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	<title>criando poemas &#8211; como fazer um poema</title>
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	<description>poesia brasileira e portuguesa</description>
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	<item>
		<title>Poesia narrativa: o que é, características e exemplos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Apr 2024 14:50:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[criando poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Saiba o que &#233; a poesia narrativa, conhe&#231;a suas caracter&#237;sticas e veja exemplos de sua aplica&#231;&#227;o! A poesia narrativa &#233; cultivada desde a Antiguidade, e neste g&#234;nero est&#227;o algumas das composi&#231;&#245;es mais brilhantes e conhecidas da literatura mundial. Embora hoje, ao falarmos em &#8220;poesia&#8221;, a maioria das pessoas pensarem instintivamente no g&#234;nero l&#237;rico, o g&#234;nero&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poesia-narrativa-caracteristicas-exemplos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Poesia narrativa: o que é, características e exemplos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba o que é a poesia narrativa, conheça suas características e veja exemplos de sua aplicação!</em></span></p>
<p>A poesia narrativa é cultivada desde a Antiguidade, e neste gênero estão algumas das composições mais brilhantes e conhecidas da literatura mundial.</p>
<p>Embora hoje, ao falarmos em “poesia”, a maioria das pessoas pensarem instintivamente no <a href="https://comofazerumpoema.com/poesia-lirica-o-que-e-caracteristicas-tipos/">gênero lírico</a>, o gênero narrativo continua a ser empregado e continua capaz de alcançar, em verso, efeitos excelentes</p>
<p>A seguir, elucidaremos o que é poesia narrativa, quais são suas características e daremos exemplos de sua aplicação.</p>
<h2>O que é a poesia narrativa?</h2>
<p>A poesia narrativa é aquela que narra uma história em versos.</p>
<p>Sua principal característica é possuir um narrador que enuncia os fatos de maneira sequencial, isto é, a poesia narrativa <strong>relata ações que se sucedem no tempo e no espaço.</strong></p>
<p>A forma mais conhecida de poesia narrativa é a <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-poesia-epica-epopeia-caracteristicas/">epopeia</a>, destinada a narrar, em versos, feitos de grande importância histórica para uma civilização.</p>
<p>Na epopeia, nota-se um <strong>narrador onisciente</strong> distanciado dos fatos que narra, nota-se haver <strong>personagens, trama e um arco de ação</strong> que se desenvolve no poema.</p>
<p>As epopeias, contudo, apresentam sempre heróis e feitos gloriosos, algo que nem sempre é observado na poesia narrativa.</p>
<p>A poesia narrativa pode apresentar-se em variada forma, não distinguindo-se por elementos como estrofação, uso ou não de rima, metrificação e elementos formais semelhantes.</p>
<p>Em geral, os poemas narrativos costumam ter extensão superior à dos poemas líricos, mas encontramos em português alguns tipos de poema narrativo tradicionalmente curtos, como as chamadas <a href="https://comofazerumpoema.com/balada-poesia-caracteristicas-exemplos/">baladas narrativas</a>.</p>
<h2>Características da poesia narrativa</h2>
<p>Abaixo elencamos as principais características da poesia narrativa:</p>
<ul>
<li>Há sempre um narrador a conduzir a narrativa e enunciar os fatos em versos.</li>
<li>Há também um enredo no cerne da composição, isto é, uma sucessão de acontecimentos, geralmente exposta de maneira a evidenciar uma relação de causa e efeito entre eles.</li>
<li>Os acontecimentos narrados são vividos por personagens.</li>
<li>Há delimitação de espaço (local onde se passa a história) e tempo (época onde se passa a história).</li>
<li>A narração é geralmente marcada pela objetividade e destaca-se pela força dos fatos narrados, e não pelos sentimentos pessoais experimentados pelo narrador.</li>
</ul>
<h2>Diferenças entre poesia lírica e poesia narrativa</h2>
<p>Embora os exemplos mais antigos de poemas narrativos sejam de fácil identificação, por simplesmente disporem em versos uma narrativa tradicional, há poemas modernos que parecem mesclar o gênero lírico ao narrativo.</p>
<p>Essa tendência, aliás, é observada também em prosa, e há mesmo alguns exemplos de romances em verso que podem gerar confusão quanto ao gênero em que melhor se enquadram, especialmente porque nem sempre o narrador abstém-se de usar verbos e pronomes da 1ª pessoa.</p>
<p>Por isso, elencaremos as três principais diferenças entre o gênero lírico e o gênero narrativo:</p>
<ol>
<li><strong>Subjetividade vs objetividade</strong>: a poesia lírica tende a se concentrar nos sentimentos, pensamentos e experiências pessoais do eu lírico, enquanto a poesia narrativa narra uma história, isto é, descreve objetivamente uma sucessão de acontecimentos.</li>
<li><strong>Eu lírico vs personagens</strong>: na poesia lírica, há um eu lírico que expressa suas emoções e pensamentos, enquanto na poesia narrativa há personagens que se envolvem num enredo através de diálogos e ações.</li>
<li><strong>Tempo e espaço</strong>: na poesia lírica, não costuma haver uma sucessão de fatos no tempo e no espaço, e o eu lírico geralmente limita-se a expressar emoções e pensamentos experimentados no presente, ou a fazer reflexões sobre o passado; na poesia narrativa, há um encadeamento de fatos no tempo e no espaço, através do qual se desenvolvem a história e as personagens.</li>
</ol>
<h2>Exemplos de poesia narrativa</h2>
<p>Abaixo daremos alguns exemplos de poesia narrativa em português.</p>
<h3><span id="Odisseia_de_Homero" class="ez-toc-section"></span>Odisseia, de Homero</h3>
<p>Na <em>Odisseia</em>, Homero descreve as aventuras do herói Ulisses, retornando para a ilha de Ítaca após a <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_de_Troia" target="_blank" rel="noopener">Guerra de Troia</a>.</p>
<p>Assim começa o poema, na tradução de Manoel Odorico Mendes:</p>
<blockquote><p>Canta, ó Musa, o varão que astucioso,<br />
Rasa Ílion santa, errou de clima em clima,<br />
Viu de muitas nações costumes vários.<br />
Mil transes padeceu no equóreo ponto,<br />
Por segurar a vida e aos seus a volta;<br />
Baldo afã! pereceram, tendo insanos<br />
Ao claro Hiperiônio os bois comido,<br />
Que não quis para a pátria alumiá-los.<br />
Tudo, ó prole Dial, me aponta e lembra.</p></blockquote>
<h3>Simples balada, de João Ribeiro:</h3>
<p>Este poema é um exemplo das chamadas baladas narrativas, popularíssimas nos países de cultura inglesa e germânica:</p>
<blockquote><p>“Tu vais partir, Dom Gil! Sus! Cavaleiro!<br />
“Essa tristeza de tua alma espanca.</p>
<p>“Deixa o penhor de um beijo derradeiro<br />
“No retrato gentil de Dona Branca”.,</p>
<p>Mas tanto fel no longo beijo havia,<br />
E tanta incomparável amargura,</p>
<p>Que o solitário beijo aos poucos ia<br />
Roubando à tela a pálida figura.</p>
<p>Cresce, recresce, as linhas devastando,<br />
Nódoa voraz pela figura entorna.</p>
<p>Dom Gil, onde se vai, demorando<br />
Não aparece, aos lares não retorna?!</p>
<p>E o beijo avulta devorando a trama<br />
Do quadro, haurindo a pálida figura…</p>
<p>Tarde chega Dom Gil. De longe exclama:<br />
— “Vou ver-te agora, ó santa criatura!”</p>
<p>Funda tristeza o rosto lhe anuvia;<br />
Quem de Dom Gil esta tristeza espanca?</p>
<p>Havia um beijo — eis tudo quanto havia!<br />
A tela estava inteiramente branca.</p></blockquote>
<h3><span id="Eneida_de_Virgilio" class="ez-toc-section"></span>Eneida, de Virgílio</h3>
<p>Em <em>Eneida</em>, Virgílio narra os feitos de Enéias, um herói mítico sobrevivente da Guerra de Troia, a quem é atribuída a fundação de Roma.</p>
<p>Assim começa o poema, na tradução de Manoel Odorico Mendes:</p>
<blockquote><p>Eu, que entoava na delgada avena<br />
Rudes canções, e egresso das florestas,<br />
Fiz que as vizinhas lavras contentassem<br />
A avidez do colono, empresa grata<br />
Aos aldeãos; de Marte ora as horríveis<br />
Armas canto, e o varão que, lá de Troia<br />
Prófugo, à Itália e de Lavino às praias<br />
Trouxe-o primeiro o fado. Em mar e em terra<br />
Muito o agitou violenta mão suprema,<br />
E o lembrado rancor da seva Juno;<br />
Muito em guerras sofreu, na Ausônia quando<br />
Funda a cidade e lhe introduz os deuses:<br />
Donde a nação latina e albanos padres,<br />
E os muros vêm da sublimada Roma.</p></blockquote>
<h3><span id="Os_Lusiadas_de_Camoes" class="ez-toc-section"></span>Os Lusíadas, de Camões</h3>
<p>Em <em>Os Lusíadas</em>, Camões narra os feitos das Grandes Navegações portuguesas, inspirado no estilo grandioso dos poemas épicos da Antiguidade.</p>
<p>Assim começa o poema:</p>
<blockquote><p>As armas e os barões assinalados<br />
Que, da Ocidental praia Lusitana,<br />
Por mares nunca de antes navegados<br />
Passaram ainda além da Taprobana<br />
E em perigos e guerras esforçados<br />
Mais do que prometia a força humana,<br />
E entre gente remota edificaram<br />
Novo Reino, que tanto sublimaram;</p>
<p>E também as memórias gloriosas<br />
Daqueles Reis que foram dilatando<br />
A Fé, o Império, e as terras viciosas<br />
De África e de Ásia andaram devastando,<br />
E aqueles que por obras valerosas<br />
Se vão da lei da Morte libertando:<br />
Cantando espalharei por toda parte,<br />
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.</p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Como escrever um livro de poesia em 13 passos: guia para começar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Jan 2023 14:40:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[criando poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Saiba o que voc&#234; deve fazer para escrever um livro de poesia do zero e come&#231;ar a transformar em realidade o sonho de escrever um livro! Muito se tem dito a respeito do trabalho de um poeta, e pouco parece contribuir para que possamos enxerg&#225;-lo como uma pessoa real, que se esfor&#231;a e trabalha. Para&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/como-escrever-um-livro-de-poesia-comecar/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Como escrever um livro de poesia em 13 passos: guia para começar</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba o que você deve fazer para escrever um livro de poesia do zero e começar a transformar em realidade o sonho de escrever um livro!</em></span></p>
<p>Muito se tem dito a respeito do trabalho de um poeta, e pouco parece contribuir para que possamos enxergá-lo como uma pessoa real, que se esforça e trabalha.</p>
<p>Para escrever um livro de poesia, a despeito do que parece, é preciso reunir algumas qualidades normalmente não associadas à arte poética.</p>
<p>São coisas absolutamente distintas escrever um poema ocasional e escrever um livro de poesia.</p>
<p>Para escrever um livro, é preciso disciplina, organização, planejamento, método&#8230; ou seja, é preciso encarar o trabalho de maneira <strong>séria e profissional</strong>.</p>
<p>Com isso em mente, é com satisfação que anunciamos o lançamento de nosso mais novo curso, que aborda exatamente esses aspectos tão negligenciados e tão importantes no processo de criação poética.</p>
<p>O nosso objetivo foi transmitir uma visão claríssima das etapas que constituem o processo de escrever um livro de poesia e permitir que você finalize o curso não com uma ideia, mas com um <strong>plano de ação</strong>.</p>
<p>E você, que acompanha nosso site, caso se interesse pelo tema, pode comprá-lo com um desconto especialíssimo através <a href="https://www.udemy.com/course/como-escrever-um-livro-de-poesia/?referralCode=C5EFA3A2BEC1B8595D1A" target="_blank" rel="noopener">deste link</a>.</p>
<p>Pois bem.</p>
<p>Juntamente ao curso, elaboramos o presente texto para que sirva como material de apoio, e descreveremos a seguir os passos que você deve realizar para escrever um livro de poesia do zero e começar a caminhar em direção ao seu sonho.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Você quer mesmo escrever um livro de poesia?</h2>
<p>Antes de começar o seu projeto de escrever um livro de poesia, é fundamental que você se questione: você quer mesmo escrever esse livro? Por quê?</p>
<p>Fazendo isso, você saberá mais claramente qual e quão forte é a sua motivação para escrevê-lo, e poderá avaliar melhor se vale ou não a pena embarcar neste projeto.</p>
<p>Muitas pessoas desejam escrever um livro de poesia, mas nunca o fazem, porque caem em erros que poderiam ser evitados caso elas refletissem melhor sobre o que as motiva e soubessem como é, de fato, o trabalho de escrever poemas.</p>
<p>Há uma visão glamourizada e amplamente disseminada sobre o que seja um poeta e como se dá o seu trabalho, e esta visão insiste em pintá-lo como o boêmio, o desocupado que se entrega aos prazeres da vida, o contemplador passivo cuja obra deriva de uma inspiração espontânea, e por aí vai.</p>
<p>Infelizmente, aquele que se proponha a escrever um livro de poesia com tal visão terá provavelmente um duríssimo choque de realidade quando se colocar a trabalhar, porque <strong>o processo de escrita de um livro exige disciplina, método, paciência e muitas horas de trabalho</strong>.</p>
<p>Portanto, você está disposto a encará-lo? Você suporta um trabalho longo, extenuante, aparentemente improdutivo e que provavelmente não lhe entregará retorno financeiro nenhum?</p>
<p>Respondendo positivamente, você pode avançar ao próximo passo.</p>
<h2>Defina um local de trabalho adequado</h2>
<p>Definir um local de trabalho adequado é algo que terá uma contribuição inestimável para seu projeto de escrever um livro de poesia.</p>
<p>Perceba que dizemos local de trabalho <strong>adequado</strong>, e não local de trabalho perfeito. Idealizar um local de trabalho perfeito só fará com que você nunca escreva o seu livro.</p>
<p>Mas o que é um local de trabalho adequado?</p>
<p>Simplesmente,<strong> é um local onde você se sinta confortável e consiga se concentrar</strong>.</p>
<p>Tal escolha é pessoal e pode variar muito de poeta para poeta: você pode escrever numa biblioteca, no seu quarto, num café&#8230;</p>
<p>Caso você não tenha um local em mente, você pode testar locais diferentes e definir aquele que é mais propício para você.</p>
<p>O importante é que tal local lhe estimule a mente e que você não sofra interrupções pelo tempo que se colocar a trabalhar.</p>
<h2>Estabeleça uma rotina</h2>
<p>Além do local de trabalho, estabelecer uma rotina é algo que contribuirá muito para o seu projeto de escrever um livro de poesia.</p>
<p>Isso porque, ao definir uma rotina, isto é, ao definir um horário de trabalho diário, você estará predispondo o seu cérebro a trabalhar e estará vencendo alguns obstáculos psicológicos que podem surgir durante o processo de escrita.</p>
<p><strong>Sentando-se todos os dias diante da tela no mesmo horário, o seu cérebro saberá que &#8220;chegou a hora de escrever&#8221;</strong>.</p>
