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	<title>análise de poemas &#8211; como fazer um poema</title>
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	<description>poesia brasileira e portuguesa</description>
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	<title>análise de poemas &#8211; como fazer um poema</title>
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	<item>
		<title>Poema O canto do Piaga, de Gonçalves Dias (com análise)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Oct 2024 20:45:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[análise de poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Conhe&#231;a o poema O canto do Piaga, de Gon&#231;alves Dias, e confira nossa an&#225;lise! O canto do Piaga &#233; um poema do brasileiro Gon&#231;alves Dias, dispon&#237;vel em sua obra de estreia, Primeiros cantos (1846). Este &#233; um dos poemas mais emblem&#225;ticos do indianismo n&#227;o somente de Gon&#231;alves Dias, mas do movimento que ficou conhecido como&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poema-o-canto-do-piaga-goncalves-dias-analise/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Poema O canto do Piaga, de Gonçalves Dias (com análise)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Conheça o poema O canto do Piaga, de Gonçalves Dias, e confira nossa análise!</em></span></p>
<p><em>O canto do Piaga</em> é um poema do brasileiro Gonçalves Dias, disponível em sua obra de estreia, <em>Primeiros cantos (1846)</em>.</p>
<p>Este é um dos poemas mais emblemáticos do indianismo não somente de Gonçalves Dias, mas do movimento que ficou conhecido como Romantismo no Brasil.</p>
<p>A representação da cultura indígena como símbolo da identidade nacional possui muitas nuances, ou temáticas internas.</p>
<p>Em <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-o-canto-do-guerreiro-goncalves-dias/"><em>O canto do Guerreiro</em></a>, por exemplo, o índio é valorizado em seu caráter guerreiro; já aqui, em <em>O canto do Piaga</em>, vemos no índio o caráter espiritual e místico.</p>
<p>Abaixo disponibilizamos o poema <em>O canto do Piaga</em>, de Gonçalves Dias. Em seguida, você poderá conferir nossa análise.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>O canto do Piaga, de Gonçalves Dias</h2>
<blockquote><p>I</p>
<p>Ó guerreiros da Taba sagrada,<br />
Ó guerreiros da Tribo Tupi,<br />
Falam Deuses nos cantos do Piaga,<br />
Ó guerreiros, meus cantos ouvi.</p>
<p>Esta noite — era a lua já morta —<br />
Anhangá me vedava sonhar;<br />
Eis na horrível caverna, que habito,<br />
Rouca voz começou-me a chamar.</p>
<p>Abro os olhos, inquieto, medroso,<br />
Manitôs! que prodígios que vil<br />
Arde o pau de resina fumosa,<br />
Não fui eu, não fui eu, que o acendi!</p>
<p>Eis rebenta a meus pés um fantasma,<br />
Um fantasma d’imensa extensão;<br />
Liso crânio repousa a meu lado,<br />
Feia cobra se enrosca no chão.</p>
<p>O meu sangue gelou-se nas veias,<br />
Todo inteiro — ossos, carnes — tremi,<br />
Frio horror me coou pelos membros,<br />
Frio vento no rosto senti.</p>
<p>Era feio, medonho, tremendo,<br />
Ó guerreiros, o espectro que eu vi.<br />
Falam Deuses nos cantos do Piaga,<br />
Ó guerreiros, meus cantos ouvi!</p>
<p>II</p>
<p>Por que dormes, ó Piaga divino?<br />
Começou-me a Visão a falar,<br />
Por que dormes? O sacro instrumento<br />
De per si já começa a vibrar.</p>
<p>Tu não viste nos céus um negrume<br />
Toda a face do sol ofuscar;<br />
Não ouviste a coruja, de dia,<br />
Seus estrídulos torva soltar?</p>
<p>Tu não viste dos bosques a coma<br />
Sem aragem — vergar-se e gemer,<br />
Nem a lua de fogo entre nuvens,<br />
Qual em vestes de sangue, nascer?</p>
<p>E tu dormes, ó Piaga divino!<br />
E Anhangá te proíbe sonhar!<br />
E tu dormes, ó Piaga, e não sabes,<br />
E não podes augúrios cantar?!</p>
<p>Ouve o anúncio do horrendo fantasma,<br />
Ouve os sons do fiel Maracá;<br />
Manitôs já fugiram da Taba!<br />
Ó desgraça! Ó ruína! Ó Tupá!</p>
<p>III</p>
<p>Pelas ondas do mar sem limites<br />
Basta selva, sem folhas, e vem;<br />
Hartos troncos, robustos, gigantes;<br />
Vossas matas tais monstros contêm.</p>
<p>Traz embira dos cimos pendente<br />
— Brenha espessa de vário cipó —<br />
Dessas brenhas contêm vossas matas,<br />
Tais e quais, mas com folhas; é só!</p>
<p>Negro monstro os sustenta por baixo,<br />
Brancas asas abrindo ao tufão,<br />
Como um bando de cândidas garças,<br />
Que nos ares pairando — lá vão.</p>
<p>Oh! quem foi das entranhas das águas,<br />
O marinho arcabouço arrancar?<br />
Nossas terras demanda, fareja&#8230;<br />
Esse monstro&#8230; — o que vem cá buscar?</p>
<p>Não sabeis o que o monstro procura?<br />
Não sabeis a que vem, o que quer?<br />
Vem matar vossos bravos guerreiros,<br />
Vem roubar-vos a filha, a mulher!</p>
<p>Vem trazer-vos crueza, impiedade &#8211;<br />
Dons cruéis do cruel Anhangá;<br />
Vem quebrar-vos a maça valente,<br />
Profanar Manitôs, Maracás.</p>
<p>Vem trazer-vos algemas pesadas,<br />
Com que a tribo Tupi vai gemer;<br />
Hão-de os velhos servirem de escravos<br />
Mesmo o Piaga inda escravo há de ser?</p>
<p>Fugireis procurando um asilo,<br />
Triste asilo por ínvio sertão;<br />
Anhangá de prazer há de rir-se,<br />
Vendo os vossos quão poucos serão.</p>
<p>Vossos Deuses, ó Piaga, conjura,<br />
Susta as iras do fero Anhangá.<br />
Manitôs já fugiram da Taba,<br />
Ó desgraça! ó ruína! ó Tupá!</p></blockquote>
<h3>Análise do poema</h3>
<ul>
<li><strong>Tipo de verso: </strong><a href="https://comofazerumpoema.com/verso-eneassilabo-caracteristicas-exemplos/">eneassílabo</a> rimado</li>
<li><strong>Número e tipo de estrofes:</strong> 20 estrofes regulares</li>
<li><strong>Número de versos:</strong> 80 versos</li>
</ul>
<p><i>O canto do Piaga </i>é construído em eneassílabos rimados, portanto, é um poema que utiliza <a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">metrificação</a> e <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-rima-e-como-rimar-um-poema-poesia/">rima</a>.</p>
<p>Trata-se de um <a href="https://comofazerumpoema.com/poesia-lirica-o-que-e-caracteristicas-tipos/">poema lírico</a> em que o sujeito poético relata uma visão que teve e a angústia nela contida.</p>
<h4>Estrutura do poema</h4>
<p><i>O canto do Piaga </i>possui 80 versos divididos vinte quadras (ou quartetos).</p>
<p>O poema é dividido em três partes, tendo a primeira delas 6 quadras, a segunda 5 e a terceira 9.</p>
<p>Os versos são <strong>eneassílabos</strong>, isto é, são versos que possuem, cada um deles, nove sílabas poéticas.</p>
<p>Todas as quadras apresentam o esquema rímico <em>abcb</em>, ou seja, o segundo verso rima com o quarto, e o primeiro e terceiro não rimam.</p>
<p>Quanto ao ritmo, os versos apresentam-se com o esquema acentual básico 3-6-9, em movimento <a href="https://comofazerumpoema.com/anapesto-o-que-e-caracteristicas-exemplos/">anapéstico </a>(– – ~), isto é, a terceira, sexta e nona sílaba do verso são sempre acentuadas.</p>
<p>A acentuação fixa nestas três sílabas sobressai-se de maneira que, às vezes, encontramos uma ou outra sílaba naturalmente forte fora destas posições que soa como fraca, em razão do ritmo do poema.</p>
<p>A primeira sílaba, de praxe, pode vir fraca ou acentuada, não alterando o movimento que se impõe.</p>
<h4>Sentido do poema</h4>
<p><em>O canto do Piaga</em> é um poema que <strong>aborda angústia, história e misticismo</strong>.</p>
<p>Não há dificuldades quanto à sua interpretação, embora seja necessário conhecer o sentido de algumas palavras e sua importância dentro da cultura indígena.</p>
<p>De início, piaga: numa tribo indígena, <strong>o piaga, ou pajé, é o chefe espiritual</strong>, é aquele que atua como intermediário entre o mundo espiritual e o terrestre, tal como um sacerdote.</p>
<p>Há quem diga que &#8220;piaga&#8221; tenha sido um neologismo intencional de Gonçalves Dias, que o empregou mesmo tendo conhecimento do termo pajé, mais comum e conhecido.</p>
<p>Seja como for, o piaga é a figura central deste poema, que assim se inicia:</p>
<blockquote><p>Ó guerreiros da Taba sagrada,<br />
Ó guerreiros da Tribo Tupi,<br />
Falam Deuses nos cantos do Piaga,<br />
Ó guerreiros, meus cantos ouvi.</p>
<p>Esta noite — era a lua já morta —<br />
Anhangá me vedava sonhar;<br />
Eis na horrível caverna, que habito,<br />
Rouca voz começou-me a chamar.</p></blockquote>
<p>Já percebemos, aqui, o cerne e o tom que percorrerá o poema: <strong>o piaga dirige-se a membros de sua tribo, relatando uma visão que teve</strong>, que encerrou uma espécie de premonição.</p>
<p>Aqui, também, percebemos que é introduzido o nome de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Anhang%C3%A1" target="_blank" rel="noopener">Anhangá</a>.</p>
<p>Anhangá é um espírito de manifestações diversas na cultura indígena brasileira; neste poema, <strong>é retratado como uma entidade cruel e medonha</strong>, que &#8220;veda&#8221; o sonho do piaga e proporciona-lhe uma visão terrífica.</p>
<p>O poema, como está dito, é dividido em três partes, que secionam também o seu sentido.</p>
<p>Na primeira parte, o piaga descreve a sua visão aterrorizante, na qual um fantasma de &#8220;imensa extensão&#8221; lhe aparece. Sua reação é assim descrita:</p>
<blockquote><p>O meu sangue gelou-se nas veias,<br />
Todo inteiro — ossos, carnes — tremi,<br />
Frio horror me coou pelos membros,<br />
Frio vento no rosto senti.</p></blockquote>
<p>Após descrita a visão, assim começa a segunda parte:</p>
<blockquote><p>Por que dormes, ó Piaga divino?<br />
Começou-me a Visão a falar,<br />
Por que dormes? O sacro instrumento<br />
De per si já começa a vibrar.</p></blockquote>
<p>Aqui, <strong>é o espectro que se dirige ao piaga</strong>, censurando-o por &#8220;dormir&#8221;, ou seja, por não agir perante os sinais de uma ameaça iminente.</p>
<p>O espectro, durante esta segunda parte, <strong>explicita os vários sinais que foram enviados ao piaga</strong> através dos céus, do sol, dos bosques, e de uma coruja, sinais não percebidos pelo piaga, cuja função de líder espiritual envolve justamente percebê-los.</p>
<p>Na terceira parte do poema, ainda é o mesmo fantasma que se manifesta; agora, prenunciando a chegada de um &#8220;monstro&#8221;, e relatando a destruição que este monstro trará.</p>
<p>Tal monstro, enviado por Anhangá, é associado ao colonizador europeu, que será responsável por destruir a ordem natural e espiritual da tribo.</p>
<p>Aqui, pois, <strong>é conferido um elemento histórico</strong> ao poema.</p>
<p>Diante do &#8220;monstro&#8221;, as exclamações repetidas são a reação que resumem a premonição:</p>
<blockquote><p>Ó desgraça! ó ruína! ó Tupá!</p></blockquote>
<p>Se Anhangá, neste poema, está associado ao infortúnio, a voz do prenúncio apela a Tupá (ou Tupã), divindade suprema da cultura tupi.</p>
<p>Assim, <em>O canto do Piaga</em> é um poema que <strong>retrata o medo e a inquietação do piaga diante de uma ameaça iminente</strong>, transmitida a ele por meios sobrenaturais.</p>
<h3>Sobre Gonçalves Dias</h3>
<p>Gonçalves Dias nasceu em 10 de agosto de 1823, no Maranhão.</p>
<p>Filho de um comerciante português com uma mestiça, teve sua primeira educação ministrada por um professor particular.</p>
<p>Em 1838 saiu do Brasil a Portugal para dar continuidade a seus estudos, formando-se em Direito pela <a href="https://www.uc.pt/" target="_blank" rel="noopener">Universidade de Coimbra</a>.</p>
<p>Em Portugal, conheceu grandes nomes da literatura portuguesa, especialmente os românticos Alexandre Herculano e Almeida Garrett, que muito o influenciaram.</p>
<p>No Brasil, seria Gonçalves Dias a figura central do que ficou conhecido como a primeira fase do romantismo brasileiro.</p>
<p>Após formado em Direito, retornou ao Brasil e fixou residência no Rio de Janeiro.</p>
<p>Nesta cidade, passou a publicar com maior frequência e atuou como professor de latim e história do Brasil no Colégio Pedro II que, na época, era o mais renomado do país.</p>
<p>Faleceu em 3 de novembro de 1864, com apenas 41 anos.</p>
<h4>Obras de Gonçalves Dias</h4>
<ul>
<li><em>Primeiros cantos (1846)</em></li>
<li><em>Leonor de Mendonça (1847)</em></li>
<li><em>Segundos cantos e Sextilhas de Frei Antão (1848)</em></li>
<li><em>Últimos cantos (1851)</em></li>
<li><em>Cantos (1857)</em></li>
<li><em>Os Timbiras (1857)</em></li>
<li><em>Dicionário da língua tupi (1858)</em></li>
<li><em>Obras póstumas (1868-69)</em></li>
<li><em>Obras poéticas (1944)</em></li>
<li><em>Poesias completas e prosa escolhida (1959)</em></li>
<li><em>Teatro completo (1979)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa análise do poema <em>O canto do Piaga</em>, de Gonçalves Dias.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-lingua-portuguesa-olavo-bilac-analise/">Língua portuguesa, de Olavo Bilac</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Poema Língua portuguesa, de Olavo Bilac (com análise)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poema-lingua-portuguesa-olavo-bilac-analise/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poema-lingua-portuguesa-olavo-bilac-analise</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Aug 2024 17:20:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[análise de poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Conhe&#231;a o poema L&#237;ngua portuguesa, de Olavo Bilac, e confira nossa an&#225;lise! L&#237;ngua portuguesa &#233; um poema escrito pelo poeta brasileiro Olavo Bilac, que est&#225; dispon&#237;vel em Tarde (1919). Estes est&#227;o entre os versos mais c&#233;lebres de nossa l&#237;ngua, a qual por eles ganhou o ep&#237;teto de &#8220;&#250;ltima flor do L&#225;cio&#8221;. Resumidamente, o poema &#233;&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poema-lingua-portuguesa-olavo-bilac-analise/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Poema Língua portuguesa, de Olavo Bilac (com análise)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Conheça o poema Língua portuguesa, de Olavo Bilac, e confira nossa análise!</em></span></p>
