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	<title>como fazer um poema</title>
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	<description>poesia brasileira e portuguesa</description>
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	<title>como fazer um poema</title>
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		<title>Poema O canto do Piaga, de Gonçalves Dias (com análise)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Oct 2024 20:45:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[análise de poemas]]></category>
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					<description><![CDATA[Conhe&#231;a o poema O canto do Piaga, de Gon&#231;alves Dias, e confira nossa an&#225;lise! O canto do Piaga &#233; um poema do brasileiro Gon&#231;alves Dias, dispon&#237;vel em sua obra de estreia, Primeiros cantos (1846). Este &#233; um dos poemas mais emblem&#225;ticos do indianismo n&#227;o somente de Gon&#231;alves Dias, mas do movimento que ficou conhecido como&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poema-o-canto-do-piaga-goncalves-dias-analise/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Poema O canto do Piaga, de Gonçalves Dias (com análise)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Conheça o poema O canto do Piaga, de Gonçalves Dias, e confira nossa análise!</em></span></p>
<p><em>O canto do Piaga</em> é um poema do brasileiro Gonçalves Dias, disponível em sua obra de estreia, <em>Primeiros cantos (1846)</em>.</p>
<p>Este é um dos poemas mais emblemáticos do indianismo não somente de Gonçalves Dias, mas do movimento que ficou conhecido como Romantismo no Brasil.</p>
<p>A representação da cultura indígena como símbolo da identidade nacional possui muitas nuances, ou temáticas internas.</p>
<p>Em <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-o-canto-do-guerreiro-goncalves-dias/"><em>O canto do Guerreiro</em></a>, por exemplo, o índio é valorizado em seu caráter guerreiro; já aqui, em <em>O canto do Piaga</em>, vemos no índio o caráter espiritual e místico.</p>
<p>Abaixo disponibilizamos o poema <em>O canto do Piaga</em>, de Gonçalves Dias. Em seguida, você poderá conferir nossa análise.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>O canto do Piaga, de Gonçalves Dias</h2>
<blockquote><p>I</p>
<p>Ó guerreiros da Taba sagrada,<br />
Ó guerreiros da Tribo Tupi,<br />
Falam Deuses nos cantos do Piaga,<br />
Ó guerreiros, meus cantos ouvi.</p>
<p>Esta noite — era a lua já morta —<br />
Anhangá me vedava sonhar;<br />
Eis na horrível caverna, que habito,<br />
Rouca voz começou-me a chamar.</p>
<p>Abro os olhos, inquieto, medroso,<br />
Manitôs! que prodígios que vil<br />
Arde o pau de resina fumosa,<br />
Não fui eu, não fui eu, que o acendi!</p>
<p>Eis rebenta a meus pés um fantasma,<br />
Um fantasma d’imensa extensão;<br />
Liso crânio repousa a meu lado,<br />
Feia cobra se enrosca no chão.</p>
<p>O meu sangue gelou-se nas veias,<br />
Todo inteiro — ossos, carnes — tremi,<br />
Frio horror me coou pelos membros,<br />
Frio vento no rosto senti.</p>
<p>Era feio, medonho, tremendo,<br />
Ó guerreiros, o espectro que eu vi.<br />
Falam Deuses nos cantos do Piaga,<br />
Ó guerreiros, meus cantos ouvi!</p>
<p>II</p>
<p>Por que dormes, ó Piaga divino?<br />
Começou-me a Visão a falar,<br />
Por que dormes? O sacro instrumento<br />
De per si já começa a vibrar.</p>
<p>Tu não viste nos céus um negrume<br />
Toda a face do sol ofuscar;<br />
Não ouviste a coruja, de dia,<br />
Seus estrídulos torva soltar?</p>
<p>Tu não viste dos bosques a coma<br />
Sem aragem — vergar-se e gemer,<br />
Nem a lua de fogo entre nuvens,<br />
Qual em vestes de sangue, nascer?</p>
<p>E tu dormes, ó Piaga divino!<br />
E Anhangá te proíbe sonhar!<br />
E tu dormes, ó Piaga, e não sabes,<br />
E não podes augúrios cantar?!</p>
<p>Ouve o anúncio do horrendo fantasma,<br />
Ouve os sons do fiel Maracá;<br />
Manitôs já fugiram da Taba!<br />
Ó desgraça! Ó ruína! Ó Tupá!</p>
<p>III</p>
<p>Pelas ondas do mar sem limites<br />
Basta selva, sem folhas, e vem;<br />
Hartos troncos, robustos, gigantes;<br />
Vossas matas tais monstros contêm.</p>
<p>Traz embira dos cimos pendente<br />
— Brenha espessa de vário cipó —<br />
Dessas brenhas contêm vossas matas,<br />
Tais e quais, mas com folhas; é só!</p>
<p>Negro monstro os sustenta por baixo,<br />
Brancas asas abrindo ao tufão,<br />
Como um bando de cândidas garças,<br />
Que nos ares pairando — lá vão.</p>
<p>Oh! quem foi das entranhas das águas,<br />
O marinho arcabouço arrancar?<br />
Nossas terras demanda, fareja&#8230;<br />
Esse monstro&#8230; — o que vem cá buscar?</p>
<p>Não sabeis o que o monstro procura?<br />
Não sabeis a que vem, o que quer?<br />
Vem matar vossos bravos guerreiros,<br />
Vem roubar-vos a filha, a mulher!</p>
<p>Vem trazer-vos crueza, impiedade &#8211;<br />
Dons cruéis do cruel Anhangá;<br />
Vem quebrar-vos a maça valente,<br />
Profanar Manitôs, Maracás.</p>
<p>Vem trazer-vos algemas pesadas,<br />
Com que a tribo Tupi vai gemer;<br />
Hão-de os velhos servirem de escravos<br />
Mesmo o Piaga inda escravo há de ser?</p>
<p>Fugireis procurando um asilo,<br />
Triste asilo por ínvio sertão;<br />
Anhangá de prazer há de rir-se,<br />
Vendo os vossos quão poucos serão.</p>
<p>Vossos Deuses, ó Piaga, conjura,<br />
Susta as iras do fero Anhangá.<br />
Manitôs já fugiram da Taba,<br />
Ó desgraça! ó ruína! ó Tupá!</p></blockquote>
<h3>Análise do poema</h3>
<ul>
<li><strong>Tipo de verso: </strong><a href="https://comofazerumpoema.com/verso-eneassilabo-caracteristicas-exemplos/">eneassílabo</a> rimado</li>
<li><strong>Número e tipo de estrofes:</strong> 20 estrofes regulares</li>
<li><strong>Número de versos:</strong> 80 versos</li>
</ul>
<p><i>O canto do Piaga </i>é construído em eneassílabos rimados, portanto, é um poema que utiliza <a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">metrificação</a> e <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-rima-e-como-rimar-um-poema-poesia/">rima</a>.</p>
<p>Trata-se de um <a href="https://comofazerumpoema.com/poesia-lirica-o-que-e-caracteristicas-tipos/">poema lírico</a> em que o sujeito poético relata uma visão que teve e a angústia nela contida.</p>
<h4>Estrutura do poema</h4>
<p><i>O canto do Piaga </i>possui 80 versos divididos vinte quadras (ou quartetos).</p>
<p>O poema é dividido em três partes, tendo a primeira delas 6 quadras, a segunda 5 e a terceira 9.</p>
<p>Os versos são <strong>eneassílabos</strong>, isto é, são versos que possuem, cada um deles, nove sílabas poéticas.</p>
<p>Todas as quadras apresentam o esquema rímico <em>abcb</em>, ou seja, o segundo verso rima com o quarto, e o primeiro e terceiro não rimam.</p>
<p>Quanto ao ritmo, os versos apresentam-se com o esquema acentual básico 3-6-9, em movimento <a href="https://comofazerumpoema.com/anapesto-o-que-e-caracteristicas-exemplos/">anapéstico </a>(– – ~), isto é, a terceira, sexta e nona sílaba do verso são sempre acentuadas.</p>
<p>A acentuação fixa nestas três sílabas sobressai-se de maneira que, às vezes, encontramos uma ou outra sílaba naturalmente forte fora destas posições que soa como fraca, em razão do ritmo do poema.</p>
<p>A primeira sílaba, de praxe, pode vir fraca ou acentuada, não alterando o movimento que se impõe.</p>
<h4>Sentido do poema</h4>
<p><em>O canto do Piaga</em> é um poema que <strong>aborda angústia, história e misticismo</strong>.</p>
<p>Não há dificuldades quanto à sua interpretação, embora seja necessário conhecer o sentido de algumas palavras e sua importância dentro da cultura indígena.</p>
<p>De início, piaga: numa tribo indígena, <strong>o piaga, ou pajé, é o chefe espiritual</strong>, é aquele que atua como intermediário entre o mundo espiritual e o terrestre, tal como um sacerdote.</p>
<p>Há quem diga que &#8220;piaga&#8221; tenha sido um neologismo intencional de Gonçalves Dias, que o empregou mesmo tendo conhecimento do termo pajé, mais comum e conhecido.</p>
<p>Seja como for, o piaga é a figura central deste poema, que assim se inicia:</p>
<blockquote><p>Ó guerreiros da Taba sagrada,<br />
Ó guerreiros da Tribo Tupi,<br />
Falam Deuses nos cantos do Piaga,<br />
Ó guerreiros, meus cantos ouvi.</p>
<p>Esta noite — era a lua já morta —<br />
Anhangá me vedava sonhar;<br />
Eis na horrível caverna, que habito,<br />
Rouca voz começou-me a chamar.</p></blockquote>
<p>Já percebemos, aqui, o cerne e o tom que percorrerá o poema: <strong>o piaga dirige-se a membros de sua tribo, relatando uma visão que teve</strong>, que encerrou uma espécie de premonição.</p>
<p>Aqui, também, percebemos que é introduzido o nome de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Anhang%C3%A1" target="_blank" rel="noopener">Anhangá</a>.</p>
<p>Anhangá é um espírito de manifestações diversas na cultura indígena brasileira; neste poema, <strong>é retratado como uma entidade cruel e medonha</strong>, que &#8220;veda&#8221; o sonho do piaga e proporciona-lhe uma visão terrífica.</p>
<p>O poema, como está dito, é dividido em três partes, que secionam também o seu sentido.</p>
<p>Na primeira parte, o piaga descreve a sua visão aterrorizante, na qual um fantasma de &#8220;imensa extensão&#8221; lhe aparece. Sua reação é assim descrita:</p>
<blockquote><p>O meu sangue gelou-se nas veias,<br />
Todo inteiro — ossos, carnes — tremi,<br />
Frio horror me coou pelos membros,<br />
Frio vento no rosto senti.</p></blockquote>
<p>Após descrita a visão, assim começa a segunda parte:</p>
<blockquote><p>Por que dormes, ó Piaga divino?<br />
Começou-me a Visão a falar,<br />
Por que dormes? O sacro instrumento<br />
De per si já começa a vibrar.</p></blockquote>
<p>Aqui, <strong>é o espectro que se dirige ao piaga</strong>, censurando-o por &#8220;dormir&#8221;, ou seja, por não agir perante os sinais de uma ameaça iminente.</p>
<p>O espectro, durante esta segunda parte, <strong>explicita os vários sinais que foram enviados ao piaga</strong> através dos céus, do sol, dos bosques, e de uma coruja, sinais não percebidos pelo piaga, cuja função de líder espiritual envolve justamente percebê-los.</p>
<p>Na terceira parte do poema, ainda é o mesmo fantasma que se manifesta; agora, prenunciando a chegada de um &#8220;monstro&#8221;, e relatando a destruição que este monstro trará.</p>
<p>Tal monstro, enviado por Anhangá, é associado ao colonizador europeu, que será responsável por destruir a ordem natural e espiritual da tribo.</p>
<p>Aqui, pois, <strong>é conferido um elemento histórico</strong> ao poema.</p>
<p>Diante do &#8220;monstro&#8221;, as exclamações repetidas são a reação que resumem a premonição:</p>
<blockquote><p>Ó desgraça! ó ruína! ó Tupá!</p></blockquote>
<p>Se Anhangá, neste poema, está associado ao infortúnio, a voz do prenúncio apela a Tupá (ou Tupã), divindade suprema da cultura tupi.</p>
<p>Assim, <em>O canto do Piaga</em> é um poema que <strong>retrata o medo e a inquietação do piaga diante de uma ameaça iminente</strong>, transmitida a ele por meios sobrenaturais.</p>
<h3>Sobre Gonçalves Dias</h3>
<p>Gonçalves Dias nasceu em 10 de agosto de 1823, no Maranhão.</p>
<p>Filho de um comerciante português com uma mestiça, teve sua primeira educação ministrada por um professor particular.</p>
<p>Em 1838 saiu do Brasil a Portugal para dar continuidade a seus estudos, formando-se em Direito pela <a href="https://www.uc.pt/" target="_blank" rel="noopener">Universidade de Coimbra</a>.</p>
<p>Em Portugal, conheceu grandes nomes da literatura portuguesa, especialmente os românticos Alexandre Herculano e Almeida Garrett, que muito o influenciaram.</p>
<p>No Brasil, seria Gonçalves Dias a figura central do que ficou conhecido como a primeira fase do romantismo brasileiro.</p>
<p>Após formado em Direito, retornou ao Brasil e fixou residência no Rio de Janeiro.</p>
<p>Nesta cidade, passou a publicar com maior frequência e atuou como professor de latim e história do Brasil no Colégio Pedro II que, na época, era o mais renomado do país.</p>
<p>Faleceu em 3 de novembro de 1864, com apenas 41 anos.</p>