<p>Além desta definição, é interessante que você execute um pequeno ritual diário antes de sentar-se para fazer versos, quer dizer, <strong>é interessante que você execute, todos os dias, uma sequência de ações precedentes à composição</strong>.</p>
<p>Você pode, por exemplo, fazer um café antes de trabalhar.</p>
<p>Fazendo isso todos os dias, o seu cérebro automaticamente associará o ato de fazer café ao ato de escrever, portanto, enquanto você estiver fazendo o seu café, é possível que o seu cérebro já comece a organizar aquilo que você terá de escrever em seguida.</p>
<h2>Tenha um método de trabalho</h2>
<p>Método é uma palavra aterrorizante para aqueles que romantizam o trabalho de escrever poemas.</p>
<p>Segundo estes, a criação poética tem de ser leve, espontânea, como que conduzida pelo vento ou por um anjo que desce do seu e lhe guia a mão.</p>
<p>Infelizmente, <strong>há uma diferença muito grande entre escrever um poema ocasional e escrever um livro de poesia</strong>.</p>
<p>Para fazer um poema ocasional, talvez funcione o método de sentar-se na beira de um riacho e admirar passivamente uma montanha; para escrever um livro de poesia, porém, é preciso ter método.</p>
<p>O que é método?</p>
<p>Resumidamente, é uma sistemática de trabalho; é uma série de etapas que, percorridas, lhe entregarão um resultado definido (por exemplo, um poema).</p>
<p>Ter ou não um método de trabalho frequentemente diferencia um amador de um profissional.</p>
<p>Ter um método é não ter de pensar no que fazer diante da tela, e é a garantia de que, no final do processo, você terá um poema pronto, independentemente de seu estado de espírito, de sua motivação, de como foi a sua véspera ou de como você acordou.</p>
<h2>Simplifique o seu projeto de escrever um livro</h2>
<p>Um dos grandes segredos para ser produtivo e eficiente é saber dividir trabalhos complexos em tarefas menores, concentrando-se individualmente em cada uma delas, executando apenas uma por vez.</p>
<p>Se você deseja escrever um livro de poesia, você não deve pensar em &#8220;escrever um livro de poesia&#8221;, mas de cumprir tarefas isoladas que. em conjunto, lhe darão um livro de poesia como resultado final.</p>
<p>Portanto, é interessante que você defina as etapas do seu processo. Abaixo deixamos uma sugestão:</p>
<ol>
<li><strong>Definição da estrutura do livro:</strong> aqui, você deve estabelecer quantas páginas e/ou quantos poemas ele terá.</li>
<li><strong>Ideação dos poemas:</strong> aqui, você deve idear, isto é, ter ideias para os poemas de seu livro.</li>
<li><strong>Execução dos poemas:</strong> aqui, você deve propriamente transformar as suas ideias em poemas.</li>
<li><strong>Revisão dos poemas:</strong> aqui, você basicamente revisará o seu projeto.</li>
<li><strong>Pós-produção:</strong> no caso de que você seja um autor independente, é nesta etapa que você se dedicará à diagramação, à capa de seu livro e tarefas similares.</li>
</ol>
<p>Adiante, falaremos um pouco mais destas etapas.</p>
<h2>Defina a estrutura do seu livro</h2>
<p>Antes de escrever um livro de poesia, você precisa definir qual será sua estrutura. Com estrutura, queremos dizer:</p>
<ol>
<li>Quantas páginas esse livro terá.</li>
<li>Em quantos poemas estas páginas estarão divididas.</li>
<li>Se os poemas serão independentes ou interligados.</li>
</ol>
<p>Pensar nestes três pontos é fundamental para que você tenha uma visão mais clara do seu projeto e uma visão mais clara de quanto trabalho ele lhe irá exigir.</p>
<p>Escrever um livro de cinquenta páginas é bem diferente de escrever um livro de trezentas, assim como escrever poemas soltos (ou independentes) é diferente de escrever poemas interligados.</p>
<p>Em poemas soltos, por exemplo, você terá uma maior liberdade criativa para abordar temas desconexos e variar a voz e o tom das criações.</p>
<p>Poemas interligados, porém, podem ser fortalecidos individualmente pelo conjunto, isto é, podem começar carregados de um contexto já criado em poemas precedentes.</p>
<p>Assim, é importante que você pense nestas possibilidades e defina aquela que mais se enquadre nas suas expectativas para o projeto.</p>
<h2>Estabeleça metas de produção (e as acompanhe)</h2>
<p>Estabelecer metas de produção é fundamental para que você consiga escrever um livro de poesia.</p>
<p>As metas orientam o seu cérebro e permitem que você avalie se o seu objetivo está ou não sendo alcançado — e, consequentemente, se o seu livro será produzido conforme o planejamento.</p>
<p>É importante que você perceba que há uma diferença entre metas e objetivos: um objetivo hipotético seria escrever um livro de poesia de 100 páginas, já uma meta seria escrevê-lo em 100 dias.</p>
<p>Metas possuem prazo, <strong>o que elas dizem é quando, especificamente, alcançaremos o nosso objetivo</strong>.</p>
<p>Portanto, para ser eficiente no seu projeto de escrever um livro de poesia, você precisa de estabelecer metas, e a sua meta principal deverá estar relacionada com o seu objetivo principal, ou seja, deverá dizer em quanto tempo você escreverá as &#8220;<em>n&#8221;</em> páginas de seu livro, cujo número já foi definido na etapa anterior.</p>
<p>Em seguida, é muito benéfico que você divida a meta principal em metas menores, de forma que estas mais se aproximem de sua realidade.</p>
<p>Escrever um 100 páginas em 100 dias, por exemplo, é algo que parece muito distante; mas escrever uma página por dia, que lhe levará ao mesmíssimo resultado, é algo que parece muito mais próximo e que você pode se esforçar diariamente para alcançar.</p>
<h2>Reúna ideias para seus poemas</h2>
<p>Após definir a estrutura de seu livro e estabelecer prazos para que você cumpra cada uma das etapas do processo, é hora de finalmente entrar no processo criativo, cuja primeira etapa propomos que seja chamada de ideação.</p>
<p>O que é ideação? Simplesmente, o ato de idear, conceber ideias.</p>
<p>E por que propomos uma separação entre os processos de ideação e execução?</p>
<p>Muito simples: para que quando você se sente diante da tela, <strong>você não tenha que pensar no que fazer, mas simplesmente fazer aquilo que já pensou</strong>.</p>
<p>O que propomos como ideação é parecido com o que o meio empresarial chama de <em>brainstorming</em>, é uma estimulação do cérebro a fim de reunir o máximo possível de ideias a respeito de determinado tema.</p>
<p>Há muitas vantagens em se separar o processo de ideação do processo de execução ao escrever um livro de poesia, e a primeira delas é que você poderá idear no lugar que preferir, seja deitado em sua cama ou no trajeto ao seu trabalho, longe da pressão de estar diante da tela branca precisando produzir.</p>
<h2>Defina a ideia central e a forma de cada um de seus poemas</h2>
<p>Após reunir ideias para seus poemas, recomendamos que você defina, individualmente, a ideia central e a forma de cada um deles.</p>
<p>Definir uma ideia central é importante para que você saiba em torno de quê o poema irá girar.</p>
<p>Para fazê-lo, você deverá consultar todas as ideias que você reuniu e organizá-las, de maneira que, no final do processo, você tenha uma ideia simples, de preferência resumida numa única frase, em torno da qual você construirá cada um dos poemas.</p>
<p>Além dela, é nesta etapa que você deverá pensar sobre a forma de seus poemas:</p>
<ul>
<li>Quantos versos cada um deles terá?</li>
<li>Serão versos livres ou metrificados?</li>
<li>Eles terão rimas? Se sim, como elas estarão dispostas?</li>
</ul>
<p>Cumprindo esta etapa, você perceberá que o seu projeto parecerá muito mais claro e você terá uma noção muito mais precisa do resultado final de seu livro.</p>
<h2>Delineie o desenvolvimento da ideia central de seus poemas</h2>
<p>Uma vez que você definiu a ideia central de seus poemas, agora você precisa definir como irão elas se desenvolver no poema.</p>
<p>A menos que você saiba exatamente o que está fazendo, você precisa dar movimento ao seu poema, gire ele em torno de uma ideia, de um sentimento, de um acontecimento ou de uma personagem.</p>
<p>A medida que os versos progridem, o leitor precisa deparar-se com novos fatos, novas ideias, novas situações que reforcem e tornem mais interessante aquilo que está sendo expresso ou narrado.</p>
<p>Por isso você, como artista, precisa <strong>definir um encadeamento lógico ou dramático para o seu poema</strong>.</p>
<p>Há diversas maneiras de fazê-lo, e o fundamental aqui é que você saiba a importância de uma progressão bem definida: com ela, você conseguirá transmitir a sua mensagem de forma mais interessante, potente e cativante, fazendo sentido na cabeça de quem lê.</p>
<h2>Faça um rascunho dos poemas</h2>
<p>Se você cumprir as dez etapas precedentes, o seu projeto de escrever um livro estará muito adiantado; no entanto, ainda faltará propriamente escrevê-lo.</p>
<p>Esta etapa que ora sugerimos, isto é, fazer um rascunho de seus poemas, é muito válida especialmente por dois motivos:</p>
<ol>
<li>É muito mais fácil melhorar um poema que criar um poema do zero.</li>
<li>Psicologicamente, chamar um poema de “rascunho” evitará muita angústia no lidar com suas imperfeições.</li>
</ol>
<p>O primeiro motivo é um tanto óbvio, porém negligenciado pela maioria.</p>
<p>Fazer um rascunho é criar um esboço, é determinar a matéria-prima que será trabalhada por você e finalmente transformada num poema.</p>
<p>Já quanto ao segundo motivo, faltam palavras para descrever como chamar um poema de &#8220;rascunho&#8221; pode facilitar sua vida.</p>
<p>Podemos resumi-lo nisto: quando você escolhe a forma poética, o que você deseja é dar beleza à expressão, torná-la agradável e cativante, e rigorosamente nenhuma destas qualidades estarão presentes quando você começar a sua criação.</p>
<p>Portanto, chamar um poema de &#8220;rascunho&#8221; é saber que você não irá publicá-lo, nem mostrá-lo para ninguém; é tranquilizar-se por saber que ele se trata apenas de um esboço que ainda será trabalhado.</p>
<p>Assim, nesta etapa o ideal é que você tente produzir os versos já na forma desejada, mas não deve se preocupar caso não consiga, por exemplo, acertar a métrica ou encontrar as rimas ideais para os seus versos.</p>
<h2>Execute os seus poemas</h2>
<p>Com o rascunho finalizado, é hora de &#8220;executar&#8221; os seus poemas.</p>
<p>Chamamos esta etapa de execução porque, como expusemos na etapa anterior, há uma vantagem psicológica em fazê-lo desta forma; mas poderíamos, também, chamá-la de apuração, refinamento ou acabamento.</p>
<p>É nesta etapa, pois, que você enquadrará os seus versos na forma desejada, ajustando sua sonoridade, encontrando palavras que expressem com precisão a sua ideia, definindo rimas e dotando-lhes de ritmo.</p>
<p>Se você seguir corretamente nossas recomendações, aqui você já terá pelo menos um rascunho em mãos, portanto, nesta etapa você irá corrigir os seus defeitos.</p>
<p>Para fazê-lo, o ideal é que, primeiro, você os liste, em seguida elabore um plano de ação e, por fim, execute-o.</p>
<h2>Revise seu livro</h2>
<p>Finalmente, é esta a última etapa do processo de escrever um livro de poesia.</p>
<p>Mencionamo-la porque, por mais que você se esforce, por mais que faça os seus versos com carinho e por mais que esteja atento no fazê-los, é bem possível que você deixe passar algum erro.</p>
<p>Se não por isso, a revisão justifica-se por permitir que você veja o resultado do conjunto, e talvez surgirá alguma nova ideia a respeito da disposição dos poemas no livro, ou até uma ideia para alterar algum detalhe de sua composição.</p>
<p>Assim, esperamos sinceramente que tenhamos exposto de maneira simples como escrever um livro de poesia, partindo do zero e alcançando o resultado que você tanto deseja.</p>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado deste nosso texto e entendido como escrever um livro de poesia.</p>
<p>Se você gostou desse conteúdo, não deixe de ver a nossa análise do poema <a href="https://comofazerumpoema.com/as-sem-razoes-do-amor-carlos-drummond-andrade/">As sem-razões do amor, de Carlos Drummond de Andrade</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
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		<title>8 principais erros cometidos por poetas iniciantes</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/principais-erros-poetas-iniciantes-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=principais-erros-poetas-iniciantes-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Oct 2022 17:20:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[criando poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Saiba quais s&#227;o os erros mais frequentes cometidos por poetas iniciantes e evite comet&#234;-los! &#201; sabido que a poesia &#233; uma arte dific&#237;lima e complexa. O poeta iniciante ou, antes, o aspirante a poeta, come&#231;a por enfrentar a escassez de material de qualidade para o estudo da poesia. Em seguida, t&#227;o logo entre em contato&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/principais-erros-poetas-iniciantes-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">8 principais erros cometidos por poetas iniciantes</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba quais são os erros mais frequentes cometidos por poetas iniciantes e evite cometê-los!</em></span></p>
<p>É sabido que a poesia é uma arte dificílima e complexa.</p>
<p>O poeta iniciante ou, antes, o aspirante a poeta, começa por enfrentar a escassez de material de qualidade para o estudo da poesia.</p>
<p>Em seguida, tão logo entre em contato com diferentes obras poéticas, percebe-as extremamente variadas, parecendo-lhe nebulosos, senão inexistentes, os princípios técnicos que porventura as conciliam.</p>
<p>Assim, mesmo que as aprecie, e finalmente decida tornar-se, também, um poeta, uma infinidade de dificuldades aparentam como que tentando convencê-lo a abandonar a empreitada.</p>
<p>E, se não fossem estas suficientes, ainda há uma série de erros que o próprio aspirante a poeta comete, prejudicando-lhe o desenvolvimento.</p>
<p>Pensando nisto, preparamos uma lista com os 8 principais erros cometidos por poetas iniciantes, para que você que está iniciando na arte poética possa conhecê-los e evitá-los.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Principais erros cometidos por poetas iniciantes</h2>
<h3>Achar que poesia é somente inspiração</h3>
<p>Abrimos a nossa lista com este que é um erro muitíssimo comum em poetas iniciantes, por nutrirem uma visão equivocada de como se dá o processo de criação artística.</p>
<p>Está mais do que disseminada — inclusive devido a muitos poetas — essa ideia fantasiosa de que a poesia é criada quando o poeta é elevado ao cume da inspiração por sua musa, e então os versos brotam de sua pena como que por mágica.</p>
<p>Infelizmente, a realidade não é assim.</p>
<p>Se a inspiração existe, e se ela é importante no processo criativo, não é ela senão responsável por iluminações pontuais: <strong>a inspiração, sozinha, não dá luz a um volume de poemas.</strong></p>
<p>O que dá luz a um volume de poemas é um misto de disciplina, paciência e trabalho duro que, com ou sem inspiração, colocam o poeta regularmente sentado em sua cadeira a digladiar-se por expressão.</p>
