da poesia moderna brasileira.</p>
<p>Em 1970, tomou posse da cadeira número 5 da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás.</p>
<p>Em 1982, mesmo tendo estudado somente até o equivalente ao segundo ano do atual Ensino Fundamental, recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal de Goiás.</p>
<p>No ano seguinte, foi a vencedora do concurso Intelectual do Ano do Troféu Juca Pato, tornando-se a primeira mulher a receber tal honraria.</p>
<p>Em 1984, foi eleita Símbolo da Mulher Trabalhadora Rural pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).</p>
<p>Faleceu em Goiânia, em 10 de abril de 1985.</p>
<p>Após sua morte, amigos e parentes criaram a Associação Casa de Cora Coralina, uma entidade sem fins lucrativos que mantém o <a href="https://www.museucoracoralina.com.br/site/" target="_blank" rel="noopener">Museu Cora Coralina</a>, que transformou em museu a casa em que Cora Coralina passou seus últimos dias.</p>
<h4>Obras de Cora Coralina</h4>
<ul>
<li><em>Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais (1965)</em></li>
<li><em>Meu Livro de Cordel (1976)</em></li>
<li><em>Vintém de Cobre: Meias confissões de Aninha (1983)</em></li>
<li><em>Estórias da Casa Velha da Ponte (1985)</em></li>
<li><em>Meninos Verdes (1986)</em></li>
<li><em>Tesouro da Casa Velha (1996)</em></li>
<li><em>A Moeda de Ouro que o Pato Engoliu (1999)</em></li>
<li><em>Vila Boa de Goiás (2001)</em></li>
<li><em>O Prato Azul-Pombinho (2002)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas de Cora Coralina.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-infantis-de-vinicius-de-moraes-poesia/">poemas infantis de Vinícius de Moraes</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>10 poemas infantis de Vinícius de Moraes para ler com as crianças!</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-infantis-de-vinicius-de-moraes-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-infantis-de-vinicius-de-moraes-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Jun 2023 09:00:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poetas brasileiros]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2175</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o com os melhores poemas infantis de Vin&#237;cius de Moraes! Vin&#237;cius de Moraes, como sabemos, foi um artista m&#250;ltiplo e fez um sucesso tremendo tanto na m&#250;sica, quanto nas letras. Sua obra destinada ao p&#250;blico infantil &#233;, at&#233; hoje, conhecid&#237;ssima do p&#250;blico brasileiro, havendo muitas pessoas que conhecem poemas de Vin&#237;cius sem&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-infantis-de-vinicius-de-moraes-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">10 poemas infantis de Vinícius de Moraes para ler com as crianças!</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #808080;">Confira a nossa seleção com os melhores poemas infantis de Vinícius de Moraes!</span></em></p>
<p>Vinícius de Moraes, como sabemos, foi um artista múltiplo e fez um sucesso tremendo tanto na música, quanto nas letras.</p>
<p>Sua obra destinada ao público infantil é, até hoje, conhecidíssima do público brasileiro, havendo muitas pessoas que conhecem poemas de Vinícius sem saber que se tratam de poemas dele.</p>
<p>Já dissemos, em outra ocasião, o quanto se pode ganhar em ensinar poesia para crianças, e o quanto a poesia pode ajudar a desenvolver o raciocínio e o senso estético dos pequenos. Em suma: a poesia infantil tem uma didática e um efeito talvez insuperáveis.</p>
<p>É por isso que, para pais e educadores, é quase sempre proveitosa a leitura de poemas infantis.</p>
<p>Sendo assim, preparamos uma seleção com 10 poemas infantis de Vinícius de Moraes para ler e se divertir com as crianças. Disponibilizaremos, também, versões musicais dos poemas.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas infantis de Vinícius de Moraes</h2>
<h3>As borboletas</h3>
<blockquote><p>Brancas<br />
Azuis<br />
Amarelas<br />
E pretas<br />
Brincam<br />
Na luz<br />
As belas<br />
Borboletas.</p>
<p>Borboletas brancas<br />
São alegres e francas.</p>
<p>Borboletas azuis<br />
Gostam muito de luz.</p>
<p>As amarelinhas<br />
São tão bonitinhas!</p>
<p>E as pretas, então&#8230;<br />
Oh, que escuridão!</p></blockquote>
<h4>Versão musical de As borboletas, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="AS BORBOLETAS Vinicius de Moraes - MÚSICA! Canção infantil com o poema de Vinicius de Moraes" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/mdezD2pYDuw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>A casa</h3>
<blockquote><p>Era uma casa<br />
Muito engraçada<br />
Não tinha teto<br />