<h4>Obras de Gonçalves Dias</h4>
<ul>
<li><em>Primeiros cantos (1846)</em></li>
<li><em>Leonor de Mendonça (1847)</em></li>
<li><em>Segundos cantos e Sextilhas de Frei Antão (1848)</em></li>
<li><em>Últimos cantos (1851)</em></li>
<li><em>Cantos (1857)</em></li>
<li><em>Os Timbiras (1857)</em></li>
<li><em>Dicionário da língua tupi (1858)</em></li>
<li><em>Obras póstumas (1868-69)</em></li>
<li><em>Obras poéticas (1944)</em></li>
<li><em>Poesias completas e prosa escolhida (1959)</em></li>
<li><em>Teatro completo (1979)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa análise do poema <em>O canto do Piaga</em>, de Gonçalves Dias.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-lingua-portuguesa-olavo-bilac-analise/">Língua portuguesa, de Olavo Bilac</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Poema Língua portuguesa, de Olavo Bilac (com análise)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poema-lingua-portuguesa-olavo-bilac-analise/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poema-lingua-portuguesa-olavo-bilac-analise</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Aug 2024 17:20:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[análise de poemas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=3469</guid>

					<description><![CDATA[Conhe&#231;a o poema L&#237;ngua portuguesa, de Olavo Bilac, e confira nossa an&#225;lise! L&#237;ngua portuguesa &#233; um poema escrito pelo poeta brasileiro Olavo Bilac, que est&#225; dispon&#237;vel em Tarde (1919). Estes est&#227;o entre os versos mais c&#233;lebres de nossa l&#237;ngua, a qual por eles ganhou o ep&#237;teto de &#8220;&#250;ltima flor do L&#225;cio&#8221;. Resumidamente, o poema &#233;&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poema-lingua-portuguesa-olavo-bilac-analise/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Poema Língua portuguesa, de Olavo Bilac (com análise)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Conheça o poema Língua portuguesa, de Olavo Bilac, e confira nossa análise!</em></span></p>
<p><i>Língua portuguesa </i>é um poema escrito pelo poeta brasileiro Olavo Bilac, que está disponível em <em>Tarde (1919)</em>.</p>
<p>Estes estão entre os versos mais célebres de nossa língua, a qual por eles ganhou o epíteto de &#8220;última flor do Lácio&#8221;.</p>
<p>Resumidamente, o poema é um elogio e uma celebração das qualidades da língua portuguesa.</p>
<p>Dito isso, preparamos esse texto para que você conheça poema <em>Língua portuguesa</em>, de Olavo Bilac. Em seguida, você poderá conferir nossa análise.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Língua portuguesa, de Olavo Bilac</h2>
<blockquote><p>Última flor do Lácio, inculta e bela,<br />
És, a um tempo, esplendor e sepultura:<br />
Ouro nativo, que na ganga impura<br />
A bruta mina entre os cascalhos vela&#8230;</p>
<p>Amo-te assim, desconhecida e obscura,<br />
Tuba de alto clangor, lira singela,<br />
Que tens o trom e o silvo da procela,<br />
E o arrolo da saudade e da ternura!</p>
<p>Amo o teu viço agreste e o teu aroma<br />
De virgens selvas e de oceano largo!<br />
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,</p>
<p>Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”<br />
E em que Camões chorou, no exílio amargo,<br />
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!</p></blockquote>
<h3>Análise do poema</h3>
<ul>
<li><strong>Tipo de verso:</strong> <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-decassilabo-caracteristicas-exemplos/">decassílabo</a> rimado</li>
<li><strong>Número e tipo de estrofes:</strong> 4 estrofes: 2 <a href="https://comofazerumpoema.com/quadra-quarteto-caracteristicas-exemplos/">quadras</a> e 2 <a href="https://comofazerumpoema.com/terceto-caracteristicas-exemplos/">tercetos </a>(soneto)</li>
<li><strong>Número de versos:</strong> 14 versos</li>
</ul>
<p><em>Língua portuguesa</em><i> </i>é um soneto construído em decassílabos rimados, portanto, é um poema que utiliza <a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">metrificação</a> e <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-rima-e-como-rimar-um-poema-poesia/">rima</a>.</p>
<h4>Estrutura do poema</h4>
<p><i>Línguq portuguesa </i>é um <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-soneto-tipos-caracteristicas-exemplos/">soneto</a>, portanto, possui 14 versos divididos em 4 estrofes, sendo elas duas quadras e dois tercetos.</p>
<p>Poderíamos classificar este poema como tradicional quanto à disposição das estrofes, posto que apresenta duas quadras e dois tercetos, possuindo aquelas duas rimas e estes três.</p>
<p>Há, porém, um detalhe que o diferencia dos sonetos tradicionais, e consiste na inversão operada nas rimas das quadras: embora ambas apresentem rimas que chamamos <strong>enlaçadas</strong>, a primeira quadra rima conforme o esquema <em>abba</em>, já a segunda conforme o esquema <em>baab</em></p>
<p>Os tercetos apresentam-se conforme o esquema <em>cdc ede</em>.</p>
<p>Quanto ao ritmo, todos os versos apresentam ou acentuação na sexta sílaba, conforme o padrão que chamamos <strong>decassílabo <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-heroico-caracteristicas-exemplos/">heroico</a></strong>, ou acentuação na quarta e oitava, conforme o padrão que chamamos <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-safico-caracteristicas-exemplos/"><strong>sáfico</strong></a>.</p>
<h4>Sentido do poema</h4>
<p><i>Língua portuguesa </i>é, resumidamente, <strong>um elogio à língua portuguesa</strong>.</p>
<p>Este poema, contudo, é interessante por motivos que vão muito além dos clichês patrióticos.</p>
<p>Assim é a primeira estrofe:</p>
<blockquote><p>Última flor do Lácio, inculta e bela,<br />
És, a um tempo, esplendor e sepultura:<br />
Ouro nativo, que na ganga impura<br />
A bruta mina entre os cascalhos vela&#8230;</p></blockquote>
<p>O poema é aberto com uma demonstração do gênio poético de Bilac que, referindo-se à língua portuguesa como &#8220;última flor do Lácio&#8221;, conferiu a ela um epíteto da qual ela nunca mais se separou.</p>
<p>Este singular epíteto é curioso porque sintetiza, além de um elogio (&#8220;flor&#8221;), a formação histórica da língua.</p>
<p>&#8220;Última flor do Lácio&#8221; faz referência ao fato de que a língua portuguesa foi a última língua formada a partir do latim vulgar falado na região italiana do Lácio.</p>
<p>O adjetivo &#8220;inculta&#8221;, empregado logo em seguida, não possui tom depreciativo, mas refere-se ao fato de que <strong>a língua originou-se do latim vulgar</strong>, falado nas ruas, e não do latim clássico, empregado nas obras literárias.</p>
<p>O segundo verso, através de &#8220;esplendor e sepultura&#8221;, demonstra que a ascensão da língua portuguesa deu-se concomitantemente ao desuso do latim.</p>
<p>O poema prossegue com um elogio à expressividade da língua, que pode representar desde uma &#8220;tuba de alto clangor&#8221; até uma &#8220;lira singela&#8221; ou o &#8220;arrolo da saudade e da ternura&#8221;.</p>
<p>No primeiro terceto, a língua é comparada a &#8220;virgens selvas&#8221; e ao &#8220;oceano largo&#8221;, o que destaca, primeiro, o seu caráter de idioma jovem, ainda não trabalhado (reforçado pelo adjetivo &#8220;rude&#8221;) e, em segundo lugar, a sua gama imensa de possibilidades.</p>
<p>O poema é finalizado de maneira comovente:</p>
<blockquote><p>Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”<br />
E em que Camões chorou, no exílio amargo,<br />
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!</p></blockquote>
<p>No primeiro verso, vemos que o eu lírico <strong>associa o idioma à sua recordação mais tenra, antiga e profunda</strong>: a voz materna, que simboliza o amor, dizendo &#8220;meu filho&#8221;.</p>
<p>Em seguida, diz a língua ter sido veículo de expressão (e consolo) das dores sofridas por Camões.</p>
<p>Todas essas qualidades singulares, em suma, servem para pintar o idioma como detentor de uma vasta gama de possibilidades além de, como fica evidente, expressar a conexão íntima e pessoal travada com o eu lírico.</p>
<p><em>Língua portuguesa</em>, portanto, é um poema que <strong>exalta a singularidade, a beleza e a força do português</strong>.</p>
<h3>Sobre Olavo Bilac</h3>
<p>Olavo Bilac nasceu no Rio de Janeiro em 16 de dezembro de 1865.</p>
<p>Após os estudos primários e secundários, matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, deixando-a no 4º ano.</p>
<p>Seguiu para São Paulo, onde ingressou no curso de direito, abandonando-o também para dedicar-se integralmente ao jornalismo e à literatura.</p>
<p>Participou da fundação de vários jornais, como A Cigarra, A Rua e O Meio. Trabalhou durante muitos anos no jornal Gazeta de Notícias, escrevendo especialmente artigos sobre política.</p>
<p>Sua intensa atividade jornalística nos primeiros anos de república garantiu-lhe a perseguição do ditador Floriano Peixoto, o que o obrigou a se esconder em Minas Gerais.</p>
<p>Em 1891, foi nomeado oficial da Secretária do Interior do Estado do Rio.</p>
<p>Em 1907, exerceu o cargo de secretário do prefeito do Distrito Federal.</p>
<p>Foi um dos fundadores da <a href="https://www.academia.org.br/academicos/olavo-bilac" target="_blank" rel="noopener">Academia Brasileira de Letras</a> e ocupou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.</p>
<p>Faleceu, no Rio de Janeiro, em 28 de dezembro de 1918.</p>
<h4>Obras de Olavo Bilac</h4>
<ul>
<li><em>Poesias (1888)</em></li>
<li><em>Crônicas e novelas (1894)</em></li>
<li><em>Sagres (1898)</em></li>
<li><em>Crítica e fantasia (1904)</em></li>
<li><em>Poesias infantis (1904)</em></li>
<li><em>Conferências literárias (1906)</em></li>
<li><em>Tratado de versificação, com Guimarães Passos (1910)</em></li>
<li><em>Dicionário de rimas (1913)</em></li>
<li><em>Ironia e piedade (1916)</em></li>
<li><em>Tarde (1919)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa análise do poema <em>Língua portuguesa</em>, de Olavo Bilac.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de conferir o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-circulo-vicioso-machado-de-assis/">Círculo vicioso, de Machado de Assis</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Poema Círculo vicioso, de Machado de Assis (com análise)</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poema-circulo-vicioso-machado-de-assis/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poema-circulo-vicioso-machado-de-assis</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Aug 2024 14:36:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[análise de poemas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=3461</guid>

					<description><![CDATA[Conhe&#231;a o poema C&#237;rculo vicioso, de Machado de Assis, e confira nossa an&#225;lise! C&#237;rculo vicioso &#233; um poema escrito pelo escritor e poeta brasileiro Machado de Assis, dispon&#237;vel em Poesias completas (1901). Este poema retrata a insatisfa&#231;&#227;o generalizada e permanente observada neste mundo. Dito isso, preparamos esse texto para que voc&#234; conhe&#231;a o poema C&#237;rculo&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poema-circulo-vicioso-machado-de-assis/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Poema Círculo vicioso, de Machado de Assis (com análise)</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Conheça o poema Círculo vicioso, de Machado de Assis, e confira nossa análise!</em></span></p>
<p><i>Círculo vicioso </i>é um poema escrito pelo escritor e poeta brasileiro Machado de Assis, disponível em <em>Poesias completas (1901)</em>.</p>
<p>Este poema retrata a insatisfação generalizada e permanente observada neste mundo.</p>
<p>Dito isso, preparamos esse texto para que você conheça o poema <i>Círculo vicioso</i>, de Machado de Assis. Em seguida, você poderá conferir nossa análise.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Círculo vicioso, de Machado de Assis</h2>
<blockquote><p>Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:<br />