<h3>Julgar o passado como superado</h3>
<p>Por incrível que pareça, é este um erro muito comum em poetas iniciantes, que talvez deriva da noção de que nosso século é o ponto culminante da história e que, por isso, somos superiores aos nossos antepassados.</p>
<p>Não é raro encontrarmos um preconceito para com autores antigos, que fundamenta-se na opinião de que a poesia livre moderna &#8220;superou&#8221; a poesia clássica metrificada, e que portanto os antigos poetas são-nos de pouco valor.</p>
<p>Nada mais falso!</p>
<p>Se há brilho na poesia moderna, boa parte deste brilho é dependente dos próprios autores clássicos, por derivar-se de um contraste que evidencia a criatividade das novas formas de expressão.</p>
<p>O poeta iniciante que julgar-se dispensado do estudo dos antigos provavelmente nunca entenderá os fundamentos musicais da poesia e fará versos medíocres, bem diferentes dos versos dos melhores poetas modernos — poetas que, via de regra, estudaram os clássicos muito bem.</p>
<h3>Não estudar a técnica poética</h3>
<p>O próximo erro que destacamos por parte de poetas iniciantes é não estudar a técnica poética.</p>
<p>A poesia é uma arte que possui tantas dificuldades, que a última coisa que um poeta deve-se permitir é pensar, no meio da criação de um poema, se deve elidir tal ou tal vogal, se deve contar as sílabas de um verso assim ou assado, e por aí vai. Tudo isso deve ser automático.</p>
<p>Por isso, <strong>o poeta tem de se preparar para que, quando sentar-se para compor poemas, não haja dúvidas quanto à técnica poética</strong>.</p>
<p>Estando esta dominada, ele poderá, enfim, concentrar-se na difícil tarefa de expressar em versos aquilo que deseja.</p>
<h3>Não estudar a gramática</h3>
<p>Não estudar a gramática é um erro ainda mais básico e talvez ainda mais frequente que o anterior em poetas iniciantes.</p>
<p>Se um poeta deseja fazer bons versos com regularidade, então é preciso que ele desobstrua o máximo possível as dificuldades que porventura possua para exprimir aquilo que sente: o domínio da gramática, pois, é fundamental.</p>
<p>A poesia é a arte suprema no manejo de uma língua, e portanto <strong>o poeta tem de ser o conhecedor supremo do próprio idioma</strong>.</p>
<p>Enganam-se aqueles que pensam que, por ter &#8220;liberdade poética&#8221;, pode o poeta desprezar o estudo da gramática.</p>
<p>Muito pelo contrário: para violá-la esporadicamente, caso queira, o poeta tem de conhecê-la muitíssimo bem, de outro modo arriscará fazer, em vez de um uso criativo e interessante, um uso ridículo da liberdade que possui.</p>
<h3>Falta de planejamento</h3>
<p>Este é um erro muitas vezes derivado do primeiro desta lista, e que frequentemente resulta no tão falado &#8220;bloqueio criativo&#8221;.</p>
<p>O poeta ilude-se quando pensa que, para fazer versos, basta sentar-se numa cadeira e aguardar pela inspiração — e ilude-se ainda mais quando, ao fazer um poema desta forma, crê que fará regularmente vários outros assim.</p>
<p>O planejamento é fundamental quando falamos de poesia: talvez seja este o principal distintivo entre um poeta amador e um profissional.</p>
<p>Já mostramos, aqui, algumas lições sobre o assunto que podemos tirar de <a href="https://comofazerumpoema.com/por-que-o-corvo-de-edgar-allan-poe-poema-bom/"><em>&#8220;O corvo&#8221;</em>, de Edgar Allan Poe</a>, e cabe reforçar: o poeta profissional precisa trabalhar de forma a dividir os muitos problemas que terá de encarar e abordá-los individual e metodicamente.</p>
<p>Sentar-se à mesa para decidir o que e como irá escrever, enquanto tenta fazê-lo, é absolutamente contraprodutivo: são muitos problemas de uma só vez.</p>
<p>Por isso, o planejamento é fundamental: é preciso defini-las e ir vencendo, uma a uma, as etapas na construção de um poema.</p>
<p>Para usar uma comparação vulgar, assim como uma fábrica de sapatos possui um método que a permite fabricar sapatos regularmente, <strong>o poeta precisa converter-se numa &#8220;fábrica de poemas&#8221;</strong>, isto é, possuir um método que o permita fabricar poemas de forma regular, independentemente do estado de humor em que se encontra, do clima ou de quaisquer outras condições externas.</p>
<h3>Ler um número reduzido de poetas</h3>
<p>Ler um número reduzido de poetas, ou ler somente poetas de determinada &#8220;escola&#8221;, ou de determinado tempo pode contribuir negativamente ao desenvolvimento de um poeta, limitando-lhe o horizonte criativo.</p>
<p>Se tivéssemos de resumir em três simples etapas o que deve fazer um poeta iniciante para desenvolver-se, diríamos: <strong>1) estudar a língua portuguesa</strong> (incluindo a gramática e a técnica poética); <strong>2) estudar os grandes poetas</strong> e <strong>3) praticar a composição de versos</strong>.</p>
<p>Essas três importantes etapas devem ser feitas em conjunto, por serem complementares, e sem dúvida a leitura de grandes poetas é fundamental.</p>
<p>Lendo um grande artista, o estudante verá as regras da gramática aplicadas de forma bela e criativa, além de inundar-se de ideias de como pode expressar aquilo que deseja, deixando-se influenciar pelo poeta que estuda.</p>
<p>Lendo muitos artistas, o poeta ampliará o seu horizonte de possibilidades e, ainda que não se identifique com um ou outro, é certo que de todos eles terá algo interessante a aprender.</p>
<h3>Ter muita pressa</h3>
<p>Nosso século é caracterizado por um anseio quase irracional para ter rápido aquilo que desejamos.</p>
<p>Com a poesia, não poderia ser diferente, e é muito comum ver poetas iniciantes em busca dos resultados milagrosos, das fórmulas infalíveis e dos caminhos mais fáceis.</p>
<p>Ocorre que, infelizmente, na poesia assim como em inúmeras outras áreas, <strong>a maestria só se atinge com tempo e esforço</strong>.</p>
<p>O poeta deve considerar sua formação poética obra de uma vida inteira, nunca deixando de estudar.</p>
<p>Portanto, ter pressa é trabalhar contra si mesmo: o que o poeta iniciante deve cultivar, em contrapartida, é a virtude da paciência.</p>
<h3>Ter medo de errar</h3>
<p>Fechamos nossa lista com esse que está entre os erros mais comuns de poetas iniciantes: ter medo de errar.</p>
<p>Como dissemos anteriormente, <strong>a prática é fundamental para que o poeta se desenvolva e aplique aquilo que estuda</strong>.</p>
<p>Se, por um lado, o estudo atento da gramática, da técnica poética e dos grandes poetas é necessário; por outro, o poeta iniciante não deve se inibir diante da falta de conhecimento, ou dos estudos ainda incipientes.</p>
<p>Ainda que não os publique, o poeta iniciante deve treinar, treinar e treinar a composição de versos. Só assim ele poderá familiarizar-se com os elementos constituintes da arte poética, manejando-os cada vez melhor.</p>
<p>O medo de errar, portanto, deve ser vencido pela humildade de saber-se imperfeito, em constante aprendizado, e desejoso de aprender.</p>
<p>Assim, no futuro, treinando e treinando, esforçando-se continuamente, poderá ele tornar-se talvez um mestre na belíssima arte de fazer versos.</p>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nosso artigo e conhecido os principais erros cometidos por poetas iniciantes.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/ditongo-crescente-decrescente-tritongo-hiato/">ditongos, tritongos e hiatos</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
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		<title>O fenômeno da tônica secundária em palavras de quatro ou mais sílabas</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/tonica-secundaria-em-palavras-quatro-silabas/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=tonica-secundaria-em-palavras-quatro-silabas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Aug 2022 18:33:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[criando poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Saiba o que &#233; a t&#244;nica secund&#225;ria e entenda como ela pode influenciar a composi&#231;&#227;o de seus versos! Em portugu&#234;s, a cada palavra &#233; atribu&#237;do um acento t&#244;nico, o qual pode cair em tr&#234;s diferentes posi&#231;&#245;es: na &#250;ltima, pen&#250;ltima ou antepen&#250;ltima s&#237;laba. Temos, assim, segundo a gram&#225;tica, tr&#234;s classes de palavras quanto &#224; posi&#231;&#227;o do&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/tonica-secundaria-em-palavras-quatro-silabas/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">O fenômeno da tônica secundária em palavras de quatro ou mais sílabas</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba o que é a tônica secundária e entenda como ela pode influenciar a composição de seus versos!</em></span></p>
<p>Em português, a cada palavra é atribuído um acento tônico, o qual pode cair em três diferentes posições: na última, penúltima ou antepenúltima sílaba.</p>
<p>Temos, assim, segundo a gramática, três classes de palavras quanto à posição do acento: oxítonas, ou palavras em que o acento cai na última sílaba; paroxítonas, ou palavras em que o acento cai na penúltima sílaba; e proparoxítonas, ou palavras em que o acento cai na antepenúltima sílaba.</p>
<p>Em poesia, chama-se as palavras oxítonas de agudas, as paroxítonas de graves, e as proparoxítonas de esdrúxulas; e de agudo, grave ou esdrúxulo o verso terminado em cada uma dessas palavras.</p>
<p>Porém, o problema da acentuação em português é complexo e não para por aí.</p>
<p>Alguns estudiosos de nossa língua notaram que palavras com quatro ou mais sílabas, por uma necessidade de pronúncia, necessitam de um acento secundário.</p>
<p>Este fenômeno fonético atraiu a atenção de alguns grandes nomes de nossa literatura que, embora não tenham chegado a consenso, deixaram evidente que a acentuação secundária nas palavras portuguesas é um problema real.</p>
<p>Sem dúvida, é um assunto que não pode passar despercebido a um poeta, visto que a poesia maneja justamente os acentos das palavras para produzir ritmo nos versos.</p>
<p>Pensando nisso, preparamos esse artigo, no qual abordaremos o fenômeno da tônica secundária em palavras com quatro ou mais sílabas, justificando-o e mostrando os impactos que ele pode ter em suas composições.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>O que é a tônica secundária</h2>
<p>A tônica secundária, quando se referindo à acentuação vocabular, é o fenômeno observável em palavras portuguesas de quatro ou mais sílabas em que uma sílaba que não seja a tônica principal da palavra é pronunciada com intensidade maior que as outras não acentuadas.</p>
<p><a href="http://cvc.instituto-camoes.pt/hlp/biografias/saidali.html" target="_blank" rel="noopener">Manuel Said Ali</a>, em <em>Dificuldades da língua portuguesa</em>, explica o fenômeno:</p>
<blockquote><p>O vocábulo polissilábico possui tantos acentos desta natureza quantas as sílabas de que se compõe; mas é fácil de ver que, dentre todas, uma se destaca pela pronúncia. É a sílaba tônica. As restantes sílabas, conquanto fiquem em plano secundário, não se proferem necessariamente com uma só intensidade de voz; exigem graus diferentes. Nas palavras <em>dignamente</em>, <em>arbitrado</em>, além da entonação principal em <em>men</em>,<em> tra</em>, ouve-se um acento secundário em <em>di</em> e <em>ar</em> pronunciado com mais força que o da segunda e da última sílaba.</p></blockquote>
<p>Portanto, a tônica secundária é aquela sílaba responsável por dar um acento de apoio a palavras que, por seu número de sílabas, exigem-no para sua pronúncia natural.</p>
<p>Mas será que exigem mesmo? Vamos ver.</p>
<h2>Por que ocorre o fenômeno da tônica secundária</h2>
<p>Olavo Bilac e Guimarães Passos, dois grandes nomes da literatura brasileira, rejeitam e ironizam a tônica secundária no <em>Tratado de versificação</em> que publicaram conjuntamente:</p>
<blockquote><p>Há palavras, que parecem ter dois acentos, mas absolutamente não os tem; os advérbios em <em>ente</em>, por exemplo: — furibundamente, satanicamente, incongruentemente. Reparem que são dois vocábulos juntos; podem enganar o ouvido inexperto, porém não o atento, que não pode deter-se em duas pausas.</p>
<p>Não há dois acentos, porque os ouvidos, embora sejam dois, percebem o mesmo som (a menos que sejam surdos, ou surdo um).</p></blockquote>
<p>Infelizmente, teremos de discordar dos poetas uma vez que, ainda que sejamos surdos de um ouvido, facilmente percebemos que a acentuação das palavras portuguesas, na prática, não se ajusta a um padrão binário, mas possui gradações, como bem notou Said Ali.</p>
<p>É o que ocorre, aliás, na própria música, em que os tempos fortes nem sempre o são em mesma intensidade.</p>
<p>Cavalcanti Proença, em <em>Ritmo e poesia</em>, estende-se no assunto, exemplificando e dando justificativas mais convincentes e melhor fundamentadas que a breve observação de Bilac e Guimarães Passos.</p>
<p>Segundo ele, unidades rítmicas (ou células métricas) naturais da língua portuguesa possuem duas ou três sílabas, em virtude da impossibilidade de se pronunciar, em português, três átonas em sequência, sem o apoio de uma tônica:</p>
<blockquote><p>Com vocábulos ultraesdrúxulos, tais como <em>perdoaram-no-lo</em>, acontece que só conseguimos pronunciá-los, decompondo-os: <em>perdoaram</em> + <em>no-lo</em>. Um acento secundário, de menor duração que o primeiro (á) incide na sílaba final (lô).</p></blockquote>
<p>Portanto, o fenômeno da tônica secundária é uma necessidade fonética inerente à pronúncia portuguesa.</p>
<p>O gramático até pode se satisfazer atribuindo um acento único às palavras, ou melhor, identificando-lhe o acento dominante. Não o fonetista, e nem o poeta.</p>
<p>Em poesia, as gradações de acentuação das palavras terão impacto direto na sonoridade dos versos, portanto, devem ser estudadas pelo poeta que, em o fazendo, logo perceberá outro fenômeno interessante: a mobilidade do acento secundário.</p>
<p>Vejamos de que se trata.</p>
<h2>A mobilidade do acento secundário na poesia</h2>
<p>Se negássemos o fenômeno da tônica secundária, como Olavo Bilac e Guimarães Passos, em negrito estariam as sílabas pronunciadas acentuadamente neste verso de Guerra Junqueiro:</p>
<blockquote><p>1- Nas pulveriza<strong>ções</strong> bal<strong>sâ</strong>micas da <strong>luz</strong></p></blockquote>
<p>Esquematicamente, teríamos o seguinte, sendo (-) as sílabas não acentuadas e (~) as acentuadas:</p>
<blockquote><p><span style="font-size: 18pt; font-family: georgia, palatino, serif;">&#8211; &#8211; &#8211; &#8211; &#8211; ~ &#8211; ~ &#8211; &#8211; &#8211; ~</span></p></blockquote>
<p>Na verdade, lemo-lo conforme abaixo:</p>
<blockquote><p>2- Nas <strong>pul</strong>veriza<strong>ções</strong> bal<strong>sâ</strong>mi<strong>cas</strong> da <strong>luz</strong></p></blockquote>
<p>Ou, esquematicamente:</p>
<blockquote><p><span style="font-size: 18pt;">&#8211; ~ &#8211; &#8211; &#8211; ~ &#8211; ~ &#8211; ~ &#8211; ~</span></p></blockquote>
<p>Ler este verso conforme a acentuação do primeiro exemplo, se não é uma absoluta impossibilidade na língua portuguesa, é algo só factível artificialmente.</p>