Não tinha nada<br />
Ninguém podia<br />
Entrar nela não<br />
Porque na casa<br />
Não tinha chão<br />
Ninguém podia<br />
Dormir na rede<br />
Porque a casa<br />
Não tinha parede<br />
Ninguém podia<br />
Fazer pipi<br />
Porque penico<br />
Não tinha ali<br />
Mas era feita<br />
Com muito esmero<br />
Na Rua dos Bobos<br />
Número Zero.</p></blockquote>
<h4>Versão musical de A casa, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="A Casa -  Vinicius de Moraes - Clipe Galinha Pintadinha" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/wnkdc5NX0H0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>O pato</h3>
<blockquote><p>Lá vem o pato<br />
Pata aqui, pata acolá<br />
Lá vem o pato<br />
Para ver o que é que há.<br />
O pato pateta<br />
Pintou o caneco<br />
Surrou a galinha<br />
Bateu no marreco<br />
Pulou do poleiro<br />
No pé do cavalo<br />
Levou um coice<br />
Criou um galo<br />
Comeu um pedaço<br />
De jenipapo<br />
Ficou engasgado<br />
Com dor no papo<br />
Caiu no poço<br />
Quebrou a tigela<br />
Tantas fez o moço<br />
Que foi pra panela.</p></blockquote>
<h4>Versão musical de O pato, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Toquinho - O Pato" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/z8-yWOXXJ4Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>O gato</h3>
<blockquote><p>Com um lindo salto<br />
Lesto e seguro<br />
O gato passa<br />
Do chão ao muro<br />
Logo mudando<br />
De opinião<br />
Passa de novo<br />
Do muro ao chão<br />
E pega corre<br />
Bem de mansinho<br />
Atrás de um pobre<br />
De um passarinho<br />
Súbito, para<br />
Como assombrado<br />
Depois dispara<br />
Pula de lado<br />
E quando tudo<br />
Se lhe fatiga Toma o seu banho<br />
Passando a língua<br />
Pela barriga.</p></blockquote>
<h4>Versão musical de O gato, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Mart&#039;nália - Arca de Noé – O Gato – Vídeo infantil" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/YYxPYCHKd2Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>O leão</h3>
<blockquote><p>Leão! Leão! Leão!<br />
Rugindo como o trovão<br />
Deu um pulo, e era uma vez<br />
Um cabritinho montês.</p>
<p>Leão! Leão! Leão!<br />
És o rei da criação</p>
<p>Tua goela é uma fornalha<br />
Teu salto, uma labareda<br />
Tua garra, uma navalha<br />
Cortando a presa na queda.</p>
<p>Leão longe, leão perto<br />
Nas areias do deserto.<br />
Leão alto, sobranceiro<br />
Junto do despenhadeiro.<br />
Leão na caça diurna<br />
Saindo a correr da furna.<br />
Leão! Leão! Leão!<br />
Foi Deus que te fez ou não?</p>
<p>O salto do tigre é rápido<br />
Como o raio; mas não há<br />
Tigre no mundo que escape<br />
Do salto que o Leão dá.<br />
Não conheço quem defronte<br />
O feroz rinoceronte.<br />
Pois bem, se ele vê o Leão<br />
Foge como um furacão.</p>
<p>Leão se esgueirando, à espera<br />
Da passagem de outra fera&#8230;<br />
Vem o tigre; como um dardo<br />
Cai-lhe em cima o leopardo<br />
E enquanto brigam, tranquilo<br />
O leão fica olhando aquilo.<br />
Quando se cansam, o leão<br />
Mata um com cada mão.</p>
<p>Leão! Leão! Leão!<br />
És o rei da criação!</p></blockquote>
<h4>Versão musical de O leão, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Fagner - O Leão (Lyric Video)" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/hb-JSVK6L3Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>O elefantinho</h3>
<blockquote><p>Onde vais, elefantinho<br />
Correndo pelo caminho<br />
Assim tão desconsolado?<br />
Andas perdido, bichinho<br />
Espetaste o pé no espinho<br />
Que sentes, pobre coitado?</p>
<p>— Estou com um medo danado<br />
Encontrei um passarinho!</p></blockquote>
<h4>Versão musical de O elefantinho, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="O Elefantinho" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/1jQ_8lW9Uts?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>O pinguim</h3>
<blockquote><p>Bom dia, pinguim<br />
Onde vai assim<br />
Com ar apressado?<br />
Eu não sou malvado<br />
Não fique assustado<br />
Com medo de mim.<br />
Eu só gostaria<br />
De dar um tapinha<br />
No seu chapéu-jaca<br />
Ou bem de levinho<br />
Puxar o rabinho<br />
Da sua casaca.</p></blockquote>
<h4>Versão musical de O pinguim, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Toquinho - O Pinguim" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/7-w3Dlm5OUM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>O relógio</h3>
<blockquote><p>Passa, tempo, tic-tac<br />
Tic-tac, passa, hora<br />
Chega logo, tic-tac<br />
Tic-tac, e vai-te embora<br />
Passa, tempo<br />
Bem depressa<br />
Não atrasa<br />