— “Quem me dera que fosse aquela loura estrela,<br />
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”<br />
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:</p>
<p>— “Pudesse eu copiar o transparente lume,<br />
Que, da grega coluna à gótica janela,<br />
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!”<br />
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:</p>
<p>— “Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela<br />
Claridade imortal, que toda a luz resume!”<br />
Mas o sol, inclinando a rútila capela:</p>
<p>— “Pesa-me esta brilhante auréola de nume…<br />
Enfara-me esta azul e desmedida umbela…<br />
Por que não nasci eu um simples vaga-lume?”</p></blockquote>
<h3>Análise do poema</h3>
<ul>
<li><strong>Tipo de verso:</strong> <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-dodecassilabo-caracteristicas-exemplos/">dodecassílabo</a> rimado (<a href="https://comofazerumpoema.com/verso-alexandrino-caracteristicas-exemplos/">alexandrino</a>)</li>
<li><strong>Número e tipo de estrofes:</strong> 4 estrofes: 2 <a href="https://comofazerumpoema.com/quadra-quarteto-caracteristicas-exemplos/">quadras</a> e 2 <a href="https://comofazerumpoema.com/terceto-caracteristicas-exemplos/">tercetos </a>(soneto)</li>
<li><strong>Número de versos:</strong> 14 versos</li>
</ul>
<p><em>Círculo vicioso </em>é um soneto construído em dodecassílabos rimados, portanto, é um poema que utiliza <a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">metrificação</a> e <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-rima-e-como-rimar-um-poema-poesia/">rima</a>.</p>
<p>O poema, sob forma de parábola, resume o caráter permanente da insatisfação no mundo.</p>
<h4>Estrutura do poema</h4>
<p><i>Círculo vicioso </i>é um <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-soneto-tipos-caracteristicas-exemplos/">soneto</a>, portanto, possui 14 versos divididos em 4 estrofes, sendo elas duas quadras e dois tercetos.</p>
<p>Os versos são <strong>dodecassílabos</strong>, ou seja, apresentam, cada um deles, doze sílabas poéticas; este verso é comumente chamado<strong> alexandrino</strong>.</p>
<p>As quadras apresentam rimas que chamamos <strong>enlaçadas</strong>, isto é, rimam em parelha dois versos entre dois outros que também rimam, conforme o esquema <em>abba</em>.</p>
<p>Os tercetos apresentam-se conforme o esquema <em>cdc dcd</em>, repetindo, porém, as rimas das quadras, o que faz com que este soneto seja inteiramente construído sobre duas rimas.</p>
<p>Estes versos enquadram-se no que chamamos <strong>verso alexandrino clássico</strong>, pois apresentam a sexta sílaba sempre acentuada, a qual recai em palavra aguda ou grave; se grave, a palavra é terminada em vogal que faz sinalefa com a primeira sílaba da palavra seguinte.</p>
<h4>Sentido do poema</h4>
<p><i>Círculo vicioso </i>é um poema que <strong>retrata, ironicamente, a insatisfação e a inveja</strong>.</p>
<p>A expressão &#8220;círculo vicioso&#8221; diz respeito a uma sucessão de acontecimentos que se repetem e retornam sempre ao ponto de partida; a maioria das vezes, esta expressão emprega-se com conotação negativa, designando uma situação que não se pode resolver ou da qual não se consegue sair.</p>
<p>O poema começa da seguinte maneira:</p>
<blockquote><p>Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:<br />
— “Quem me dera que fosse aquela loura estrela,<br />
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!”<br />
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:</p></blockquote>
<p>De início, notamos o <strong>emprego da personificação, ou prosopopeia</strong>, uma vez que características humanas (o gemer, o sentir e o pensar) são atribuídas ao vaga-lume.</p>
<p>Este, pois, segundo o poema, &#8220;gemia inquieto&#8221;, e expressa nos versos o sentimento de inveja em relação a uma estrela.</p>
<p>Esta mesma estrela se manifesta na estrofe seguinte:</p>
<blockquote><p>— “Pudesse eu copiar o transparente lume,<br />
Que, da grega coluna à gótica janela,<br />
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela!”<br />
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:</p></blockquote>
<p>O mesmo sentimento experimentado pelo vaga-lume para com a estrela, é agora expresso pela estrela ao fitar a lua.</p>
<p>O último verso, tal como na estrofe anterior, faz uma conexão com a estrofe seguinte, desta vez apresentando as palavras da lua:</p>
<blockquote><p>— “Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela<br />
Claridade imortal, que toda a luz resume!”<br />
Mas o sol, inclinando a rútila capela:</p></blockquote>
<p>Agora, é a invejada lua que expressa sua inveja em relação ao sol que, a seus olhos, possui uma &#8220;claridade imortal&#8221; que lhe falta.</p>
<p>Aqui, cabe notar como fica evidente <strong>a estrutura circular do poema</strong>: cada uma das três primeiras estrofes expressa o desejo individual de um ente, que inveja qualidades de outro.</p>
<p>O último verso, aberto com uma conjunção adversativa (&#8220;mas&#8221;), dá a entender que, apesar das qualidades descritas, o ente invejado se manifestará em sequência.</p>
<p>Desta vez, a manifestação anunciada é do sol:</p>
<blockquote><p>— “Pesa-me esta brilhante auréola de nume…<br />
Enfara-me esta azul e desmedida umbela…<br />
Por que não nasci eu um simples vaga-lume?”</p></blockquote>
<p>O imenso sol, portanto, encerra o poema invejando o pequeno vaga-lume, fechando o &#8220;círculo&#8221; e dando a entender que o processo se iniciaria novamente.</p>
<p>O poema, pois, sutil e ironicamente, insinua que a inveja é algo sem fim, dando razão àquele ditado popular que diz que &#8220;a grama do vizinho é sempre mais verde&#8221;.</p>
<p>Quer dizer, o poema insinua que todos nós inclinamo-nos a dar maior valor àquilo que nos falta do que àquilo que possuímos.</p>
<p><em>Círculo vicioso</em>, assim, emprega uma alegoria para<strong> criticar a inclinação humana para a inveja e para a insatisfação</strong>.</p>
<h3>Sobre Machado de Assis</h3>
<p>Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 21 de junho de 1839.</p>
<p>Filho de um pintor e decorador de paredes com uma imigrante portuguesa, passou a infância e adolescência no bairro do Livramento.</p>
<p>Machado teve uma irmã mais nova, que faleceu em 1845, aos quatro anos. Quando completou dez anos, ficou órfão de mãe.</p>
<p>Mudou-se para São Cristóvão com o pai, que se casou novamente em 1854.</p>
<p>Em 1856, passou a trabalhar como aprendiz de tipógrafo na Tipografia Nacional.</p>
<p>Em 1858, trabalhou como revisor na livraria do jornalista e escritor Paulo Brito.</p>
<p>Pouco depois, trabalhou como crítico teatral, e começou a escrever regularmente para periódicos.</p>
<p>Recebendo, em 1867, o grau de Cavaleiro da Ordem da Rosa de D. Pedro II, foi nomeado ajudante do diretor do Diário Oficial, o que lhe abriu as portas da carreira burocrática.</p>
<p>Casou-se em 1869, com a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais.</p>
<p>Perdurou alternando o serviço público com a carreira literária. Em 1888, recebeu o título de Oficial da Ordem da Rosa.</p>
<p>Foi fundador e presidente da <a href="https://www.academia.org.br/academicos/machado-de-assis/biografia" target="_blank" rel="noopener">Academia Brasileira de Letras</a>, chamada Casa de Machado de Assis durante a sua presidência.</p>
<p>Em 1904, perdeu a esposa, algo que muito o abalou.</p>
<p>Faleceu em 29 de setembro de 1908, no Rio de Janeiro.</p>
<h4>Obras de Machado de Assis</h4>
<ul>
<li><em>Desencantos (1861)</em></li>
<li><em>Teatro (1863)</em></li>
<li><em>Quase ministro (1864)</em></li>
<li><em>Crisálidas (1864)</em></li>
<li><em>Os deuses de casaca (1866)</em></li>
<li><em>Falenas (1870)</em></li>
<li><em>Contos fluminenses (1870)</em></li>
<li><em>Ressurreição (1872)</em></li>
<li><em>Histórias da meia-noite (1873)</em></li>
<li><em>A mão e a luva (1874)</em></li>
<li><em>Americanas (1875)</em></li>
<li><em>Helena (1876)</em></li>
<li><em>Iaiá Garcia (1878)</em></li>
<li><em>Memórias póstumas de Brás Cubas (1881)</em></li>
<li><em>Tu, só tu, puro amor (1881)</em></li>
<li><em>Papéis avulsos (1882)</em></li>
<li><em>Histórias sem data (1884)</em></li>
<li><em>Quincas Borba (1891)</em></li>
<li><em>Várias histórias (1896)</em></li>
<li><em>Páginas recolhidas (1899)</em></li>
<li><em>Dom Casmurro (1899)</em></li>
<li><em>Poesias completas (1901)</em></li>
<li><em>Esaú e Jacó (1904)</em></li>
<li><em>Relíquias de casa velha (1906)</em></li>
<li><em>Memorial de Aires (1908)</em></li>
<li><em>Crítica (1910)</em></li>
<li><em>Outras relíquias (1910)</em></li>
<li><em>Correspondência (1932)</em></li>
<li><em>Crônicas, 4 vols. (1937)</em></li>
<li><em>Crítica literária (1937)</em></li>
<li><em>Casa velha (1944)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa análise do poema <i>Círculo vicioso</i>, de Machado de Assis.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de conferir o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-como-eu-te-amo-goncalves-dias-poesia/">Como eu te amo, de Gonçalves Dias</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
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			</item>
		<item>
		<title>9 poemas de Ricardo Reis, o heterônimo neoclássico pessoano</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-de-ricardo-reis-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-de-ricardo-reis-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Jun 2024 12:31:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poetas portugueses]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=3434</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas de Ricardo Reis, o heter&#244;nimo neocl&#225;ssico de Fernando Pessoa! Ricardo Reis est&#225; entre os heter&#244;nimos mais conhecidos de Fernando Pessoa, e possui um estilo todo particular. Assim diz Fernando Pessoa sobre sua primeira apari&#231;&#227;o: O Dr. Ricardo Reis nasceu dentro da minha alma no dia 29 de Janeiro de&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-ricardo-reis-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">9 poemas de Ricardo Reis, o heterônimo neoclássico pessoano</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas de Ricardo Reis, o heterônimo neoclássico de Fernando Pessoa!</em></span></p>
<p>Ricardo Reis está entre os heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa, e possui um estilo todo particular.</p>
<p>Assim diz Fernando Pessoa sobre sua primeira aparição:</p>
<blockquote><p>O Dr. Ricardo Reis nasceu dentro da minha alma no dia 29 de Janeiro de 1914, pelas 11 horas da noite. Eu estivera ouvindo no dia anterior uma discussão extensa sobre os excessos, especialmente de realização, da arte moderna. Segundo o meu processo de sentir as coisas sem as sentir, fui-me deixando ir na onda dessa reacção momentânea. Quando reparei em que estava pensando, vi que tinha erguido uma teoria neoclássica, e que a ia desenvolvendo. Achei-a bela e calculei interessante se a desenvolvesse segundo princípios que não adopto nem aceito. Ocorreu-me a ideia de a tornar um neoclassicismo «científico» [&#8230;] reagir contra duas correntes — tanto contra o romantismo moderno, como contra o neoclassicismo à Maurras. [&#8230;]</p></blockquote>
<p>Ricardo Reis, conta-nos também Pessoa, era médico, e &#8220;estava frequentemente no Brasil&#8221;.</p>
<p>Quanto à sua poesia, o que a distingue é o já anunciado &#8220;neoclassicismo&#8221;, inspirado especialmente em Horácio, cujas odes eram características por celebrar o <em>carpe diem</em> e a <em>aurea mediocritas</em>.</p>
<p>Além de uma filosofia que assimila epicurismo e estoicismo, o amor é também tema presente nos poemas de Ricardo Reis, o que destaca ainda mais a influência horaciana, para quem o amor surgia atrelado à necessidade de desfrutá-lo judiciosamente.</p>
<p>Dito isso, preparamos uma seleção com 9 poemas de Ricardo Reis para que você possa apreciar o estilo deste heterônimo.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Ricardo Reis</h2>