<p>Na prática, é conforme o segundo exemplo que o verso será lido, com acentuação secundária, no primeiro hemistíquio, na sílaba &#8220;pul&#8221; e, no segundo hemistíquio, na sílaba &#8220;cas&#8221;; portanto abrindo em movimento anfibráquico (- ~ -) seguido de um anapesto (- &#8211; ~) e fechando em movimento iâmbico (- ~).</p>
<p>Ocorre, porém, que este mesmo verso, se inserido numa composição de versos inteiramente iâmbicos, adaptar-se-ia naturalmente ao ritmo, sendo pronunciado como:</p>
<blockquote><p>3- Nas <strong>pul</strong>ve<strong>ri</strong>za<strong>ções</strong> bal<strong>sâ</strong>mi<strong>cas</strong> da <strong>luz</strong></p></blockquote>
<p>Ou, esquematicamente:</p>
<blockquote><p><span style="font-size: 18pt;">&#8211; ~ &#8211; ~ &#8211; ~ &#8211; ~ &#8211; ~ &#8211; ~</span></p></blockquote>
<p>Mas não paramos por aí: caso o poeta estivesse trabalhando versos abertos em pés anapésticos (- &#8211; ~), o verso, também, poder-se-ia adaptar ao ritmo, sendo lido como:</p>
<blockquote><p>4- Nas pul<strong>ve</strong>riza<strong>ções</strong> bal<strong>sâ</strong>mi<strong>cas</strong> da <strong>luz</strong></p></blockquote>
<p>Ou, esquematicamente:</p>
<blockquote><p><span style="font-size: 18pt;">&#8211; &#8211; ~ &#8211; &#8211; ~ &#8211; ~ &#8211; ~ &#8211; ~</span></p></blockquote>
<p>Embora possamos dizer que a leitura número 4 seja menos natural que as demais, de forma alguma soaria desagradável e, em verdade, dar-se-ia naturalmente a depender do ritmo trabalhado em versos anteriores.</p>
<p>Disso, verificamos facilmente que o acento secundário deste tipo de palavras pode variar de posição, ou seja, possui uma interessante mobilidade.</p>
<p>Cavalcanti Proença dá-nos um exemplo em que essa qualidade fica ainda mais clara, no verso &#8220;A sucessividade dos segundos&#8221;, de Augusto dos Anjos.</p>
<p>Este verso, segundo o autor, pode seguir os seguintes esquemas:</p>
<blockquote><p>1.<span style="font-size: 18pt;"> &#8211; ~ &#8211; &#8211; &#8211; ~ &#8211; &#8211; &#8211; ~ </span><br />
2.<span style="font-size: 18pt;"> &#8211; &#8211; ~ &#8211; &#8211; ~ &#8211; &#8211; &#8211; ~</span><br />
3. <span style="font-size: 18pt;">&#8211; ~ &#8211; ~ &#8211; ~ &#8211; &#8211; &#8211; ~</span></p></blockquote>
<p>Manuel Said Ali, porém, mostrou-nos em <em>Versificação portuguesa</em> que o verso decassílabo (segundo a <a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">contagem de Castilho</a>), caso tenha acentuação na sexta sílaba, possui uma oitava obrigatoriamente acentuada.</p>
<p>Diz-nos o eminente sintaticista:</p>
<blockquote><p>Com a acentuação na 6ª sílaba pode-se mudar o ritmo até o centro do verso (&#8230;). A oitava sílaba destes versos ou é forte por natureza, ou semiforte, isto é, fraca valorizada por vir entre duas fracas. Nos versos com 6ª sílaba inacentuada, a oitava tem de ser forte por natureza.</p></blockquote>
<p>Curioso notar que Cavalcanti Proença não se atentou para o que ele mesmo estabeleceu como diretriz, isto é, que as unidades rítmicas naturais da língua portuguesa possuem duas ou três sílabas: terminando o primeiro hemistíquio no sexto verso, o segundo não poderia começar com três sílabas átonas.</p>
<p>Portanto, o verso de Augusto dos Anjos seria lido conforme as seguintes possibilidades:</p>
<blockquote><p>4. A <strong>su</strong>cessivi<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> se<strong>gun</strong>dos<br />
5. A su<strong>ce</strong>ssivi<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> se<strong>gun</strong>dos<br />
6. A <strong>su</strong>ces<strong>si</strong>vi<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> se<strong>gun</strong>dos</p></blockquote>
<p>Ou, esquematicamente, e dividindo o verso em suas unidades rítmicas:</p>
<blockquote><p>4.<span style="font-size: 18pt;"> &#8211; ~ &#8211; / &#8211; &#8211; ~ / &#8211; ~ / &#8211; ~ </span><br />
5.<span style="font-size: 18pt;"> &#8211; &#8211; ~ / &#8211; &#8211; ~ / &#8211; ~ / &#8211; ~</span><br />
6. <span style="font-size: 18pt;">&#8211; ~ / &#8211; ~ / &#8211; ~ / &#8211; ~ / &#8211; ~</span></p></blockquote>
<p>Sendo assim, fica muito claro tanto o fenômeno da tônica secundária, quanto à sua mobilidade.</p>
<p>O poeta, estudando o assunto, enxergará possibilidades e, com segurança, poderá variar o ritmo das palavras que emprega induzindo determinada leitura em seus versos.</p>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Embora seja este um tema complexo e muito evitado, esperamos que o artigo tenha-lhe ajudado a compreender melhor o fênomeno da tônica secundária em palavras com quatro ou mais sílabas, apresentando-lhe justificativas e aplicações.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ler o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/literatura-de-cordel-poemas-cordel-nordestino/">literatura de cordel</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>8 melhores livros de poesia em português para estudar e aprender!</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/melhores-livros-de-poesia-portugues-aprender/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=melhores-livros-de-poesia-portugues-aprender</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jul 2022 19:14:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[criando poemas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=749</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o com os 8 melhores livros de poesia em portugu&#234;s para estudantes da arte po&#233;tica! S&#227;o muitos os motivos que podem levar algu&#233;m a estudar poesia. E em todos os casos, desde o apreciador da arte ao aspirante a poeta, a mesma d&#250;vida aparece: por onde come&#231;ar? A poesia, manifesta&#231;&#227;o mais alta&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/melhores-livros-de-poesia-portugues-aprender/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">8 melhores livros de poesia em português para estudar e aprender!</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #808080;">Confira a nossa seleção com os 8 melhores livros de poesia em português para estudantes da arte poética!</span></em></p>
<p>São muitos os motivos que podem levar alguém a estudar poesia.</p>
<p>E em todos os casos, desde o apreciador da arte ao aspirante a poeta, a mesma dúvida aparece: por onde começar?</p>
<p>A poesia, manifestação mais alta e mais sublime de um idioma, é uma arte complexa, repleta de dificuldades.</p>
<p>A primeira delas é que, por ser uma arte assaz subjetiva, é muito difícil estabelecer padrões e dizer o que se deve e o que não se deve fazer — ou, dizendo em outras palavras, rigorosamente todas as &#8220;regras&#8221; que tentaram impor à poesia já foram violadas.</p>
<p>Sendo assim, para o estudante, é difícil de se orientar. E a imensa abundância de livros de poesia disponíveis é mais um entrave.</p>
<p>Se abre um Fernando Pessoa, encontra versos livres; se abre um Camões, versos <a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">metrificados</a>; numa obra acha sonetos, noutra escapa-lhe o padrão; na tradução da <em>Ilíada</em>, versos brancos; na da <em>Divina Comédia</em>, versos rimados&#8230; e toda essa variedade quase ilimitada de formas e estilos leva o mesmíssimo nome de poesia.</p>
<p>Como, então, construir bases sólidas no estudo da arte poética para apreciar e interpretar grandes poetas e, quem sabe, até converter-se num deles?</p>
<p>Pensando nisso, preparamos uma seleção com aqueles que consideramos os 8 melhores livros de poesia em português para estudar e aprender a arte poética.</p>
<p>Aproveite!</p>
<h2>Os melhores livros de poesia para estudar e aprender</h2>
<h3>Tratado de metrificação portuguesa, de António Feliciano de Castilho</h3>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-758 size-medium alignleft" src="https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Tratado-de-metrificacao-portuguesa-Antonio-Feliciano-de-Castilho-209x300.jpg" alt="Tratado de metrificação portuguesa" width="209" height="300" srcset="https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Tratado-de-metrificacao-portuguesa-Antonio-Feliciano-de-Castilho-209x300.jpg 209w, https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Tratado-de-metrificacao-portuguesa-Antonio-Feliciano-de-Castilho.jpg 348w" sizes="(max-width: 209px) 100vw, 209px" /></p>
<p>O <em>Tratado de metrificação portuguesa</em>, do português António Feliciano de Castilho está, sem dúvida, entre os melhores livros de poesia para aprender a arte poética, e por vários motivos.</p>
<p>O primeiro deles é que esta obra tem uma grande importância histórica, por se tratar da primeira tentativa sistemática de estabelecer bases sólidas para o fazer poético em língua portuguesa.</p>
<p>Em segundo lugar, este tratado de Castilho influenciou praticamente todos os estudos teóricos da poesia em português que lhe seguiram, servindo de base para a maioria deles (e, obviamente, servindo como fonte de estudo primária para poetas da língua).</p>
<p>Além disso, o tratado tem uma didática muito interessante, ótimos exemplos e explicações quase sempre claras.</p>
<p>Por este tratado, você aprenderá muito sobre os fundamentos da poesia, e entrará em contato com uma bela abordagem de temas como contagem de sílabas poéticas, metrificação, classificação dos versos, rima, entre outros, e tudo isso através de um dos nomes mais renomados da literatura portuguesa.</p>
<p>Embora o modelo de Castilho, muito em razão de ter sido baseado na metrificação francesa (mas também por algumas polêmicas opiniões do autor), ter sido alvo de algumas críticas procedentes, não resta dúvida que, por tudo o que dissemos, vale o estudo e está este entre os melhores livros de poesia existentes em português para aqueles que querem aprender a fazer versos.</p>
<h3>Tratado de versificação, de Olavo Bilac e Guimarães Passos</h3>
<p><img decoding="async" class="size-medium wp-image-759 alignleft" src="https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Tratado-de-versificacao-Olavo-Bilac-e-Guimaraes-Passos-197x300.jpg" alt="Tratado de versificação" width="197" height="300" srcset="https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Tratado-de-versificacao-Olavo-Bilac-e-Guimaraes-Passos-197x300.jpg 197w, https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Tratado-de-versificacao-Olavo-Bilac-e-Guimaraes-Passos.jpg 328w" sizes="(max-width: 197px) 100vw, 197px" /></p>
<p>Nossa segunda indicação é este <em>Tratado de versificação</em>, escrito conjuntamente pelos poetas <a href="https://www.academia.org.br/academicos/olavo-bilac" target="_blank" rel="noopener">Olavo Bilac</a> e <a href="https://www.academia.org.br/academicos/guimaraes-passos" target="_blank" rel="noopener">Guimarães Passos</a>.</p>
<p>Estes poetas brasileiros, fundadores da Academia Brasileira de Letras, dispensam apresentações, e o tratado que nos legaram é um dos melhores livros de poesia, hoje, à nossa disposição.</p>
<p>Esta obra está expressamente amparada no modelo de Castilho, e o português (referido como &#8220;mestre&#8221;) é citado inúmeras vezes, seja em exemplos, seja em explicações.</p>
<p>Mas na terceira parte desta obra encontramos uma abordagem muito mais completa sobre os chamados &#8220;gêneros poéticos&#8221;, repleta de bons exemplos.</p>
<p>O tratado está bem organizado, as explicações são claras, as introduções aos temas são ótimas e o livro, por isso, merece menção em nossa lista de melhores livros de poesia.</p>
<p>Acreditamos que, através do estudo desta obra e da de Castilho, que se reforçam mutuamente, o estudante sério dominará a métrica de versos portugueses.</p>
<h3>Versificação portuguesa, de Manuel Said Ali</h3>
<p><img decoding="async" class="size-medium wp-image-760 alignleft" src="https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Versificacao-portuguesa-Said-Ali-217x300.jpg" alt="Versificação portuguesa" width="217" height="300" srcset="https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Versificacao-portuguesa-Said-Ali-217x300.jpg 217w, https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Versificacao-portuguesa-Said-Ali.jpg 361w" sizes="(max-width: 217px) 100vw, 217px" /></p>
<p>Acreditamos ser <em>Versificação portuguesa</em>, de Manuel Said Ali, uma pérola indispensável para o estudante sério da poesia em língua portuguesa.</p>
<p>Esta obra, como todas de Said Ali, talvez não seja a mais indicada para iniciantes, e um conhecimento prévio dos fundamentos da poesia é necessário para que se lhe tire o maior proveito.</p>
<p>Porém, sem dúvida, a interpretação da poesia feita por este grande intelectual brasileiro pode iluminar sobremaneira a mente daqueles interessados em poesia.</p>
<p>Manuel Bandeira, que prefacia a obra, diz o seguinte:</p>
<blockquote><p>O compêndio Versificação portuguesa, ora editado pelo Instituto do Livro, parece-me, não obstante sua brevidade e concisão, o mais inteligente e incisivo que sobre a matéria já se escreveu no Brasil, senão também em Portugal. O eminente Prof. Said Ali, de quem tive a honra de ser aluno de alemão no Colégio Pedro II, (&#8230;) a quem devemos tantas contribuições magistrais ao estudo de nosso idioma, não é um poeta. Mas o seu íntimo conhecimento da poesia latina e da poesia das grandes literaturas ocidentais dá-lhe competência para versar o assunto com uma autoridade que não terá talvez atualmente nenhum poeta da língua portuguesa.</p></blockquote>
<p>Entre muitas outras coisas, esta é uma obra polêmica, que se coloca em contraposição ao modelo já consagrado de António Feliciano de Castilho.</p>
<p>Uma nova classificação dos versos é proposta, e muitas críticas são feitas ao português.</p>
<p>É verdade: o modelo proposto por Said Ali não teve adoção semelhante ao de Castilho; contudo, acreditamos que isso em nada arranha a contribuição valiosíssima de Said Ali ao estudo da poesia em língua portuguesa.</p>
<p>Além de exemplos excelentes, nesta obra deparamo-nos com uma abordagem muito mais interessante do ritmo, se a comparamos com as obras anteriores desta lista.</p>
<p>Said Ali aplica com grande êxito o conceito de &#8220;pés&#8221; quando aborda os aspectos construtivos de um verso, passando-nos claramente a noção de que o verso é uma construção rítmica e, portanto, se seccionado, deve sê-lo de praxe em unidades rítmicas (pés) e não silábicas — como, aliás, sempre fizeram os antigos.</p>
<p>Só por isso, o livro já seria de grande valor ao estudante, mas a visão de Said Ali sobre os diversos aspectos da poesia conferem-lhe o status de indispensável.</p>
<p>Por isso, recomendadíssimo!</p>
<h3>ABC da literatura, de Ezra Pound</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-754 alignleft" src="https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/ABC-da-literatura-Ezra-Pound-200x300.jpg" alt="ABC da literatura" width="200" height="300" srcset="https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/ABC-da-literatura-Ezra-Pound-200x300.jpg 200w, https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/ABC-da-literatura-Ezra-Pound.jpg 231w" sizes="auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px" /></p>