<p><i>Língua portuguesa </i>é um poema escrito pelo poeta brasileiro Olavo Bilac, que está disponível em <em>Tarde (1919)</em>.</p>
<p>Estes estão entre os versos mais célebres de nossa língua, a qual por eles ganhou o epíteto de &#8220;última flor do Lácio&#8221;.</p>
<p>Resumidamente, o poema é um elogio e uma celebração das qualidades da língua portuguesa.</p>
<p>Dito isso, preparamos esse texto para que você conheça poema <em>Língua portuguesa</em>, de Olavo Bilac. Em seguida, você poderá conferir nossa análise.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Língua portuguesa, de Olavo Bilac</h2>
<blockquote><p>Última flor do Lácio, inculta e bela,<br />
És, a um tempo, esplendor e sepultura:<br />
Ouro nativo, que na ganga impura<br />
A bruta mina entre os cascalhos vela&#8230;</p>
<p>Amo-te assim, desconhecida e obscura,<br />
Tuba de alto clangor, lira singela,<br />
Que tens o trom e o silvo da procela,<br />
E o arrolo da saudade e da ternura!</p>
<p>Amo o teu viço agreste e o teu aroma<br />
De virgens selvas e de oceano largo!<br />
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,</p>
<p>Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”<br />
E em que Camões chorou, no exílio amargo,<br />
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!</p></blockquote>
<h3>Análise do poema</h3>
<ul>
<li><strong>Tipo de verso:</strong> <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-decassilabo-caracteristicas-exemplos/">decassílabo</a> rimado</li>
<li><strong>Número e tipo de estrofes:</strong> 4 estrofes: 2 <a href="https://comofazerumpoema.com/quadra-quarteto-caracteristicas-exemplos/">quadras</a> e 2 <a href="https://comofazerumpoema.com/terceto-caracteristicas-exemplos/">tercetos </a>(soneto)</li>
<li><strong>Número de versos:</strong> 14 versos</li>
</ul>
<p><em>Língua portuguesa</em><i> </i>é um soneto construído em decassílabos rimados, portanto, é um poema que utiliza <a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">metrificação</a> e <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-rima-e-como-rimar-um-poema-poesia/">rima</a>.</p>
<h4>Estrutura do poema</h4>
<p><i>Línguq portuguesa </i>é um <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-soneto-tipos-caracteristicas-exemplos/">soneto</a>, portanto, possui 14 versos divididos em 4 estrofes, sendo elas duas quadras e dois tercetos.</p>
<p>Poderíamos classificar este poema como tradicional quanto à disposição das estrofes, posto que apresenta duas quadras e dois tercetos, possuindo aquelas duas rimas e estes três.</p>
<p>Há, porém, um detalhe que o diferencia dos sonetos tradicionais, e consiste na inversão operada nas rimas das quadras: embora ambas apresentem rimas que chamamos <strong>enlaçadas</strong>, a primeira quadra rima conforme o esquema <em>abba</em>, já a segunda conforme o esquema <em>baab</em></p>
<p>Os tercetos apresentam-se conforme o esquema <em>cdc ede</em>.</p>
<p>Quanto ao ritmo, todos os versos apresentam ou acentuação na sexta sílaba, conforme o padrão que chamamos <strong>decassílabo <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-heroico-caracteristicas-exemplos/">heroico</a></strong>, ou acentuação na quarta e oitava, conforme o padrão que chamamos <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-safico-caracteristicas-exemplos/"><strong>sáfico</strong></a>.</p>
<h4>Sentido do poema</h4>
<p><i>Língua portuguesa </i>é, resumidamente, <strong>um elogio à língua portuguesa</strong>.</p>
<p>Este poema, contudo, é interessante por motivos que vão muito além dos clichês patrióticos.</p>
<p>Assim é a primeira estrofe:</p>
<blockquote><p>Última flor do Lácio, inculta e bela,<br />
És, a um tempo, esplendor e sepultura:<br />
Ouro nativo, que na ganga impura<br />
A bruta mina entre os cascalhos vela&#8230;</p></blockquote>
<p>O poema é aberto com uma demonstração do gênio poético de Bilac que, referindo-se à língua portuguesa como &#8220;última flor do Lácio&#8221;, conferiu a ela um epíteto da qual ela nunca mais se separou.</p>
<p>Este singular epíteto é curioso porque sintetiza, além de um elogio (&#8220;flor&#8221;), a formação histórica da língua.</p>
<p>&#8220;Última flor do Lácio&#8221; faz referência ao fato de que a língua portuguesa foi a última língua formada a partir do latim vulgar falado na região italiana do Lácio.</p>
<p>O adjetivo &#8220;inculta&#8221;, empregado logo em seguida, não possui tom depreciativo, mas refere-se ao fato de que <strong>a língua originou-se do latim vulgar</strong>, falado nas ruas, e não do latim clássico, empregado nas obras literárias.</p>
<p>O segundo verso, através de &#8220;esplendor e sepultura&#8221;, demonstra que a ascensão da língua portuguesa deu-se concomitantemente ao desuso do latim.</p>
<p>O poema prossegue com um elogio à expressividade da língua, que pode representar desde uma &#8220;tuba de alto clangor&#8221; até uma &#8220;lira singela&#8221; ou o &#8220;arrolo da saudade e da ternura&#8221;.</p>
<p>No primeiro terceto, a língua é comparada a &#8220;virgens selvas&#8221; e ao &#8220;oceano largo&#8221;, o que destaca, primeiro, o seu caráter de idioma jovem, ainda não trabalhado (reforçado pelo adjetivo &#8220;rude&#8221;) e, em segundo lugar, a sua gama imensa de possibilidades.</p>
<p>O poema é finalizado de maneira comovente:</p>
<blockquote><p>Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”<br />
E em que Camões chorou, no exílio amargo,<br />
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!</p></blockquote>
<p>No primeiro verso, vemos que o eu lírico <strong>associa o idioma à sua recordação mais tenra, antiga e profunda</strong>: a voz materna, que simboliza o amor, dizendo &#8220;meu filho&#8221;.</p>
<p>Em seguida, diz a língua ter sido veículo de expressão (e consolo) das dores sofridas por Camões.</p>
<p>Todas essas qualidades singulares, em suma, servem para pintar o idioma como detentor de uma vasta gama de possibilidades além de, como fica evidente, expressar a conexão íntima e pessoal travada com o eu lírico.</p>
<p><em>Língua portuguesa</em>, portanto, é um poema que <strong>exalta a singularidade, a beleza e a força do português</strong>.</p>
<h3>Sobre Olavo Bilac</h3>
<p>Olavo Bilac nasceu no Rio de Janeiro em 16 de dezembro de 1865.</p>
<p>Após os estudos primários e secundários, matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, deixando-a no 4º ano.</p>
<p>Seguiu para São Paulo, onde ingressou no curso de direito, abandonando-o também para dedicar-se integralmente ao jornalismo e à literatura.</p>
<p>Participou da fundação de vários jornais, como A Cigarra, A Rua e O Meio. Trabalhou durante muitos anos no jornal Gazeta de Notícias, escrevendo especialmente artigos sobre política.</p>
<p>Sua intensa atividade jornalística nos primeiros anos de república garantiu-lhe a perseguição do ditador Floriano Peixoto, o que o obrigou a se esconder em Minas Gerais.</p>
<p>Em 1891, foi nomeado oficial da Secretária do Interior do Estado do Rio.</p>
<p>Em 1907, exerceu o cargo de secretário do prefeito do Distrito Federal.</p>
<p>Foi um dos fundadores da <a href="https://www.academia.org.br/academicos/olavo-bilac" target="_blank" rel="noopener">Academia Brasileira de Letras</a> e ocupou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.</p>
<p>Faleceu, no Rio de Janeiro, em 28 de dezembro de 1918.</p>
<h4>Obras de Olavo Bilac</h4>
<ul>
<li><em>Poesias (1888)</em></li>
<li><em>Crônicas e novelas (1894)</em></li>
<li><em>Sagres (1898)</em></li>
<li><em>Crítica e fantasia (1904)</em></li>
<li><em>Poesias infantis (1904)</em></li>
<li><em>Conferências literárias (1906)</em></li>
<li><em>Tratado de versificação, com Guimarães Passos (1910)</em></li>
<li><em>Dicionário de rimas (1913)</em></li>
<li><em>Ironia e piedade (1916)</em></li>
<li><em>Tarde (1919)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa análise do poema <em>Língua portuguesa</em>, de Olavo Bilac.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de conferir o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-circulo-vicioso-machado-de-assis/">Círculo vicioso, de Machado de Assis</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Poema Círculo vicioso, de Machado de Assis (com análise)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poema-circulo-vicioso-machado-de-assis/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poema-circulo-vicioso-machado-de-assis</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Aug 2024 14:36:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[análise de poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Conhe&#231;a o poema C&#237;rculo vicioso, de Machado de Assis, e confira nossa an&#225;lise! C&#237;rculo vicioso &#233; um poema escrito pelo escritor e poeta brasileiro Machado de Assis, dispon&#237;vel em Poesias completas (1901). Este poema retrata a insatisfa&#231;&#227;o generalizada e permanente observada neste mundo. Dito isso, preparamos esse texto para que voc&#234; conhe&#231;a o poema C&#237;rculo&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poema-circulo-vicioso-machado-de-assis/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Poema Círculo vicioso, de Machado de Assis (com análise)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Conheça o poema Círculo vicioso, de Machado de Assis, e confira nossa análise!</em></span></p>
<p><i>Círculo vicioso </i>é um poema escrito pelo escritor e poeta brasileiro Machado de Assis, disponível em <em>Poesias completas (1901)</em>.</p>
<p>Este poema retrata a insatisfação generalizada e permanente observada neste mundo.</p>
<p>Dito isso, preparamos esse texto para que você conheça o poema <i>Círculo vicioso</i>, de Machado de Assis. Em seguida, você poderá conferir nossa análise.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Círculo vicioso, de Machado de Assis</h2>
<blockquote><p>Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:<br />
— “Quem me dera que fosse aquela loura estrela,<br />
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”<br />
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:</p>
<p>— “Pudesse eu copiar o transparente lume,<br />
Que, da grega coluna à gótica janela,<br />
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!”<br />
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:</p>
<p>— “Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela<br />
Claridade imortal, que toda a luz resume!”<br />
Mas o sol, inclinando a rútila capela:</p>
<p>— “Pesa-me esta brilhante auréola de nume…<br />
Enfara-me esta azul e desmedida umbela…<br />
Por que não nasci eu um simples vaga-lume?”</p></blockquote>
<h3>Análise do poema</h3>
<ul>
<li><strong>Tipo de verso:</strong> <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-dodecassilabo-caracteristicas-exemplos/">dodecassílabo</a> rimado (<a href="https://comofazerumpoema.com/verso-alexandrino-caracteristicas-exemplos/">alexandrino</a>)</li>
<li><strong>Número e tipo de estrofes:</strong> 4 estrofes: 2 <a href="https://comofazerumpoema.com/quadra-quarteto-caracteristicas-exemplos/">quadras</a> e 2 <a href="https://comofazerumpoema.com/terceto-caracteristicas-exemplos/">tercetos </a>(soneto)</li>
<li><strong>Número de versos:</strong> 14 versos</li>
</ul>
<p><em>Círculo vicioso </em>é um soneto construído em dodecassílabos rimados, portanto, é um poema que utiliza <a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">metrificação</a> e <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-rima-e-como-rimar-um-poema-poesia/">rima</a>.</p>
<p>O poema, sob forma de parábola, resume o caráter permanente da insatisfação no mundo.</p>
<h4>Estrutura do poema</h4>
<p><i>Círculo vicioso </i>é um <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-soneto-tipos-caracteristicas-exemplos/">soneto</a>, portanto, possui 14 versos divididos em 4 estrofes, sendo elas duas quadras e dois tercetos.</p>
<p>Os versos são <strong>dodecassílabos</strong>, ou seja, apresentam, cada um deles, doze sílabas poéticas; este verso é comumente chamado<strong> alexandrino</strong>.</p>
<p>As quadras apresentam rimas que chamamos <strong>enlaçadas</strong>, isto é, rimam em parelha dois versos entre dois outros que também rimam, conforme o esquema <em>abba</em>.</p>
<p>Os tercetos apresentam-se conforme o esquema <em>cdc dcd</em>, repetindo, porém, as rimas das quadras, o que faz com que este soneto seja inteiramente construído sobre duas rimas.</p>
<p>Estes versos enquadram-se no que chamamos <strong>verso alexandrino clássico</strong>, pois apresentam a sexta sílaba sempre acentuada, a qual recai em palavra aguda ou grave; se grave, a palavra é terminada em vogal que faz sinalefa com a primeira sílaba da palavra seguinte.</p>
<h4>Sentido do poema</h4>
<p><i>Círculo vicioso </i>é um poema que <strong>retrata, ironicamente, a insatisfação e a inveja</strong>.</p>
<p>A expressão &#8220;círculo vicioso&#8221; diz respeito a uma sucessão de acontecimentos que se repetem e retornam sempre ao ponto de partida; a maioria das vezes, esta expressão emprega-se com conotação negativa, designando uma situação que não se pode resolver ou da qual não se consegue sair.</p>
<p>O poema começa da seguinte maneira:</p>
<blockquote><p>Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:<br />
— “Quem me dera que fosse aquela loura estrela,<br />
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”<br />
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:</p></blockquote>
<p>De início, notamos o <strong>emprego da personificação, ou prosopopeia</strong>, uma vez que características humanas (o gemer, o sentir e o pensar) são atribuídas ao vaga-lume.</p>