<h3>Uma após uma as ondas apressadas</h3>
<blockquote><p>Uma após uma as ondas apressadas<br />
Enrolam o seu verde movimento<br />
E chiam a alva espuma<br />
No moreno das praias.</p>
<p>Uma após uma as nuvens vagarosas<br />
Rasgam o seu redondo movimento<br />
E o sol aquece o espaço<br />
Do ar entre as nuvens escassas.</p>
<p>Indiferente a mim e eu a ela,<br />
A natureza deste dia calmo<br />
Furta pouco ao meu senso<br />
De se esvair o tempo.</p>
<p>Só uma vaga pena inconsequente<br />
Para um momento à porta da minha alma<br />
E após fitar-me um pouco<br />
Passa, a sorrir de nada.</p></blockquote>
<h3>Podemos crer-nos livres</h3>
<blockquote><p>Aqui, Neera, longe<br />
De homens e de cidades,<br />
Por ninguém nos tolher<br />
O passo, nem vedarem<br />
A nossa vista as casas,<br />
Podemos crer-nos livres.</p>
<p>Bem sei, é flava, que inda<br />
Nos tolhe a vida o corpo,<br />
E não temos a mão<br />
Onde temos a alma;<br />
Bem sei que mesmo aqui<br />
Se nos gasta esta carne<br />
Que os deuses concederam<br />
Ao estado antes de Averno.</p>
<p>Mas aqui não nos prendem<br />
Mais coisas do que a vida,<br />
Mãos alheias não tomam<br />
Do nosso braço, ou passos<br />
Humanos se atravessam<br />
Pelo nosso caminho.</p>
<p>Não nos sentimos presos<br />
Senão com pensarmos nisso,<br />
Por isso não pensemos<br />
E deixemo-nos crer<br />
Na inteira liberdade<br />
Que é a ilusão que agora<br />
Nos torna iguais dos deuses.</p></blockquote>
<h3>Mestre, são plácidas</h3>
<blockquote><p>Mestre, são plácidas<br />
Todas as horas<br />
Que nós perdemos.<br />
Se no perdê-las,<br />
Qual numa jarra,<br />
Nós pomos flores.</p>
<p>Não há tristezas<br />
Nem alegrias<br />
Na nossa vida.<br />
Assim saibamos,<br />
Sábios incautos,<br />
Não a viver,</p>
<p>Mas decorrê-la,<br />
Tranquilos, plácidos,<br />
Tendo as crianças<br />
Por nossas mestras,<br />
E os olhos cheios<br />
De Natureza…</p>
<p>A beira-rio,<br />
A beira-estrada,<br />
Conforme calha,<br />
Sempre no mesmo<br />
Leve descanso<br />
De estar vivendo.</p>
<p>O tempo passa,<br />
Não nos diz nada.<br />
Envelhecemos.<br />
Saibamos, quase<br />
Maliciosos,<br />
Sentir-nos ir.</p>
<p>Não vale a pena<br />
Fazer um gesto.<br />
Não se resiste<br />
Ao deus atroz<br />
Que os próprios filhos<br />
Devora sempre.</p>
<p>Colhamos flores.<br />
Molhemos leves<br />
As nossas mãos<br />
Nos rios calmos,<br />
Para aprendermos<br />
Calma também.</p>
<p>Girassóis sempre<br />
Fitando o Sol,<br />
Da vida iremos<br />
Tranquilos, tendo<br />
Nem o remorso<br />
De ter vivido.</p></blockquote>
<h3>Severo narro. Quanto sinto, penso</h3>
<blockquote><p>Severo narro. Quanto sinto, penso.<br />
Palavras são ideias.<br />
Múrmuro, o rio passa, e o que não passa,<br />
Que é nosso, não do rio.<br />
Assim quisesse o verso: meu e alheio<br />
E por mim mesmo lido.</p></blockquote>
<h3>Vive sem horas. Quanto mede pesa</h3>
<blockquote><p>Vive sem horas. Quanto mede pesa,<br />
E quanto pensas mede.<br />
Num fluido incerto nexo, como o rio<br />
Cujas ondas são ele,<br />
Assim teus dias vê, e se te vires<br />
Passar, como a outrem, cala.</p></blockquote>
<h3>Quero ignorado, e calmo</h3>
<blockquote><p>Quero ignorado, e calmo<br />
Por ignorado, e próprio<br />
Por calmo, encher meus dias<br />
De não querer mais deles.</p>
<p>Aos que a riqueza toca<br />
O ouro irrita a pele.<br />
Aos que a fama bafeja<br />
Embacia-se a vida.</p>
<p>Aos que a felicidade<br />
É sol, virá a noite.<br />
Mas ao que nada espera<br />
Tudo que vem é grato.</p></blockquote>
<h3>Não tenhas nada nas mãos</h3>
<blockquote><p>Não tenhas nada nas mãos<br />
Nem uma memória na alma,</p>
<p>Que quando te puserem<br />
Nas mãos o óbolo último,</p>
<p>Ao abrirem-te as mãos<br />
Nada te cairá.</p>
<p>Que trono te querem dar<br />
Que Átropos to não tire?</p>
<p>Que louros que não fanem<br />
Nos arbítrios de Minos?</p>
<p>Que horas que te não tornem<br />
Da estatura da sombra</p>
<p>Que serás quando fores<br />
Na noite e ao fim da estrada.</p>
<p>Colhe as flores mas larga-as,<br />
Das mãos mal as olhaste.</p>
<p>Senta-te ao sol. Abdica<br />
E sê rei de ti próprio.</p></blockquote>
<h3>Meu gesto que destrói</h3>
<blockquote><p>Meu gesto que destrói<br />
A mole das formigas,<br />
Tomá-lo-ão elas por de um ser divino;<br />
Mas eu não sou divino para mim.</p>
<p>Assim talvez os deuses<br />
Para si o não sejam,<br />
E só de serem do que nós maiores<br />
Tirem o serem deuses para nós.</p>
<p>Seja qual for o certo,<br />
Mesmo para com esses<br />
Que cremos serem deuses, não sejamos<br />
Inteiros numa fé talvez sem causa.</p></blockquote>
<h3>Uns, com os olhos postos no passado</h3>
<blockquote><p>Uns, com os olhos postos no passado,<br />
Veem o que não veem; outros, fitos<br />
Os mesmos olhos no futuro, veem<br />
O que não pode ver-se.</p>
<p>Porque tão longe ir pôr o que está perto —<br />
A segurança nossa? Este é o dia,<br />
Esta é a hora, este o momento, isto<br />
É quem somos, e é tudo.</p>
<p>Perene flui a interminável hora<br />
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto<br />
Em que vivemos, morreremos. Colhe<br />
O dia, porque és ele.</p></blockquote>
<h4>Sobre Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa foi um poeta e escritor português que nasceu em Lisboa, em 13 de junho de 1888.</p>
<p>Sua vasta obra contempla poemas, escritos filosóficos, sociológicos, astrológicos, ensaios de crítica literária, entre outros.</p>
<p>Em vida, Fernando Pessoa trabalhou como tradutor, correspondente estrangeiro, crítico literário e colaborador em revistas literárias, recusando alguns empregos para que pudesse se dedicar à literatura.</p>
<p>O poeta chegou a matricular-se na Faculdade de Letras de Lisboa, abandonando-a sem concluir o curso.</p>
<p>Sem dúvida, a grande excentricidade de Fernando Pessoa está em seus conhecidos heterônimos, que não são senão variações de sua própria personalidade, mas construídos com engenho incrível.</p>
<p>O poeta não se limitou a criar personalidades para seus heterônimos, e deu luz a uma história de vida completa para cada um deles, com data de nascimento adequando-se aos respectivos horóscopos, temperamento, estilo de vida, estilo literário e até data de óbito.</p>
<p>Fernando Pessoa faleceu em 30 de novembro de 1935, deixando em seu espólio cerca de 25 mil páginas de textos, que vêm sendo publicados lentamente desde então.</p>
<h4>Os heterônimos de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa ficou famoso por escrever sob o nome de <a href="https://dicionario.priberam.org/heter%C3%B3nimo" target="_blank" rel="noopener">heterônimos</a>.</p>
<p>Foram muitas e muitas personalidades criadas por ele, e abaixo fazemos um resumo biográfico das quatro mais famosas:</p>
<ul>
<li>Álvaro de Campos: nascido em Tavira, em 1890. Possuía temperamento emotivo e, por isso mesmo, é às vezes eufórico e exaltado. Viajou para a Escócia e para o Oriente, educou-se na Inglaterra e formou-se engenheiro.</li>
<li>Alberto Caeiro: nascido em Lisboa, em 1889, e falecido de tuberculose. Escrevia poemas, mas não possuía educação formal. Era denominado mestre por Álvaro de Campos, que o colocava como precursor e ícone do movimento literário que ficou conhecido em Portugal como Sensacionismo. Distinguia-se pela racionalidade e objetividade, e tinha uma vida ligada ao campo e aos rebanhos.</li>
<li>Ricardo Reis: nascido no Porto, em 1887. Era médico e, segundo nos conta Pessoa, &#8220;está frequentemente no Brasil&#8221;.</li>
<li>Bernardo Soares: era um &#8220;ajudante de guarda-livros&#8221; lisboeta, autor do famosíssimo <em>Livro do desassossego</em>. Era considerado um &#8220;semi-heterônimo&#8221; por Fernando Pessoa, porque, nas palavras do poeta, &#8220;não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e afectividade&#8221;.</li>
</ul>
<h4>Obras de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa publicou poucas obras em vida e, até hoje, possui parte de seus manuscritos inéditos.</p>
<p>Seus textos em poesia e prosa já foram editados sob muitos títulos, e abaixo destacamos algumas de suas obras mais conhecidas:</p>
<ul>
<li><em>35 sonnets (1918)</em></li>
<li><em>Antinous (1918)</em></li>
<li><em>English poems (1921) — em três volumes</em></li>
<li><em>Mensagem (1934)</em></li>
<li><em>A Nova Poesia Portuguesa (1944)</em></li>
<li><em>Poemas Dramáticos (1952)</em></li>
<li><em>Cartas de Amor de Fernando Pessoa (1978)</em></li>
<li><em>Sobre Portugal (1979)</em></li>
<li><em>Textos de Crítica e de Intervenção (1980)</em></li>
<li><em>Livro do desassossego (1982)</em></li>
<li><em>Obra Poética de Fernando Pessoa (1986)</em></li>
<li><em>Primeiro Fausto (1986)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas de Ricardo Reis</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-alvaro-de-campos-poesia/">poemas de Álvaro de Campos</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
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</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>4 poemas de Álvaro de Campos, o mais emotivo dentre os heterônimos pessoanos</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-de-alvaro-de-campos-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-de-alvaro-de-campos-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Jun 2024 15:28:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poetas portugueses]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=3435</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas de &#193;lvaro de Campos, o mais emotivo dentre os heter&#244;nimos pessoanos! &#193;lvaro de Campos &#233; o mais emotivo entre os heter&#244;nimos de Fernando Pessoa e, em raz&#227;o desta suscetibilidade, &#233; tamb&#233;m o que se expressa com maior emo&#231;&#227;o. &#201; deste heter&#244;nimo que sa&#237;ram algumas das composi&#231;&#245;es mais famosas de&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-alvaro-de-campos-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">4 poemas de Álvaro de Campos, o mais emotivo dentre os heterônimos pessoanos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas de Álvaro de Campos, o mais emotivo dentre os heterônimos pessoanos!</em></span></p>
<p>Álvaro de Campos é o mais emotivo entre os heterônimos de Fernando Pessoa e, em razão desta suscetibilidade, é também o que se expressa com maior emoção.</p>
<p>É deste heterônimo que saíram algumas das composições mais famosas de Pessoa, como o poema<em> <a href="https://comofazerumpoema.com/tabacaria-fernando-pessoa-todos-sonhos-mundo/">Tabacaria</a></em> e as célebres <em>Ode marítima</em> e <em>Ode triunfal</em>.</p>
<p>Nos poemas de Álvaro de Campos destaca-se uma força expressiva e uma energia incomuns, que por vezes pode soar até exagerada; mas é característico deste heterônimo o deixar-se levar pelo sentimento e expressá-lo com força máxima, ainda que soe eufórico ou exaltado.</p>
<p>Dito isso, preparamos uma seleção com 4 poemas de Álvaro de Campos para que você possa apreciar o estilo deste heterônimo.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Álvaro de Campos</h2>
<h3>Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo</h3>
<blockquote><p>Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo.<br />
São — tictac visível — quatro horas de tardar o dia.<br />
Abro a janela diretamente, no desespero da insônia.<br />
E, de repente, humano,<br />
O quadrado com cruz de uma janela iluminada!</p>
<p>Fraternidade na noite!<br />
Fraternidade involuntária, incógnita, na noite!<br />
Estamos ambos despertos e a humanidade é alheia.<br />
Dorme. Nós temos luz.</p>
<p>Quem serás? Doente, moedeiro falso, insone simples como eu?<br />
Não importa. A noite eterna, informe, infinita,<br />
Só tem, neste lugar, a humanidade das nossas duas janelas,<br />
O coração latente das nossas duas luzes,<br />
Neste momento e lugar, ignorando-nos, somos toda a vida.<br />
Sobre o parapeito da janela da traseira da casa,<br />
Sentindo úmida da noite a madeira onde agarro,<br />