<p>Destacamos este livro do poeta americano Ezra Pound, originalmente publicado como <em>ABC of Reading</em>, porque pode ter um efeito muito positivo sobre estudantes de poesia e poetas iniciantes.</p>
<p>Pound era um homem eruditíssimo, e escreveu este livro para ser um manual básico para todos aqueles que desejam entrar em contato com a poesia.</p>
<p>Se pudéssemos resumi-lo (e num resumo infame), diríamos que este livro é um descomplicador.</p>
<p>Isso porque Pound aborda temas que podem parecer de uma obscuridade impenetrável ao estudante, lançando luz em todos eles.</p>
<p>O tempo inteiro, vemo-lo esforçando-se para ater-se ao simples, para destacar aquilo que julga valioso, para criticar o que deve ser criticado, e para deixar tudo isso o mais claro possível ao estudante.</p>
<p>Colocamos esta obra entre os melhores livros de poesia em português porque, apesar de ser uma tradução, possui notas originais e muito interessantes de uma voz que merece o nosso respeito.</p>
<p>Mas, é claro, se você domina o inglês, recomendamos que a leia no original.</p>
<h3>Os Lusíadas, de Camões</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-756 alignleft" src="https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Os-Lusiadas-Camoes-197x300.jpg" alt="Os Lusíadas" width="197" height="300" srcset="https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Os-Lusiadas-Camoes-197x300.jpg 197w, https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Os-Lusiadas-Camoes.jpg 328w" sizes="auto, (max-width: 197px) 100vw, 197px" /></p>
<p>Camões, injustamente, talvez seja o autor que mais assusta estudantes da poesia portuguesa e poetas iniciantes.</p>
<p>Isso ocorre, principalmente, porque muitos entram em suas obras forçados, geralmente ainda muito jovens e sem um preparo adequado para apreciar estes que estão no topo dos melhores versos já feitos em língua portuguesa.</p>
<p>Porém, para aqueles que já se familiarizaram com os aspectos técnicos da poesia, que já possuem uma boa base de gramática e estudam seriamente a nossa língua, não vemos como <em>Os Lusíadas</em> não pode fornecer uma das mais prazerosas leituras possíveis em português.</p>
<p>Estamos, aqui, deixando de lado toda a importância histórica da obra, tudo o que ela representa na literatura portuguesa, e nos atendo apenas aos seus aspectos didáticos: afinal, são versos primorosos.</p>
<p>Se você deseja saber o que de melhor já foi composto em português, então, <em>Os Lusíada</em>s é leitura obrigatória.</p>
<p>Por isso, acreditamos que esteja ele, também, entre os melhores livros de poesia em português para aprender a arte poética: ler grandes versos é fundamental para apreender uma infinidade de conceitos que, neles, vemos magnificamente aplicados.</p>
<h3>Sonetos, de Camões</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-757 alignleft" src="https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Sonetos-de-Camoes-199x300.jpg" alt="Sonetos" width="199" height="300" srcset="https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Sonetos-de-Camoes-199x300.jpg 199w, https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Sonetos-de-Camoes.jpg 331w" sizes="auto, (max-width: 199px) 100vw, 199px" /></p>
<p>Mais uma obra de Camões, e o motivo é muito claro: por tudo o que o soneto representa na poesia portuguesa, o estudante de poesia e o aspirante a poeta têm de estudá-lo com carinho; e para fazê-lo, não há obra melhor que os <em>Sonetos</em>, de Camões.</p>
<p>Aqui, são quase 300 sonetos legados por esse grande mestre da nossa língua, vários deles entre os melhores já compostos em português.</p>
<p>Camões varia a expressão, o ritmo, e inunda-nos de uma musicalidade encantadora.</p>
<p>Seus sonetos abrem a mente do leitor para as infinitas possibilidades que esta forma fixa nos oferece, e por isso não poderiam deixar de estar nesta lista de melhores livros de poesia para estudar.</p>
<p>Fechando esta obra, não há dúvida de que o estudante terá aprendido muito.</p>
<h3>Obra poética completa, de Gonçalves Dias</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-761 alignleft" src="https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Obra-poetica-completa-Goncalves-Dias-188x300.jpg" alt="Obra poética completa" width="188" height="300" srcset="https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Obra-poetica-completa-Goncalves-Dias-188x300.jpg 188w, https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Obra-poetica-completa-Goncalves-Dias.jpg 313w" sizes="auto, (max-width: 188px) 100vw, 188px" /></p>
<p>Recomendamos a <em>Obra poética completa</em>, de Gonçalves Dias, por dois motivos.</p>
<p>O primeiro é que Gonçalves Dias é um dos maiores e mais expressivos poetas brasileiros de todos os tempos.</p>
<p>O segundo é que, ao estudante, essa obra fornecerá uma variedade tão grande de formas que dificilmente poderá ser igualada.</p>
<p>Na poesia regular, pode-se dizer que Gonçalves Dias experimentou quase tudo: sua obra contém versos brancos, versos rimados, versos em todos os metros tradicionais, versos quebrados, formas fixas as mais variadas&#8230;</p>
<p>E, tudo isso, encontramos a serviço da grande inspiração do poeta.</p>
<p>Com efeito, Gonçalves Dias serviu de modelo a vários outros artistas, porque sua técnica é excelente em muitas formas e muitos ritmos.</p>
<p>Sendo assim, o estudante de poesia terá muito proveito se estudar diligentemente os belos versos que nos legou este poeta, cuja <em>Obra poética completa</em> também julgamos estar entre os melhores livros de poesia em português para aqueles que desejam aprender.</p>
<h3>Obra poética, de Fernando Pessoa</h3>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-755 alignleft" src="https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Obra-poetica-Fernando-Pessoa-202x300.jpg" alt="Obra poética" width="202" height="300" srcset="https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Obra-poetica-Fernando-Pessoa-202x300.jpg 202w, https://comofazerumpoema.com/wp-content/uploads/2022/07/Obra-poetica-Fernando-Pessoa.jpg 336w" sizes="auto, (max-width: 202px) 100vw, 202px" /></p>
<p>Para finalizar, a <em>Obra poética </em>deste imenso Fernando Pessoa.</p>
<p>Sobre Pessoa, não há muito o que dizer: basta-nos afirmar que trata-se de um dos maiores nomes da literatura universal.</p>
<p>Mas sua obra, ao estudante, é valiosíssima por evidenciar possibilidades únicas no manejo do verso.</p>
<p>Grande parte do que Pessoa compôs, fê-lo em verso livre. Portanto, desta lista, apenas esta obra apresentará ao estudante esta forma poética.</p>
<p>Aquele que entrar na obra de Fernando Pessoa com uma boa bagagem ficará encantado com a expressividade deste poeta que, embora inteiramente apto a trabalhar a métrica e a regularidade rítmica, optou pela composição livre, extraindo-lhe efeitos impressionantes.</p>
<p>A maneira como Pessoa consegue impregnar em seus versos uma atmosfera toda peculiar não é simplesmente admirável, mas instrutiva, e muito ganhará o aluno que estudar sua obra com atenção.</p>
<p>Portanto, também recomendamos!</p>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Então, é isso!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção dos melhores livros de poesia em português para estudar e aprender.</p>
<p>Se você curtiu esse texto, não deixe de ver o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/por-que-o-corvo-de-edgar-allan-poe-poema-bom/">&#8220;O corvo&#8221;, de Edgar Allan Poe</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Por que &#8220;O Corvo&#8221;, de Edgar Allan Poe, é tão bom? (5 lições do poema)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/por-que-o-corvo-de-edgar-allan-poe-poema-bom/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=por-que-o-corvo-de-edgar-allan-poe-poema-bom</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Jun 2022 18:46:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[criando poemas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=742</guid>

					<description><![CDATA[Confira as li&#231;&#245;es que o famos&#237;ssimo poema &#8220;O Corvo&#8221;, de Edgar Allan Poe, tem para nos ensinar! The Raven (em portugu&#234;s, &#8220;O Corvo&#8221;), de Edgar Allan Poe, &#233; um dos poemas mais conhecidos da literatura mundial. Este pequeno poema emana uma energia, uma sonoridade que coloca-o entre os mais belos poemas jamais escritos em l&#237;ngua&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/por-que-o-corvo-de-edgar-allan-poe-poema-bom/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Por que &#8220;O Corvo&#8221;, de Edgar Allan Poe, é tão bom? (5 lições do poema)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #999999;"><em>Confira as lições que o famosíssimo poema &#8220;O Corvo&#8221;, de Edgar Allan Poe, tem para nos ensinar!</em></span></p>
<p><em>The Raven</em> (em português, &#8220;O Corvo&#8221;), de<a href="https://poemuseum.org/" target="_blank" rel="noopener"> Edgar Allan Poe</a>, é um dos poemas mais conhecidos da literatura mundial.</p>
<p>Este pequeno poema emana uma energia, uma sonoridade que coloca-o entre os mais belos poemas jamais escritos em língua inglesa e, sem dúvida, é o melhor poema de Edgar Allan Poe.</p>
<p>&#8220;O Corvo&#8221; atraiu a atenção de vários dos mais ilustres nomes da literatura em língua portuguesa e recebeu inúmeras traduções, como, por exemplo, de Machado de Assis e de Fernando Pessoa.</p>
<p>Só por isso já é possível medir a importância e a grandeza deste poema.</p>
<p>Mas o curioso é que Poe, num ensaio intitulado <em>The Philosophy of Composition </em>(em português, &#8220;A Filosofia da Composição&#8221;), disseca tecnicamente os elementos e o processo criativo que envolveu a composição deste poema, dando-nos ensinamentos extremamente valiosos.</p>
<p>Sendo assim, preparamos esse texto reunindo algumas das lições mais importantes que podemos tirar de &#8220;O Corvo&#8221;, de Edgar Allan Poe, e aplicar em nossos próprios poemas.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Um bom poema depende mais de planejamento que de intuição</h2>
<p>Logo no início de &#8220;A Filosofia da Composição&#8221;, Edgar Allan Poe diz que tomará &#8220;O Corvo&#8221; como exemplo para nos explicar seu método de composição poética, afirmando o que traduzimos livremente a seguir:</p>
<blockquote><p>Seleciono &#8220;O Corvo&#8221; por ser meu poema mais conhecido. É meu intento tornar manifesto que nenhum elemento de sua composição é fruto de acidente ou intuição — que o trabalho prosseguiu, passo a passo, até sua conclusão, com a precisão e a consequência rígida de um problema matemático.</p></blockquote>
<p>Então Poe nos mostra, em detalhes, como definiu previamente todos os elementos que comporiam o poema antes de sentar-se a criar.</p>
<p>A comparação que Poe faz entre a composição de um poema e a resolução de um problema matemático é extremamente instrutiva e nos mostra que é necessário progredir em etapas bem definidas para criar um poema que apresente um resultado final satisfatório.</p>
<p>Embora o que se chama &#8220;intuição&#8221; possa ter um papel importante na criação poética, não é ela a responsável pela harmonia de um poema: esta é fruto da adequação dos versos a um padrão rítmico e melódico previamente definido — noutras palavras, é fruto de planejamento.</p>
<h2>Um poeta profissional não se senta para criar do zero</h2>
<p>Outra lição importantíssima que podemos tirar do método de Edgar Allan Poe é que, de forma alguma, um poeta profissional senta-se diante da folha ou da tela branca para criar do zero.</p>
<p>Como já notamos, a harmonia de um poema, sua coerência interna é fruto de uma rígida adequação a um padrão predefinido pelo autor.</p>
<p>Para que seja possível conciliar tantas variáveis, como as há na poesia, é preciso defini-las antes que se comece a efetivamente criar o poema.</p>
<p>Do contrário, o autor se verá diante de uma infinidade de elementos para serem determinados de uma só vez. Então ocorre o que se chama &#8220;bloqueio criativo&#8221; — algo ainda mais frequente na poesia que na prosa e que simplesmente não existe para um poeta profissional.</p>
<p>Um poeta profissional jamais se senta diante da tela ou da folha branca.</p>
<p>Quando senta-se para criar, já definiu os elementos que comporão seu poema: o número de versos, a disposição das rimas, a estrofação, o tom do poema, o cenário, a ação, os efeitos melódicos&#8230; tudo isso já está determinado, portanto, o poeta venceu estes problemas e pode concentrar-se em realizar o que já idealizou.</p>
<h2>Um poema deve girar em torno de um objetivo central</h2>
<p>Em poesia, tudo fica mais simples quando sabemos exatamente aquilo que vamos criar.</p>
<p>Ainda em &#8220;A Filosofia da Composição&#8221;, Edgar Allan Poe nos mostra como absolutamente todos os elementos de &#8220;O Corvo&#8221; convergem para um objetivo central, atuando conjuntamente, fortalecendo a unidade da composição.</p>
<p>Segundo Poe, a poesia deve visar a criação da Beleza; a Beleza, por sua vez, em sua manifestação mais elevada, &#8220;invariavelmente estimula a alma sensível às lágrimas&#8221;.</p>
<blockquote><p>A melancolia é, portanto, o mais legítimo de todos os tons poéticos.</p></blockquote>
<p>Partindo deste princípio, Poe nos revela em que pensou para idealizar &#8220;O Corvo&#8221;:</p>
<blockquote><p>&#8220;De todos os temas melancólicos qual, segundo a compreensão universal da humanidade, é o mais melancólico?&#8221; A morte, foi a (minha) resposta óbvia.</p></blockquote>
<p>Assim, o objetivo central do poema foi definido como expressar a melancolia em sua forma mais pura, mais plena e mais forte.</p>
<p>Para alcançá-lo, Poe começou a listar elementos que sugerem a ideia de melancolia: uma noite chuvosa; um homem lamentando a morte da mulher amada; um corvo&#8230;</p>
<p>A todos estes, Poe adicionou a repetição, em todas as estrofes, do fonema que, para ele, é o mais melancólico e carrancudo da língua inglesa: o &#8220;o&#8221; fechado (presente em palavras como <em>more</em>, <em>nevermore</em>).</p>
<p>Assim, fica muito óbvio entender o porquê de &#8220;O Corvo&#8221; emanar uma energia tão forte: o poema inteiro foi construído em torno deste objetivo.</p>
<h2>Não há poesia sem música</h2>
<p>Em outro ensaio, intitulado &#8220;The Poetic Principle&#8221; (em português, &#8220;O Princípio Poético&#8221;), Edgar Allan Poe explica-nos mais de sua concepção poética, e podemos ter mais justificativas de por que &#8220;O Corvo&#8221; é um poema tão bom.</p>
<p>Diz Poe:</p>
<blockquote><p>A música, quando combinada com uma ideia aprazível, é poesia; a música, sem a ideia, é simplesmente música; a ideia, sem a música, é a prosa, segundo sua própria definição.</p></blockquote>
<p>Por muito que já se tenha dito e praticado em contrário, a música continua, e sempre continuará, a ser um elemento fundamental em construções verdadeiramente poéticas.</p>