<p>Este, pois, segundo o poema, &#8220;gemia inquieto&#8221;, e expressa nos versos o sentimento de inveja em relação a uma estrela.</p>
<p>Esta mesma estrela se manifesta na estrofe seguinte:</p>
<blockquote><p>— “Pudesse eu copiar o transparente lume,<br />
Que, da grega coluna à gótica janela,<br />
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!”<br />
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:</p></blockquote>
<p>O mesmo sentimento experimentado pelo vaga-lume para com a estrela, é agora expresso pela estrela ao fitar a lua.</p>
<p>O último verso, tal como na estrofe anterior, faz uma conexão com a estrofe seguinte, desta vez apresentando as palavras da lua:</p>
<blockquote><p>— “Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela<br />
Claridade imortal, que toda a luz resume!”<br />
Mas o sol, inclinando a rútila capela:</p></blockquote>
<p>Agora, é a invejada lua que expressa sua inveja em relação ao sol que, a seus olhos, possui uma &#8220;claridade imortal&#8221; que lhe falta.</p>
<p>Aqui, cabe notar como fica evidente <strong>a estrutura circular do poema</strong>: cada uma das três primeiras estrofes expressa o desejo individual de um ente, que inveja qualidades de outro.</p>
<p>O último verso, aberto com uma conjunção adversativa (&#8220;mas&#8221;), dá a entender que, apesar das qualidades descritas, o ente invejado se manifestará em sequência.</p>
<p>Desta vez, a manifestação anunciada é do sol:</p>
<blockquote><p>— “Pesa-me esta brilhante auréola de nume…<br />
Enfara-me esta azul e desmedida umbela…<br />
Por que não nasci eu um simples vaga-lume?”</p></blockquote>
<p>O imenso sol, portanto, encerra o poema invejando o pequeno vaga-lume, fechando o &#8220;círculo&#8221; e dando a entender que o processo se iniciaria novamente.</p>
<p>O poema, pois, sutil e ironicamente, insinua que a inveja é algo sem fim, dando razão àquele ditado popular que diz que &#8220;a grama do vizinho é sempre mais verde&#8221;.</p>
<p>Quer dizer, o poema insinua que todos nós inclinamo-nos a dar maior valor àquilo que nos falta do que àquilo que possuímos.</p>
<p><em>Círculo vicioso</em>, assim, emprega uma alegoria para<strong> criticar a inclinação humana para a inveja e para a insatisfação</strong>.</p>
<h3>Sobre Machado de Assis</h3>
<p>Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 21 de junho de 1839.</p>
<p>Filho de um pintor e decorador de paredes com uma imigrante portuguesa, passou a infância e adolescência no bairro do Livramento.</p>
<p>Machado teve uma irmã mais nova, que faleceu em 1845, aos quatro anos. Quando completou dez anos, ficou órfão de mãe.</p>
<p>Mudou-se para São Cristóvão com o pai, que se casou novamente em 1854.</p>
<p>Em 1856, passou a trabalhar como aprendiz de tipógrafo na Tipografia Nacional.</p>
<p>Em 1858, trabalhou como revisor na livraria do jornalista e escritor Paulo Brito.</p>
<p>Pouco depois, trabalhou como crítico teatral, e começou a escrever regularmente para periódicos.</p>
<p>Recebendo, em 1867, o grau de Cavaleiro da Ordem da Rosa de D. Pedro II, foi nomeado ajudante do diretor do Diário Oficial, o que lhe abriu as portas da carreira burocrática.</p>
<p>Casou-se em 1869, com a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais.</p>
<p>Perdurou alternando o serviço público com a carreira literária. Em 1888, recebeu o título de Oficial da Ordem da Rosa.</p>
<p>Foi fundador e presidente da <a href="https://www.academia.org.br/academicos/machado-de-assis/biografia" target="_blank" rel="noopener">Academia Brasileira de Letras</a>, chamada Casa de Machado de Assis durante a sua presidência.</p>
<p>Em 1904, perdeu a esposa, algo que muito o abalou.</p>
<p>Faleceu em 29 de setembro de 1908, no Rio de Janeiro.</p>
<h4>Obras de Machado de Assis</h4>
<ul>
<li><em>Desencantos (1861)</em></li>
<li><em>Teatro (1863)</em></li>
<li><em>Quase ministro (1864)</em></li>
<li><em>Crisálidas (1864)</em></li>
<li><em>Os deuses de casaca (1866)</em></li>
<li><em>Falenas (1870)</em></li>
<li><em>Contos fluminenses (1870)</em></li>
<li><em>Ressurreição (1872)</em></li>
<li><em>Histórias da meia-noite (1873)</em></li>
<li><em>A mão e a luva (1874)</em></li>
<li><em>Americanas (1875)</em></li>
<li><em>Helena (1876)</em></li>
<li><em>Iaiá Garcia (1878)</em></li>
<li><em>Memórias póstumas de Brás Cubas (1881)</em></li>
<li><em>Tu, só tu, puro amor (1881)</em></li>
<li><em>Papéis avulsos (1882)</em></li>
<li><em>Histórias sem data (1884)</em></li>
<li><em>Quincas Borba (1891)</em></li>
<li><em>Várias histórias (1896)</em></li>
<li><em>Páginas recolhidas (1899)</em></li>
<li><em>Dom Casmurro (1899)</em></li>
<li><em>Poesias completas (1901)</em></li>
<li><em>Esaú e Jacó (1904)</em></li>
<li><em>Relíquias de casa velha (1906)</em></li>
<li><em>Memorial de Aires (1908)</em></li>
<li><em>Crítica (1910)</em></li>
<li><em>Outras relíquias (1910)</em></li>
<li><em>Correspondência (1932)</em></li>
<li><em>Crônicas, 4 vols. (1937)</em></li>
<li><em>Crítica literária (1937)</em></li>
<li><em>Casa velha (1944)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa análise do poema <i>Círculo vicioso</i>, de Machado de Assis.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de conferir o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-como-eu-te-amo-goncalves-dias-poesia/">Como eu te amo, de Gonçalves Dias</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Poema Acordo de noite, muito de noite&#8230;, de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) (com análise)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/acordo-de-noite-muito-noite-fernando-pessoa/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=acordo-de-noite-muito-noite-fernando-pessoa</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Dec 2023 14:30:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[análise de poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Conhe&#231;a o poema Acordo de noite, muito de noite&#8230;, de &#193;lvaro de Campos (Fernando Pessoa) e confira nossa an&#225;lise! Acordo de noite, muito de noite&#8230; &#233; um poema escrito pelo poeta portugu&#234;s Fernando Pessoa, dispon&#237;vel em Poesias de &#193;lvaro de Campos (1944). O poema &#233; datado de 25 de novembro de 1931 e explora a&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/acordo-de-noite-muito-noite-fernando-pessoa/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Poema Acordo de noite, muito de noite&#8230;, de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) (com análise)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Conheça o poema Acordo de noite, muito de noite&#8230;, de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) e confira nossa análise!</em></span></p>
<p><i>Acordo de noite, muito de noite&#8230; </i>é um poema escrito pelo poeta português Fernando Pessoa, disponível em <em>Poesias de Álvaro de Campos (1944)</em>.</p>
<p>O poema é datado de 25 de novembro de 1931 e explora a experiência de um insone que, no meio da madrugada, descobre sua insônia ser compartilhada através de uma janela acesa.</p>
<p>Dito isso, preparamos esse texto para que você conheça o poema<em> Acordo de noite, muito de noite&#8230;</em>, de Fernando Pessoa. Em seguida, você poderá conferir nossa análise.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo, de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)</h2>
<blockquote><p>Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo.<br />
São — tictac visível — quatro horas de tardar o dia.<br />
Abro a janela diretamente, no desespero da insônia.<br />
E, de repente, humano,<br />
O quadrado com cruz de uma janela iluminada!</p>
<p>Fraternidade na noite!<br />
Fraternidade involuntária, incógnita, na noite!<br />
Estamos ambos despertos e a humanidade é alheia.<br />
Dorme. Nós temos luz.</p>
<p>Quem serás? Doente, moedeiro falso, insone simples como eu?<br />
Não importa. A noite eterna, informe, infinita,<br />
Só tem, neste lugar, a humanidade das nossas duas janelas,<br />
O coração latente das nossas duas luzes,<br />
Neste momento e lugar, ignorando-nos, somos toda a vida.<br />
Sobre o parapeito da janela da traseira da casa,<br />
Sentindo úmida da noite a madeira onde agarro,<br />
Debruço-me para o infinito e, um pouco, para mim.</p>
<p>Nem galos gritando ainda no silêncio definitivo!<br />
Que fazes, camarada, da janela com luz?<br />
Sonho, falta de sono, vida?<br />
Tom amarelo cheio da tua janela incógnita&#8230;<br />
Tem graça: não tens luz elétrica.<br />
Ó candeeiros de petróleo da minha infância perdida!</p></blockquote>
<h3>Análise do poema</h3>
<ul>
<li><strong>Tipo de verso:</strong> <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-livre-caracteristicas-exemplos/">livre</a></li>
<li><strong>Número e tipo de estrofes:</strong> 4 estrofes irregulares</li>
<li><strong>Número de versos: </strong>23 versos</li>
</ul>
<p><em>Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo </em>é construído em versos livres; portanto, é um poema que não utiliza nem metrificação, nem rima.</p>
<p>O poema relata a experiência de um insone que, em alta madrugada, percebe haver outro insone que permanece com a janela acesa.</p>
<h4>Estrutura do poema</h4>
<p><em>Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo </em>possui 23 versos divididos em 4 estrofes irregulares.</p>
<p>Os versos são <strong>livres</strong>, isto é, são versos de métrica variável, construídos sem se importar com a regularidade em sua extensão silábica.</p>
<p>O poema também não utiliza rimas.</p>
<h4>Sentido do poema</h4>
<p><i><em>Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo</em> </i>é um poema que<strong> relata a experiência de um insone</strong> que, no meio da noite, abre a janela e depara-se com outra janela acesa.</p>
<p>Assim é sua primeira estrofe:</p>
<blockquote><p>Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo.<br />
São — tictac visível — quatro horas de tardar o dia.<br />
Abro a janela diretamente, no desespero da insônia.<br />
E, de repente, humano,<br />
O quadrado com cruz de uma janela iluminada!</p></blockquote>
<p>Já aqui, vemos o objetivo e a motivação do poema: o eu lírico, insone, envolvido no silêncio da noite, subitamente descobre não estar sozinho nesta situação.</p>
<p>A cena descrita é interessante porque nos mostra o impacto emocional de tal descoberta.</p>
<p>O eu lírico, agoniado na espera da alvorada, &#8220;no desespero da insônia&#8221;, sozinho, escutando um tique-taque um tanto sombrio, &#8220;de repente&#8221; <strong>descobre que sua experiência é compartilhada</strong>.</p>
<p>Vamos que o adjetivo &#8220;humano&#8221;, a representação da cruz na janela e a exclamação dão bem o tom da descoberta: imediatamente, <strong>brota no eu lírico um sentimento de identificação</strong> com o outro insone, que espanta de si a solidão e a melancolia.</p>
<p>A estrofe seguinte é aberta com mais exclamações:</p>
<blockquote><p>Fraternidade na noite!<br />
Fraternidade involuntária, incógnita, na noite!<br />
Estamos ambos despertos e a humanidade é alheia.<br />
Dorme. Nós temos luz.</p></blockquote>
<p>Daqui em diante, é este o sentimento que será abordado pelo eu lírico: <strong>a fraternidade, a conexão humana involuntária e inesperada</strong>, que cria um elo único entre os dois seres ante a humanidade inteira.</p>
<p>Através desta experiência compartilhada, pois, o eu lírico, ainda que não conheça o outro insone, sente-se iluminar pela certeza de que não está sozinho.</p>
<p>A estrofe seguinte começa com o eu lírico expressando sua curiosidade a respeito de seu companheiro de insônia, para em seguida tornar a exaltar a singularidade desta experiência.</p>
<p>Finalmente, o poema termina com o eu lírico a reparar que a luz refletida na janela que observa não é proveniente de energia elétrica.</p>
<p>Então, ele relembra os &#8220;candeeiros de petróleo&#8221; de sua &#8220;infância perdida&#8221;, traçando um interessantíssimo elo entre o presente e o passado através deste desconhecido insone, que agora se afigura ainda mais próximo do eu lírico.</p>
<p>Quer dizer: <strong>a experiência da insônia compartilhada faz ressurgir na mente do eu lírico sentimentos e reminiscências de alto valor afetivo</strong>.</p>
<p>Tudo isso, em suma, parece querer nos mostrar o quão singulares são os momentos que vivenciamos e o quanto eles podem transcender a experiência momentânea aparente.</p>
<p><em>Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo</em>, portanto, é um poema que <strong>aborda o sentimento de empatia</strong>, e mostra-nos que a singularidade de um momento, às vezes, estabelece conexões que extrapolam o tempo e o espaço, gerando-nos profundas emoções.</p>
<h3>Sobre Fernando Pessoa</h3>
<p>Fernando Pessoa foi um poeta e escritor português que nasceu em Lisboa, em 13 de junho de 1888.</p>
<p>Sua vasta obra contempla poemas, escritos filosóficos, sociológicos, astrológicos, ensaios de crítica literária, entre outros.</p>
<p>Em vida, Fernando Pessoa trabalhou como tradutor, correspondente estrangeiro, crítico literário e colaborador em revistas literárias, recusando alguns empregos para que pudesse se dedicar à literatura.</p>
<p>O poeta chegou a matricular-se na Faculdade de Letras de Lisboa, abandonando-a sem concluir o curso.</p>
<p>Sem dúvida, a grande excentricidade de Fernando Pessoa está em seus conhecidos heterônimos, que não são senão variações de sua própria personalidade, mas construídos com engenho incrível.</p>
<p>O poeta não se limitou a criar personalidades para seus heterônimos, e deu luz a uma história de vida completa para cada um deles, com data de nascimento adequando-se aos respectivos horóscopos, temperamento, estilo de vida, estilo literário e até data de óbito.</p>