Não demora<br />
Que já estou<br />
Muito cansado<br />
Já perdi<br />
Toda a alegria<br />
De fazer<br />
Meu tic-tac<br />
Dia e noite<br />
Noite e dia<br />
Tic-tac<br />
Tic-tac<br />
Tic-tac&#8230;</p></blockquote>
<h4>Versão musical de O relógio, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="Walter Franco - O Relógio" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/4szJqFbLEnE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>São Francisco</h3>
<blockquote><p>Lá vai São Francisco<br />
Pelo caminho<br />
De pé descalço<br />
Tão pobrezinho<br />
Dormindo à noite<br />
Junto ao moinho<br />
Bebendo a água<br />
Do ribeirinho.</p>
<p>Lá vai São Francisco<br />
De pé no chão<br />
Levando nada<br />
No seu surrão<br />
Dizendo ao vento<br />
Bom dia, amigo<br />
Dizendo ao fogo<br />
Saúde, irmão.</p>
<p>Lá vai São Francisco<br />
Pelo caminho<br />
Levando ao colo<br />
Jesuscristinho<br />
Fazendo festa<br />
No menininho<br />
Contando histórias<br />
Pros passarinhos.</p></blockquote>
<h4>Versão musical de São Francisco, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="São Francisco" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/nh_Cig36-xU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h3>A porta</h3>
<blockquote><p>Eu sou feita de madeira<br />
Madeira, matéria morta<br />
Mas não há coisa no mundo<br />
Mais viva do que uma porta.</p>
<p>Eu abro devagarinho<br />
Pra passar o menininho<br />
Eu abro bem com cuidado<br />
Pra passar o namorado</p>
<p>Eu abro bem prazenteira<br />
Pra passar a cozinheira<br />
Eu abro de supetão<br />
Pra passar o capitão.</p>
<p>Só não abro pra essa gente<br />
Que diz (a mim bem me importa&#8230;)<br />
Que se uma pessoa é burra<br />
É burra como uma porta.</p>
<p>Eu sou muito inteligente!</p>
<p>Eu fecho a frente da casa<br />
Fecho a frente do quartel<br />
Fecho tudo nesse mundo<br />
Só vivo aberta no céu!</p></blockquote>
<h4>Versão musical de A porta, de Vinícius de Moraes</h4>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="08 - A Porta - Fábio Jr. (DISCO A ARCA DE NOÉ - 1980)" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/9jnBBdg2Y6k?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe></div>
<h4>Sobre Vinícius de Moraes</h4>
<p>Vinícius de Moraes nasceu no Rio de Janeiro em 19 de outubro de 1913, filho de um pai funcionário público e poeta, e de uma mãe poetisa.</p>
<p>Apelidado carinhosamente de &#8220;poetinha&#8221;, Vinícius de Moraes teve atuação destacada, além de como poeta, como compositor, dramaturgo e diplomata.</p>
<p>Na música, esteve ele ao lado de figuras importantíssimas, podendo ser considerado, junto a Tom Jobim e João Gilberto, o epicentro do movimento que ficou mundialmente conhecido como bossa nova.</p>
<p>Sua canção <em>Chega de saudade</em>, que contou com arranjos de Tom Jobim, é considerada um marco na música popular brasileira que, regravada na voz de inúmeros artistas, foi considerada pela revista americana <a href="https://www.rollingstone.com/" target="_blank" rel="noopener"><em>Rolling Stone</em></a> a sexta melhor canção brasileira de todos os tempos.</p>
<p>No teatro, Vinícius de Moraes destacou-se com a peça <em>Orfeu da Conceição (1956)</em>, e sua poesia costuma ser enquadrada na segunda fase do modernismo brasileiro, apresentando de forma acentuada temáticas lírico-amorosas, como vemos no <em>Soneto de fidelidade</em>.</p>
<p>Além de reconhecido nacionalmente por sua obra artística, Vinícius de Moraes ficou também famoso por sua vida pessoal bastante agitada: o &#8220;poetinha&#8221;, tido como um grande conquistador, casou-se nove vezes e deixou cinco filhos, vindo a falecer em 9 de julho de 1980.</p>
<h4>Obras poéticas de Vinícius de Moraes</h4>
<ul>
<li><em>O caminho para a distância </em>(1933)</li>
<li><em>Forma e exegese</em> (1935)</li>
<li><em>Ariana, a mulher</em> (1936)</li>
<li><em>Novos poemas</em> (1938)</li>
<li><em>Cinco elegias</em> (1943)</li>
<li><em>Poemas, sonetos e baladas</em> (1946)</li>
<li><em>Pátria minha</em> (1949)</li>
<li><em>Antologia poética</em> (1954)</li>
<li><em>Livro de sonetos</em> (1957)</li>
<li><em>Novos poemas II</em> (1959)</li>
<li><em>O mergulhador</em> (1968)</li>
<li><em>A arca de Noé</em> (1970)</li>
<li><em>Poemas esparsos</em> (2008)</li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas infantis de Vinícius de Moraes.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea com <a href="https://comofazerumpoema.com/melhores-poemas-de-vinicius-de-moraes-poesia/">os melhores poemas de Vinícius de Moraes</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
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