<p>Se tomamos &#8220;O Corvo&#8221; como exemplo, é muito fácil notar que grande parte de seu efeito é derivado dos elementos musicais que o constituem.</p>
<p>A regularidade rítmica que se estende por todo o poema somada às rimas e à repetição já mencionada do fonema &#8220;o&#8221; fechado criam uma unidade encantadora.</p>
<p>O poema jamais teria o mesmo efeito caso lhe fossem retirados os elementos musicais, que reforçam sobremaneira o tom poético estipulado por Poe.</p>
<h2>Concisão é força</h2>
<p>Para fechar, outra lição muito interessante que podemos tirar de &#8220;O Corvo&#8221; e diretamente ligada à concepção poética de Edgar Allan Poe: em poesia, concisão é força.</p>
<p>Poe é radical neste ponto, e faz a seguinte e polêmica declaração em &#8220;O Princípio Poético&#8221;:</p>
<blockquote><p>Considero que um poema longo não existe. Sustento que a frase &#8220;um poema longo&#8221; é simplesmente uma contradição de termos.</p></blockquote>
<p>E justifica-se:</p>
<blockquote><p>O valor de um poema está na proporção da excitação que ele gera. Mas todas as excitações são, necessariamente, transitórias. Esse grau de excitação que daria direito a um poema ser assim chamado não pode ser sustentado ao longo de uma composição de qualquer comprimento.</p></blockquote>
<p>Portanto, Poe defende que, para que haja unidade e força, um poema não pode ter um grande número de versos.</p>
<p>Sendo assim, deve-se construí-lo de forma a consistir num movimento único de elevação até que se alcance o patamar desejado, encerrando-o antes que esta &#8220;excitação&#8221; enfraqueça, portanto, sem que o poema deixe o patamar ao qual se elevou.</p>
<p>Embora seja um ponto discutível, não há dúvida de que &#8220;O Corvo&#8221;, se estendido, tornar-se-ia maçante e, portanto, é um ótimo exemplo de boa aplicação deste princípio.</p>
<h2>Bônus: adaptações de &#8220;O Corvo&#8221;, de Edgar Allan Poe, para o cinema</h2>
<p>O poema &#8220;O Corvo&#8221; já recebeu várias adaptações para o cinema ao redor do mundo.</p>
<p>A última delas, dirigida por James McTeigue, veio a público em 2012. É um filme de suspense cujo trailer disponibilizamos abaixo:</p>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="O Corvo (2012) - Trailer Oficial Legendado" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/23_haur9VKk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Deixamos também a versão da famosíssima série de animação Os Simpsons para o poema de Poe:</p>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe loading="lazy" title="O Corvo - Edgar Allan Poe (Versão de Os Simpsons) PT BR" width="1200" height="900" src="https://www.youtube.com/embed/fjs9054zqqA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></div>
<h4></h4>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado deste texto e conhecido alguns motivos que tornam &#8220;O Corvo&#8221;, de Edgar Allan Poe, um poema tão bom.</p>
<p>Se você gostou desse conteúdo, não deixe de ver o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poesia-e-imagens-linguagem-figurada-poetica/">poesia e imagens</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Poesia e imagens: a linguagem figurada e conotativa em composições poéticas</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poesia-e-imagens-linguagem-figurada-poetica/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poesia-e-imagens-linguagem-figurada-poetica</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jun 2022 22:44:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[criando poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Conhe&#231;a a rela&#231;&#227;o entre poesia e imagens e entenda a import&#226;ncia da linguagem figurada em composi&#231;&#245;es po&#233;ticas! A linguagem figurada &#233; um dos recursos expressivos mais poderosos e que mais caracterizam um discurso propriamente po&#233;tico. Expressar-se por imagens, isto &#233;, empregar conota&#231;&#245;es criativas &#233; explorar o potencial expressivo das palavras, e constitui habilidade muito &#250;til&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poesia-e-imagens-linguagem-figurada-poetica/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Poesia e imagens: a linguagem figurada e conotativa em composições poéticas</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="color: #808080;">Conheça a relação entre poesia e imagens e entenda a importância da linguagem figurada em composições poéticas!</span></em></p>
<p>A linguagem figurada é um dos recursos expressivos mais poderosos e que mais caracterizam um discurso propriamente poético.</p>
<p>Expressar-se por imagens, isto é, empregar conotações criativas é explorar o potencial expressivo das palavras, e constitui habilidade muito útil para a criação literária.</p>
<p>O eminente linguista suíço Charles Bally, por exemplo, diz que as imagens e a linguagem conotativa são empregadas por necessidade do espírito humano, que por uma incapacidade expressiva precisa estabelecer um elo entre aquilo que pensa e a realidade concreta, portanto, expressa-se por associação.</p>
<p>Para além desta necessidade, não há dúvida que imagens conferem brilho e potência a qualquer composição literária.</p>
<p>Pensando nisso, preparamos esse texto para explorar um pouco mais da relação entre poesia e imagens, para que você possa compreender a importância da linguagem figurada e conotativa em composições poéticas.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>O que é imagem em poesia</h2>
<p>O <a href="https://houaiss.uol.com.br/" target="_blank" rel="noopener">dicionário Houaiss</a> define imagem como &#8220;qualquer maneira particular de expressão literária que tem por efeito substituir a representação precisa de um fato, situação etc. por uma alegoria, visão, evocação etc.&#8221;.</p>
<p>Portanto, uma imagem explora criativamente significados especiais para as palavras, e são inseridas em contextos em que evocam um sentimento ou uma ideia através de uma semelhança, de uma analogia, geralmente se afastando do significado literal da expressão.</p>
<p>Quando Murilo Mendes, por exemplo, refere-se a um de seus professores em <em>A idade do serrote</em> como &#8220;moreno, nervoso, <em>cabelos inspirados</em>, <em>olhos de pinguepongue</em>&#8220;, ou que &#8220;atraem-no até as pessoas de <em>coração míope</em>, mas não lhe agrada muito o<em> céu açucarado</em>&#8220;, ele está empregando imagens em todos os termos destacados.</p>
<p>Um coração não pode ser míope, literalmente; mas todos nós compreendemos o que Murilo quis dizer com &#8220;pessoas de coração míope&#8221;.</p>
<p>Expressando-se desta forma, Murilo conferiu brilho à sua descrição, que excita a imaginação de quem lê.</p>
<h2>Por que utilizar imagens na poesia</h2>
<p>A relação entre poesia e imagens é mais forte do que em qualquer outro discurso literário.</p>
<p>Isso porque a poesia representa a elevação máxima da emotividade através de palavras, e as imagens cumprem papel importantíssimo colorindo e intensificando a expressão.</p>
<p>Nilce Sant&#8217;Anna Martins diz, em <em>Introdução à estilístic</em>a, que &#8220;o mais importante fator de afetividade é certamente o emprego da linguagem figurada&#8221;.</p>
<p>Quer dizer: é através de imagens que um poeta conseguirá canalizar toda a sua emoção e expressá-la, uma vez que o discurso literal dificilmente expressará a força daquilo que sente.</p>
<p>Um poeta, por exemplo, poderia expressar sua frustração amorosa dizendo que recebeu &#8220;tiros por flores&#8221;, ou que foi tratado &#8220;como um animal&#8221;.</p>
<p>Em ambos os casos, percebemos facilmente que o sentido atribuído às expressões não é o literal e que, através destas imagens, o poeta colocou-se como alvo de uma insensibilidade que teria muito menos brilho e força se expressada de forma mais direta, como por exemplo se dissesse simplesmente &#8220;recebi uma recusa&#8221; ou &#8220;fui maltratado&#8221;.</p>
<p>Sendo assim, fica muito claro quanto se pode ganhar através do uso de imagens na poesia.</p>
<h2>Como criar boas imagens em composições poéticas</h2>
<p>Muito se pode dizer a respeito de o que define uma boa e uma má imagem na poesia.</p>
<p>Stephen Ullmann, em <em>Lenguaje y estilo,</em> dá-nos algumas referências sobre o que define uma boa imagem:</p>
<ul>
<li>A semelhança que expressa deve ter uma qualidade concreta e sensível. Normalmente ou os dois termos de uma imagem são concretos, ou o primeiro é abstrato e o segundo concreto.</li>
<li>Deve ter algo surpreendente e inesperado; deve produzir um efeito de assombro, pela revelação de algo comum entre duas experiências aparentemente díspares.</li>
<li>Deve ter certo frescor e novidade, ainda que não seja necessário a imagem ser absolutamente original; mas, se sua força expressiva se debilitou com a repetição, o escritor terá que rejuvenescê-la e infundir-lhe nova vida.</li>
</ul>
<p>Portanto, podemos concluir que, em primeiro lugar, a imagem deve possuir um elo com a experiência concreta; porque, assim, se aproximará daquele que entra em contato com ela.</p>
<p>Em segundo lugar, uma boa imagem deve causar surpresa. Isso é muito importante, e disso deriva que os lugares-comuns devem ser evitados, pois dificilmente surpreendem.</p>
<p>Por fim, Ullmann destaca o &#8220;frescor&#8221; e a &#8220;novidade&#8221; que, de certa forma, está relacionado com o conceito de surpresa.</p>
<p>Adicionaríamos ainda que, muitas vezes, o exagero confere força de expressão a uma imagem e, portanto, se empregado com inteligência, pode ser um recurso interessantíssimo.</p>
<p>Veja, por exemplo, como é forte quando um poeta apaixonado, em vez de dizer &#8220;estou apaixonado&#8221;, diz &#8220;meu peito arde em fogo&#8221;.</p>
<p>Obviamente, este poeta está empregando uma imagem, pois seu peito não está literalmente &#8220;ardendo em fogo&#8221;. Além disso, há um notório exagero na expressão.</p>
<p>O mesmo dar-se-ia se alguém dissesse &#8220;carreguei uma montanha nas costas&#8221;, &#8220;senti-me a cabeça a explodir&#8221;, &#8220;mirou-me como uma águia&#8221;, &#8220;tinha braços de canhão&#8221;, etc. etc. Os exemplos são infinitos.</p>
<h2>Exemplos de imagens na poesia</h2>
<p>Para exemplificar como poesia e imagens estão em relação estreita, separamos alguns exemplos de grandes artistas que utilizaram imagens com maestria em suas composições poéticas.</p>
<p>Perceba como, nos versos que citaremos, a expressão vem cheia de força, transborda criatividade e desenha-se vivíssima em nossas mentes.</p>
<p>Para começar, vamos com um dos poetas que melhor e mais originalmente valeu-se de imagens em sua poesia, repleta de exemplos excelentes: o brasileiro Augusto dos Anjos.</p>
<p>Abaixo, os versos que abrem seu poema <em>Monólogo de uma sombra</em>:</p>
<blockquote><p>&#8220;Sou uma Sombra! Venho de outras eras,<br />
Do cosmopolitismo das moneras&#8230;<br />
Pólipo de recônditas reentrâncias,<br />
Larva de caos telúrico, procedo<br />
Da escuridão do cósmico segredo,<br />
Da substância de todas as substâncias!</p></blockquote>
<p>Perceba como são expressivas essas imagens, e evocam todo um mistério que colore o poema, deste o início, de um tom sombrio.</p>
<p>Agora, um exemplo do uso de imagens em seu <em>Poema negro</em>:</p>
<blockquote><p>A desagregação da minha Ideia<br />
Aumenta. Como as chagas da morfeia,<br />
O medo, o desalento e o desconforto<br />
Paralisam-me os círculos motores.<br />
Na Eternidade, os ventos gemedores<br />
Estão dizendo que Jesus é morto!</p></blockquote>
<p>Um último exemplo de Augusto dos Anjos, tirado de seu poema<em> Os doentes</em>, que dispensa comentários:</p>
<blockquote><p>Não haver terapêutica que arranque<br />
Tanta opressão como se, com efeito,<br />
Lhe houvessem sacudido sobre o peito<br />
A máquina pneumática de Bianchi!</p>
<p>E o ar fugindo e a Morte a arca da tumba<br />
A erguer, como um cronômetro gigante<br />
Marcando a transição emocionante<br />
Do lar materno para a catacumba!</p></blockquote>
<p>Vamos, agora, a um exemplo de Cecília Meireles, que vale-se criativamente de uma imagem talvez comum, mas o faz com muita habilidade:</p>
<blockquote><p>Treva da noite,<br />
lanosa capa<br />
nos ombros curvos<br />
dos altos montes<br />
aglomerados.</p></blockquote>
<p>Neste exemplo, tanto &#8220;capa&#8221; como &#8220;ombros&#8221; estão sendo utilizados figurativamente.</p>
<p>Mais um trecho de Cecília Meireles, retirado de seu poema <em>Motivo</em>:</p>
<blockquote><p>Irmão das coisas fugidias,<br />
não sinto gozo nem tormento.<br />
Atravesso noites e dias<br />
no vento.</p></blockquote>
<p>Aqui, Cecília Meireles atribui um significado especial, metafórico para a palavra &#8220;vento&#8221;, que não quer dizer o vento propriamente dito, mas sim algo que podemos interpretar como &#8220;sonho&#8221;, &#8220;devaneio&#8221; ou &#8220;vazio&#8221;.</p>
<p>Mais um exemplo: agora retirado de Castro Alves:</p>
<blockquote><p>O livro — esse audaz guerreiro<br />
Que conquista o mundo inteiro<br />
Sem nunca ter Waterloo&#8230;</p></blockquote>
<p>E para fechar, um passo do excelente poema <em>Profissão de fé</em>, em que Olavo Bilac compara o trabalho de um poeta ao de um ourives:</p>
<blockquote><p>Por isso, corre, por servir-me,<br />
Sobre o papel<br />
A pena, como em prata firme<br />
Corre o cinzel.</p>
<p>Corre; desenha, enfeita a imagem,<br />
A idéia veste:<br />
Cinge-lhe ao corpo a ampla roupagem<br />
Azul-celeste.</p>
<p>Torce, aprimora, alteia, lima<br />
A frase; e, enfim,<br />
No verso de ouro engasta a rima,<br />
Como um rubim.</p>
<p>Quero que a estrofe cristalina,<br />
Dobrada ao jeito<br />
Do ourives, saia da oficina<br />
Sem um defeito:</p></blockquote>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nosso texto sobre poesia e imagens e entendido a importância da linguagem figurativa em composições poéticas.</p>
<p>Se você gostou desse texto, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/bonitos-poemas-sobre-mulher-em-portugues/">poemas sobre mulher</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Como compor poemas com rimas ricas (4 dicas e exemplos)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/como-compor-poemas-com-rimas-ricas-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=como-compor-poemas-com-rimas-ricas-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 May 2022 19:50:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[criando poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Aprenda a compor poemas com rimas ricas e melhore a qualidade de suas composi&#231;&#245;es po&#233;ticas! A rima &#233; um dos elementos mais distintivos de composi&#231;&#245;es po&#233;ticas em rela&#231;&#227;o a todas as outras formas de express&#227;o art&#237;stica. Resumidamente, a rima consiste na igualdade ou semelhan&#231;a sonora presente no final das palavras. Quando dizemos que uma palavra&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/como-compor-poemas-com-rimas-ricas-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Como compor poemas com rimas ricas (4 dicas e exemplos)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #999999;"><em>Aprenda a compor poemas com rimas ricas e melhore a qualidade de suas composições poéticas!</em></span></p>