<p>Fernando Pessoa faleceu em 30 de novembro de 1935, deixando em seu espólio cerca de 25 mil páginas de textos, que vêm sendo publicados lentamente desde então.</p>
<h4>Os heterônimos de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa ficou famoso por escrever sob o nome de <a href="https://dicionario.priberam.org/heter%C3%B3nimo" target="_blank" rel="noopener">heterônimos</a>.</p>
<p>Foram muitas e muitas personalidades criadas por ele, e abaixo fazemos um resumo biográfico das quatro mais famosas:</p>
<ul>
<li>Álvaro de Campos: nascido em Tavira, em 1890. Possuía temperamento emotivo e, por isso mesmo, é às vezes eufórico e exaltado. Viajou para a Escócia e para o Oriente, educou-se na Inglaterra e formou-se engenheiro.</li>
<li>Alberto Caeiro: nascido em Lisboa, em 1889, e falecido de tuberculose. Escrevia poemas, mas não possuía educação formal. Era denominado mestre por Álvaro de Campos, que o colocava como precursor e ícone do movimento literário que ficou conhecido em Portugal como Sensacionismo. Distinguia-se pela racionalidade e objetividade, e tinha uma vida ligada ao campo e aos rebanhos.</li>
<li>Ricardo Reis: nascido no Porto, em 1887. Era médico e, segundo nos conta Pessoa, &#8220;está frequentemente no Brasil&#8221;.</li>
<li>Bernardo Soares: era um &#8220;ajudante de guarda-livros&#8221; lisboeta, autor do famosíssimo <em>Livro do desassossego</em>. Era considerado um &#8220;semi-heterônimo&#8221; por Fernando Pessoa, porque, nas palavras do poeta, &#8220;não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e afectividade&#8221;.</li>
</ul>
<h4>Obras de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa publicou poucas obras em vida e, até hoje, possui parte de seus manuscritos inéditos.</p>
<p>Seus textos em poesia e prosa já foram editados sob muitos títulos, e abaixo destacamos algumas de suas obras mais conhecidas:</p>
<ul>
<li><em>35 sonnets (1918)</em></li>
<li><em>Antinous (1918)</em></li>
<li><em>English poems (1921) — em três volumes</em></li>
<li><em>Mensagem (1934)</em></li>
<li><em>A Nova Poesia Portuguesa (1944)</em></li>
<li><em>Poemas Dramáticos (1952)</em></li>
<li><em>Cartas de Amor de Fernando Pessoa (1978)</em></li>
<li><em>Sobre Portugal (1979)</em></li>
<li><em>Textos de Crítica e de Intervenção (1980)</em></li>
<li><em>Livro do desassossego (1982)</em></li>
<li><em>Obra Poética de Fernando Pessoa (1986)</em></li>
<li><em>Primeiro Fausto (1986)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa análise do poema <i>Acordo de noite, muito de noite</i>, de Fernando Pessoa.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-o-que-me-doi-nao-e-fernando-pessoa/">O que me dói não é, de Fernando Pessoa</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Poema O que me dói não é, de Fernando Pessoa (com análise)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poema-o-que-me-doi-nao-e-fernando-pessoa/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poema-o-que-me-doi-nao-e-fernando-pessoa</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Dec 2023 15:00:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[análise de poemas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2494</guid>

					<description><![CDATA[Conhe&#231;a o poema O que me d&#243;i n&#227;o &#233;, de Fernando Pessoa e confira nossa an&#225;lise! O que me d&#243;i n&#227;o &#233; &#233; um poema escrito pelo poeta portugu&#234;s Fernando Pessoa, dispon&#237;vel em Poesias (1942). O poema &#233; datado de 5 de setembro de 1933 e, apesar de curto, &#233; um belo exemplo da complexidade&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poema-o-que-me-doi-nao-e-fernando-pessoa/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Poema O que me dói não é, de Fernando Pessoa (com análise)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Conheça o poema O que me dói não é, de Fernando Pessoa e confira nossa análise!</em></span></p>
<p><i>O que me dói não é </i>é um poema escrito pelo poeta português Fernando Pessoa, disponível em <em>Poesias (1942)</em>.</p>
<p>O poema é datado de 5 de setembro de 1933 e, apesar de curto, é um belo exemplo da complexidade de sentimentos que o poeta era capaz de representar.</p>
<p>Dito isso, preparamos esse texto para que você conheça o poema<em> O que me dói não é</em>, de Fernando Pessoa. Em seguida, você poderá conferir nossa análise.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>O que me dói não é, de Fernando Pessoa</h2>
<blockquote><p>O que me dói não é<br />
O que há no coração<br />
Mas essas coisas lindas<br />
Que nunca existirão&#8230;</p>
<p>São as formas sem forma<br />
Que passam sem que a dor<br />
As possa conhecer<br />
Ou as sonhar o amor.</p>
<p>São como se a tristeza<br />
Fosse árvore e, uma a uma,<br />
Caíssem suas folhas<br />
Entre o vestígio e a bruma.</p></blockquote>
<h3>Análise do poema</h3>
<ul>
<li><strong>Tipo de verso:</strong> <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-hexassilabo-caracteristicas-exemplos/">hexassílabo</a> rimado</li>
<li><strong>Número e tipo de estrofes:</strong> 3 estrofes regulares</li>
<li><strong>Número de versos: </strong>12 versos</li>
</ul>
<p><em>O que me dói não é </em>é um poema construído em hexassílabos rimados; portanto, é um poema que utiliza <a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">metrificação</a> e <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-rima-e-como-rimar-um-poema-poesia/">rima</a>.</p>
<p>São versos que se enquadram no <a href="https://comofazerumpoema.com/poesia-lirica-o-que-e-caracteristicas-tipos/">gênero lírico</a> e expressam a complexidade da dor experimentada pelo sujeito poético.</p>
<h4>Estrutura do poema</h4>
<p><i>O que me dói não é </i>possui 12 versos divididos três <a href="https://comofazerumpoema.com/quadra-quarteto-caracteristicas-exemplos/">quadras</a> (ou quartetos).</p>
<p>Os versos são <strong>hexassílabos</strong>, isto é, são versos que possuem, cada um deles, seis sílabas poéticas.</p>
<p>As rimas são posicionadas sempre no segundo e quarto verso das estrofes; o primeiro e terceiro verso, portanto, são brancos (versos sem rima).</p>
<p>O ritmo dos versos é variável, o que confere um caráter dinâmico ao poema, construído neste metro que, em português, o mais das vezes é utilizado como secundário em versos majoritariamente decassílabos.</p>
<h4>Sentido do poema</h4>
<p><i>O que me dói não é </i>é um poema que<strong> explora a complexidade de sentimentos capazes de surgir em decorrência de nossa imaginação</strong>.</p>
<p>Esta é uma temática recorrente na obra pessoana, que dá tonalidades numerosas para aquilo que imaginamos e que também integra a nossa experiência.</p>
<p>Assim é a primeira estrofe:</p>
<blockquote><p>O que me dói não é<br />
O que há no coração<br />
Mas essas coisas lindas<br />
Que nunca existirão&#8230;</p></blockquote>
<p>Aqui, diz o eu lírico que o que lhe dói não é &#8220;o que há no coração&#8221;, ou seja, o sentimento mais físico e literal que experimenta, mas sim &#8220;essas coisas lindas que nunca existirão&#8221;.</p>
<p>Com isso, quer ele sugerir<strong> os sonhos que têm, a realidade imaginada, os desejos que mentalmente alimenta e nunca se realizarão</strong>.</p>
<p>&#8220;Essas coisas lindas&#8221;, pois, refere-se àquilo que ele fantasia, que existe em seu mundo imaginário, mas não é e não será real.</p>
<p>Portanto, <strong>a frustração do eu lírico é proveniente da impossibilidade de realização daquilo que imagina</strong>.</p>
<blockquote><p>São as formas sem forma<br />
Que passam sem que a dor<br />
As possa conhecer<br />
Ou as sonhar o amor.</p></blockquote>
<p>Esta quadra busca delinear melhor o que seriam aquelas &#8220;coisas lindas&#8221; mencionadas na estrofe anterior.</p>
<p>Percebemos, então, que <strong>não se tratam de coisas palpáveis, materiais, facilmente descritíveis</strong>.</p>
<p>O eu lírico, utilizando uma linguagem autenticamente poética, mostra-nos que as &#8220;coisas lindas&#8221; a que se refere são &#8220;formas sem formas&#8221;, que &#8220;passam sem que a dor as possa conhecer ou as sonhar o amor&#8221;.</p>
<p>Trata-se, portanto, de <strong>algo etéreo, inapreensível, não racionalizável</strong>, que embora possa ser imaginado e sentido, como o imagina e o sente o eu lírico, não pode ser assimilado por nossa dimensão mais mundana e material.</p>
<blockquote><p>São como se a tristeza<br />
Fosse árvore e, uma a uma,<br />
Caíssem suas folhas<br />
Entre o vestígio e a bruma.</p></blockquote>
<p>Finalmente, o eu lírico associa a tristeza que sente a uma árvore cujas folhas caem, uma a uma, perdendo-se entre &#8220;o vestígio e a bruma&#8221;.</p>
<p>Tal nos sugere a imagem de <strong>algo que está a desfazer-se numa atmosfera nebulosa e indefinível</strong>; a queda das folhas, &#8220;uma a uma&#8221;, denotam uma ação inevitável, lenta e angustiante.</p>
<p><em>O que me dói não é</em>, portanto, é um poema que expressa uma angústia indefinível oriunda da impossibilidade de realização daquilo que podemos somente idealizar.</p>
<h3>Sobre Fernando Pessoa</h3>
<p>Fernando Pessoa foi um poeta e escritor português que nasceu em Lisboa, em 13 de junho de 1888.</p>
<p>Sua vasta obra contempla poemas, escritos filosóficos, sociológicos, astrológicos, ensaios de crítica literária, entre outros.</p>
<p>Em vida, Fernando Pessoa trabalhou como tradutor, correspondente estrangeiro, crítico literário e colaborador em revistas literárias, recusando alguns empregos para que pudesse se dedicar à literatura.</p>
<p>O poeta chegou a matricular-se na Faculdade de Letras de Lisboa, abandonando-a sem concluir o curso.</p>
<p>Sem dúvida, a grande excentricidade de Fernando Pessoa está em seus conhecidos heterônimos, que não são senão variações de sua própria personalidade, mas construídos com engenho incrível.</p>
<p>O poeta não se limitou a criar personalidades para seus heterônimos, e deu luz a uma história de vida completa para cada um deles, com data de nascimento adequando-se aos respectivos horóscopos, temperamento, estilo de vida, estilo literário e até data de óbito.</p>
<p>Fernando Pessoa faleceu em 30 de novembro de 1935, deixando em seu espólio cerca de 25 mil páginas de textos, que vêm sendo publicados lentamente desde então.</p>
<h4>Os heterônimos de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa ficou famoso por escrever sob o nome de <a href="https://dicionario.priberam.org/heter%C3%B3nimo" target="_blank" rel="noopener">heterônimos</a>.</p>
<p>Foram muitas e muitas personalidades criadas por ele, e abaixo fazemos um resumo biográfico das quatro mais famosas:</p>
<ul>
<li>Álvaro de Campos: nascido em Tavira, em 1890. Possuía temperamento emotivo e, por isso mesmo, é às vezes eufórico e exaltado. Viajou para a Escócia e para o Oriente, educou-se na Inglaterra e formou-se engenheiro.</li>
<li>Alberto Caeiro: nascido em Lisboa, em 1889, e falecido de tuberculose. Escrevia poemas, mas não possuía educação formal. Era denominado mestre por Álvaro de Campos, que o colocava como precursor e ícone do movimento literário que ficou conhecido em Portugal como Sensacionismo. Distinguia-se pela racionalidade e objetividade, e tinha uma vida ligada ao campo e aos rebanhos.</li>
<li>Ricardo Reis: nascido no Porto, em 1887. Era médico e, segundo nos conta Pessoa, &#8220;está frequentemente no Brasil&#8221;.</li>
<li>Bernardo Soares: era um &#8220;ajudante de guarda-livros&#8221; lisboeta, autor do famosíssimo <em>Livro do desassossego</em>. Era considerado um &#8220;semi-heterônimo&#8221; por Fernando Pessoa, porque, nas palavras do poeta, &#8220;não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e afectividade&#8221;.</li>
</ul>
<h4>Obras de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa publicou poucas obras em vida e, até hoje, possui parte de seus manuscritos inéditos.</p>
<p>Seus textos em poesia e prosa já foram editados sob muitos títulos, e abaixo destacamos algumas de suas obras mais conhecidas:</p>
<ul>
<li><em>35 sonnets (1918)</em></li>
<li><em>Antinous (1918)</em></li>
<li><em>English poems (1921) — em três volumes</em></li>
<li><em>Mensagem (1934)</em></li>
<li><em>A Nova Poesia Portuguesa (1944)</em></li>
<li><em>Poemas Dramáticos (1952)</em></li>
<li><em>Cartas de Amor de Fernando Pessoa (1978)</em></li>
<li><em>Sobre Portugal (1979)</em></li>
<li><em>Textos de Crítica e de Intervenção (1980)</em></li>
<li><em>Livro do desassossego (1982)</em></li>
<li><em>Obra Poética de Fernando Pessoa (1986)</em></li>
<li><em>Primeiro Fausto (1986)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa análise do poema <i>O que me dói não é</i>, de Fernando Pessoa.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/aquilo-que-a-gente-lembra-fernando-pessoa/">Aquilo que a gente lembra, de Fernando Pessoa</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Poema Aquilo que a gente lembra, de Fernando Pessoa (com análise)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/aquilo-que-a-gente-lembra-fernando-pessoa/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=aquilo-que-a-gente-lembra-fernando-pessoa</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Nov 2023 14:20:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[análise de poemas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2484</guid>

					<description><![CDATA[Conhe&#231;a o poema Aquilo que a gente lembra, de Fernando Pessoa e confira nossa an&#225;lise! Aquilo que a gente lembra &#233; um poema escrito pelo poeta portugu&#234;s Fernando Pessoa, dispon&#237;vel em Novas poesias in&#233;ditas (1973). Como o t&#237;tulo sugere, este poema &#233; uma reflex&#227;o sobre a evoca&#231;&#227;o do passado em nossa mente. O poeta, com&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/aquilo-que-a-gente-lembra-fernando-pessoa/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Poema Aquilo que a gente lembra, de Fernando Pessoa (com análise)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Conheça o poema Aquilo que a gente lembra, de Fernando Pessoa e confira nossa análise!</em></span></p>