Debruço-me para o infinito e, um pouco, para mim.</p>
<p>Nem galos gritando ainda no silêncio definitivo!<br />
Que fazes, camarada, da janela com luz?<br />
Sonho, falta de sono, vida?<br />
Tom amarelo cheio da tua janela incógnita…<br />
Tem graça: não tens luz elétrica.<br />
Ó candeeiros de petróleo da minha infância perdida!</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira a nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/acordo-de-noite-muito-noite-fernando-pessoa/">Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo, de Álvaro de Campos</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Quando olho para mim não me percebo</h3>
<blockquote><p>Quando olho para mim não me percebo.<br />
Tenho tanto a mania de sentir<br />
Que me extravio às vezes ao sair<br />
Das próprias sensações que eu recebo.</p>
<p>O ar que respiro, este licor que bebo<br />
Pertencem ao meu modo de existir,<br />
E eu nunca sei como hei-de concluir<br />
As sensações que a meu pesar concebo.</p>
<p>Nem nunca, propriamente, reparei<br />
Se na verdade sinto o que sinto. Eu<br />
Serei tal qual pareço em mim? serei</p>
<p>Tal qual me julgo verdadeiramente?<br />
Mesmo ante às sensações sou um pouco ateu,<br />
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira a nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/quando-olho-para-mim-nao-me-percebo-pessoa/">Quando olho para mim não me percebo, de Álvaro de Campos</a>.</em></li>
</ul>
<h3>O que há em mim é sobretudo cansaço</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe title="Poema O que há em mim é sobretudo cansaço, de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/zRuICj_eSDw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>O que há em mim é sobretudo cansaço —<br />
Não disto nem daquilo,<br />
Nem sequer de tudo ou de nada:<br />
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,<br />
Cansaço.</p>
<p>A sutileza das sensações inúteis,<br />
As paixões violentas por coisa nenhuma,<br />
Os amores intensos por o suposto em alguém,<br />
Essas coisas todas —<br />
Essas e o que falta nelas eternamente —;<br />
Tudo isso faz um cansaço,<br />
Este cansaço,<br />
Cansaço.</p>
<p>Há sem dúvida quem ame o infinito,<br />
Há sem dúvida quem deseje o impossível,<br />
Há sem dúvida quem não queira nada —<br />
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:<br />
Porque eu amo infinitamente o finito,<br />
Porque eu desejo impossivelmente o possível,<br />
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,<br />
Ou até se não puder ser…</p>
<p>E o resultado?<br />
Para eles a vida vivida ou sonhada,<br />
Para eles o sonho sonhado ou vivido,<br />
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, a vida…<br />
Para mim só um grande, um profundo,<br />
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,<br />
Um supremíssimo cansaço,<br />
Íssimo, íssimo, íssimo,<br />
Cansaço…</p></blockquote>
<ul>
<li>Confira a nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-ha-em-mim-e-sobretudo-cansaco-pessoa/">O que há em mim é sobretudo cansaço, de Álvaro de Campos</a>.</li>
</ul>
<h3>Poema em linha reta</h3>
<blockquote><p>Nunca conheci quem tivesse levado porrada.<br />
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.</p>
<p>E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,<br />
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,<br />
Indesculpavelmente sujo,<br />
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,<br />
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,<br />
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das<br />
etiquetas,<br />
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,<br />
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,<br />
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;<br />
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,<br />
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,<br />
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,<br />
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado<br />
Para fora da possibilidade do soco;<br />
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,<br />
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.</p>
<p>Toda a gente que eu conheço e que fala comigo<br />
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,<br />
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…</p>
<p>Quem me dera ouvir de alguém a voz humana<br />
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;<br />
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!<br />
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.<br />
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?<br />
Ó príncipes, meus irmãos,</p>
<p>Arre, estou farto de semideuses!<br />
Onde é que há gente no mundo?</p>
<p>Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?</p>
<p>Poderão as mulheres não os terem amado,<br />
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!<br />
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,<br />
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?<br />
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,<br />
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira a nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-em-linha-reta-fernando-pessoa-poesia/">Poema em linha reta, de Álvaro de Campos</a>.</em></li>
</ul>
<h4>Sobre Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa foi um poeta e escritor português que nasceu em Lisboa, em 13 de junho de 1888.</p>
<p>Sua vasta obra contempla poemas, escritos filosóficos, sociológicos, astrológicos, ensaios de crítica literária, entre outros.</p>
<p>Em vida, Fernando Pessoa trabalhou como tradutor, correspondente estrangeiro, crítico literário e colaborador em revistas literárias, recusando alguns empregos para que pudesse se dedicar à literatura.</p>
<p>O poeta chegou a matricular-se na Faculdade de Letras de Lisboa, abandonando-a sem concluir o curso.</p>
<p>Sem dúvida, a grande excentricidade de Fernando Pessoa está em seus conhecidos heterônimos, que não são senão variações de sua própria personalidade, mas construídos com engenho incrível.</p>
<p>O poeta não se limitou a criar personalidades para seus heterônimos, e deu luz a uma história de vida completa para cada um deles, com data de nascimento adequando-se aos respectivos horóscopos, temperamento, estilo de vida, estilo literário e até data de óbito.</p>
<p>Fernando Pessoa faleceu em 30 de novembro de 1935, deixando em seu espólio cerca de 25 mil páginas de textos, que vêm sendo publicados lentamente desde então.</p>
<h4>Os heterônimos de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa ficou famoso por escrever sob o nome de <a href="https://dicionario.priberam.org/heter%C3%B3nimo" target="_blank" rel="noopener">heterônimos</a>.</p>
<p>Foram muitas e muitas personalidades criadas por ele, e abaixo fazemos um resumo biográfico das quatro mais famosas:</p>
<ul>
<li>Álvaro de Campos: nascido em Tavira, em 1890. Possuía temperamento emotivo e, por isso mesmo, é às vezes eufórico e exaltado. Viajou para a Escócia e para o Oriente, educou-se na Inglaterra e formou-se engenheiro.</li>
<li>Alberto Caeiro: nascido em Lisboa, em 1889, e falecido de tuberculose. Escrevia poemas, mas não possuía educação formal. Era denominado mestre por Álvaro de Campos, que o colocava como precursor e ícone do movimento literário que ficou conhecido em Portugal como Sensacionismo. Distinguia-se pela racionalidade e objetividade, e tinha uma vida ligada ao campo e aos rebanhos.</li>
<li>Ricardo Reis: nascido no Porto, em 1887. Era médico e, segundo nos conta Pessoa, &#8220;está frequentemente no Brasil&#8221;.</li>
<li>Bernardo Soares: era um &#8220;ajudante de guarda-livros&#8221; lisboeta, autor do famosíssimo <em>Livro do desassossego</em>. Era considerado um &#8220;semi-heterônimo&#8221; por Fernando Pessoa, porque, nas palavras do poeta, &#8220;não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e afectividade&#8221;.</li>
</ul>
<h4>Obras de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa publicou poucas obras em vida e, até hoje, possui parte de seus manuscritos inéditos.</p>
<p>Seus textos em poesia e prosa já foram editados sob muitos títulos, e abaixo destacamos algumas de suas obras mais conhecidas:</p>
<ul>
<li><em>35 sonnets (1918)</em></li>
<li><em>Antinous (1918)</em></li>
<li><em>English poems (1921) — em três volumes</em></li>
<li><em>Mensagem (1934)</em></li>
<li><em>A Nova Poesia Portuguesa (1944)</em></li>
<li><em>Poemas Dramáticos (1952)</em></li>
<li><em>Cartas de Amor de Fernando Pessoa (1978)</em></li>
<li><em>Sobre Portugal (1979)</em></li>
<li><em>Textos de Crítica e de Intervenção (1980)</em></li>
<li><em>Livro do desassossego (1982)</em></li>
<li><em>Obra Poética de Fernando Pessoa (1986)</em></li>
<li><em>Primeiro Fausto (1986)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas de Álvaro de Campos.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver a nossa coletânea de <a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-alberto-caeiro-poesia/">poemas de Alberto Caeiro</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
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			</item>
		<item>
		<title>7 poemas de Alberto Caeiro para conhecer este heterônimo pessoano</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/poemas-de-alberto-caeiro-poesia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=poemas-de-alberto-caeiro-poesia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 May 2024 15:35:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[citações e poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poetas portugueses]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=3432</guid>

					<description><![CDATA[Confira a nossa sele&#231;&#227;o de poemas de Alberto Caeiro para conhecer este heter&#244;nimo pessoano! Em muitos sentidos, &#233; Alberto Caeiro o heter&#244;nimo mais importante de Fernando Pessoa. Denominado &#8220;mestre&#8221; por outros heter&#244;nimos, assim o pr&#243;prio Fernando Pessoa descreve, em carta, a sua primeira apari&#231;&#227;o: (&#8230;) acerquei-me de uma c&#244;moda alta, e, tomando um papel, comecei&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/poemas-de-alberto-caeiro-poesia/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">7 poemas de Alberto Caeiro para conhecer este heterônimo pessoano</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Confira a nossa seleção de poemas de Alberto Caeiro para conhecer este heterônimo pessoano!</em></span></p>
<p>Em muitos sentidos, é Alberto Caeiro o heterônimo mais importante de Fernando Pessoa.</p>
<p>Denominado &#8220;mestre&#8221; por outros heterônimos, assim o próprio Fernando Pessoa descreve, em <a href="http://arquivopessoa.net/textos/3007" target="_blank" rel="noopener">carta</a>, a sua primeira aparição:</p>
<blockquote><p>(&#8230;) acerquei-me de uma cômoda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com um título, <em>O Guardador de Rebanhos</em>. E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre. Foi essa a sensação imediata que tive.</p></blockquote>
<p>Caeiro é um poeta distinto pela racionalidade e objetividade, e por levar uma vida ligada ao campo e aos rebanhos.</p>
<p>A maioria de seus poemas são <a href="https://comofazerumpoema.com/ecloga-egloga-caracteristicas-exemplos-poesia/">éclogas</a> em <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-livre-caracteristicas-exemplos/">verso livre</a>, portanto, são poemas que se passam num cenário campestre, manso e agradável, nos quais o poeta reflete sobre a natureza e expõe sua filosofia de vida.</p>
<p>Dito isso, preparamos uma seleção com 7 poemas de Alberto Caeiro para que você possa apreciar o estilo deste célebre heterônimo.</p>
<p>Boa leitura!</p>
<h2>Poemas de Alberto Caeiro</h2>
<h3>Se, depois de eu morrer</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe title="Poema Se, depois de eu morrer, de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/20yyx3BqMcE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,<br />