<p>A <a href="https://www.dicio.com.br/rima/#:~:text=Repeti%C3%A7%C3%A3o%20de%20sons%20id%C3%AAnticos%2C%20iguais,de%20duas%20ou%20mais%20palavras." target="_blank" rel="noopener">rima</a> é um dos elementos mais distintivos de composições poéticas em relação a todas as outras formas de expressão artística.</p>
<p>Resumidamente, a rima consiste na igualdade ou semelhança sonora presente no final das palavras.</p>
<p>Quando dizemos que uma palavra rima com a outra, queremos dizer que há certa paridade de sons em suas terminações, como em &#8220;asa&#8221; e &#8220;casa&#8221;.</p>
<p>Os poetas, notando ser possível extrair efeitos muito bonitos e agradáveis em valendo-se de construções artísticas que explorem essa qualidade das palavras, passaram a compor versos rimados, isto é, versos cujas terminações possuem igualdade ou semelhança de sons com outros versos.</p>
<p>Porém, o tempo correu e começou a ficar perceptível que nem toda rima tem o mesmo mérito, uma vez que rimas mais óbvias geram um efeito surpresa inferior e, por isso, encantam menos.</p>
<p>Assim, as rimas passaram a ser classificadas entre pobres e ricas.</p>
<p>Mas como compor poemas com rimas ricas? É possível fazer bons poemas com rimas pobres?</p>
<p>Pensando nestas e noutras questões, preparamos esse artigo, e esperamos que você aproveite as nossas dicas sobre como fazer poemas com rimas ricas e melhore suas composições.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Por que compor poemas com rimas?</h2>
<p>A primeira dúvida que pode surgir, e que na verdade já gerou muitas páginas de debate é: por que compor poemas com rimas?</p>
<p>A princípio, podemos pensar que as rimas costumam ser um empecilho para a criação, que dão trabalho e que não são absolutamente necessárias para a expressão poética.</p>
<p>Embora, sem dúvida, há grandes poetas e poemas que não se valeram deste recurso, vejamos as palavras de alguns especialistas no assunto:</p>
<blockquote><p>O ouvido moderno, apesar de tudo quanto se tem alegado e praticado em contrário, não se conforma com a carência de reiteração dos sons finais das linhas. (Manuel Said Ali)</p></blockquote>
<blockquote><p>Os versos soltos reúnem os elementos de unidade e de segurança, mas faltam-lhes os de variedade e surpresa, que só reunidos com os primeiros serão capazes de produzir o êxtase. (Osório Duque-Estrada)</p></blockquote>
<blockquote><p>Somos de parecer que todos os versos devem ser rimados. As rimas chamam ideias, reclamam maior atenção para o trabalho; encantam, finalmente. Por isso julgamos que em composição alguma de versos se deve prescindir da rima. Ela é indispensável. (Olavo Bilac e Guimarães Passos)</p></blockquote>
<p>Que concluir?</p>
<p>Ora, no mínimo, que é possível extrair efeitos incríveis através do bom uso das rimas.</p>
<p>Vejamos agora algumas vantagens em se compor poemas com rimas.</p>
<h2>Vantagens em se compor poemas com rimas</h2>
<p>Destacamos, nos versos rimados, quatro vantagens principais:</p>
<p>1- A beleza das rimas, por vezes, disfarça defeitos do verso.<br />
2- As rimas tornam a forma poética mais autêntica, agradável e perceptível.<br />
3- A rima pode, muitas vezes, evocar ideias.<br />
4- O trabalho maior de rimar recompensa com o maior esmero da composição final.</p>
<h2>Os tipos mais comuns de rimas</h2>
<p>Rima, já dissemos, é a igualdade ou semelhança de sons na terminação das palavras.</p>
<p>Poemas com rimas, portanto, são poemas cujos versos apresentam essa igualdade ou semelhança de sons em suas terminações.</p>
<p>Tanto as rimas, quanto os versos, podem apresentar diferentes características e disposições, e já escrevemos um <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-rima-e-como-rimar-um-poema-poesia/">artigo detalhando-as</a> no site.</p>
<p>Relembrando, os tipos de rima mais comuns são:</p>
<ol>
<li><strong>Rimas toantes</strong>: paridade de sons entre as vogais tônicas. Ex: <strong>a</strong>sa, c<strong>a</strong>da.</li>
<li><strong>Rimas consoantes</strong>: paridade completa de sons a partir da vogal tônica. Ex: <strong>asa</strong>, c<strong>asa</strong>.</li>
</ol>
<p>Há poemas que utilizam apenas rimas toantes, há poemas que as misturam, e a maioria dos poemas costuma apresentar somente rimas consoantes, seja em português ou em outro idioma, porque estas rimas parecem apresentar uma paridade de sons que mais agrada o ouvido, e também porque há relativa abundância de palavras que se enquadram nesta categoria.</p>
<p>Lembrando que:</p>
<ul>
<li>Entre as rimas consoantes, admite-se a rima de vogal aberta com vogal fechada. Ex: b<strong>ela</strong>, estr<strong>ela</strong>;</li>
<li>admite-se a rima de palavras com diferentes consoantes ou vogais de apoio, mas que emitam o mesmo som. Ex: l<strong>aço</strong>, p<strong>asso</strong>; m<strong>ágoas</strong>, <strong>águas;</strong></li>
<li>admite-se, também, a rima entre a vogal mais forte de uma palavra com tônica em ditongo com outra palavra que tenha somente a mesma vogal tônica, seja aberta ou fechada. Ex: b<strong>eijo</strong>, des<strong>ejo</strong>.</li>
</ul>
<p>Agora vejamos, mais uma vez, a classificação das rimas quanto à sua qualidade.</p>
<h2>Como as rimas são classificadas</h2>
<p>Nem toda rima possui o mesmo mérito. Em geral, podemos dizer que a qualidade de uma rima está diretamente relacionada com o efeito de surpresa que ela é capaz de gerar.</p>
<p>Por isso, as melhores rimas geralmente são inesperadas e encantam por evidenciar uma relação única e incomum entre duas palavras.</p>
<p>As rimas, quanto à qualidade, são de praxe divididas entre <strong>rimas pobres</strong> e <strong>rimas ricas </strong>(embora haja quem proponha classificações diferentes)<strong>.</strong></p>
<h3>Rimas pobres</h3>
<p>São chamadas <strong>rimas pobres</strong> as rimas que combinam palavras de mesma classe gramatical: verbos com verbos, substantivos com substantivos, adjetivos com adjetivos&#8230;</p>
<p>Sobretudo, essas rimas são ruins quando em formas muito abundantes na língua, como os advérbios em –mente, verbos no infinitivo, no particípio passado, etc. (-ão, -ia, -ado, -ante, -ade, -eza são algumas terminações a serem evitadas).</p>
<p>Admite-se, porém, este tipo de rima quando as palavras rimadas emprestam força de expressão ao contexto, como nestes versos que abrem <em>Os Lusíadas</em>:</p>
<blockquote><p>As Armas e os Barões assinal<strong>ados</strong>,<br />
Que da Ocidental praia Lusit<strong>ana</strong>,<br />
Por mares nunca dantes naveg<strong>ados</strong>,<br />
Passaram ainda além da Taprob<strong>ana</strong>;<br />
E em perigos e guerras esforç<strong>ados</strong>,<br />
Mais do que prometia a força hum<strong>ana</strong>,<br />
Entre gente remota edific<strong>aram</strong><br />
Novo Reino, que tanto sublim<strong>aram</strong>.</p>
<p>(Camões)</p></blockquote>
<p>A rima de verbo com verbo pode passar de viciosa a plausível quando forem eles diversos em tempo, modo, número ou pessoa. Ex: d<strong>iz</strong>, ouv<strong>is</strong>; ado<strong>çou-se</strong>, f<strong>osse</strong>; vig<strong>ia</strong>, cantar<strong>ia</strong>.</p>
<p>Você pode usar o nosso <a href="https://comofazerumpoema.com/dicionario-de-rimas/">dicionário de rimas</a> para buscar palavras que deixem suas rimas melhores, bastando que você digite a terminação desejada.</p>
<h3>Rimas ricas</h3>
<p>São chamadas <strong>rimas ricas</strong> as rimas que, além de combinarem classes gramaticais diferentes, possuem paridade também na consoante de apoio, como nos últimos dois versos que apresentamos no tópico de rimas emparelhadas. Ex: ba<strong>talha</strong>, re<strong>talha</strong>; impru<strong>dente</strong>, aci<strong>dente</strong>.</p>
<p>Perceba que batalha (substantivo) rima com retalha (verbo) e imprudente (adjetivo) rima com acidente (substantivo), ambas estas rimas apresentando paridade, também, na consoante de apoio (no primeiro caso, &#8220;t&#8221;; no segundo, &#8220;d&#8221;).</p>
<p>Não é fácil, porém, construir poemas somente com rimas ricas, e em muitos casos uma construção desse tipo pode parecer afetada.</p>
<p>Por isso, saiba que <strong>para uma rima ser boa, não é necessário que ela seja rica</strong>.</p>
<p>Vejamos agora algumas dicas para que você saiba como rimar um poema com habilidade.</p>
<h2>Como compor poemas com rimas ricas</h2>
<p>Sabendo o que é rima rica, fica fácil de saber como compor poemas utilizando-as.</p>
<p>Porém, daremos aqui algumas dicas para que você saiba como utilizá-las corretamente.</p>
<p>Em primeiro lugar, reforçamos: <strong>evite compor poemas somente com rimas ricas</strong>, pois fazendo-o, você tornará normal a qualidade &#8220;rica&#8221;, e consequentemente o brilho da rima se perderá, além de que sua construção parecerá afetada.</p>
<p>Em segundo lugar, mais uma vez: <strong>evite, também, as rimas pobres</strong>, pois elas não surpreendem e podem estragar composições que, sem elas, seriam ótimas.</p>
<p>Em terceiro lugar, <strong>recomendamos que você se valha das rimas ricas, moderadamente, intercalando-a com rimas boas</strong>, isto é, rimas de palavras de classe gramatical diferente e que não sejam pobres.</p>
<p>É assim que procedem a maioria dos grandes poetas.</p>
<p>Por último, e nunca é demais lembrar: <strong>não limite sua criatividade</strong>, pois é ela sua maior aliada para encontrar efeitos interessantes na construção de poemas com rimas ricas.</p>
<h2>Exemplos de poemas com rimas ricas</h2>
<p>Para fechar, deixamos aqui alguns exemplos de poemas com rimas ricas, para que você possa se inspirar em autores que utilizaram-nas para dar um brilho para suas composições.</p>
<p>Em negrito, grifamos o local onde elas estão inseridas:</p>
<h3>Solitário, de Augusto dos Anjos</h3>
<blockquote><p>Como um fantasma que se refugia<br />
Na solidão da natureza morta,<br />
Por trás dos ermos túmulos, um dia,<br />
Eu fui refugiar-me à tua porta!</p>
<p>Fazia frio, e o frio que fazia<br />
Não era esse que a carne nos conforta&#8230;<br />
Cortava assim como em carniçaria<br />
O aço das facas incisivas corta!</p>
<p>Mas tu não vieste ver minha Desgraça!<br />
E eu saí, como quem tudo re<strong>pele</strong>,<br />
— Velho caixão a carregar destroços —</p>
<p>Levando apenas na tumba carcaça<br />
O pergaminho singular da <strong>pele</strong><br />
E o chocalho fatídico dos ossos!</p></blockquote>
<h3>Redondilha, de Camões</h3>
<blockquote><p>De ver-vos a não vos ver<br />
Há dous extremos mor<strong>tais</strong><br />
E são eles em si<strong> tais</strong><br />
Que um por um me faz morrer;<br />
Mas antes quero escolher,<br />
Que possa viver sem ver-vos,<br />
Minh&#8217;alma, por não perder-vos.</p>
<p>Deste tamanho perigo<br />
Que remédio posso ter,<br />
Se vivo só com vos ver,<br />
Se vos não vejo, perigo&#8217;?<br />
Mas quero acabar comigo,<br />
Que ninguém me veja ver-vos,<br />
Senhora, por não perder-vos.</p></blockquote>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nosso artigo e aprendido como compor poemas com rimas ricas.</p>
<p>Se você gostou desse conteúdo, não deixe de ver o que escrevemos sobre a <a href="https://comofazerumpoema.com/qual-a-diferenca-entre-poema-e-poesia/">diferença entre poema e poesia</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Qual a diferença entre poema e poesia? São a mesma coisa?</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/qual-a-diferenca-entre-poema-e-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=qual-a-diferenca-entre-poema-e-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 May 2022 18:56:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[criando poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Saiba de uma vez por todas qual a diferen&#231;a entre poema e poesia e nunca mais confunda o significado destes dois substantivos! &#201; muito comum haver confus&#227;o entre o que &#233; poesia e o que &#233; poema, uma vez que ambos substantivos s&#227;o utilizados, &#224;s vezes, com a mesma significa&#231;&#227;o. Se dissermos, por exemplo, &#8220;uma&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/qual-a-diferenca-entre-poema-e-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Qual a diferença entre poema e poesia? São a mesma coisa?</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #999999;"><em>Saiba de uma vez por todas qual a diferença entre poema e poesia e nunca mais confunda o significado destes dois substantivos!</em></span></p>
<p>É muito comum haver confusão entre o que é poesia e o que é poema, uma vez que ambos substantivos são utilizados, às vezes, com a mesma significação.</p>
<p>Se dissermos, por exemplo, &#8220;uma poesia de Manuel Bandeira&#8221; ou &#8220;um poema de Manuel Bandeira&#8221;, poderemos estar referindo-nos à mesma coisa, isto é, a uma composição em versos feita pelo poeta Manuel Bandeira.</p>
<p>Porém, se dissermos &#8220;a poesia de Manuel Bandeira&#8221;, é possível que estejamos referindo-nos a algo de sentido muito distinto de &#8220;o poema de Manuel Bandeira&#8221;.</p>
<p>Poema e poesia, portanto, são substantivos que podem gerar alguma confusão.</p>
<p>Pensando nisso, preparamos esse artigo buscando explicar de maneira clara qual a diferença entre poema e poesia, para que você nunca mais enfrente dificuldades com essas palavras.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>O que é poesia?</h2>
<p>O dicionário <a href="https://houaiss.uol.com.br/" target="_blank" rel="noopener">Houaiss</a> dá-nos seis definições para &#8220;poesia&#8221;. São elas:</p>
<ol>
<li>arte de compor ou escrever versos.</li>
<li>composição em versos (livres e/ou providos de rima), ger. com associações harmoniosas de palavras, ritmos e imagens.</li>
<li>composição poética de pequena extensão.</li>
<li>arte dos versos característica de um poeta, de um povo, de uma época.</li>
<li>poder criativo; inspiração.</li>
<li>o que desperta emoção, enlevo, sentimento de beleza, apreciação estética.</li>
</ol>
<p>Portanto, o substantivo &#8220;poesia&#8221; pode assumir diversos significados, a depender do contexto:</p>
<p>No primeiro deles, referimo-nos à arte de compor versos, como, por exemplo, se dissermos &#8220;a poesia é a mais difícil das artes&#8221;.</p>
<p>No segundo, referimo-nos à composição em versos propriamente dita, como no exemplo que citamos anteriormente, &#8220;uma poesia de Manuel Bandeira&#8221;.</p>
<p>O terceiro é uma derivação de sentido do segundo.</p>
<p>O quarto, poderíamos aplicá-lo numa frase como &#8220;a poesia simbolista francesa&#8221;.</p>
<p>No quinto, referimo-nos ao poder criativo à inspiração de um artista ou quem quer que seja, como, por exemplo, se dissermos &#8220;acordou tomado de poesia&#8221;.</p>
<p>No sexto, &#8220;poesia&#8221; já quer dizer algo totalmente diferente, e poderíamos dizer, sem erro, &#8220;a poesia de uma pintura&#8221;.</p>