<p><i>Aquilo que a gente lembra </i>é um poema escrito pelo poeta português Fernando Pessoa, disponível em <em>Novas poesias inéditas (1973)</em>.</p>
<p>Como o título sugere, este poema é uma reflexão sobre a evocação do passado em nossa mente.</p>
<p>O poeta, com a habilidade costumeira, discorre sobre os sentimentos provocados pelas memórias que temos e, hoje, habitam &#8220;os jardins do passado&#8221;.</p>
<p>Dito isso, preparamos esse texto para que você conheça o poema<em> Aquilo que a gente lembra</em>, de Fernando Pessoa. Em seguida, você poderá conferir nossa análise.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Aquilo que a gente lembra, de Fernando Pessoa</h2>
<blockquote><p>Aquilo que a gente lembra<br />
Sem o querer lembrar,<br />
E incerto se desmembra<br />
Como um fumo no ar,<br />
É a música que a alma tem,<br />
É o perfume que vem,<br />
Vago, inútil, trazido<br />
Por uma brisa de agrado,<br />
Do fundo do que é esquecido,<br />
Dos jardins do passado.</p>
<p>Aquilo que a gente sonha<br />
Sem saber de sonhar,<br />
Aquela boca risonha<br />
Que nunca nos quis beijar,<br />
Aquela vaga ironia<br />
Que uns olhos tiveram um dia<br />
Para a nossa emoção —<br />
Tudo isso nos dá o agrado,<br />
Do aroma que as flores são<br />
Nos jardins do passado.</p>
<p>Não sei o que fiz da vida,<br />
Nem o que quero saber.<br />
Se a tenho por perdida,<br />
Sei eu o que é perder?<br />
Mas tudo é música se há<br />
Alma onde a alma está,<br />
E há um vago, suave sono,<br />
Um sonho morno de agrado,<br />
Quando regresso, dono,<br />
Aos jardins do passado.</p></blockquote>
<h3>Análise do poema</h3>
<ul>
<li><strong>Tipo de verso:</strong> <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-livre-caracteristicas-exemplos/">livre</a></li>
<li><strong>Número e tipo de estrofes:</strong> 3 estrofes regulares (<a href="https://comofazerumpoema.com/decima-caracteristicas-exemplos/">décimas</a>)</li>
<li><strong>Número de versos: </strong>30 versos</li>
</ul>
<p><em>Aquilo que a gente lembra </em>é um poema construído em versos livres; contudo, apesar de serem versos de métrica variável, todos eles são <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-rima-e-como-rimar-um-poema-poesia/">rimados</a>.</p>
<p>O poema, em suma, é uma construção que coloca o eu lírico a refletir sobre o próprio passado.</p>
<h4>Estrutura do poema</h4>
<p><i>Aquilo que a gente lembra </i>possui 30 versos divididos três décimas (estrofes de dez versos).</p>
<p>Os versos são <strong>livres</strong>, isto é, são versos de métrica variável.</p>
<p>Neste tipo de verso, o mais comum é que o poeta também não utilize rimas; contudo, neste poema elas são utilizadas em todos os versos, e as estrofes se apresentam conforme o esquema <em>ababccdede</em>.</p>
<p>Nota-se, também, que todas as estrofes encerram-se com a palavra &#8220;passado&#8221;, sendo portanto a última rima de todas elas sempre em &#8220;ado&#8221;.</p>
<h4>Sentido do poema</h4>
<p><i>Aquilo que a gente lembra </i>é <strong>um poema que explora a ressonância emocional causada pelas lembranças</strong>.</p>
<p>Este é mais um belíssimo poema de Fernando Pessoa, que coloca-nos num estado de reflexão.</p>
<p>Assim é a primeira estrofe:</p>
<blockquote><p>Aquilo que a gente lembra<br />
Sem o querer lembrar,<br />
E incerto se desmembra<br />
Como um fumo no ar,<br />
É a música que a alma tem,<br />
É o perfume que vem,<br />
Vago, inútil, trazido<br />
Por uma brisa de agrado,<br />
Do fundo do que é esquecido,<br />
Dos jardins do passado.</p></blockquote>
<p>Nesta primeira estrofe, o eu lírico começa a sua reflexão sobre as lembranças, e as classifica, primeiramente, como <strong>involuntárias</strong>, dizendo que &#8220;a gente lembra sem o querer lembrar&#8221;.</p>
<p>Em seguida, ele diz que essa lembrança &#8220;se desmembra como um fumo no ar&#8221;, sugerindo <strong>uma ação expansiva incontrolável pelo nosso consciente</strong>, até que se volatize e preencha-nos a mente por completo.</p>
<p>Tal lembrança, então, é associada à música e ao perfume, elementos capazes de estimular-nos o aparato sensitivo, insinuando que <strong>a evocação de uma lembrança vem carregada de sensações</strong>.</p>
<p>Finalmente, esta estrofe reforça a sutileza já denotada pela associação à música e ao perfume, dizendo deste &#8220;trazido por uma brisa de agrado&#8221;, portanto, é um perfume que chega suavemente.</p>
<blockquote><p>Aquilo que a gente sonha<br />
Sem saber de sonhar,<br />
Aquela boca risonha<br />
Que nunca nos quis beijar,<br />
Aquela vaga ironia<br />
Que uns olhos tiveram um dia<br />
Para a nossa emoção —<br />
Tudo isso nos dá o agrado,<br />
Do aroma que as flores são<br />
Nos jardins do passado.</p></blockquote>
<p>Nesta estrofe, já não são somente lembranças de fatos que são abordadas, mas sonhos daquilo que queríamos e não se cumpriu.</p>
<p>É interessante que, aqui, o eu lírico cita uma &#8220;boca risonha que nunca nos quis beijar&#8221; e &#8220;aquela vaga ironia que uns olhos tiveram um dia&#8221;, associando-as ao &#8220;aroma que as flores são nos jardins do passado&#8221;, aroma este que nos chega involuntária e suavemente, como dito na estrofe anterior.</p>
<p>Quer isso sugerir, primeiro, que nossa mente é capaz de evocar não somente memórias, mas aquilo que gostaríamos que ocorresse; segundo, que <strong>nossa mente é rica em detalhes e sutilezas</strong>, sendo capaz de evocar, agora, uma &#8220;vaga ironia&#8221;, que talvez tenha passado despercebida por nós.</p>
<blockquote><p>Não sei o que fiz da vida,<br />
Nem o que quero saber.<br />
Se a tenho por perdida,<br />
Sei eu o que é perder?<br />
Mas tudo é música se há<br />
Alma onde a alma está,<br />
E há um vago, suave sono,<br />
Um sonho morno de agrado,<br />
Quando regresso, dono,<br />
Aos jardins do passado.</p></blockquote>
<p>Esta estrofe é aberta expressando <strong>a incompreensão do eu lírico perante a própria vida</strong>.</p>
<p>Ele, que afirma não saber o que fez da vida e não saber o que quer saber, taxa-a de &#8220;perdida&#8221; para em seguida questionar se sabe mesmo o que é perder.</p>
<p>Em suma, o eu lírico confessa-nos ser incapaz de compreender a complexidade da vida.</p>
<p>Apesar disso, &#8220;tudo é música se há alma onde a alma está&#8221;, ou seja, <strong>a vida é bela e encantadora se nos permitimos vivê-la, senti-la e pensá-la</strong>, apesar de não compreendê-la.</p>
<p>Por fim, o eu lírico diz haver um &#8220;vago, suave sono, um sonho morno de agrado&#8221; quando retorna &#8220;aos jardins do passado&#8221;.</p>
<p>Pela terceira vez, temos &#8220;agrado&#8221; rimando com &#8220;passado&#8221;, o que nos mostra bem a intenção do eu lírico de expressar um sentimento suave e consolador proveniente do seu ato reflexivo.</p>
<p>Quer dizer: <strong>ao revisitar suas lembranças, o eu lírico enfim experimenta um sentimento agradável</strong>.</p>
<p><em>Aquilo que a gente lembra</em>, portanto, é um poema que explora a complexidade das memórias e os sentimentos que estas são capazes de suscitar em nós.</p>
<h3>Sobre Fernando Pessoa</h3>
<p>Fernando Pessoa foi um poeta e escritor português que nasceu em Lisboa, em 13 de junho de 1888.</p>
<p>Sua vasta obra contempla poemas, escritos filosóficos, sociológicos, astrológicos, ensaios de crítica literária, entre outros.</p>
<p>Em vida, Fernando Pessoa trabalhou como tradutor, correspondente estrangeiro, crítico literário e colaborador em revistas literárias, recusando alguns empregos para que pudesse se dedicar à literatura.</p>
<p>O poeta chegou a matricular-se na Faculdade de Letras de Lisboa, abandonando-a sem concluir o curso.</p>
<p>Sem dúvida, a grande excentricidade de Fernando Pessoa está em seus conhecidos heterônimos, que não são senão variações de sua própria personalidade, mas construídos com engenho incrível.</p>
<p>O poeta não se limitou a criar personalidades para seus heterônimos, e deu luz a uma história de vida completa para cada um deles, com data de nascimento adequando-se aos respectivos horóscopos, temperamento, estilo de vida, estilo literário e até data de óbito.</p>
<p>Fernando Pessoa faleceu em 30 de novembro de 1935, deixando em seu espólio cerca de 25 mil páginas de textos, que vêm sendo publicados lentamente desde então.</p>
<h4>Os heterônimos de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa ficou famoso por escrever sob o nome de <a href="https://dicionario.priberam.org/heter%C3%B3nimo" target="_blank" rel="noopener">heterônimos</a>.</p>
<p>Foram muitas e muitas personalidades criadas por ele, e abaixo fazemos um resumo biográfico das quatro mais famosas:</p>
<ul>
<li>Álvaro de Campos: nascido em Tavira, em 1890. Possuía temperamento emotivo e, por isso mesmo, é às vezes eufórico e exaltado. Viajou para a Escócia e para o Oriente, educou-se na Inglaterra e formou-se engenheiro.</li>
<li>Alberto Caeiro: nascido em Lisboa, em 1889, e falecido de tuberculose. Escrevia poemas, mas não possuía educação formal. Era denominado mestre por Álvaro de Campos, que o colocava como precursor e ícone do movimento literário que ficou conhecido em Portugal como Sensacionismo. Distinguia-se pela racionalidade e objetividade, e tinha uma vida ligada ao campo e aos rebanhos.</li>
<li>Ricardo Reis: nascido no Porto, em 1887. Era médico e, segundo nos conta Pessoa, &#8220;está frequentemente no Brasil&#8221;.</li>
<li>Bernardo Soares: era um &#8220;ajudante de guarda-livros&#8221; lisboeta, autor do famosíssimo <em>Livro do desassossego</em>. Era considerado um &#8220;semi-heterônimo&#8221; por Fernando Pessoa, porque, nas palavras do poeta, &#8220;não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e afectividade&#8221;.</li>
</ul>
<h4>Obras de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa publicou poucas obras em vida e, até hoje, possui parte de seus manuscritos inéditos.</p>
<p>Seus textos em poesia e prosa já foram editados sob muitos títulos, e abaixo destacamos algumas de suas obras mais conhecidas:</p>
<ul>
<li><em>35 sonnets (1918)</em></li>
<li><em>Antinous (1918)</em></li>
<li><em>English poems (1921) — em três volumes</em></li>
<li><em>Mensagem (1934)</em></li>
<li><em>A Nova Poesia Portuguesa (1944)</em></li>
<li><em>Poemas Dramáticos (1952)</em></li>
<li><em>Cartas de Amor de Fernando Pessoa (1978)</em></li>
<li><em>Sobre Portugal (1979)</em></li>
<li><em>Textos de Crítica e de Intervenção (1980)</em></li>
<li><em>Livro do desassossego (1982)</em></li>
<li><em>Obra Poética de Fernando Pessoa (1986)</em></li>
<li><em>Primeiro Fausto (1986)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa análise do poema <i>Aquilo que a gente lembra</i>, de Fernando Pessoa.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-a-ideia-augusto-dos-anjos-poesia/">A Ideia, de Augusto dos Anjos</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Poema A Ideia, de Augusto dos Anjos (com análise)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poema-a-ideia-augusto-dos-anjos-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poema-a-ideia-augusto-dos-anjos-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Nov 2023 15:13:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[análise de poemas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2447</guid>

					<description><![CDATA[Conhe&#231;a o poema A Ideia, de Augusto dos Anjos, e confira nossa an&#225;lise! A Ideia &#233; um soneto escrito pelo poeta brasileiro Augusto dos Anjos e publicado em seu &#250;nico livro, Eu (1912). Este poema trata da grande dificuldade do ser humano em expressar aquilo que se pensa, posto que h&#225; um percurso sinuoso entre&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poema-a-ideia-augusto-dos-anjos-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Poema A Ideia, de Augusto dos Anjos (com análise)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Conheça o poema A Ideia, de Augusto dos Anjos, e confira nossa análise!</em></span></p>
<p><em>A Ideia </em>é um soneto escrito pelo poeta brasileiro Augusto dos Anjos e publicado em seu único livro, <em>Eu (1912)</em>.</p>
<p>Este poema trata da grande dificuldade do ser humano em expressar aquilo que se pensa, posto que há um percurso sinuoso entre o brilho da ideia na mente e sua verbalização.</p>
<p>Dito isso, preparamos esse texto para que você conheça <i>A Ideia</i>, de Augusto dos Anjos. Em seguida, você poderá conferir nossa análise do poema.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>A Ideia, de Augusto dos Anjos</h2>
<blockquote><p>De onde ela vem? De que matéria bruta<br />
Vem essa luz que sobre as nebulosas<br />
Cai de incógnitas criptas misteriosas<br />
Como as estalactites duma gruta?!</p>
<p>Vem da psicogenética e alta luta<br />
Do feixe de moléculas nervosas,<br />
Que, em desintegrações maravilhosas,<br />
Delibera, e depois, quer e executa!</p>
<p>Vem do encéfalo absconso que a constringe,<br />
Chega em seguida às cordas da laringe,<br />
Tísica, tênue, mínima, raquítica&#8230;</p>
<p>Quebra a força centrípeta que a amarra,<br />
Mas, de repente, e quase morta, esbarra<br />
No molambo da língua paralítica!</p></blockquote>
<h3>Análise do poema</h3>
<ul>
<li><strong>Tipo de verso:</strong> <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-decassilabo-caracteristicas-exemplos/">decassílabo</a> rimado</li>
<li><strong>Número e tipo de estrofes:</strong> 4 estrofes: 2 quadras e 2 tercetos (soneto)</li>
<li><strong>Número de versos:</strong> 14 versos</li>
</ul>