Não há nada mais simples.<br />
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.<br />
Entre uma e outra coisa todos os dias são meus.</p>
<p>Sou fácil de definir.<br />
Vi como um danado.<br />
Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.<br />
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.<br />
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.<br />
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;<br />
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.<br />
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.</p>
<p>Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.<br />
Fechei os olhos e dormi.<br />
Além disso, fui o único poeta da Natureza.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-se-depois-de-eu-morrer-faernando-pessoa/">Se, depois de eu morrer, de Alberto Caeiro</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Não tenho pressa. Pressa de quê?</h3>
<blockquote><p>Não tenho pressa. Pressa de quê?<br />
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.<br />
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,<br />
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.<br />
Não; não sei ter pressa.<br />
Se estendo o braço, chego exatamente aonde o meu braço chega —<br />
Nem um centímetro mais longe.<br />
Toco só onde toco, não aonde penso.<br />
Só me posso sentar aonde estou.<br />
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,<br />
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,<br />
E vivemos vadios da nossa realidade.<br />
E estamos sempre fora dela porque estamos aqui.</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-nao-tenho-pressa-pressa-fernando-pessoa/">Não tenho pressa. Pressa de quê?, de Alberto Caeiro</a>.</em></li>
</ul>
<h3>O meu olhar é nítido como um girassol</h3>
<blockquote><p>O meu olhar é nítido como um girassol.<br />
Tenho o costume de andar pelas estradas<br />
Olhando para a direita e para a esquerda,<br />
E de vez em quando olhando para trás…<br />
E o que vejo a cada momento<br />
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,<br />
E eu sei dar por isso muito bem…<br />
Sei ter o pasmo essencial<br />
Que tem uma criança se, ao nascer,<br />
Reparasse que nascera deveras…<br />
Sinto-me nascido a cada momento<br />
Para a eterna novidade do mundo…</p>
<p>Creio no mundo como num malmequer,<br />
Porque o vejo. Mas não penso nele<br />
Porque pensar é não compreender…<br />
O Mundo não se fez para pensarmos nele<br />
(Pensar é estar doente dos olhos)<br />
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…</p>
<p>Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…<br />
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.<br />
Mas porque a amo, e amo-a por isso,<br />
Porque quem ama nunca sabe o que ama<br />
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…</p>
<p>Amar é a eterna inocência,<br />
E a única inocência não pensar…</p></blockquote>
<h3>Se eu pudesse</h3>
<div class="nv-iframe-embed"><iframe title="Poema Se eu pudesse, de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) | como fazer um poema" width="1200" height="675" src="https://www.youtube.com/embed/ZdFZtkEtDdY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<blockquote><p>XXI</p>
<p>Se eu pudesse trincar a terra toda<br />
E sentir-lhe um paladar,<br />
E se a terra fosse uma coisa para trincar<br />
Seria mais feliz um momento…<br />
Mas eu nem sempre quero ser feliz.<br />
É preciso ser de vez em quando infeliz<br />
Para se poder ser natural…</p>
<p>Nem tudo é dias de sol,<br />
E a chuva, quando falta muito, pede-se.<br />
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade<br />
Naturalmente, como quem não estranha<br />
Que haja montanhas e planícies<br />
E que haja rochedos e erva…</p>
<p>O que é preciso é ser-se natural e calmo<br />
Na felicidade ou na infelicidade,<br />
Sentir como quem olha,<br />
Pensar como quem anda,<br />
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,<br />
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…<br />
Assim é e assim seja…</p></blockquote>
<ul>
<li><em>Confira nossa análise completa de <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-se-eu-pudesse-fernando-pessoa-caeiro/">Se eu pudesse, de Alberto Caeiro</a>.</em></li>
</ul>
<h3>Nunca busquei viver a minha vida</h3>
<blockquote><p>Nunca busquei viver a minha vida<br />
A minha vida viveu-se sem que eu quisesse ou não quisesse.<br />
Só quis ver como se não tivesse alma<br />
Só quis ver como se fosse eterno.</p></blockquote>
<h3>Dizes-me: tu és mais alguma coisa</h3>
<blockquote><p>Dizes-me: tu és mais alguma coisa<br />
Que uma pedra ou uma planta.<br />
Dizes-me: sentes, pensas e sabes<br />
Que pensas e sentes.<br />
Então as pedras escrevem versos?<br />
Então as plantas têm ideias sobre o mundo?</p>
<p>Sim: há diferença.<br />
Mas não é a diferença que encontras;<br />
Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as coisas:<br />
Só me obriga a ser consciente.</p>
<p>Se sou mais que uma pedra ou uma planta? Não sei.<br />
Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos.</p>
<p>Ter consciência é mais que ter cor?<br />
Pode ser e pode não ser.<br />
Sei que é diferente apenas.<br />
Ninguém pode provar que é mais que só diferente.</p>
<p>Sei que a pedra é a real, e que a planta existe.<br />
Sei isto porque elas existem.</p>
<p>Sei isto porque os meus sentidos mo mostram.<br />
Sei que sou real também.<br />
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram,<br />
Embora com menos clareza que me mostram a pedra e a planta.<br />
Não sei mais nada.</p>
<p>Sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos.<br />
Sim, faço ideias sobre o mundo, e a planta nenhumas.<br />
Mas é que as pedras não são poetas, são pedras;<br />
E as plantas são plantas só, e não pensadores.<br />
Tanto posso dizer que sou superior a elas por isto,<br />
Como que sou inferior.<br />
Mas não digo isso: digo da pedra, “é uma pedra”,<br />
Digo da planta, “é uma planta”,<br />
Digo de mim, “sou eu”.<br />
E não digo mais nada. Que mais há a dizer?</p></blockquote>
<h3>Quem me dera eu fosse o pó da estrada</h3>
<blockquote><p>Quem me dera eu fosse o pó da estrada<br />
E que os pés dos pobres me estivessem pisando…</p>
<p>Quem me dera eu fosse os rios que correm<br />
E que as lavadeiras estivessem à minha beira…</p>
<p>Quem me dera eu fosse os choupos à margem do rio<br />
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo…</p>
<p>Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro<br />
E que ele me batesse e me estimasse…</p>
<p>Antes isso que ser o que atravessa a vida<br />
Olhando para trás de si e tendo pena…</p></blockquote>
<h4>Sobre Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa foi um poeta e escritor português que nasceu em Lisboa, em 13 de junho de 1888.</p>
<p>Sua vasta obra contempla poemas, escritos filosóficos, sociológicos, astrológicos, ensaios de crítica literária, entre outros.</p>
<p>Em vida, Fernando Pessoa trabalhou como tradutor, correspondente estrangeiro, crítico literário e colaborador em revistas literárias, recusando alguns empregos para que pudesse se dedicar à literatura.</p>
<p>O poeta chegou a matricular-se na Faculdade de Letras de Lisboa, abandonando-a sem concluir o curso.</p>
<p>Sem dúvida, a grande excentricidade de Fernando Pessoa está em seus conhecidos heterônimos, que não são senão variações de sua própria personalidade, mas construídos com engenho incrível.</p>
<p>O poeta não se limitou a criar personalidades para seus heterônimos, e deu luz a uma história de vida completa para cada um deles, com data de nascimento adequando-se aos respectivos horóscopos, temperamento, estilo de vida, estilo literário e até data de óbito.</p>
<p>Fernando Pessoa faleceu em 30 de novembro de 1935, deixando em seu espólio cerca de 25 mil páginas de textos, que vêm sendo publicados lentamente desde então.</p>
<h4>Os heterônimos de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa ficou famoso por escrever sob o nome de <a href="https://dicionario.priberam.org/heter%C3%B3nimo" target="_blank" rel="noopener">heterônimos</a>.</p>
<p>Foram muitas e muitas personalidades criadas por ele, e abaixo fazemos um resumo biográfico das quatro mais famosas:</p>
<ul>
<li>Álvaro de Campos: nascido em Tavira, em 1890. Possuía temperamento emotivo e, por isso mesmo, é às vezes eufórico e exaltado. Viajou para a Escócia e para o Oriente, educou-se na Inglaterra e formou-se engenheiro.</li>
<li>Alberto Caeiro: nascido em Lisboa, em 1889, e falecido de tuberculose. Escrevia poemas, mas não possuía educação formal. Era denominado mestre por Álvaro de Campos, que o colocava como precursor e ícone do movimento literário que ficou conhecido em Portugal como Sensacionismo. Distinguia-se pela racionalidade e objetividade, e tinha uma vida ligada ao campo e aos rebanhos.</li>
<li>Ricardo Reis: nascido no Porto, em 1887. Era médico e, segundo nos conta Pessoa, &#8220;está frequentemente no Brasil&#8221;.</li>
<li>Bernardo Soares: era um &#8220;ajudante de guarda-livros&#8221; lisboeta, autor do famosíssimo <em>Livro do desassossego</em>. Era considerado um &#8220;semi-heterônimo&#8221; por Fernando Pessoa, porque, nas palavras do poeta, &#8220;não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e afectividade&#8221;.</li>
</ul>
<h4>Obras de Fernando Pessoa</h4>
<p>Fernando Pessoa publicou poucas obras em vida e, até hoje, possui parte de seus manuscritos inéditos.</p>
<p>Seus textos em poesia e prosa já foram editados sob muitos títulos, e abaixo destacamos algumas de suas obras mais conhecidas:</p>
<ul>
<li><em>35 sonnets (1918)</em></li>
<li><em>Antinous (1918)</em></li>
<li><em>English poems (1921) — em três volumes</em></li>
<li><em>Mensagem (1934)</em></li>
<li><em>A Nova Poesia Portuguesa (1944)</em></li>
<li><em>Poemas Dramáticos (1952)</em></li>
<li><em>Cartas de Amor de Fernando Pessoa (1978)</em></li>
<li><em>Sobre Portugal (1979)</em></li>
<li><em>Textos de Crítica e de Intervenção (1980)</em></li>
<li><em>Livro do desassossego (1982)</em></li>
<li><em>Obra Poética de Fernando Pessoa (1986)</em></li>
<li><em>Primeiro Fausto (1986)</em></li>
</ul>
<h4>Conclusão</h4>
<p>Ficamos por aqui!</p>
<p>Esperamos que você tenha gostado de nossa seleção de poemas de Alberto Caeiro.</p>
<p>Se você curtiu esse conteúdo, não deixe de ver o que escrevemos sobre <a href="https://comofazerumpoema.com/poema-o-que-me-doi-nao-e-fernando-pessoa/">O que me dói não é, de Fernando Pessoa</a>.</p>
<p>Um abraço e até a próxima!</p>
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</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Anáclase: o que é, características e exemplos</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/anaclase-poesia-caracteristicas-exemplos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=anaclase-poesia-caracteristicas-exemplos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 May 2024 16:59:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[glossário poético]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://comofazerumpoema.com/?p=3425</guid>

					<description><![CDATA[Saiba o que &#233; an&#225;clase em poesia, conhe&#231;a suas caracter&#237;sticas e veja exemplos de sua aplica&#231;&#227;o! A an&#225;clase &#233; um recurso estil&#237;stico frequentemente encontrado na poesia de diversos idiomas. Seu efeito &#233; gerar um dist&#250;rbio intencional no ritmo do verso, que pode simplesmente dinamiz&#225;-lo ou chamar a aten&#231;&#227;o para determinada palavra. A seguir, elucidaremos o&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/anaclase-poesia-caracteristicas-exemplos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Anáclase: o que é, características e exemplos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba o que é anáclase em poesia, conheça suas características e veja exemplos de sua aplicação!</em></span></p>