<p>Além desses significados, &#8220;poesia&#8221; ainda pode assumir alguns outros, por exemplo, o de gênero literário, como o são a crônica, a novela, o romance, etc.</p>
<p>Vejamos, agora, o que é poema.</p>
<h2>O que é poema?</h2>
<p>O dicionário Houaiss dá-nos duas definições para &#8220;poema&#8221;. São elas:</p>
<ol>
<li>composição em verso.</li>
<li>algo que sugere ou evoca um poema, pela beleza, sensibilidade etc.</li>
</ol>
<p>Portanto, vemos claramente que o sentido de &#8220;poema&#8221; é mais limitado que o de &#8220;poesia&#8221;, e que quando dizemos &#8220;poema&#8221;, ou referimo-nos ou a um texto em versos (<a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">metrificado</a> ou não, com <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-rima-e-como-rimar-um-poema-poesia/">rimas</a> ou não), ou utilizamos a palavra figuradamente, como por exemplo se dissermos &#8220;aquele filme é um verdadeiro poema&#8221;.</p>
<p>Dito isso, estamos prontos para estabelecer de maneira clara a diferença entre poema e poesia.</p>
<h2>Qual a diferença entre poema e poesia?</h2>
<p>Dizendo da forma mais direta possível, <strong>a diferença entre poema e poesia é que a palavra &#8220;poesia&#8221; assume significados que &#8220;poema&#8221; não pode assumir</strong>.</p>
<p>Quando utilizarmos a palavra &#8220;poema&#8221;, estaremos referindo-nos a uma composição em versos ou, figurativamente, a algo que a sugere.</p>
<p>Já quando empregamos a palavra &#8220;poesia&#8221;, além destes significados, poderemos atribuir-lhe outros, como ficou demonstrado nos tópicos anteriores.</p>
<p>Dizemos, por exemplo, &#8220;a poesia simbolista francesa&#8221;, &#8221; a poesia é a mais difícil das artes&#8221;, &#8220;a poesia da paisagem&#8221;, e em nenhum destes casos podemos substituir &#8220;poesia&#8221; por &#8220;poema&#8221; sem que o significado das expressões seja alterado.</p>
<p>Dizer &#8220;um poema de Manuel Bandeira&#8221; e &#8220;uma poesia de Manuel Bandeira&#8221; é dizer a mesma coisa, quando referimo-nos a uma composição em versos do poeta Manuel Bandeira; mas quando dizemos &#8220;a poesia de Manuel Bandeira&#8221;, poderemos, em vez de querer dizer sobre &#8220;o poema de Manuel Bandeira&#8221;, referir-nos à &#8220;poesia&#8221;, isto é, às características estéticas e expressivas da obra de Manuel Bandeira, ou mesmo ao gênio criativo do poeta.</p>
<p>Em resumo: <strong>um poema é uma poesia; mas &#8220;poesia&#8221; pode não significar um poema</strong>.</p>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que tenha gostado de nosso artigo e entendido de uma vez por todas a diferença entre poema e poesia.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa seleção de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-antonio-nobre-autor-de-so-poeta/">poemas de António Nobre</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
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		<title>Estrofação e formas fixas na poesia: nomenclaturas e exemplos</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/quantos-versos-tem-um-poema-poesia-formas/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=quantos-versos-tem-um-poema-poesia-formas</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Jan 2022 21:20:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[criando poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Saiba identificar quantos versos tem um poema e classific&#225;-lo segundo a nomenclatura po&#233;tica conhecendo, tamb&#233;m, o que s&#227;o formas fixas na poesia! Muitos estudantes, ao come&#231;arem a se aprofundar no estudo da poesia, questionam quantos versos tem um poema, julgando que exista um n&#250;mero espec&#237;fico de versos que definem uma constru&#231;&#227;o po&#233;tica. N&#227;o h&#225;, naturalmente,&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/quantos-versos-tem-um-poema-poesia-formas/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Estrofação e formas fixas na poesia: nomenclaturas e exemplos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #999999;"><em>Saiba identificar quantos versos tem um poema e classificá-lo segundo a nomenclatura poética conhecendo, também, o que são formas fixas na poesia!</em></span></p>
<p>Muitos estudantes, ao começarem a se aprofundar no estudo da poesia, questionam quantos versos tem um poema, julgando que exista um número específico de versos que definem uma construção poética.</p>
<p>Não há, naturalmente, um número fixo de versos que diz o que é ou não é poesia; porém, há formas poéticas consagradas pelo tempo que, com um número fixo de versos, constituem o que chamamos em poesia de &#8220;formas fixas&#8221;.</p>
<p>Além disso, em poesia, as estrofes são classificadas conforme o número de versos que possuem, e é importante para o estudante conhecer-lhes a denominação, para que não enfrente dificuldade quando encontrá-la em textos de grandes artistas ou quando, a procurar quantos versos tem determinado poema, descobrir que ele se constitui de &#8220;x&#8221; quadras, &#8220;x&#8221; tercetos, etc.</p>
<p>Sendo assim, preparamos esse artigo para você que possui dúvidas em quantos versos tem um poema, e iremos explicar-lhe a nomenclatura poética tanto para as chamadas &#8220;formas fixas&#8221;, quanto para os tipos de estrofes.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Classificação das estrofes quanto ao número de versos</h2>
<p>Para falar sobre as formas fixas na poesia precisamos, antes, explicar como são classificadas as estrofes.</p>
<p>As estrofes (ou estâncias) são grupos de versos pelos quais o discurso poético quase sempre é dividido — quase sempre, porque há poemas em forma <em>corrida</em>, ou seja, poemas não divididos em grupos menores de versos.</p>
<p>As estrofes podem ser <em>simples</em>, quando possuem apenas <a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">versos de mesma medida</a>; <em>compostas</em>, quando determinados versos maiores mesclam-se a outros versos menores; ou <em>livres</em>, quando são construídas com versos de qualquer medida.</p>
<p>Em todos esses casos, as estrofes podem ser nomeadas conforme o número de versos que possuem, seguindo o padrão abaixo:</p>
<ul>
<li><a href="https://comofazerumpoema.com/distico-caracteristicas-exemplos/"><strong>Dístico</strong></a>: é chamada dístico a estrofe que contém dois versos.</li>
<li><a href="https://comofazerumpoema.com/terceto-caracteristicas-exemplos/"><strong>Terceto</strong></a>: é chamada terceto (ou trístico) a estrofe que contém três versos.</li>
<li><a href="https://comofazerumpoema.com/quadra-quarteto-caracteristicas-exemplos/"><strong>Quadra</strong></a>: é chamada quadra (ou quarteto) a estrofe que contém quatro versos.</li>
<li><a href="https://comofazerumpoema.com/quintilha-quinteto-caracteristicas-exemplos/"><strong>Quintilha</strong></a>: é chamada quintilha a estrofe que contém cinco versos.</li>
<li><a href="https://comofazerumpoema.com/sextilha-sexteto-caracteristicas-exemplos/"><strong>Sextilha</strong></a>: é chamada sextilha a estrofe que contém seis versos.</li>
<li><a href="https://comofazerumpoema.com/setima-hepteto-caracteristicas-exemplos/"><strong>Sétima</strong></a>: é chamada sétima (ou setilha, ou setena ou hepteto) a estrofe que contém sete versos.</li>
<li><a href="https://comofazerumpoema.com/oitava-tipos-caracteristicas-exemplos/"><strong>Oitava</strong></a>: é chamada oitava a estrofe que contém oito versos.</li>
<li><a href="https://comofazerumpoema.com/nona-caracteristicas-exemplos/"><strong>Nona</strong></a>: é chamada nona a estrofe que contém nove versos.</li>
<li><a href="https://comofazerumpoema.com/decima-caracteristicas-exemplos/"><strong>Décima</strong></a>: é chamada décima a estrofe que contém dez versos.</li>
</ul>
<p>Todos esses tipos de estrofes podem ou não conter <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-rima-e-como-rimar-um-poema-poesia/">rima</a>, e podem ou não constituírem o padrão de estrofe de toda a composição.</p>
<h2>As formas fixas na poesia</h2>
<p>Apresentadas as estrofes, é hora de falar sobre quantos versos tem um poema de forma fixa.</p>
<p>As formas fixas são modelos de composição consagrados pelo tempo e amplamente utilizados num idioma; são formas, portanto, definidas, geralmente quanto ao número de versos, à organização das estrofes e, às vezes, à disposição das rimas.</p>
<p>Em língua portuguesa, alguns dos tipos mais encontrados são:</p>
<h3>Soneto</h3>
<p>Sem dúvida, é o <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-soneto-tipos-caracteristicas-exemplos/">soneto</a> o modelo mais consagrado da língua portuguesa. Esse tipo de poema possui, basicamente, duas variações: o soneto italiano (ou petrarquiano) e o soneto inglês (ou shakespeariano).</p>
<p>O soneto italiano possui duas quadras e dois tercetos, e apresenta distribuição de rimas variável (embora, para que seja considerado soneto, deva obrigatoriamente rimar).</p>
<p>Um exemplo de Augusto dos Anjos:</p>
<blockquote><p>Eu, filho do carbono e do amoníaco,<br />
Monstro de escuridão e rutilância,<br />
Sofro, desde a epigênesis da infância,<br />
A influência má dos signos do zodíaco.</p>
<p>Profundissimamente hipocondríaco,<br />
Este ambiente me causa repugnância&#8230;<br />
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia<br />
Que se escapa da boca de um cardíaco.</p>
<p>Já o verme — este operário das ruínas —<br />
Que o sangue podre das carnificinas<br />
Come, e à vida em geral declara guerra,</p>
<p>Anda a espreitar meus olhos para roê-los,<br />
E há de deixar-me apenas os cabelos,<br />
Na frialdade inorgânica da terra!</p></blockquote>
<p>O soneto inglês, popularizado por William Shakespeare, compõe-se de três quadras e um dístico, embora, por vezes, apareça agrupado como um soneto italiano.</p>
<p>Abaixo, um exemplo de Vinícius de Moraes (que, no original, é agrupado como soneto italiano, mas transcreveremos como inglês):</p>
<blockquote><p>Apavorado acordo, em treva. O luar<br />
É como o espectro do meu sonho em mim<br />
E sem destino, e louco, sou o mar<br />
Patético, sonâmbulo e sem fim.</p>
<p>Desço na noite, envolto em sono; e os braços<br />
Como ímãs, atraio o firmamento<br />
Enquanto os bruxos, velhos e devassos<br />
Assoviam de mim na voz do vento.</p>
<p>Sou o mar! sou o mar! meu corpo informe<br />
Sem dimensão e sem razão me leva<br />
Para o silêncio onde o Silêncio dorme<br />
Enorme. E como o mar dentro da treva</p>
<p>Num constante arremesso largo e aflito<br />
Eu me espedaço em vão contra o infinito.</p></blockquote>
<p>No que se refere à disposição das rimas, é importante ressaltar que, no soneto italiano clássico, obrigatoriamente o padrão de rima da primeira quadra é repetido na segunda. Já no soneto inglês, as três quadras possuem rimas independentes.</p>
<h3>Rondó</h3>
<p>O <a href="https://comofazerumpoema.com/rondo-rondeau-caracteristicas-exemplos/">rondó </a>é uma forma fixa francesa, que possui quinze versos, distribuídos em três estrofes, segundo o esquema aabba/aabc/aabbac, de forma que o &#8220;c&#8221; representa as palavras iniciais da primeira estrofe, que são repetidas como estribilho.</p>
<p>Exemplo de Goulart de Andrade:</p>
<blockquote><p>Lá, longe, entre árvores eu vejo,<br />
Tão vario como o teu desejo&#8230;<br />
Saindo branco de um casal,<br />
O fumo, em lânguida espiral,<br />
Macio como um leve adejo.</p>
<p>Dize, será em vão que almejo,<br />
Ouvindo a música do beijo<br />
Viver contigo um sonho real<br />
Lá, longe?</p>
<p>Se ardes por mim, se eu te desejo<br />
(Vê tu que esplêndido!)<br />
Foge do mundo ao torvo mal,<br />
Rosa vem para o meu rosal,<br />
Que da invernia eu te protejo,<br />
Lá, longe&#8230;</p></blockquote>
<p>Na língua portuguesa, esse tipo de poema foi bastante cultivado na redondilha maior (verso de sete sílabas), e também foi adaptado para um número de estrofes variável.</p>
<h3>Rondel</h3>
<p>O <a href="https://comofazerumpoema.com/rondel-o-que-e-caracteristicas-exemplos/">rondel</a> é um poema em forma fixa de treze versos, distribuídos em três estrofes, e geralmente organizado segundo o esquema ABba/abAB/abbaA, de forma que os versos em maiúscula se repetem como estribilho.</p>
<p>Há, porém, algumas variações, como neste poema de Olavo Bilac:</p>
<blockquote><p>Sobre as ondas oscila o batel docemente&#8230;<br />
Sopra o vento a gemer&#8230; Treme enfunada a vela&#8230;<br />
Na água mansa do mar passam tremulamente<br />
Áureos traços de luz, brilhando esparsos nela.</p>
<p>Lá desponta o luar&#8230; Tu, palpitante e bela,<br />
Canta! Chega-te a mim! Dá-me essa boca ardente!<br />
Sobre as ondas oscila o batei docemente&#8230;<br />
Sopra o vento a gemer&#8230; Treme enfunada a vela&#8230;</p>
<p>Vagas azuis, parai! Curvo céu transparente,<br />
Nuvens de prata, ouvi!&#8230; Ouça na altura a estrela,<br />
Ouça de baixo o oceano, ouça o luar albente:<br />
Ela canta!&#8230; e, embalado ao som do canto dela,<br />
Sobre as ondas oscila o batel docemente.</p></blockquote>
<h3>Balada</h3>
<p>A <a href="https://comofazerumpoema.com/balada-poesia-caracteristicas-exemplos/">balada</a> é mais uma forma francesa, e constitui-se de 28 versos distribuídos segundo o esquema ababbcbC/ababbcbC/ababbcbC/bcbC, de forma que a maiúscula C representa o estribilho.</p>
<p>Um exemplo de <a href="https://www.academia.org.br/academicos/filinto-de-almeida/biografia" target="_blank" rel="noopener">Filinto de Almeida</a>, com pequena variação no último versos das estrofes, que repete somente a palavra rimada, em vez de repetir o verso completo:</p>
<blockquote><p>Por noite velha, no castelo,<br />
Vasto solar de meus avós,<br />
Foi que eu ouvi, num ritornelo,<br />
Do pajem loiro a doce voz.<br />
Corri à ogiva para vê-lo,<br />
Vitrais de par em par abri,<br />
E ao ver brilhar o meu cabelo<br />
Ele sorriu-me, e eu lhe sorri.</p>
<p>Venceu-me logo um vivo anelo,<br />
Queimou-me logo um fogo atroz;<br />
E toda a longa noite velo,<br />
Pensando em vê-lo e ouvi-lo a sós.<br />
Triste, sentada no escabelo,<br />
Só com a aurora adormeci&#8230;<br />
Sonho&#8230; e no sonho, haveis de crê-lo?<br />
Inda o meu pajem me sorri.</p>
<p>Seguindo a amá-lo, com desvelo,<br />
Por noite velha um ano após,<br />
Termina enfim o meu flagelo,<br />
Felizes fomos ambos nós&#8230;<br />
Como isto foi, nem sei dizê-lo!<br />
No colo seu desfaleci&#8230;<br />
E alta manhã, no seu murzelo,<br />
O pajem foge&#8230; e inda sorri.</p>
<p>Dias depois, do pajem belo,<br />
Junto ao solar onde eu o ouvi,<br />
Ao golpe horrível do cutelo,<br />
Rola a cabeça e inda sorri!&#8230;</p></blockquote>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nosso artigo e tirado suas dúvidas sobre quantos versos tem um poema, estrofação e formas fixas.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver o que escrevemos sobre a <a href="https://comofazerumpoema.com/poesia-parnasiana-caracteristicas-autores/">poesia parnasiana</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
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