<p><em>A Ideia </em>é um soneto construído em decassílabos rimados, portanto, é um poema que utiliza <a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">metrificação</a> e <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-rima-e-como-rimar-um-poema-poesia/">rima</a>.</p>
<p>O poema é uma representação criativa da origem e verbalização do pensamento, ressaltando o quão penoso é para o artista expressá-lo.</p>
<h4>Estrutura do poema</h4>
<p><i>A Ideia </i>é um <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-soneto-tipos-caracteristicas-exemplos/">soneto</a>, portanto, possui 14 versos divididos em 4 estrofes, sendo elas duas <a href="https://comofazerumpoema.com/quadra-quarteto-caracteristicas-exemplos/">quadras</a> e dois <a href="https://comofazerumpoema.com/terceto-caracteristicas-exemplos/">tercetos</a>.</p>
<p>Os versos são <strong>decassílabos</strong>, ou seja, apresentam, cada um deles, dez sílabas poéticas.</p>
<p>As quadras apresentam rimas que chamamos <strong>enlaçadas</strong>, isto é, rimam em parelha dois versos entre dois outros que também rimam, conforme o esquema <em>abba</em>.</p>
<p>Os tercetos apresentam-se conforme o esquema <em>ccd eed</em>.</p>
<p>Quanto ao ritmo, os versos apresentam apoio tônico na sexta sílaba, conforme o padrão que chamamos <strong>decassílabo <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-heroico-caracteristicas-exemplos/">heroico</a></strong>; exceção feita ao primeiro verso, que possui acentuação na quarta e oitava sílaba, em padrão que chamamos <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-safico-caracteristicas-exemplos/"><strong>sáfico</strong></a> em português.</p>
<h4>Vocabulário do poema</h4>
<p>Uma das características mais singulares da poesia de Augusto dos Anjos é a utilização de palavras excêntricas e inesperadas, que nos surpreendem praticamente a cada verso.</p>
<p>Por isso, antes de analisarmos o sentido de <i>A Ideia</i>, é importante que tenhamos esclarecido o sentido de algumas palavras utilizadas no poema:</p>
<ul>
<li><strong>cripta:</strong> lugar subterrâneo e escuro; gruta.</li>
<li><strong>estalactite:</strong> forma colunar pendente do teto das cavernas ou subterrâneos, resultante da precipitação de bicarbonato de cálcio, trazido em dissolução na água.</li>
<li><strong>psicogenética</strong>: no contexto do poema, refere-se à gênese (ou origem) da psique e dos processos mentais.</li>
<li><strong>absconso:</strong> que se encontra escondido; abscôndito, oculto; de difícil compreensão.</li>
<li><strong>molambo</strong>: pedaço de pano velho, roto e sujo; farrapo; indivíduo sem força moral, determinação, firmeza.</li>
</ul>
<h4>Sentido do poema</h4>
<p><i>A Ideia </i>é um poema que<strong> dramatiza a enorme dificuldade enfrentada pelo artista para dar voz àquilo que deseja expressar</strong>.</p>
<p>Esta dificuldade, só pode dimensioná-la aquele que se propõe a verbalizar as próprias ideias, e já foi abordada por inúmeros artistas, como, por exemplo, por Gustave Flaubert e Franz Kafka.</p>
<p>O primeiro disse o seguinte, enquanto escrevia sua obra-prima <em>Madame Bovary</em>:</p>
<blockquote><p>Estou mais cansado do que se empurrasse montanhas. Há momentos em que tenho vontade de chorar. É preciso uma vontade sobre-humana para escrever e eu sou apenas um homem.</p></blockquote>
<p>Já o segundo fez esta anotação em seu diário:</p>
<blockquote><p>Quando me sento à escrivaninha, não me sinto melhor do que alguém que cai e quebra as duas pernas em meio ao trânsito da Place de l’Opéra.</p></blockquote>
<p>Esses e outros muitos desabafos dão ideia da dimensão do problema que Augusto dos Anjos aborda neste poema, que começa com a seguinte estrofe:</p>
<blockquote><p>De onde ela vem? De que matéria bruta<br />
Vem essa luz que sobre as nebulosas<br />
Cai de incógnitas criptas misteriosas<br />
Como as estalactites duma gruta?!</p></blockquote>
<p>De início, temos uma indagação: &#8220;De onde ela vem?&#8221;. Naturalmente, o poeta refere-se à &#8220;Ideia&#8221;, já anunciada pelo título.</p>
<p>Tal indagação sugere o mistério de sua aparição, que é comparada a uma luz que cai de &#8220;incógnitas criptas&#8221;, ou seja, que brota inesperadamente de um lugar que não podemos definir.</p>
<blockquote><p>Vem da psicogenética e alta luta<br />
Do feixe de moléculas nervosas,<br />
Que, em desintegrações maravilhosas,<br />
Delibera, e depois, quer e executa!</p></blockquote>
<p>Nesta estrofe, temos o poeta mostrando-se em seu estilo inconfundível, e é feita uma <strong>tentativa de dar uma explicação científica</strong> para a origem da ideia.</p>
<p>Aqui, é interessante observar que há um contraste com a estrofe anterior, que associava a ideia às &#8220;estalactites de uma gruta&#8221;, sugerindo uma formação orgânica e espontânea.</p>
<p>Agora, o eu lírico dá caráter ativo e consciente à ideia, impulsionada por um feixe de moléculas nervosas que &#8220;delibera, e depois, quer e executa&#8221;.</p>
<p>Até este ponto, é interessante notar que o soneto trata apenas da &#8220;gênese da ideia&#8221;, e a extrema dificuldade em expressá-la, que já anunciamos anteriormente como o objetivo do poema, é abordada nos tercetos:</p>
<blockquote><p>Vem do encéfalo absconso que a constringe,<br />
Chega em seguida às cordas da laringe,<br />
Tísica, tênue, mínima, raquítica&#8230;</p>
<p>Quebra a força centrípeta que a amarra,<br />
Mas, de repente, e quase morta, esbarra<br />
No molambo da língua paralítica!</p></blockquote>
<p>Vemos, já no início dos tercetos, a primeira nota de aflição, dada pelo verbo &#8220;constringe&#8221;, que <strong>sugere uma ação compressora do cérebro sobre a ideia</strong>.</p>
<p>Esta, porém, quer se manifestar, e prossegue &#8220;constringida&#8221;, de forma que chega &#8220;às cordas da laringe&#8221; (que vibrarão para expressá-la) já &#8220;tísica, tênue, mínima, raquítica&#8221;, ou seja, extremamente enfraquecida comparada à sua aparição.</p>
<p>Mesmo assim, a ideia &#8220;quebra a força centrípeta que a amarra&#8221;, contudo, esbarra &#8220;no molambo da língua paralítica&#8221;.</p>
<p>Com isso, quer o eu lírico sugerir <strong>a imensa dificuldade que encontramos para colocar em palavras aquilo que pensamos</strong>.</p>
<p>A ideia, pois, apesar de sua aparição maravilhosa em nossa mente, é constringida por nosso organismo que, para materializá-la, faz com que ela perca grande parte de seu vigor.</p>
<p>Assim, <em>A Ideia</em> é um poema em que o eu lírico expressa simultaneamente <strong>a debilidade expressiva do ser humano e a impotência das palavras</strong> ante a impressionante vitalidade do pensamento.</p>
<h4>A originalidade de Augusto dos Anjos</h4>
<p>O crítico literário Otto Maria Carpeaux classificou Augusto dos Anjos (1884-1914) como o poeta mais original da literatura brasileira.</p>
<p>É fato: o poeta da &#8220;angústia absurda e tragicômica&#8221; criou um universo que parece rejeitar todas as comparações.</p>
<p>Esteticamente, alguns classificam-no como parnasiano, outros como simbolista, outros como pré-modernista&#8230; E disso notamos que não há como resumi-lo num movimento literário.</p>
<p>Os poemas de Augusto dos Anjos harmonizam uma excentricidade incrível com comicidade e pessimismo, lançando mão de termos científicos e exóticos que aparentemente repelem o discurso poético, além de metáforas impressionantemente originais e uma filosofia particular.</p>
<blockquote><p>Poeta excêntrico, cuja obra é tôda ela um grito de dor que sangra por mil feridas. Mesmo dizendo blasfêmias, mesmo falando na corrupção da matéria orgânica, crepita em fagulhas de gênio. (Horácio de Almeida)</p></blockquote>
<p>Infância infeliz, vida adulta instável e conturbada; existência breve e marcada por episódios dramáticos: assim podemos resumir este poeta brasileiro que, repetindo Horácio de Almeida, deixou-nos uma obra que &#8220;crepita em fagulhas de gênio&#8221;.</p>
<h3>Sobre Augusto dos Anjos</h3>
<p>Augusto dos Anjos nasceu em 20 de abril de 1884, no Engenho Pau D’Arco, no atual município de Sapé, na Paraíba.</p>
<p>Horácio de Almeida conta-nos o seguinte:</p>
<blockquote><p>Teve êsse poeta uma infância sem alegria no engenho Pau d’Arco. O ambiente que ali respirava asfixiava-o. Sua mãe, Sinhá-Mocinha, era quem mandava, como ditadora, naquele mundo de horizontes fechados. Seu pai, dr. Alexandre dos Anjos, homem boníssimo, de sólida cultura humanista, versado em latim, grego, matemática, ciências naturais, história e disciplinas correlatas, não mandava coisa alguma, nem na casa, nem no engenho. Mas foi êle quem pôs a carta de A-B-C nas mãos de Augusto e preparou o rapaz para os exames no Liceu Paraibano em tôdas as matérias do curso de humanidades.</p>
<p>(,,,)</p>
<p>Aos 16 anos de idade apaixonou-se por uma mocinha do Pau d’Arco, que morava sob o mesmo teto, na casa grande do engenho. Era uma jovem que emigrara do sertão da Borborema, tangida pela sêca que expulsa do solo calcinado os moradores da terra, em levas de retirantes. Augusto não era ainda o môço triste que depois se tornou, quando o vento da desgraça varreu a sua felicidade. Deu à amada todo o seu afeto e naquele bucólico meio os dois sentiram os corações abrasados. Na cegueira dos que amam, ela acabou se entregando a êle.</p>
<p>Mas o idílio durou pouco porque o caso chegou logo ao conhecimento de Sinhá-Mocinha. De pronto, a môça foi retirada para um esconderijo das vizinhanças, levando já no ventre o fruto do seu amor. Ferida na sua sensibilidade orgulhosa, Sinhá-Mocinha não podia tolerar uma semelhante união e mais revoltada ficou quando o rapaz se propôs a reparar o mal por meio do casamento. Deu-se então o desfecho trágico do drama passional, porque a môça morreu e o rapaz sofreu com êsse fato um transtorno psíquico, que o deixou sombrio para todo o sempre</p></blockquote>
<p>Em 1903, o poeta matriculou-se na Faculdade de Direito de Recife e começou a publicar versos no jornal paraibano <em>O Comércio</em>.</p>
<p>Os poemas de Augusto dos Anjos tiveram repercussão fortemente negativa, e o poeta foi tido como histérico, desequilibrado e neurastênico.</p>
<p>Em 1907, Augusto formou-se e mudou-se para João Pessoa, onde passou a lecionar língua portuguesa. Embora diplomado em direito, nunca exerceu profissões relativas à sua formação.</p>
<p>Em 1910, casou-se com Ester Fialho, com quem teve três filhos — o primeiro deles morreu recém-nascido.</p>
<p>De João Pessoa, Augusto transferiu-se ao Rio de Janeiro, onde publicou seu único livro, <em>Eu</em>, com ajuda financeira do irmão.</p>
<p>De João Pessoa, Augusto seguiu para Leopoldina, cidade em que morreu pouco tempo depois, em 1914, vítima de pneumonia.</p>
<h4>Obra poética de Augusto dos Anjos</h4>
<ul>
<li><i>Eu (1912)</i></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa análise do poema <i>A ideia</i>, de Augusto dos Anjos.</p>
<p>Vale lembrar que a obra completa com todos os poemas de Augusto dos Anjos está disponível gratuitamente em <a href="http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do?select_action=&amp;co_autor=20" target="_blank" rel="noopener">domínio público</a>.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa análise do poema <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-a-um-poeta-olavo-bilac-poesia-analise/">A um poeta, de Olavo Bilac</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Poema A um poeta, de Olavo Bilac (com análise)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poema-a-um-poeta-olavo-bilac-poesia-analise/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poema-a-um-poeta-olavo-bilac-poesia-analise</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Nov 2023 14:10:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[análise de poemas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2451</guid>

					<description><![CDATA[Conhe&#231;a o poema A um poeta, de Olavo Bilac, e confira nossa an&#225;lise! A um poeta &#233; um poema escrito pelo poeta brasileiro Olavo Bilac, que est&#225; dispon&#237;vel em Tarde (1919). Este belo poema &#233; uma reflex&#227;o sobre o trabalho do poeta, que explora tanto as suas dificuldades, como o seu objetivo. Dito isso, preparamos&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poema-a-um-poeta-olavo-bilac-poesia-analise/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Poema A um poeta, de Olavo Bilac (com análise)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Conheça o poema A um poeta, de Olavo Bilac, e confira nossa análise!</em></span></p>
<p><i>A um poeta </i>é um poema escrito pelo poeta brasileiro Olavo Bilac, que está disponível em <em>Tarde (1919)</em>.</p>
<p>Este belo poema é uma reflexão sobre o trabalho do poeta, que explora tanto as suas dificuldades, como o seu objetivo.</p>
<p>Dito isso, preparamos esse texto para que você conheça poema <em>A um poeta</em>, de Olavo Bilac. Em seguida, você poderá conferir nossa análise.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>A um poeta, de Olavo Bilac</h2>
<blockquote><p>Longe do estéril turbilhão da rua,<br />
Beneditino, escreve! No aconchego<br />
Do claustro, na paciência e no sossego,<br />
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!</p>
<p>Mas que na forma se disfarce o emprego<br />
Do esforço; e a trama viva se construa<br />
De tal modo, que a imagem fique nua,<br />
Rica mas sóbria, como um templo grego.</p>
<p>Não se mostre na fábrica o suplício<br />
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,<br />
Sem lembrar os andaimes do edifício:</p>
<p>Porque a Beleza, gêmea da Verdade,<br />
Arte pura, inimiga do artifício,<br />
É a força e a graça na simplicidade.</p></blockquote>
<h3>Análise do poema</h3>
<ul>
<li><strong>Tipo de verso:</strong> <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-decassilabo-caracteristicas-exemplos/">decassílabo</a> rimado</li>