<p>A anáclase é um recurso estilístico frequentemente encontrado na poesia de diversos idiomas.</p>
<p>Seu efeito é gerar um distúrbio intencional no ritmo do verso, que pode simplesmente dinamizá-lo ou chamar a atenção para determinada palavra.</p>
<p>A seguir, elucidaremos o que é anáclase em poesia, quais são suas características e daremos exemplos de sua aplicação.</p>
<h2>Definição de anáclase</h2>
<p>Na poesia moderna, anáclase é o nome que se dá <strong>à inversão no posicionamento entre uma sílaba forte e uma sílaba fraca</strong> em versos de cadência silábico-acentual.</p>
<p>Em português, o mais comum é encontrarmos a anáclase em versos de <a href="https://comofazerumpoema.com/alternancia-ternaria-poesia-exemplos/">alternância binária</a>, o que equivale, na prática, a transformar um <a href="https://comofazerumpoema.com/iambo-o-que-e-caracteristicas-e-exemplos/">iambo</a> num <a href="https://comofazerumpoema.com/troqueu-o-que-e-caracteristicas-exemplos/">troqueu</a> ou vice-versa.</p>
<p>Este recurso estilístico deu-se nas línguas modernas por inspiração em processos semelhantes empregados na poesia greco-latina, em que era comum a inversão da quantidade da última sílaba de um pé com a inicial do pé seguinte.</p>
<p>A anáclase é também grafada <em>anaclasis</em>, termo proveniente do grego <em>anáklasis</em>, que significa &#8220;refração da luz ou do som&#8221;.</p>
<h2>Aplicação da anáclase</h2>
<p>A anáclase só se aplica a versos de cadência silábico-acentual, isto é, versos caracterizados tanto pelo número de sílabas poéticas que o compõem, quanto pelo posicionamento de seus acentos.</p>
<p>Em outras palavras: para que a anáclase seja empregada, e portanto surta o efeito desejado, e sendo a anáclase a inversão do posicionamento de duas sílabas, é preciso que haja um posicionamento natural destas sílabas no verso.</p>
<p>Um exemplo de anáclase se dá naquele que talvez seja o verso mais famoso da literatura mundial, presente em <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Hamlet" target="_blank" rel="noopener"><em>Hamlet</em></a>, de Shakespeare:</p>
<blockquote><p>To <strong>be</strong> or <strong>not</strong> to <strong>be</strong>, <strong>that</strong> is the <strong>ques</strong>tion (– ~ – ~ – ~ ~ – – ~)</p></blockquote>
<p>No verso acima, percebemos que o demonstrativo <em>&#8220;that&#8221;</em> está posicionado num local onde o ritmo iâmbico do verso demandaria uma sílaba não acentuada.</p>
<p>Empregando a anáclase, Shakespeare perturba intencionalmente o ritmo natural do verso, o que resulta numa notória ênfase na palavra fora de posição.</p>
<h2>Exemplo de anáclase</h2>
<p>Daremos mais um exemplo do emprego de anáclase, desta vez na poesia portuguesa.</p>
<p>Abaixo citamos as três primeiras estrofes do poema <em>A volta da Primavera</em>, de Castro Alves:</p>
<blockquote><p>Ai! não maldigas minha fronte pálida,<br />
E o peito gasto ao referver de amores.<br />
Vegetam louros — na caveira esquálida<br />
E a sepultura se reveste em flores.</p>
<p>Bem sei que um dia o vendaval da sorte<br />
Do mar lançou-me na gelada areia.<br />
Serei&#8230; que importa? o D. Juan da morte<br />
Dá-me o teu seio — e tu serás Haideia!</p>
<p>Pousa esta mão — nos meus cabelos úmidos!&#8230;<br />
Ensina à brisa ondulações suaves!<br />
Dá-me um abrigo nos teus seios túmidos!<br />
Fala!&#8230; que eu ouço o pipilar das aves!</p></blockquote>
<p>Todos estes doze decassílabos enquadram-se perfeitamente no ritmo iâmbico, isto é, seguindo um padrão de átona-tônica, átona-tônica, átona-tônica&#8230; até a última sílaba tônica do verso (– ~ – ~ – ~ – ~ – ~).</p>
<p>Notamos, contudo, o emprego da anáclase na primeira sílaba de alguns destes versos, que iniciam-se por sílaba tônica em vez de átona, como é natural do ritmo iâmbico.</p>
<p>Tal como no exemplo de Shakespeare, isso resulta num realce das palavras nas quais o acento invertido se encontra.</p>
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</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Alternância ternária: o que é, características e exemplos</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/alternancia-ternaria-poesia-exemplos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=alternancia-ternaria-poesia-exemplos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 May 2024 15:47:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[glossário poético]]></category>
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					<description><![CDATA[Saiba o que &#233; altern&#226;ncia tern&#225;ria em poesia, conhe&#231;a suas caracter&#237;sticas e veja exemplos de sua aplica&#231;&#227;o! H&#225;, em portugu&#234;s, dois tipos r&#237;tmicos b&#225;sicos em que o verso pode ser enquadrado: a chamada altern&#226;ncia bin&#225;ria, e a chamada altern&#226;ncia tern&#225;ria. Em ambos os casos, o verso que nelas se enquadra destaca-se por uma uniformidade r&#237;tmica,&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/alternancia-ternaria-poesia-exemplos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Alternância ternária: o que é, características e exemplos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba o que é alternância ternária em poesia, conheça suas características e veja exemplos de sua aplicação!</em></span></p>
<p>Há, em português, dois tipos rítmicos básicos em que o verso pode ser enquadrado: a chamada <a href="https://comofazerumpoema.com/alternancia-binaria-poesia-exemplos/">alternância binária</a>, e a chamada alternância ternária.</p>
<p>Em ambos os casos, o verso que nelas se enquadra destaca-se por uma uniformidade rítmica, proveniente do posicionamento equidistante dos acentos, embora possa apresentar variações quanto ao <a href="https://comofazerumpoema.com/pe-ou-celula-metrica-poesia-tipos-exemplos/">pé</a> utilizado.</p>
<p>A seguir, elucidaremos o que é alternância ternária em poesia, quais são suas características e daremos exemplos de sua aplicação.</p>
<h2>Definição de alternância ternária</h2>
<p>Em poesia, alternância ternária é uma <strong>série rítmica regular em que as sílabas fortes sucedem-se em intervalos de três sílabas.</strong></p>
<p>Dizendo de outra forma, é uma série rítmica regular em que uma sílaba forte é sempre espaçada de outra sílaba forte por duas sílabas fracas.</p>
<p>Alternância ternária significa alternância entre três elementos; neste caso, significa uma sucessão entre uma sílaba forte e duas sílabas fracas, cujo posicionamento pode variar.</p>
<h2>Aplicação da alternância ternária</h2>
<p>A alternância ternária é empregada em português em todos os metros que comportam ao menos dois pés de três sílabas.</p>
<p>A depender da organização de sílabas fortes e fracas no verso, a alternância ternária pode ser:</p>
<ol>
<li><a href="https://comofazerumpoema.com/datilo-o-que-e-caracteristicas-exemplos/"><strong>Datílica</strong></a>: caso consista numa sucessão de dátilos, isto é, de pés compostos de uma sílaba forte seguida de duas sílabas fracas (~ – –)</li>
<li><a href="https://comofazerumpoema.com/anfibraco-o-que-e-caracteristicas-exemplos/"><strong>Anfíbráquica</strong></a>: caso consista numa sucessão de anfíbracos, isto é, de pés compostos de uma sílaba forte entre duas fracas (– ~ –).</li>
<li><a href="https://comofazerumpoema.com/anapesto-o-que-e-caracteristicas-exemplos/"><strong>Anapéstica</strong></a>: caso consista numa sucessão de anapestos, isto é, de pés compostos de duas sílabas fracas seguidas de uma sílaba forte (– – ~).</li>
</ol>
<p>No primeiro caso, nota-se que o movimento só se concretiza perfeitamente em <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-esdruxulo-caracteristicas-exemplos/">versos esdrúxulos</a>; no segundo, apenas em <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-grave-caracteristicas-exemplos/">versos graves</a> e, no terceiro, apenas em <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-agudo-caracteristicas-exemplos/">versos agudos</a>.</p>
<p>A prática portuguesa, contudo, é empregar de praxe todos estes movimentos considerando-os apenas até a última sílaba tônica do verso.</p>
<p>Também se nota que o movimento perfeito exige determinados metros, a depender do pé utilizado:</p>
<ul>
<li>Datílico: aplicável ao <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-heptassilabo-caracteristicas-exemplos/">heptassílabo</a> (três dátilos) e <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-decassilabo-caracteristicas-exemplos/">decassílabo</a> (quatro dátilos); embora teoricamente também seja aplicável ao <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-tetrassilabo-caracteristicas-exemplos/">tetrassílabo</a> (dois dátilos).</li>
<li>Anfibráquico: aplicável ao <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-pentassilabo-caracteristicas-exemplos/">pentassílabo</a> (dois anfíbracos) e <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-hendecassilabo-caracteristicas-exemplos/">hendecassílabo</a> (três anfíbracos).</li>
<li>Anapéstico: aplicável ao <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-hexassilabo-caracteristicas-exemplos/">hexassílabo</a> (dois anapestos), <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-eneassilabo-caracteristicas-exemplos/">eneassílabo </a>(três anapestos) e <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-dodecassilabo-caracteristicas-exemplos/">dodecassílabo</a> (quatro anapestos).</li>
</ul>
<p>Independentemente do pé utilizado, a alternância ternária costuma conferir uma <strong>sensação de harmonia e regularidade</strong> aos versos, além de um andamento notavelmente característico.</p>
<h2>Exemplos de alternância ternária</h2>
<p>Abaixo daremos alguns exemplos do emprego da alternância ternária em versos portugueses (nosso destaque para as sílabas tônicas):</p>
<h3>Ritmo datílico (sucessão de dátilos: ~ – – ~ – -…)</h3>
<blockquote><p><strong>Fo</strong>gem d’ou<strong>vir</strong> as se<strong>rei</strong>as<br />
(Sá de Miranda)</p>
<p><strong>Há</strong> de ca<strong>ir</strong> sobre as <strong>on</strong>das<br />
(Gonçalves Dias)</p>
<p><strong>Di</strong>a de <strong>sol</strong>, inun<strong>da</strong>do de <strong>sol</strong>!…<br />
(Camilo Pessanha)</p></blockquote>
<h3><span id="Ritmo_anfibraquico_sucessao_de_anfibracos_%E2%80%93_%E2%80%93_%E2%80%93_-%E2%80%A6" class="ez-toc-section"></span>Ritmo anfibráquico (sucessão de anfíbracos: – ~ – – ~ -…)</h3>
<blockquote><p>No <strong>ber</strong>ço pen<strong>den</strong>te de <strong>ra</strong>mos flo<strong>ri</strong>dos,<br />
Em <strong>que eu</strong> peque<strong>ni</strong>no fe<strong>liz</strong> dormi<strong>ta</strong>va,<br />
Quem <strong>é</strong> que esse <strong>ber</strong>ço, com <strong>to</strong>do o cui<strong>da</strong>do,<br />
Can<strong>tan</strong>do can<strong>ti</strong>gas, a<strong>le</strong>gre emba<strong>la</strong>va?<br />
(Casimiro de Abreu)</p></blockquote>
<h3><span id="Ritmo_anapestico_sucessao_de_anapestos_%E2%80%93_%E2%80%93_%E2%80%93_%E2%80%93_%E2%80%A6" class="ez-toc-section"></span>Ritmo anapéstico (sucessão de anapestos: – – ~ – – ~…)</h3>
<blockquote><p>Já não <strong>fa</strong>la Tu<strong>pã</strong> no ulu<strong>lar</strong> da pro<strong>ce</strong>la<br />
(Olavo Bilac)</p>
<p>Que mer<strong>gu</strong>lha no a<strong>bis</strong>mo e mer<strong>gu</strong>lha no as<strong>so</strong>mbro<br />
(Machado de Assis)</p></blockquote>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Alternância binária: o que é, características e exemplos</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/alternancia-binaria-poesia-exemplos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=alternancia-binaria-poesia-exemplos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 May 2024 15:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[glossário poético]]></category>