<li><strong>Número e tipo de estrofes:</strong> 4 estrofes: 2 <a href="https://comofazerumpoema.com/quadra-quarteto-caracteristicas-exemplos/">quadras</a> e 2 <a href="https://comofazerumpoema.com/terceto-caracteristicas-exemplos/">tercetos </a>(soneto)</li>
<li><strong>Número de versos:</strong> 14 versos</li>
</ul>
<p><em>A um poeta</em><i> </i>é um soneto construído em decassílabos rimados, portanto, é um poema que utiliza <a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">metrificação</a> e <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-rima-e-como-rimar-um-poema-poesia/">rima</a>.</p>
<p>Estes versos refletem sobre o ofício do poeta, e são construídos de maneira quase inteiramente tradicional, como veremos a seguir.</p>
<h4>Estrutura do poema</h4>
<p><i>A um poeta </i>é um <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-soneto-tipos-caracteristicas-exemplos/">soneto</a>, portanto, possui 14 versos divididos em 4 estrofes, sendo elas duas quadras e dois tercetos.</p>
<p>Poderíamos classificar este poema como tradicional quanto à disposição das estrofes, posto que apresenta duas quadras e dois tercetos, possuindo aquelas duas rimas e estes três.</p>
<p>Há, porém, um detalhe que o diferencia dos sonetos tradicionais, e consiste na inversão operada nas rimas das quadras: embora ambas apresentem rimas que chamamos <strong>enlaçadas</strong>, a primeira quadra rima conforme o esquema <em>abba</em>, já a segunda conforme o esquema <em>baab</em></p>
<p>Os tercetos apresentam-se conforme o esquema <em>cdc ede</em>.</p>
<p>Quanto ao ritmo, todos os versos apresentam ou acentuação na sexta sílaba, conforme o padrão que chamamos <strong>decassílabo <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-heroico-caracteristicas-exemplos/">heroico</a></strong>, ou acentuação na quarta e oitava, conforme o padrão que chamamos <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-safico-caracteristicas-exemplos/"><strong>sáfico</strong></a>.</p>
<p>O último verso, variação curiosa, enquadra-se neste último padrão, posto que, por posição, tem sua oitava sílaba acentuada, ainda que nela não caia o acento tônico vocabular.</p>
<h4>Sentido do poema</h4>
<p><i>A um poeta </i>é um poema que <strong>reflete sobre o ofício de escrever um poema</strong>.</p>
<p>A este tipo de discurso dá-se o nome <strong>metalinguagem</strong>, isto é, trata-se de um poema cuja temática é o próprio fazer poético ou, simplificando, é um poema que fala sobre fazer um poema.</p>
<p>Como anunciado pelo título, o poema é direcionado &#8220;a um poeta&#8221;, e assim é sua primeira estrofe:</p>
<blockquote><p>Longe do estéril turbilhão da rua,<br />
Beneditino, escreve! No aconchego<br />
Do claustro, na paciência e no sossego,<br />
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!</p></blockquote>
<p>Aqui, temos, em suma, <strong>uma descrição realista daquilo que é o verdadeiro trabalho do poeta</strong>.</p>
<p>Ao contrário do que pode parecer, e ao contrário do que já foi pintado por muitos artistas, como romantizando o próprio trabalho, <a href="https://comofazerumpoema.com/como-escrever-um-livro-de-poesia-comecar/">fazer poesia não é algo leve e agradável</a> — ao menos, não o é para o poeta sério.</p>
<p>O eu lírico descreve o ambiente no qual o poeta se recolhe para criar, e o compara a um claustro, onde o poeta pode isolar-se do mundo para dedicar-se inteiramente à sua criação.</p>
<p>Já o poeta, por sua vez, é comparado a um monge beneditino.</p>
<p>Os beneditinos eram conhecidos por sua disciplina e dedicação incansável a trabalhos meticulosos, portanto, o que quer o eu lírico com essa comparação é <strong>destacar o trabalho árduo que envolve a criação poética</strong>.</p>
<p>Tal é reforçado pelo último verso, que representa o esforço necessário e as agruras do penoso processo de criação.</p>
<blockquote><p>Mas que na forma se disfarce o emprego<br />
Do esforço; e a trama viva se construa<br />
De tal modo, que a imagem fique nua,<br />
Rica mas sóbria, como um templo grego.</p></blockquote>
<p>Nesta estrofe, o eu lírico descreve aquilo que se objetiva com tamanho esforço.</p>
<p>O poeta, pois, tem de disfarçar o esforço empregado na construção do poema e fazer com que sua forma se apresente &#8220;rica, mas sóbria, como um templo grego&#8221;.</p>
<p>Esta comparação quer <strong>ressaltar a beleza, a elegância e harmonia</strong> da arquitetura grega, que deve servir de inspiração para o poeta.</p>
<p>Finalmente, os tercetos:</p>
<blockquote><p>Não se mostre na fábrica o suplício<br />
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,<br />
Sem lembrar os andaimes do edifício:</p>
<p>Porque a Beleza, gêmea da Verdade,<br />
Arte pura, inimiga do artifício,<br />
É a força e a graça na simplicidade.</p></blockquote>
<p>O primeiro terceto é um reforço da quadra anterior: o eu lírico repete a recomendação de que se não deixe transparecer no poema o esforço realizado para construí-lo.</p>
<p>Aqui, porém, há uma nova comparação: o poema pronto é comparado a um edifício que, para ser construído, necessita de andaimes, os quais são retirados após finalizado o trabalho.</p>
<p>Portanto, ele recomenda que sejam escondidos tais andaimes, ou seja, que <strong>não se mostre no poema aquilo que foi necessário para escrevê-lo</strong>.</p>
<p>Por fim, o eu lírico diz que a arte pura é &#8220;inimiga do artifício&#8221; e &#8220;é a força e a graça na simplicidade&#8221;.</p>
<p>Isso quer dizer que o eu lírico recomenda que se busque uma arte simples e sincera, que não se valha de artifícios para simular algo falso: a arte deve estar em harmonia com a verdade interior do artista.</p>
<p><em>A um poeta</em>, portanto, é uma <strong>exortação à dedicação, ao trabalho duro e à busca da simplicidade na arte poética</strong>.</p>
<h3>Sobre Olavo Bilac</h3>
<p>Olavo Bilac nasceu no Rio de Janeiro em 16 de dezembro de 1865.</p>
<p>Após os estudos primários e secundários, matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, deixando-a no 4º ano.</p>
<p>Seguiu para São Paulo, onde ingressou no curso de direito, abandonando-o também para dedicar-se integralmente ao jornalismo e à literatura.</p>
<p>Participou da fundação de vários jornais, como A Cigarra, A Rua e O Meio. Trabalhou durante muitos anos no jornal Gazeta de Notícias, escrevendo especialmente artigos sobre política.</p>
<p>Sua intensa atividade jornalística nos primeiros anos de república garantiu-lhe a perseguição do ditador Floriano Peixoto, o que o obrigou a se esconder em Minas Gerais.</p>
<p>Em 1891, foi nomeado oficial da Secretária do Interior do Estado do Rio.</p>
<p>Em 1907, exerceu o cargo de secretário do prefeito do Distrito Federal.</p>
<p>Foi um dos fundadores da <a href="https://www.academia.org.br/academicos/olavo-bilac" target="_blank" rel="noopener">Academia Brasileira de Letras</a> e ocupou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.</p>
<p>Faleceu, no Rio de Janeiro, em 28 de dezembro de 1918.</p>
<h4>Obras de Olavo Bilac</h4>
<ul>
<li><em>Poesias (1888)</em></li>
<li><em>Crônicas e novelas (1894)</em></li>
<li><em>Sagres (1898)</em></li>
<li><em>Crítica e fantasia (1904)</em></li>
<li><em>Poesias infantis (1904)</em></li>
<li><em>Conferências literárias (1906)</em></li>
<li><em>Tratado de versificação, com Guimarães Passos (1910)</em></li>
<li><em>Dicionário de rimas (1913)</em></li>
<li><em>Ironia e piedade (1916)</em></li>
<li><em>Tarde (1919)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa análise do poema <i>A um poeta</i>, de Olavo Bilac.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de conferir o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-inscricao-na-areia-cecilia-meireles/">Inscrição na areia, de Cecília Meireles</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Poema Inscrição na areia, de Cecília Meireles (com análise)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poema-inscricao-na-areia-cecilia-meireles/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poema-inscricao-na-areia-cecilia-meireles</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Nov 2023 14:32:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[análise de poemas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=2449</guid>

					<description><![CDATA[Conhe&#231;a o poema Inscri&#231;&#227;o na areia, de Cec&#237;lia Meireles, e confira nossa an&#225;lise! Inscri&#231;&#227;o na areia &#233; um poema escrito pela poetisa brasileira Cec&#237;lia Meireles, que est&#225; dispon&#237;vel em seu livro Vaga m&#250;sica (1942). Este &#233; um poema bem conhecido de Cec&#237;lia, que consegue expressar em pouqu&#237;ssimos versos um lamento proveniente de uma desilus&#227;o amorosa.&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poema-inscricao-na-areia-cecilia-meireles/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Poema Inscrição na areia, de Cecília Meireles (com análise)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Conheça o poema Inscrição na areia, de Cecília Meireles, e confira nossa análise!</em></span></p>
<p><i>Inscrição na areia </i>é um poema escrito pela poetisa brasileira Cecília Meireles, que está disponível em seu livro <i>Vaga música (1942)</i>.</p>
<p>Este é um poema bem conhecido de Cecília, que consegue expressar em pouquíssimos versos um lamento proveniente de uma desilusão amorosa.</p>
<p>Dito isso, preparamos esse texto para que você conheça <em>Inscrição na areia</em>, de Cecília Meireles. Em seguida, você poderá conferir nossa análise do poema.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Inscrição na areia, de Cecília Meireles</h2>
<blockquote><p>O meu amor não tem<br />
importância nenhuma.<br />
Não tem o peso nem<br />
de uma rosa de espuma!</p>
<p>Desfolha-se por quem?<br />
Para quem se perfuma?</p>
<p>O meu amor não tem<br />
importância nenhuma.</p></blockquote>
<h3>Análise do poema</h3>
<ul>
<li><strong>Tipo de verso:</strong> <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-hexassilabo-caracteristicas-exemplos/">hexassílabo</a> rimado</li>
<li><strong>Número e tipo de estrofes:</strong> 3 estrofes: 1 <a href="https://comofazerumpoema.com/quadra-quarteto-caracteristicas-exemplos/">quadra</a> e 2 <a href="https://comofazerumpoema.com/distico-caracteristicas-exemplos/">dísticos</a></li>
<li><strong>Número de versos:</strong> 8 versos</li>
</ul>
<p><i>Inscrição na areia </i>é um poema construído em hexassílabos rimados, portanto, é um poema que utiliza <a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">metrificação</a> e <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-rima-e-como-rimar-um-poema-poesia/">rima</a>.</p>
<p>O poema pertence ao <a href="https://comofazerumpoema.com/poesia-lirica-o-que-e-caracteristicas-tipos/">gênero lírico</a> e expressa, em resumo, uma desilusão amorosa.</p>
<h4>Estrutura do poema</h4>
<p><i>Inscrição na areia </i>possui 8 versos divididos em uma quadra (ou quarteto) e dois dísticos.</p>
<p>Os versos são <strong>hexassílabos</strong>, isto é, são versos metrificados que apresentam, cada um deles, seis sílabas poéticas.</p>
<p>As rimas utilizadas são rimas que chamamos <strong>cruzadas, alternadas, ou entrelaçadas</strong>, ou seja, apresentam-se alternadamente conforme o esquema <em>abab ab ab.</em></p>
<p>Assim como se alternam as rimas, alterna-se o ritmo dos versos apresentando acentuação ora na segunda, ora na terceira sílaba.</p>
<h3>Sentido do poema</h3>
<p><i>Inscrição na areia </i>é um poema lírico que<strong> expressa, em suma, uma desilusão amorosa</strong>.</p>
<p>Este poema é interessante por ser muito expressivo e atingir um grande efeito em pouquíssimos versos.</p>
<p>O sentimento expresso pelo poema começa a sê-lo pelo título &#8220;Inscrição na areia&#8221;, que sugere <strong>uma inscrição transitória</strong>, que será provavelmente desfeita e apagada pelo vento.</p>
<p>Também há de se notar o cunho artístico, pessoal de tal inscrição.</p>
<p>Assim é a primeira estrofe:</p>
<blockquote><p>O meu amor não tem<br />
importância nenhuma.<br />
Não tem o peso nem<br />
de uma rosa de espuma!</p></blockquote>
<p>Esta quadra é a expressão de um lamento para com o amor experimentado pelo eu lírico, que diz este não ter importância como <strong>visando desiludir-se</strong>.</p>
<p>Quando exclama seu amor não ter &#8220;o peso nem de uma rosa de espuma&#8221;, quer ele sugerir ser um amor insignificante, que carece de &#8220;peso&#8221; e solidez.</p>
<blockquote><p>Desfolha-se por quem?<br />
Para quem se perfuma?</p></blockquote>
<p>Aqui, é levantado o questionamento de para quem o seu amor é dirigido.</p>
<p>Nós, que lemos o poema, ficamos na expectativa de que tal nos será revelado a seguir.</p>
<p>O eu lírico, contudo, encerra o poema com o seguinte dístico:</p>
<blockquote><p>O meu amor não tem<br />
importância nenhuma.</p></blockquote>
<p>Estes versos, que são a repetição daqueles que abrem o poema, em primeiro lugar, <strong>reforçam o lamento expresso</strong> pelo eu lírico.</p>
<p>Eles surtem, também, um efeito interessante: se no dístico anterior ficamos com a expectativa de uma revelação, aqui ela é frustrada.</p>
<p>A sensação que ficamos é de que o próprio eu lírico <strong>hesitou entre revelar e ocultar</strong> a nós o objeto de seu amor, algo característico daquele que tem a razão perturbada por este sentimento, e sente-se chacoalhado por emoções conflitantes.</p>
<p>Optando por ocultá-lo, o eu lírico <strong>reafirma o seu intento de desiludir-se</strong>.</p>
<p><em>Inscrição na areia</em>, portanto, é um poema que, em poucos versos, expressa o estado de espírito de alguém acometido por uma paixão.</p>
<h3>Sobre Cecília Meireles</h3>
<p>Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de novembro de 1901 e morreu, na mesma cidade, em 9 de novembro de 1964.</p>
<p>Nascida órfã de pai, perdeu a mãe aos três anos e, por isso, foi criada por sua avó portuguesa, Dona Jacinta, natural da ilha dos Açores.</p>