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					<description><![CDATA[Saiba o que &#233; altern&#226;ncia bin&#225;ria em poesia, conhe&#231;a suas caracter&#237;sticas e veja exemplos de sua aplica&#231;&#227;o! H&#225;, em portugu&#234;s, dois tipos r&#237;tmicos b&#225;sicos em que o verso pode ser enquadrado: a chamada altern&#226;ncia bin&#225;ria, e a chamada altern&#226;ncia tern&#225;ria. Em ambos os casos, o verso que nelas se enquadra destaca-se por uma uniformidade r&#237;tmica,&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/alternancia-binaria-poesia-exemplos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Alternância binária: o que é, características e exemplos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba o que é alternância binária em poesia, conheça suas características e veja exemplos de sua aplicação!</em></span></p>
<p>Há, em português, dois tipos rítmicos básicos em que o verso pode ser enquadrado: a chamada alternância binária, e a chamada <a href="https://comofazerumpoema.com/alternancia-ternaria-poesia-exemplos/">alternância ternária</a>.</p>
<p>Em ambos os casos, o verso que nelas se enquadra destaca-se por uma uniformidade rítmica, proveniente do posicionamento equidistante dos acentos, embora possa apresentar variações quanto ao <a href="https://comofazerumpoema.com/pe-ou-celula-metrica-poesia-tipos-exemplos/">pé</a> utilizado.</p>
<p>A seguir, elucidaremos o que é alternância binária em poesia, quais são suas características e daremos exemplos de sua aplicação.</p>
<h2>Definição de alternância binária</h2>
<p>Em poesia, alternância binária é uma <strong>série rítmica regular em que as sílabas fortes sucedem-se em intervalos de duas sílabas</strong>.</p>
<p>Dizendo de outra forma, é uma série rítmica regular em que uma sílaba forte é sempre seguida de uma sílaba fraca, e uma sílaba fraca sempre seguida de uma sílaba forte.</p>
<p>Alternância binária significa alternância entre dois elementos; neste caso, alternância entre sílabas fortes e fracas.</p>
<h2>Aplicação da alternância binária</h2>
<p>A alternância binária é empregada em português em todos os metros que comportam ao menos dois pés e pode apresentar duas variações, a depender da primeira sílaba do verso.</p>
<p>Caso a primeira sílaba do verso seja átona, dar-se-á um <a href="https://comofazerumpoema.com/iambo-o-que-e-caracteristicas-e-exemplos/">ritmo iâmbico</a> (<span style="font-size: 14pt;">&#8211; ~ &#8211; ~&#8230;</span>); caso seja tônica, dar-se-á um <a href="https://comofazerumpoema.com/troqueu-o-que-e-caracteristicas-exemplos/">ritmo trocaico</a> (<span style="font-size: 14pt;">~ &#8211; ~ -&#8230;</span>).</p>
<p>No primeiro caso, nota-se que o movimento só se concretiza perfeitamente em <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-agudo-caracteristicas-exemplos/">versos agudos</a>; já no segundo, o movimento só se concretiza perfeitamente em <a href="https://comofazerumpoema.com/verso-grave-caracteristicas-exemplos/">versos graves</a>.</p>
<p>A prática portuguesa, contudo, é empregar de praxe ambos os movimentos considerando-os apenas até a última sílaba tônica do verso.</p>
<p>Também se nota que o ritmo iâmbico perfeito aplica-se somente aos <a href="https://comofazerumpoema.com/metrificacao-13-tipos-de-verso-poesia-poemas/">metros</a> pares, enquanto o trocaico aos ímpares.</p>
<p>Independentemente do pé utilizado, a alternância binária costuma conferir uma <strong>sensação de harmonia e regularidade</strong> aos versos; mas pode, em contrapartida, conduzi-los às vezes à monotonia.</p>
<h2>Exemplos de alternância binária</h2>
<p>Abaixo daremos alguns exemplos do emprego da alternância binária em versos portugueses (nosso destaque para as sílabas tônicas):</p>
<h3>Ritmo iâmbico (sucessão de iambos: – ~ – ~…)</h3>
<blockquote><p>Que <strong>má</strong> ten<strong>ção</strong>, que <strong>pei</strong>to em <strong>nós</strong> se <strong>sen</strong>te<br />
(Camões)</p>
<p>A <strong>su</strong>a e<strong>nor</strong>me <strong>gra</strong>ça, o <strong>sal</strong> an<strong>ti</strong>go<br />
(Cassiano Ricardo)</p>
<p>O a<strong>mor</strong> flo<strong>rin</strong>do em <strong>nós</strong> a<strong>bril</strong> e ou<strong>tu</strong>bro<br />
(Geir Campos)</p>
<p>Fe<strong>chou</strong> à <strong>mi</strong>nha El<strong>vi</strong>ra a es<strong>qui</strong>va <strong>por</strong>ta<br />
(Machado de Assis)</p></blockquote>
<h3><span id="Ritmo_trocaico_sucessao_de_troqueus_%E2%80%93_-%E2%80%A6" class="ez-toc-section"></span>Ritmo trocaico (sucessão de troqueus: ~ – ~ -…)</h3>
<blockquote><p><strong>Oh</strong> que a<strong>ção</strong> re<strong>nhi</strong>da! <strong>ba</strong>las <strong>so</strong>bre <strong>ba</strong>las<br />
(Franklin Dória)</p>
<p><strong>Vão</strong>-me os <strong>o</strong>lhos <strong>ven</strong>do <strong>tu</strong>do em <strong>ro</strong>da <strong>mor</strong>to,<br />
<strong>Tu</strong>do <strong>chão</strong> de a<strong>rei</strong>as, <strong>sem</strong> um <strong>pin</strong>go <strong>d’á</strong>gua.<br />
(Alberto de Oliveira)</p></blockquote>
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		<title>Acróstico: o que é, características e exemplos</title>
		<link>https://comofazerumpoema.com/acrostico-o-que-e-caracteristicas-exemplos/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=acrostico-o-que-e-caracteristicas-exemplos</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[como fazer um poema]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 May 2024 19:32:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[glossário poético]]></category>
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					<description><![CDATA[Saiba o que &#233; acr&#243;stico em poesia, conhe&#231;a suas caracter&#237;sticas e veja exemplos de sua aplica&#231;&#227;o! O acr&#243;stico &#233; um tipo de composi&#231;&#227;o po&#233;tica que, embora tenha perdido espa&#231;o na poesia s&#233;ria, continua a ser muito empregado com finalidade educativa. Tal ocorre porque o acr&#243;stico possui uma camada de sentido adicional que estimula a criatividade&#8230;&#160;<a href="https://comofazerumpoema.com/acrostico-o-que-e-caracteristicas-exemplos/" rel="bookmark">Ler mais &#187;<span class="screen-reader-text">Acróstico: o que é, características e exemplos</span></a>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #808080;"><em>Saiba o que é acróstico em poesia, conheça suas características e veja exemplos de sua aplicação!</em></span></p>
<p>O acróstico é um tipo de composição poética que, embora tenha perdido espaço na poesia séria, continua a ser muito empregado com finalidade educativa.</p>
<p>Tal ocorre porque o acróstico possui uma camada de sentido adicional que estimula a criatividade de quem o escreve, além de convidar o leitor a decifrá-lo.</p>
<p>A seguir, elucidaremos o que é acróstico em poesia, quais são suas características e daremos exemplos de sua aplicação.</p>
<h2>Definição de acróstico</h2>
<p>Acróstico é uma composição poética em que <strong>o alinhamento vertical de determinadas letras que a compõem formam uma palavra ou frase</strong>.</p>
<p>Na maioria das vezes, tais letras são alinhadas no início dos versos.</p>
<p>Como facilmente se deduz, é em torno desta palavra ou frase formada que o acróstico é erigido, servindo os versos frequentemente para exaltá-la ou simplesmente caracterizá-la.</p>
<p>Geir Campos faz distinção entre três tipos de acrósticos: (1) o acróstico propriamente dito, cujo alinhamento da palavra ou frase em questão se dá no início dos versos; (2) o mesóstico, cujo alinhamento se dá no interior dos versos; (3) e o teléstico, cujo alinhamento se dá no fim dos versos.</p>
<p>Embora tais denominações não sejam de emprego corrente, os três tipos representados por elas são comumente encontrados, sendo o mais frequente denominá-los todos simplesmente acrósticos.</p>
<p>Ainda outros tipos de acrósticos são encontrados, variando o alinhamento (horizontal, por exemplo), o número de alinhamentos (dois ou três) e até a disposição gráfica dos versos, de forma a ressaltar a palavra alinhada.</p>
<h2>Aplicação do acróstico</h2>
<p>A aplicação mais frequente e tradicional do acróstico se dá sob a forma de <strong>homenagem à pessoa cujo nome é alinhado</strong> nas letras iniciais dos versos.</p>
<p>Esta pessoa, na poesia lírico-amorosa, é tradicionalmente a pessoa amada, embora também se encontre muitos acrósticos destinados a pessoas queridas, homenageadas pelo poema.</p>
<p>Além desta aplicação mais comum, os acrósticos são ainda utilizados para<strong> transmitir mensagens ou para caracterizar vocábulos</strong> os mais diversos, como &#8220;cidade&#8221;, &#8220;tristeza&#8221;, &#8220;amor&#8221;, que, formando-se através do alinhamento vertical das letras, servem também de temática ao poema.</p>
<p>Abaixo está um exemplo de acróstico, em versos citados por Manuel Bandeira em <em>A versificação em língua portuguesa</em>, cujas iniciais dos versos formam o nome Maria (nosso destaque para as iniciais):</p>
<blockquote><p><strong>M</strong>aria, tens no teu vulto<br />
<strong>A</strong> graça da ave e da flor.<br />
<strong>R</strong>endo-te mais do que amor<br />
<strong>I</strong>menso: rendo-te culto.<br />
<strong>A</strong>h! como à mãe do Senhor.</p></blockquote>
<h2>Exemplos de acróstico</h2>
<p>Abaixo daremos mais dois exemplos da aplicação do acróstico em português, com nosso destaque para as letras que formam palavras:</p>
<h3>Prefácio, de Antônio José da Silva</h3>
<p>Este acróstico serve de prefácio ao volume em que foram publicadas as comédias deste poeta brasileiro, queimado vivo pela Inquisição em 1739:</p>
<blockquote><p><strong>A</strong>migo leitor, prudente,<br />
<strong>N</strong>ão critico rigoroso<br />
<strong>T</strong>e desejo: mas, piedoso,<br />
<strong>O</strong>s meus defeitos consente:<br />
<strong>N</strong>ome não busco excelente<br />
<strong>I</strong>nsigne entre os escritores;<br />
<strong>O</strong>s aplausos inferiores<br />
<strong>J</strong>ulgo a meu plectro bastantes:<br />
<strong>O</strong>s encômios relevantes<br />
<strong>S</strong>ão para engenhos maiores.<br />
<strong>E</strong>sta cômica harmonia<br />
<strong>P</strong>assatempo é douto, e grave;<br />
<strong>H</strong>onesta e alegre e suave,<br />
<strong>D</strong>ivertida a melodia;<br />
<strong>A</strong>polo, que ilustra o dia,<br />
<strong>S</strong>oberano me reparte<br />
<strong>I</strong>deias, facundia e arte,<br />
<strong>L</strong>eitor, para divertir-te,<br />
<strong>V</strong>ontade para servir-te,<br />
<strong>A</strong>feto para agradar-te.</p></blockquote>
<h3>Vencido está de amor&#8230; Meu pensamento, de Camões</h3>
<p>Este acróstico é interessante por estar, primeiro, em forma de <a href="https://comofazerumpoema.com/o-que-e-soneto-tipos-caracteristicas-exemplos/">soneto</a> e, segundo, por conter dois, e não apenas um alinhamento vertical, algo que aumenta consideravelmente a dificuldade da composição.</p>
<blockquote><p><strong>V</strong>encido está de amor&#8230; <strong>M</strong>eu pensamento<br />
<strong>O</strong> mais que pode ser&#8230; <strong>V</strong>encida a vida,<br />
<strong>S</strong>ujeita a vos servir e&#8230; <strong>I</strong>nstituída,<br />
<strong>O</strong>ferecendo tudo&#8230; <strong>A</strong> vosso intento.</p>
<p><strong>C</strong>ontente deste bem&#8230; <strong>L</strong>ouva o momento,<br />
<strong>O</strong>u hora em que se viu&#8230; <strong>T</strong>ão bem perdida;<br />
<strong>M</strong>il vezes desejando&#8230; <strong>A</strong>ssi ferida,<br />
<strong>O</strong>utras mil renovar&#8230; <strong>S</strong>eu perdimento.</p>
<p><strong>C</strong>om esta pretensão&#8230; <strong>E</strong>stá segura<br />
<strong>A</strong> causa que me guia&#8230; <strong>N</strong>esta empresa<br />
<strong>T</strong>ão sobrenatural&#8230; <strong>H</strong>onrosa, e alta.</p>
<p><strong>J</strong>urando não querer&#8230; <strong>O</strong>utra ventura,<br />
<strong>V</strong>otando só por vós&#8230; <strong>R</strong>ara firmeza,<br />
<strong>O</strong>u ser no vosso amor&#8230; <strong>A</strong>chado em falta.</p></blockquote>
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