<p>Desde pequena, Cecília recebeu educação religiosa e demonstrou grande interesse pela literatura. Tornou-se professora muito cedo, quando já compunha poemas.</p>
<p>O interesse de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cec%C3%ADlia_Meireles" target="_blank" rel="noopener">Cecília Meireles</a> pela educação fê-la fundar a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, em 1934.</p>
<p>Aos 21 anos, casou-se com o pintor português Fernando Correia Dias, que veio a suicidar-se em 1936.</p>
<p>Cinco anos após este evento dramático, Cecília casa-se novamente, desta vez com o engenheiro agrônomo Heitor Vinícius de Silveira Grilo.</p>
<p>Em 1939, Cecília publica <em>Viagem</em>, livro que rapidamente encantou leitores e acadêmicos, dando-lhe grande reconhecimento e o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras.</p>
<p>No dia 9 de novembro de 1964, com 63 anos, Cecília faleceu, vítima de câncer, no Rio de Janeiro.</p>
<h4>Obras de Cecília Meireles</h4>
<ul>
<li><em>Espectros (1919)</em></li>
<li><em>Criança, meu amor (1923)</em></li>
<li><em>Nunca mais (1923)</em></li>
<li><em>Poema dos poemas (1923)</em></li>
<li><em>Baladas para el-rei (1925)</em></li>
<li><em>O espírito vitorioso (1929)</em></li>
<li><em>Saudação à menina de Portugal (1930)</em></li>
<li><em>Batuque, samba e macumba (1933)</em></li>
<li><em>A festa das letras (1937)</em></li>
<li><em>Viagem (1939)</em></li>
<li><em>Olhinhos de gato (1940)</em></li>
<li><em>Vaga música (1942)</em></li>
<li><em>Mar absoluto (1945)</em></li>
<li><em>Rute e Alberto (1945)</em></li>
<li><em>Rui: pequena história de uma grande vida (1948)</em></li>
<li><em>Retrato natural (1949)</em></li>
<li><em>Problemas de literatura infantil (1950)</em></li>
<li><em>Amor em Leonoreta (1952)</em></li>
<li><em>Doze noturnos da Holanda e O aeronauta (1952)</em></li>
<li><em>Romanceiro da Inconfidência (1953)</em></li>
<li><em>Poemas escritos na Índia (1953)</em></li>
<li><em>Pequeno oratório de Santa Clara (1955)</em></li>
<li><em>Pistoia, cemitério militar brasileiro (1955)</em></li>
<li><em>Panorama folclórico de Açores (1955)</em></li>
<li><em>Canções (1956)</em></li>
<li><em>Giroflê, giroflá (1956).</em></li>
<li><em>Romance de Santa Cecília (1957).</em></li>
<li><em>A rosa (1957).</em></li>
<li><em>Metal rosicler (1960)</em></li>
<li><em>Poemas de Israel (1963)</em></li>
<li><em>Solombra (1963)</em></li>
<li><em>Ou isto ou aquilo (1964)</em></li>
<li><em>Escolha o seu sonho (1964)</em></li>
<li><em>Crônica trovada da cidade de Sam Sebastiam (1965)</em></li>
<li><em>O menino atrasado (1966)</em></li>
<li><em>Poemas italianos (1968)</em></li>
<li><em>Flor de poemas (1972)</em></li>
<li><em>Elegias (1974)</em></li>
<li><em>Flores e canções (1979)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa análise do poema <em>Inscrição na areia</em>, de Cecília Meireles.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de conferir o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-a-um-crucifixo-antero-de-quental-poesia/">A um crucifixo, de Antero de Quental</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Poema A um crucifixo, de Antero de Quental (com análise)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poema-a-um-crucifixo-antero-de-quental-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poema-a-um-crucifixo-antero-de-quental-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Nov 2023 15:08:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[análise de poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Conhe&#231;a o poema A um crucifixo, de Antero de Quental, e confira nossa an&#225;lise! A um crucifixo &#233; um poema escrito pelo poeta portugu&#234;s Antero de Quental, publicado originalmente na segunda edi&#231;&#227;o de Odes modernas (1875). Este poema faz uma cr&#237;tica social &#224; humanidade, sugerindo ter sido em v&#227;o o mart&#237;rio de Cristo, posto que&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poema-a-um-crucifixo-antero-de-quental-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Poema A um crucifixo, de Antero de Quental (com análise)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Conheça o poema A um crucifixo, de Antero de Quental, e confira nossa análise!</em></span></p>
<p><i>A um crucifixo </i>é um poema escrito pelo poeta português Antero de Quental, publicado originalmente na segunda edição de <em>Odes modernas (1875)</em>.</p>
<p>Este poema faz uma crítica social à humanidade, sugerindo ter sido em vão o martírio de Cristo, posto que este não foi suficiente para mudá-la.</p>
<p>Dito isso, preparamos esse texto para que você conheça o poema <em>A um crucifixo</em>, de Antero de Quental. Em seguida, você poderá conferir nossa análise.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>A um crucifixo, de Antero de Quental</h2>
<blockquote><p>Há mil anos, bom Cristo, ergueste os magros braços<br />
E clamaste da cruz: há Deus! e olhaste, ó crente,<br />
O horizonte futuro e viste, em tua mente,<br />
Um alvor ideal banhar esses espaços!</p>
<p>Porque morreu sem eco o eco de teus passos,<br />
E de tua palavra (ó Verbo!) o som fremente?<br />
Morreste… ah! dorme em paz! não volvas, que descrente<br />
Arrojaras de novo à campa os membros lassos…</p>
<p>Agora, como então, na mesma terra erma,<br />
A mesma humanidade é sempre a mesma enferma,<br />
Sob o mesmo ermo céu, frio como um sudário…</p>
<p>E agora, como então, viras o mundo exangue,<br />
E ouviras perguntar — de que serviu o sangue<br />
Com que regaste, ó Cristo, as urzes do Calvário? —</p></blockquote>
<h3>Análise do poema</h3>
<ul>
<li><strong>Tipo de verso:</strong> <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-dodecassilabo-caracteristicas-exemplos/">dodecassílabo</a> rimado (<a href="https://comofazerumpoema.com/verso-alexandrino-caracteristicas-exemplos/">alexandrino</a>)</li>
<li><strong>Número e tipo de estrofes:</strong> 4 estrofes: 2 <a href="https://comofazerumpoema.com/quadra-quarteto-caracteristicas-exemplos/">quadras</a> e 2 <a href="https://comofazerumpoema.com/terceto-caracteristicas-exemplos/">tercetos </a>(soneto)</li>
<li><strong>Número de versos:</strong> 14 versos</li>
</ul>
<p><em>A um crucifixo </em>é um soneto construído em dodecassílabos rimados, portanto, é um poema que utiliza <a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">metrificação</a> e <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-rima-e-como-rimar-um-poema-poesia/">rima</a>.</p>
<p>O poema resume uma profunda crítica social direcionada à humanidade.</p>
<h4>Estrutura do poema</h4>
<p><i>A um crucifixo </i>é um <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-soneto-tipos-caracteristicas-exemplos/">soneto</a>, portanto, possui 14 versos divididos em 4 estrofes, sendo elas duas quadras e dois tercetos.</p>
<p>Os versos são <strong>dodecassílabos</strong>, ou seja, apresentam, cada um deles, doze sílabas poéticas, verso que é comumente chamado<strong> alexandrino</strong>.</p>
<p>As quadras apresentam rimas que chamamos <strong>enlaçadas</strong>, isto é, rimam em parelha dois versos entre dois outros que também rimam, conforme o esquema <em>abba</em>.</p>
<p>Os tercetos apresentam-se conforme o esquema <em>ccd eed</em>.</p>
<p>O <strong>verso alexandrino clássico</strong> apresenta uma regra de acentuação observada em todos os versos deste poema: sua sexta sílaba é, obrigatoriamente, acentuada, e deve constar tal acento em palavra grave ou aguda; se grave, a palavra deve terminar em vogal que se elida na palavra seguinte.</p>
<h4>Sentido do poema</h4>
<p><i>A um crucifixo </i>é um poema que <strong>lamenta o estado de permanente degeneração da humanidade</strong>.</p>
<p>O poema é dirigido a Jesus Cristo (simbolizado por um crucifixo), como se nota já no título e também na primeira estrofe:</p>
<blockquote><p>Há mil anos, bom Cristo, ergueste os magros braços<br />
E clamaste da cruz: há Deus! e olhaste, ó crente,<br />
O horizonte futuro e viste, em tua mente,<br />
Um alvor ideal banhar esses espaços!</p></blockquote>
<p>Estes versos, em suma, querem dizer que Cristo, quando estava na terra, lançou um olhar esperançoso para o futuro da humanidade.</p>
<p>Cristo enxergou, diz o eu lírico, &#8220;um alvor ideal&#8221; banhá-la futuramente, como se acreditasse que seu exemplo iria iluminá-la.</p>
<blockquote><p>Porque morreu sem eco o eco de teus passos,<br />
E de tua palavra (ó Verbo!) o som fremente?<br />
Morreste… ah! dorme em paz! não volvas, que descrente<br />
Arrojaras de novo à campa os membros lassos…</p></blockquote>
<p>Já nesta segunda quadra, <strong>a visão de Cristo apresentada na estrofe anterior é refutada com questionamentos</strong>.</p>
<p>O eu lírico diz ter morrido &#8220;sem eco&#8221; o eco dos passos e da palavra de Cristo, sugerindo ambos terem sido ignorados pelos homens.</p>
<p>Em seguida, em tom de profundo lamento, o eu lírico diz para que Cristo não desça novamente à terra, sugerindo que, se o fizesse, seria novamente crucificado.</p>
<blockquote><p>Agora, como então, na mesma terra erma,<br />
A mesma humanidade é sempre a mesma enferma,<br />
Sob o mesmo ermo céu, frio como um sudário…</p>
<p>E agora, como então, viras o mundo exangue,<br />
E ouviras perguntar — de que serviu o sangue<br />
Com que regaste, ó Cristo, as urzes do Calvário? —</p></blockquote>
<p>Nestes tercetos, a justificativa para a sugestão da última estrofe é apresentada: Cristo, se retornasse à terra, seria novamente crucificado porque <strong>a humanidade permanece exatamente como era, &#8220;enferma&#8221;</strong>.</p>
<p>Por fim, o eu lírico faz um duro questionamento, insinuando que talvez não serviu de nada o sangue derramado por Cristo, visto que não foi capaz de mudar a humanidade.</p>
<p><em>A um crucifixo</em>, portanto, é um poema que lamenta o fato de que <strong>a humanidade foi incapaz de assimilar e crescer com o exemplo e a palavra de Cristo</strong>.</p>
<h3>Sobre Antero de Quental</h3>
<p>Antero de Quental nasceu em 18 de abril de 1842 em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel, em Portugal.</p>
<p>Era descendente de família nobre, e permaneceu durante a juventude em sua cidade natal, onde cursou os estudos primários e secundários.</p>
<p>Aos 16 anos, deixou a Ilha de São Miguel para ingressar na <a href="https://www.uc.pt/fduc/" target="_blank" rel="noopener">Faculdade de Direito de Coimbra</a>, onde se destacou pelo seu brilhantismo e tornou-se uma referência intelectual para seus colegas, como nos testemunha Eça de Queirós.</p>
<p>Teófilo Braga diz o mesmo no prefácio de <em>Raios de extinta Luz</em>:</p>
<blockquote><p>Antero de Quental vivia entre um grupo de estudantes que o divinizara, considerando-o como um apóstolo, um iniciador da humanidade.</p></blockquote>
<p>Publicou os primeiros sonetos em 1861, em obra intitulada <em>Sonetos de Antero</em>.</p>
<p>A partir de seus anos de universidade, envolveu-se em diversas questões políticas e sociais portuguesas, prestando conferências, publicando na imprensa e, até, participando da fundação do Partido Socialista Português.</p>
<p>Atuando na imprensa, trabalhou como editor da revista <em>O Pensamento Social</em> e fundou o jornal <em>A República</em>.</p>
<p>Foi acometido de tuberculose, nesta época em que a doença era extremamente temida e letal.</p>
<p>A enfermidade fê-lo mudar-se algumas vezes, levando-o finalmente à terra onde nasceu, e onde viria a morrer.</p>
<p>Adotou as duas filhas de seu falecido amigo Germano Meireles, e seus últimos anos foram dedicados à escrita e a educação das meninas.</p>
<p>Conflitos inúmeros, porém, o atormentaram nestes últimos dias, desde familiares a psicológicos, como diz Francisco Moita Flores, em <em>As mortes de Antero de Quental</em>:</p>
<blockquote><p>Pulverizado por tormentos de muitas contendas, orgânica e psicologicamente doente, dilacerado por fortes crises emocionais e místicas, a morte surge-lhe como um triunfo sobre todas as limita­ções. O reduto familiar onde esperava encontrar a tranquilidade de uma velhice calma e branda à espera de uma morte desejada, desmorona­ra-se.</p></blockquote>
<p>Suicidou-se em Ponta Delgada, em 11 de setembro de 1891. &#8220;Era um Gênio e era um Santo&#8221; — disse seu amigo pessoal e grande escritor Eça de Queirós.</p>
<h4>Obras de Antero de Quental</h4>
<ul>
<li><em>Sonetos de Antero (1861)</em></li>
<li><em>Beatrice (1863)</em></li>
<li><em>Fiat lux (1863)</em></li>
<li><em>Odes modernas (1865)</em></li>
<li><em>Bom senso e bom gosto (1865)</em></li>
<li><em>A dignidade das letras e as literaturas oficiais (1865)</em></li>
<li><em>Defesa da Carta encíclica de sua santidade Pio IX (1865)</em></li>
<li><em>Portugal perante a revolução de Espanha (1868)</em></li>
<li><em>Primaveras românticas (1872)</em></li>
<li><em>Considerações sobre a filosofia da história literária portuguesa (1872)</em></li>
<li><em>Tendências novas da poesia contemporânea a prepósito das Radiações da Noite (1874)</em></li>
<li><em>Sonetos (1880)</em></li>
<li><em>A poesia na atualidade (1881)</em></li>
<li><em>Tesouro poético da infância (1883)</em></li>
<li><em>Os sonetos completos de Antero de Quental (1886)</em></li>
<li><em>A filosofia da natureza dos naturistas (1886)</em></li>
<li><em>Tendências gerais da filosofia na segunda metade do século XIX (1890)</em></li>
<li><em>Raios de extinta Luz (1892)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa análise do poema <i>A um crucifixo</i>, de Antero de Quental.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de conferir o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-como-eu-te-amo-goncalves-dias-poesia/">Como eu te amo, de Gonçalves Dias</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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